Archive for fevereiro 2015
São Mateus, o futuro é uma incógnita
São Mateus é um importante distrito da cidade de São Paulo, cujo próximo censo demográfico se quiser ser realístico tem que indicar quase 1 milhão de habitantes. Dos censos mais recentes para agora a chegada de novos moradores tem sido constante e sempre em acensão. É uma das poucas regiões da cidade que ainda suporta alguma expansão dessa natureza.
Com tanta gente chegando até mesmo porque havia amplas áreas sem ocupação domiciliar aliada ao baixo valor relativo das terras, quando comparada com outras regiões ou aliada ao custo zero da terra, uma vez que alguns distritos de São Mateus ainda sofrem com a ocupação de terrenos públicos e privados, parcelas importantes do bairro se transformam em médias e grandes aglomerações de famílias em locais desestruturados e desassistidos.
Crescendo tanto em termos populacionais a coisa tem funcionado como um rastelo eficiente e faz crescer coisas boas e desejáveis e coisas ruins e indesejáveis. Se traz algum alento e sobrevida a economia local com a expansão dos negócios e oportunidades, o fortalecimento do comércio e serviços e colateralmente da indústria, não tem tido, até agora, efeito semelhante nas ofertas de emprego. Se dá uma sobrevida a economia local, traz como contrapartida uma infinidade de problemas quando acentuam-se as exigências das pessoas quanto aos serviços de amparo social e de outros tantos serviços públicos tais como de educação, de saúde, de transporte público, de cultura, todos itens de grande demanda e altamente defasados quando comparado a padrões aceitáveis e que o estado, estamos carecas de saber, sempre fica deficitário e devedor.
Nessas condições a futuro imediato de São Mateus passa a ser uma incógnita de difícil previsão. Pode dar muito certo, como também pode dar bem errado. O que se espera é que a primeira alternativa aconteça, embora não se possa contar com elementos otimistas olhando a conjuntura mais recente e atual. É preciso deixar claro que São Mateus não é uma ilha isolada e refratária a influências e natureza até planetária.
De curto alcance deve-se pensar são Mateus no contexto da cidade que continua sendo uma cidade desordenada. Ela fisicamente não cresce não se expande, em contrapartida cresce a sua ocupação em quantidade e modos e usos desses espaço. Nesses termos se olharmos para o que acontece no entorno vamos ver que o que cresce na cidade são os problemas, o uso irregular e cada vez mais predatório dos recursos cada vez mais escassos. Aqui vale contextualizar esse artigo sendo escrito em fevereiro de 2015 no pico de uma grande crise hídrica que vem se arrastando desde o ano de 2013 por conta de vários atores culpados; a sociedade e governo.
Ainda no curto alcance se avizinha uma estagnação e até um possível recuou na economia que surfou nas últimas décadas em uma fórmula monetária e especulativa com os altos juros que se paga no país a chegada de recursos com a subida vertiginosa da dívida pública. A fórmula que dá uma espécie de lustro em móvel velho e comprometido é bem semelhante a um centro de tratamento intensivo onde as chances de recuperação ficam cada vez mais distante. Esse quadro infeliz vai ter efeitos sobre São Mateus. Se mais ou menos severa torçamos para que fique na média da cidade; nem melhor nem pior.
Objetivamente essa situação pode se refletir em menos emprego e mais carestia; em menor atividade e desaquecimento da economia local e não há como escapar desses efeitos. É preciso entretanto, compreender que não podendo se esconder São Mateus e seus personagens tentem fazer o melhor possível.
De médio alcance é possível vislumbrar uma São Mateus menos viscosa, menos verde, mais afinada com o resto da cidade. É quase certo que o que ainda resta de sua vegetação nativa e recursos que tem boa contribuição à saúde ambiental da cidade também se deteriorem. Pode parecer o caminho do desenvolvimento, mas nunca foi e não será. Como a natureza vem mostrando os custos da sua não preservação são cada vez mais sérios e danosos; voltemos a falta de água.
Uma pena. Com espaço e território cuja paisagem em alguns momentos nos remetem a meados do século passado, São Mateus vai perdendo suas características mista, com áreas de cidade e guetos interioranos, o seu uso e ocupação continuará sendo de forma predatória.
Se essa direção agora nos parece irreversível o esforço de todos precisaria ser no sentido de fazê-lo da forma mas civilizada e menos depreciativa possível. Nenhum cidadão ou ator desse palco chamado São Mateus poderá se eximir dessas responsabilidades.
