Archive for agosto 2015
Para alguns, PT tem que reconhecer erros, para outros Dilma pode renunciar
Enquanto parte expressiva do PT reconhece corrupção no partido, o frei dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, ou simplesmente frei Betto teme que a presidente Dilma Roussef renuncie ao cargo diante das pressões e ao largo dos 3,5 anos que faltam para encerrar o seu mandato. ‘Me pergunto se ela vai aguentar o baque psicológico de três anos e meio com menos de 10% de aprovação’, chegou afirmar. Eu também estou com a mesma dúvida.
E cresce na sociedade o entendimento de que o primeiro problema, o que envolve a corrupção no Partido dos Trabalhadores desgastou profundamente a imagem daquele que em alguns momentos importantes da história recente brasileira desempenhou uma espécie de papel que indicava que ia redimir os pecados da politicagem vista até então. Não foi o que aconteceu. A tal corrupção dos representantes do poder público vem desde a instalacão da coroa portuguesa no Brasil e ainda não foi corrigida e nem sei será nesta encarnação.
Tolos seremos todos nós se acharmos que a corrupção é obra e arte apenas dos partidos e pol;iticos que estão sendo acusados agora. Não, não é.
O fato e com esse não se discute é que já era senso comum que em todas as negociações ou negociatas entre fornecedores e poder público ou até entre fornecedores e compradores na iniciativa privada sempre rola uma ‘taxinha’; modesta, tipo 10%, e todo comprador sabe disso. Esse era o rito de passagem para as compras e vendas se efetivarem. Nos governos foi a mesma coisa, para contratar produtos e serviços da iniciativa privada a ‘taxinha’ sempre existiu, mas transformou-se em algo maior e, segundo denúncias que ainda estão sendo apuradas, em níveis abusivos e estratosféricos com o PT e a coligação que desde 2002 se instalou no Planalto central.
As denúncia e investigações são tão intensas que até o partido admite erros. A cúpula do PT defende a tese de que é preciso admitir as falhas e reconhecer que desvios foram cometidos por correligionários importantes. Para estes o reconhecimento é condição para sobrevivência da legenda, embora não seja isso que queira fazer o presidente do PT, Rui Falcão. Para ele essa admissão de culpa ainda seria mais negativa.
Ele está errado. A questão aqui não é apenas a sobrevivência do seu partido. Essa vai ser mais difícil do que entende os ‘capas pretas’. Tenho ouvido queixas, reclamos e demonstrações quase que semanais daqueles simpatizantes petistas, alguns filiados, outros não, que tinham depositado suas esperanças no partido do Lula. Atualmente a maior parte dos queixosos deixa transparecer sérias dúvidas se ele, Lula, vai conseguir sair ileso em todo escândalo e se vai conseguir ressuscitar o ânimo do povo para depositar nele ou em seu partido novamente o voto que tanto precisarão para se manter funcionando.
Até onde pude apurar entre petistas históricos e mesmo entre aqueles que em algum momento tiveram mandatos eletivos ou fizeram parte das administrações petistas eles estão carregados com um misto de irritação, decepção e medo. Mais recentemente a perda da confiança foi aumentada por conta da nova prisão do José Dirceu, um dos pilares do PT, por suspeita de enriquecimento pessoal e ilícito.
Num inferno astral gigantesco, o PT, agora, parece que considera a estratégia de se aproximar dos movimentos sociais, depois de tê-los deixando em segundo plano. Esses governos até recentemente tem tomado uma série de medidas, principalmente de natureza econômica que foram em conflito com estes movimentos. Basta lembrar como os três governos petistas trataram a questão da reforma agrária. Como trataram os direitos trabalhistas; como priorizaram o empresariado em detrimento aos setores populares. É públicos e notório que o governo ofertou em termos de incentivo, linhas de financiamento e outros expedientes ao empresariado de todos os setores pelo menos dez vezes mais do que ofertou às políticas públicas, em direção a população mais fragilizada.
O PT agora buscar se amparar nos movimentos sociais pode não ser tão simples e eficiente como pode parecer, mas, talvez, seja a única alternativa possível. Desde que tenho ouvido as reclamações de que falei tenho sérias dúvidas sobre o sucesso da iniciativa. O fato é que esse comportamento da classe dirigente do PT nos últimos anos em se misturando com os conservadores, se envolvendo com corrupção da grossa conseguiu a proeza de comprometer toda a chamada esquerda e os progressistas dos vários matizes.
