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Visando se safar, senador propõe ajudar na crise

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Não esperava concordar com esse tipo de gente tão cedo, e mais, entendo que os problemas porque passa o Brasil, e não me refiro aos atuais na economia e na política, mas nos de quase sempre, tem muito a ver com o comportamento dos políticos tradicionais que sempre priorizam o seu e dos seus ao interesse público. Dessa vez acho que no balaio de gato armado, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) está um pouco mais lúcido que o seu parceiro e chefe da Câmara Federal, o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Mas lembremo-nos sempre que político não dá ponto sem nó, principalmente esses mais experientes. Promovendo o bom senso e de certa forma afagos à presidente Dilma Roussef, o senador visa estar menos exposto na eventual investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Operação Lava Jato.

Para ser aliviado se compromete a tanto quanto possível neutralizar a artilharia vinda das votações contra o governo promovido pelo presidente da Câmara que descambou tão logo foi levantado contra ele suspeitas de ter sido beneficiado no esquema Petrobras em valores substanciosos.

Nesse contexto o realinhamento da maioria do Senado, pilotada pelo Renan, pode indicar que existe algum acordo de salvamento mútuo.

Às vésperas do julgamento da prestação de contas de Dilma pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a aproximação amistosa do senador poderá ter alguma influência em pelo menos dois entre os três novos ministros indicados pelo PMDB. E ela precisa dessa trégua; uma eventual condenação por crime de responsabilidade com as ‘pedaladas fiscais’ fará o mundo da Dilma cair abrindo caminho para um eventual impeachment no Congresso.

Como contrapartida da influência que o senador tem no TCU ele espera que o STF, onde o governo tem mais influência, faça o governo devolver a gentileza. Renan Calheiros está na mira do STF onde deverá chegar nos próximos dias à primeira parte das denúncias do procurador-geral da República contra os parlamentares que atualmente respondem a inquérito na Lava Jato. O senador, pessoalmente, é alvo de três investigações.

A ação de bom senso do senador tem muito a ver com seu interesse objetivo demonstrado acima, entretanto, independente desse benefício que ele visa angariar, a sua proposta propícia pelo menos o não acirramento na crise e o aumento do desgaste do governo. Apelidada de ‘Agenda Brasil’ o senador apresentou à equipe econômica da presidente um quadro de propostas legislativas com vistas a combater a crise. Se forem adotadas e der certo diminui a crise econômica que diminuirá a crise política e fará bem ao Brasil. O senador argumenta que ‘o governo Dilma Roussef não é o Brasil’. Se nada for feito de construtivo os problemas nacionais continuarão durante ou depois do governo Dilma acabar, seja agora, seja depois.

O recado e as propostas que está apresentando manda um recado ao Eduardo Cunha que, por sua vez em sua saga oposicionista criticou às tentativas de reaproximação entre o governo e o Senado. Renan relativiza as críticas do colega dizendo que a iniciativa é uma colaboração do Legislativo que precisa ser visto como colaborador e não como sabotadores da nação. O fato é que Cunha fez a câmara dos deputados aprovar regras de reajustes para diversas categorias profissionais, a contragosto do governo, botando mais fogo na lenha. Com os cofres onerados o governo terá ainda mais dificuldades para manter a governabilidade.

Feito um Tancredo Neves; para quem não sabe um político cuja principal característica era a conciliação, Renan lembra que as alternativas para as crises do Brasil não pode ser encontradas no confronto, mas com iniciativas de matriz econômica razoável e de consenso. “Discutir o impeachment todos os dias não resolve a crise econômica. O que achamos recomendável é separar as crises”, ponderou o senador, para quem o caminho do combate à crise passa pelo Congresso. “Qualquer saída será política.”

Em sua cruzada que, no mínimo não coloca gasolina no fogo, Renan tem feito reuniões com os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e reiterado suas divergências em relação ao modo como o governo está promovendo a ajuste fiscal. Nesse sentido propõe outras pautas.

Nem parecendo ele próprio, Renan esboçou uma espécie de ‘mea culpa’ quando criticou também o modelo que beneficiou os políticos do Legislativo com as negociatas entre os partidos da base aliada com o governo de plantão. Segundo ele essa prática, que não vem de agora tem feito a Dilma, hoje, sucumbir a um presidencialismo de colisão e não de coalisão. De colisão quando os interesses e apetites dos políticos não são saciados e, nessa toada, nunca serão.

De qualquer forma o presidente do Senado, apesar do interesse próprio em se safar, faz um contrapeso ao fervor oposicionista do influente presidente da Câmara que objetivamente mina o prestígio da Dilma mesmo ao custo de ferrar ainda mais o Brasil. Vale lembrar que a crise está ai com a Dilma ou sem a Dilma. (JMN)

Written by Página Leste

12 de agosto de 2015 às 15:17

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