Agora o futuro de longo alcance mesmo, nada a declarar ou especular. O que sei é que o que se faz agora e se fará amanhã refletira nesse futuro distante.
J. de Mendonça Neto, redator da GSM é jornalista.
Escola do Jardim Iguatemi, que sirva de exemplo
A Escola Estadual Jardim Iguatemi localizada no distrito Iguatemi, em São Mateus tem se diferenciado da média das escolas públicas estaduais no sentido positivo, muito pelo empenho, criatividade de sua diretora Suzy Rocha Ribeiro Silva responsável pela unidade nos seus últimos quatorze anos.
Em rápida conversa com a reportagem a diretora explicou as razões dessa diferença e nesse sentido ela esclarece que o que trouxe como postura e prática para a escola tem muito a ver com a forma com que ela própria, filha de pais da roça que estudaram, fizeram cursos superiores e também se tornaram professores a ensinaram. Foi mais longe e explicou que sendo criada em família grande a prática do compartilhamento, da união e de acordos eram vivências naturais. Desde jovem percebia que a educação traz mudança e dessa forma desde os últimos 35 anos em que resolveu trabalhar com educação carregou isso consigo.
Suzy tem uma longa trajetória em vários cargos dentro da estrutura escolar, desde quando como professora, passando por coordenação pedagógica e posteriormente nas tarefas de gestão. Chegou a condição de diretora de escola por méritos próprios comprovados em concurso público.
Três linhas de comportamento orientam a sua vida profissional e eventualmente e por extensão até a privada. Suzy acha que planejar as ações em curto, médio e longo prazo é fundamental para uma caminhada certeira. O segundo ponto são o estabelecimento e respeito a regras e disciplinas acordadas entre todos os atores e clientela da escola com respeito aos horários, clareza de propósito e o terceiro ponto é a aposta no trabalho coletivo onde todos possam fazer parte de um grupo senão coeso, mas afinado nos propósitos. Foi com essa ‘filosofia’ que desde o início se comportou no Jardim Iguatemi.
Entender o tempo de hoje, mas preservar as boas práticas
Suzy comenta sobre as notórias diferenças que os tempos atuais conectado, ligeiro, expresso tem com um passado não tão distante. Apesar de compreender e aceitar toda a dinâmica atual que envolve principalmente os adolescentes e as redes sociais onde outras linguagens, outros modos e comportamentos são a tônica, ela, enquanto educadora, sabe que é necessário preservar valores como a leitura, a boa escrita, os bons modos. Algo como preservar e difundir junto a esse público mais fugaz a cultura mais geral, mais ampla, mais complexa e, portanto mais completa. “O adolescente pode achar bom ler alguma coisa de forma digital, mas precisa também retomar e se habituar a ler bons livros”, cita como exemplo.
Reconhece, entretanto, a dificuldade e a lentidão de como a escola enquanto instituição se adapta aos novos tempos. A ideia é tentar tirar proveito das inovações tecnológicas, sem abrir mão de valores, em resumo.
Projetos inovadores na região
Um dos destaques da escola é como ela se relaciona com os alunos e por extensão com a própria comunidade. É perceptível que por lá algumas coisas acontecem que qualificam-na, o seu corpo diretivo e pedagógico e principalmente a atual direção, pois foi da ideia inicial da diretora Suzy trazer ações que movimentasse e ajudasse os envolvidos a serem protagonistas dessas ações. Suzy explica que optou por eventos e iniciativas de natureza cultural que se diferenciava da realidade objetiva dos alunos. “A realidade do aluno de escola pública da periferia pobre da cidade de São Paulo, com os seus desconfortos que todos eles conhecem bem, foi abortada. Achei que não era motivadora e parece que acertamos”, comenta.
A primeira ação foi trabalhar com a arte dos pintores importantes. “A arte sensibiliza através da percepção da estética, do belo que mexe e trás sentimentos. Muitos acharam que estávamos delirando, mas as crianças se envolveram. Ao contrário de pais e professores que tinham dúvidas, os alunos perceberam a oportunidade de sair daquele mundo real da periferia. Deu certo”. “Quando o padre da comunidade em sermão deu um depoimento parabenizando a escola chamando-a de museu a céu aberto que tirava o conhecimento de trás dos muros para fora, fiquei mais otimista”.
Depois desse primeiro encontro outros tantos se repetiram com o passar dos anos, sempre com o mesmo envolvimento e empenho. Como temas trataram dos cientistas, de países, dos filósofos, de atletas, em vésperas da copa do mundo desse próprio assunto e também da Amazônia. São realizados um por ano envolvendo todos os ciclos da escola.