O cidadão comum vai misturar tudo não diferenciando o PT de outros partidos à esquerda. Esse cidadão, aquele que um dia depositou a sua confiança no partido a decepção não será seletiva, será com toda a esquerda, com isso devemos reconhecer outro prejuízo: o PT indiretamente fez um serviço eficiente para a direita. As lambanças foram tantas e tão sérias que todo democrata, progressista, de esquerda ou não pagaram o preço do descrédito.(JMN)
Visando se safar, senador propõe ajudar na crise
Não esperava concordar com esse tipo de gente tão cedo, e mais, entendo que os problemas porque passa o Brasil, e não me refiro aos atuais na economia e na política, mas nos de quase sempre, tem muito a ver com o comportamento dos políticos tradicionais que sempre priorizam o seu e dos seus ao interesse público. Dessa vez acho que no balaio de gato armado, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) está um pouco mais lúcido que o seu parceiro e chefe da Câmara Federal, o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Mas lembremo-nos sempre que político não dá ponto sem nó, principalmente esses mais experientes. Promovendo o bom senso e de certa forma afagos à presidente Dilma Roussef, o senador visa estar menos exposto na eventual investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Operação Lava Jato.
Para ser aliviado se compromete a tanto quanto possível neutralizar a artilharia vinda das votações contra o governo promovido pelo presidente da Câmara que descambou tão logo foi levantado contra ele suspeitas de ter sido beneficiado no esquema Petrobras em valores substanciosos.
Nesse contexto o realinhamento da maioria do Senado, pilotada pelo Renan, pode indicar que existe algum acordo de salvamento mútuo.
Às vésperas do julgamento da prestação de contas de Dilma pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a aproximação amistosa do senador poderá ter alguma influência em pelo menos dois entre os três novos ministros indicados pelo PMDB. E ela precisa dessa trégua; uma eventual condenação por crime de responsabilidade com as ‘pedaladas fiscais’ fará o mundo da Dilma cair abrindo caminho para um eventual impeachment no Congresso.
Como contrapartida da influência que o senador tem no TCU ele espera que o STF, onde o governo tem mais influência, faça o governo devolver a gentileza. Renan Calheiros está na mira do STF onde deverá chegar nos próximos dias à primeira parte das denúncias do procurador-geral da República contra os parlamentares que atualmente respondem a inquérito na Lava Jato. O senador, pessoalmente, é alvo de três investigações.
A ação de bom senso do senador tem muito a ver com seu interesse objetivo demonstrado acima, entretanto, independente desse benefício que ele visa angariar, a sua proposta propícia pelo menos o não acirramento na crise e o aumento do desgaste do governo. Apelidada de ‘Agenda Brasil’ o senador apresentou à equipe econômica da presidente um quadro de propostas legislativas com vistas a combater a crise. Se forem adotadas e der certo diminui a crise econômica que diminuirá a crise política e fará bem ao Brasil. O senador argumenta que ‘o governo Dilma Roussef não é o Brasil’. Se nada for feito de construtivo os problemas nacionais continuarão durante ou depois do governo Dilma acabar, seja agora, seja depois.
O recado e as propostas que está apresentando manda um recado ao Eduardo Cunha que, por sua vez em sua saga oposicionista criticou às tentativas de reaproximação entre o governo e o Senado. Renan relativiza as críticas do colega dizendo que a iniciativa é uma colaboração do Legislativo que precisa ser visto como colaborador e não como sabotadores da nação. O fato é que Cunha fez a câmara dos deputados aprovar regras de reajustes para diversas categorias profissionais, a contragosto do governo, botando mais fogo na lenha. Com os cofres onerados o governo terá ainda mais dificuldades para manter a governabilidade.
Feito um Tancredo Neves; para quem não sabe um político cuja principal característica era a conciliação, Renan lembra que as alternativas para as crises do Brasil não pode ser encontradas no confronto, mas com iniciativas de matriz econômica razoável e de consenso. “Discutir o impeachment todos os dias não resolve a crise econômica. O que achamos recomendável é separar as crises”, ponderou o senador, para quem o caminho do combate à crise passa pelo Congresso. “Qualquer saída será política.”
Em sua cruzada que, no mínimo não coloca gasolina no fogo, Renan tem feito reuniões com os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e reiterado suas divergências em relação ao modo como o governo está promovendo a ajuste fiscal. Nesse sentido propõe outras pautas.
Nem parecendo ele próprio, Renan esboçou uma espécie de ‘mea culpa’ quando criticou também o modelo que beneficiou os políticos do Legislativo com as negociatas entre os partidos da base aliada com o governo de plantão. Segundo ele essa prática, que não vem de agora tem feito a Dilma, hoje, sucumbir a um presidencialismo de colisão e não de coalisão. De colisão quando os interesses e apetites dos políticos não são saciados e, nessa toada, nunca serão.
De qualquer forma o presidente do Senado, apesar do interesse próprio em se safar, faz um contrapeso ao fervor oposicionista do influente presidente da Câmara que objetivamente mina o prestígio da Dilma mesmo ao custo de ferrar ainda mais o Brasil. Vale lembrar que a crise está ai com a Dilma ou sem a Dilma. (JMN)