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Para alguns, PT tem que reconhecer erros, para outros Dilma pode renunciar

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Enquanto parte expressiva do PT reconhece corrupção no partido, o frei dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, ou simplesmente frei Betto teme que a presidente Dilma Roussef renuncie ao cargo diante das pressões e ao largo dos 3,5 anos que faltam para encerrar o seu mandato. ‘Me pergunto se ela vai aguentar o baque psicológico de três anos e meio com menos de 10% de aprovação’, chegou afirmar. Eu também estou com a mesma dúvida.

E cresce na sociedade o entendimento de que o primeiro problema, o que envolve a corrupção no Partido dos Trabalhadores desgastou profundamente a imagem daquele que em alguns momentos importantes da história recente brasileira desempenhou uma espécie de papel que indicava que ia redimir os pecados da politicagem vista até então. Não foi o que aconteceu. A tal corrupção dos representantes do poder público vem desde a instalacão da coroa portuguesa no Brasil e ainda não foi corrigida e nem sei será nesta encarnação.

Tolos seremos todos nós se acharmos que a corrupção é obra e arte apenas dos partidos e pol;iticos que estão sendo acusados agora. Não, não é.

O fato e com esse não se discute é que já era senso comum que em todas as negociações ou negociatas entre fornecedores e poder público ou até entre fornecedores e compradores na iniciativa privada sempre rola uma ‘taxinha’; modesta, tipo 10%, e todo comprador sabe disso. Esse era o rito de passagem para as compras e vendas se efetivarem. Nos governos foi a mesma coisa, para contratar produtos e serviços da iniciativa privada a ‘taxinha’ sempre existiu, mas transformou-se em algo maior e, segundo denúncias que ainda estão sendo apuradas, em níveis abusivos e estratosféricos com o PT e a coligação que desde 2002 se instalou no Planalto central.

As denúncia e investigações são tão intensas que até o partido admite erros. A cúpula do PT defende a tese de que é preciso admitir as falhas e reconhecer que desvios foram cometidos por correligionários importantes. Para estes o reconhecimento é condição para sobrevivência da legenda, embora não seja isso que queira fazer o presidente do PT, Rui Falcão. Para ele essa admissão de culpa ainda seria mais negativa.

Ele está errado. A questão aqui não é apenas a sobrevivência do seu partido. Essa vai ser mais difícil do que entende os ‘capas pretas’. Tenho ouvido queixas, reclamos e demonstrações quase que semanais daqueles simpatizantes petistas, alguns filiados, outros não, que tinham depositado suas esperanças no partido do Lula. Atualmente a maior parte dos queixosos deixa transparecer sérias dúvidas se ele, Lula, vai conseguir sair ileso em todo escândalo e se vai conseguir ressuscitar o ânimo do povo para depositar nele ou em seu partido novamente o voto que tanto precisarão para se manter funcionando.

Até onde pude apurar entre petistas históricos e mesmo entre aqueles que em algum momento tiveram mandatos eletivos ou fizeram parte das administrações petistas eles estão carregados com um misto de irritação, decepção e medo. Mais recentemente a perda da confiança foi aumentada por conta da nova prisão do José Dirceu, um dos pilares do PT, por suspeita de enriquecimento pessoal e ilícito.

Num inferno astral gigantesco, o PT, agora, parece que considera a estratégia de se aproximar dos movimentos sociais, depois de tê-los deixando em segundo plano. Esses governos até recentemente tem tomado uma série de medidas, principalmente de natureza econômica que foram em conflito com estes movimentos. Basta lembrar como os três governos petistas trataram a questão da reforma agrária. Como trataram os direitos trabalhistas; como priorizaram o empresariado em detrimento aos setores populares. É públicos e notório que o governo ofertou em termos de incentivo, linhas de financiamento e outros expedientes ao empresariado de todos os setores pelo menos dez vezes mais do que ofertou às políticas públicas, em direção a população mais fragilizada.

O PT agora buscar se amparar nos movimentos sociais pode não ser tão simples e eficiente como pode parecer, mas, talvez, seja a única alternativa possível. Desde que tenho ouvido as reclamações de que falei tenho sérias dúvidas sobre o sucesso da iniciativa. O fato é que esse comportamento da classe dirigente do PT nos últimos anos em se misturando com os conservadores, se envolvendo com corrupção da grossa conseguiu a proeza de comprometer toda a chamada esquerda e os progressistas dos vários matizes.

O cidadão comum vai misturar tudo não diferenciando o PT de outros partidos à esquerda. Esse cidadão, aquele que um dia depositou a sua confiança no partido a decepção não será seletiva, será com toda a esquerda, com isso devemos reconhecer outro prejuízo: o PT indiretamente fez um serviço eficiente para a direita. As lambanças foram tantas e tão sérias que todo democrata, progressista, de esquerda ou não pagaram o preço do descrédito.(JMN)

Written by Página Leste

14 de agosto de 2015 às 18:13

Publicado em Sem categoria

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