O tema Amazônia envolveu todas as disciplinas e as socioambientais. “Percebemos que as crianças passaram a ter informações ambientalmente corretas e adotar cuidados possíveis no seu próprio universo. Coleta seletiva, gastos no banho, fizemos todas essas discussões. O tema do Enem foi Amazônia. E eles sabiam tudo tinham clareza e tiraram nova média de 7,5, deu uma sensação de acerto do nosso projeto. Estamos contribuindo”, comenta a diretora. “Conseguimos perceber que as crianças assimilavam as informações e iniciaram práticas cotidianas mais sustentáveis adotando os cuidados possíveis dentro de seus próprios universos”, completa.
Em 2010 o projeto focou os poetas e suas obras e o esforço acabou resultando na produção de um livro. Durante a realização mais de mil poemas foram recitados pelos alunos e demais envolvidos. Em outros anos temas como profissões, cinema, músicas e mais recentemente política desembocaram, agora, em temas de ação política. Suzy explica que as questões de segurança, saúde, transporte, educação e outros temas de importância para as comunidades serão enfocadas também do ponto de vista da ação política. Um feito, visto que a alienação e a recusas à política é uma situação, infelizmente, comum. A própria pintura do muro da escola perpassará essa temática.
Segundo e terceiro livros
Um segundo livro intitulado Pequenos Gestos, Grandes Transformações, em 2012, enfocou de forma coloquial uma série de exemplos de ações que resultam em melhorias. Já o terceiro livro que está sendo gestado será a resultante do relato das experiências dos professores na condição de gerir a escola por um dia. Com o título Professor, gestor por um dia, o livro reunirá o relato destes aos quais a diretora já teve algum acesso. Para Suzy, a experiência relatada pelos professores mostra a importância desse trabalho de gestão e suporte nem sempre percebido pelos próprios professores, funcionários e alunos.
Escola comemora 15 anos com baile debutante
Apos as comemorações de 10 anos da escola onde os alunos estiveram envolvidos parcialmente as comemorações dos 15 anos ocorrida ao final de 2014 contou com intensa participação. Com certas dúvidas e reservas, professores e funcionários aceitaram a proposta de um baile. Deu muito certo, diz Suzy. Todas as classes participaram e ainda destacaram um casal de cada sala de aula e de cada ciclo onde foi possível para participar de uma dança mais cerimoniosa. Ou seja, a adesão dos alunos e da comunidade foi um sucesso.
Com três livros finalizados, com ações comunitárias, com regras, respeito e pratica educativa a Escola Estadual Jardim Iguatemi se destaca dentro desse cenário. Parabéns aos esforços da diretora. (JMN)
Conselheiros discutem dificuldades e mostram necessidade de correção de rumos
Pelo tom da conversa em reunião extraordinária com parte de seus membros, no dia 31, o conselho de representantes de São Mateus, a exemplo do que ocorre em muitas outras regiões da cidade, precisa urgentemente afinar a viola internamente para não deixar legado de triste lembrança
Alguns membros do conselho de representantes da região de São Mateus reuniram-se no dia 31 na Subprefeitura de São Mateus em atendimento a um chamamento anterior por parte também de alguns conselheiros tendo em vista a dificuldade de manter a rotina e a presença de uma maioria entre seus 43 durante o exercício desse mandato. Alguns convidados como o ex-assessor da subprefeitura da gestão anterior, Izaltino do Nascimento e a diretora do jornal Gazeta São Mateus estiveram presentes. Vale observar que a presença de munícipes, não conselheiros, é prevista no regimento interno do funcionamento deste conselho.
A reunião extraordinária reuniu treze de seus membros eleitos, pessoas e acabou assumindo um caráter informal de encontro de queixas. Nada excepcional e muito diferente do que vem ocorrendo em diversos conselhos de representantes em outras regiões da cidade. Se em algumas, minoria, o funcionamento do conselho é exemplar, outros tanto ainda percorrem o árduo caminho do aprendizado de trabalho coletivo.
Coube ao vice-coordenador Valdir Leite de Souza revelar que a última reunião mais organizada e de presença significativa havia ocorrido em 13 de dezembro. Antes, dado o período eleitoral e o fato de diversos conselheiros terem vínculos partidários ou de campanha ou de candidato o funcionamento do conselho foi quase inexistente. Uma primeira reunião foi marcada para o dia 17 de janeiro deste ano e estive ausente grande parte dos conselheiros incluindo o coordenador, Ricardo, e a secretária, Neide. Foi, como este, um encontro de 10 conselheiros vendo a situação confusa e por esse e outros motivos enxergarem a necessidade de mudar a coordenação. Dai uma das razões do encontro.
Segundo Valdir, dois conselheiros, Marli Limae Manoel, foram designados para fazer um esforço de convocação, através de telefonemas para a reunião em curso. Como se viu, um terço atendeu ao apelo. Houve também um apelo por parte do vice para que os conselheiros que também são comissionados na prefeitura comparecessem. Não compareceram, e segundo o que vão revelando os presentes é dai que as confusões, mal entendidos, comportamentos duvidosos, posturas equivocadas vão se revelando.
Uma delas diz respeito a uma suposta reunião que teria havido no diretório zonal do PT a respeito do que estava ocorrendo no conselho. O assunto teria certa pertinência pelo fato de que diversos membros do partido também serem conselheiros, entre eles parte expressiva da executiva e da coordenação deste. Para alguns esse procedimento não seria correto, para outros, entretanto, como ouvido no decorrer da reunião, a atitude do DZ do PT seria legitima; uma atividade partidária para seus membros que podem, sim, discutir a situação do conselho de representantes. Ocorre, entretanto, que por conta dessa reunião existe a desconfiança de que o coordenador, Ricardo, membro do partido, não aceitar os encaminhamentos da reunião anterior e cancelá-la, eventualmente extrapolando de suas funções como foi aventado mais a frente.
Confusões à granel
Cancelamento, confusão de datas, comportamentos equivocados por parte da coordenação e também de outros conselheiros, só fez revelar o tamanho do descompasso em que se encontra hoje o conselho de São Mateus. A reunião informal, pelo menos, indicou a necessidade de um esforço em busca de quórum para a próxima reunião, até o momento do fechamento desta edição, prevista para o dia 07, no espaço da subprefeitura e para a qual se espera a presença de todos, inclusive, do coordenador e da secretária, além dos conselheiros comissionados em funções paralelas dentro da prefeitura.
A informalidade da reunião e o desfile de reclamações e queixas
Colocado o quadro que visivelmente precisa de reparos e alertados pelo vice-coordenador que sequer uma ata poderia sair daquela conversa informal, o conselheiro Flávio dos Santos , do Jardim Colonial apontou que o coordenador, ausente, não teria o poder de cancelar. “Ele (Ricardo) é advogado e deveria saber disso”, enfatizou. Queixou-se ainda das despesas e dos esforços que os conselheiros têm para ver funcionar uma coisas. “Não podemos vir aqui e ficar como bonecos de enfeite. Nem para decidir uma reunião temos o direito. O que somos então”, perguntou.
A presidente da Associação dos Moradores do Jardim Conquista, conselheira Luiza Helena insistiu que sem união não vai se chegar em lugar algum e que muito blá, blá, blá e misturar o partido com o conselho é muito ruim. “As pessoas não estão se colocando para o conselho e sim para os seus partidos. Desde agosto não temos reuniões normais e uma das razoes foi a campanha eleitoral”, apontou. Segundo entendimento dela, alguns projetos para São Mateus tem sido perdido por conta de negligência dos representantes indicados que deveriam, ainda segundo ela, estar presente em alguns encontros e se ausentaram. “Perdemos por desinteresse de alguns de nossos delegados”.
O fato, entretanto, é que ela foi parcialmente contestado mais a frente por outro conselheiro que argumentou que o que ela eventualmente considerava perda de projetos não poderia ser considerado perda, vez que elas não estavam indicadas como prioridades indicadas, razão pela qual não estavam consideras.
Durante a sua fala, entretanto, foi uma das primeiras a comentar que o mandato do coordenador, conforme ajuste combinado internamente e com base no regimento já venceu. Se colocou também como pré-candidata ao cargo.
Marli Lima se eximiu de culpas nos mal entendidos que estavam aparecendo. Tendo sido indicada para fazer as ligações para chamar a reunião. Ela mesma comentou que nunca havia recebido e-mail de convocação dos encontros anteriores. Disse que ligou ao Dr. Ricardo para convidá-lo quando soube de outra reunião que estaria ocorrendo na noite do mesmo dia. Sinal evidente de desencontros. Ao checar com outros conselheiros, as conversas, comentários e palpites foram crescendo.
Marli, entretanto, ainda fez insinuações quanto ao uso de um veículo que teria sido disponibilizado pela administração, eventualmente por força do decreto que regulamento, mas do qual ela nunca viu, recurso que só pode usar uma vez, utilizando-se de outra perua substituta. Foi uma das que considera que existe uma panela no PT que, no mínimo, não respeita a autonomia do conselho. Também denunciou que a Gazeta São Mateus nunca foi convidada a participar de qualquer encontro ou reunião extraordinária do conselho de São Mateus.
“Precisamos retomar os trabalhos, foi um ano perdido, poucos encaminhamentos e precisamos entender o papel de cada um”, iniciou Dr. Sérgio Henrique Soares que refutou o papel deliberativo do coordenador como parece que tem ocorrido pela não compreensão das competências. Como ilustração perguntou quem dali tinha conhecimento pleno do regimento interno; de onde ele estaria publicado; informando a seguir que o que está disponível para consulta está incompleto. “O coordenador não é dono da reunião. Só coordena e na sua ausência outro coordenador é indicado para substitui-lo”, enfatizou. “Nosso papel aqui é fazer as coisas acontecerem para tentar sanar a precariedade de serviços públicos na região”, resumiu.
Outro a comentar a situação foi Odair de Jesus Souza que retomou a critica quanto a eventual mistura entre os interesses comuns do conselho, com os interesses da região e ainda com os interesses partidários indicando que essa situação precisa ser esclarecida e superada. Lamentou ainda que a reunião em curso deveria ter respaldo jurídico, “No mínimo para fazer moção junto à coordenação geral e fazer valer os reclamos que estão sendo ouvidos aqui”. Ao final expressou o desejo de que na próxima reunião as coisas fiquem claras e esclarecidas e se diz disposto a colaborar como liderança, mesmo não sendo conselheiro.
Já Rute, conselheira do Sapopemba lembrou que a culpa que se atribui ao PT não pode ser generalizada e que eventuais posturas equivocadas são da parte de alguns de seus quadros. Alertou, também, que grande parte do que vem acontecendo em termos de desencontros são de responsabilidade dos próprios conselheiros que estão deixando acontecer.
“Segundo informações de Hamilton Clemente a Gazeta São Mateus, a tão reclamada reunião no Diretório Zonal, motivo de reclamação generalizada, de fato, teve como pauta a indicação do novo coordenador na reunião do dia 07 do conselho de representantes”
Coube ao Dr. Sérgio esclarecer que o que a maioria decidir, reuniões paralelas, como as que pode ter ocorrido no PT ou em outros partidos não devem interferir. Ressaltou também o direito que os partidos ou de qualquer outro cidadão ou organização têm de discutir a situação dos conselhos “O nosso foco tem que estar na execução do orçamento e no quanto e como São Mateus participa disso a partir das indicações de prioridades”, registrou. Foi ele quem havia pontuado antes que as prioridades envolviam a construção ou funcionamento de um hospital público de um centro desportivo aparelhado entre as demandas principais, razão pela qual não haveria perda de projetos com outras demandas conforme lembrado no começo da conversa.
Também reiterou que a tarefa do coordenador é coordenar, não comandar os conselheiros e que se faz necessário conhecer as leis, o regimento, os estatutos e discutir outra coordenação para o conselho. “Essa também é uma exigência que se faz ao conselheiro para que confusões como as que estão ocorrendo não aconteçam”.
Quase ao final, Odair Souza, do distrito São Rafael lembrou que mesmo o papel de coordenação é complicado e trabalhoso. Ele coordena a ação de 16 conselheiros do distrito e tem feito enorme esforço para compor acordos, tentar entender e viabilizar o funcionamento. Em permanente aprendizado, diz ter clareza do papel que assumiu quando foi eleito coordenador local e como conselheiro que também é de fiscalizar, dialogar com governo e com a comunidade.
Ele próprio revela que foi convidado para a suposta reunião do DZ a qual criticou com base em um dos pontos do regimento que resumidamente diz não ao proselitismo político partidário dentro do conselho de representantes. Não só não foi a favor como reconheceu o erro de algumas pessoas do PT, mais ainda de alguém que tem formação em Direito, insinuou.
Tentando resumir uma ópera até agora bufa, dado o grau de desencontro e confusão que permeia o funcionamento do conselho de representantes de São Mateus, segundo revelado pelos próprios membros a situação precisa de reparos. Cabe aos envolvidos se concentrarem nesse esforço sob o risco de terem participado de um coletivo que não deixará nada de louvável para ser lembrado.
Para o bem da comunidade e do funcionamento de um importante instrumento de cidadania a redação da Gazeta espera que os rumos corretos sejam retomados. (LM/JMN)


