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Entre perguntas Leci explica um pouco de sua trajetória

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A deputada Leci Brandão contou um pouco de sua trajetória, mas principalmente sua relação com São Paulo, tendo em vista ser nascida e criada no Rio de Janeiro. Já como artista, cantora e compositora de sucessos permanentes com temática eminentemente popular; suas vidas, aflições, alegrias e características, Leci a convite de uma grande emissora de TV, veio a São Paulo para comentar o carnaval. Nada menos que uma artista de samba que já havia trabalhado com Cartola, Nelson Cavaquinho e outros grandes.

E começou comentando o carnaval a partir da periferia de São Paulo na Cidade Tiradentes, zona leste. Durante um desses dias ela observou e pode relembrar o comportamento das escolas e das pessoas que iam ver os desfiles que eram muito semelhantes ao que vivenciou no passado.

“Como comentarista, na Cidade Tiradentes, saiu da cabine para a avenida relembrou o passado e se entusiasmou com a Nenê da Vila Matilde

“Sai da cabine da transmissão para conferir uma batucada distante que depois se revelou ser da Nenê da Vila Matilde da qual virei fã, e em contato mais próximo, pude verificar que as pessoas iam aos desfiles munidos de seus pequenos lanches que trocavam entre si. Fazíamos isso no Rio de Janeiro, antes da instalação das arquibancadas. Ficávamos próximos ao desfile, conhecíamos de cor os sambas de nossas escolas preferidas e chamávamos as pessoas pelos nomes. Como éramos pobres cada um levava alguma coisa para comer que trocávamos entre nós num ambiente fraternal, de comunidade mesmo. Vi isso se repetindo aqui e a emoção tomou conta. Uma por ver essa simplicidade outra por conhecer de perto a Nenê de Vila Matilde”, explica.

A deputada ainda explicou que após um afastamento compulsório de cinco anos no início dos anos 80, muito por conta de seus posicionamentos políticos e comprometimento com as causas populares, foi em São Paulo onde praticamente retomou a sua carreira. Citou diversos nomes de gente de rádio e ativistas culturais de samba que contribuíram para essa retomada.

“Para se ter uma ideia de como era o clima na ocasião, a música Zé do Caroço, sucesso em 1985, após a retomada de sua carreira em ares menos congestionados em termos de censura e ditadura foi feita em 1978. “Nessa retomada cantei muito também aqui pela zona leste, mas jamais poderia supor que neste segundo milênio estaria na segunda maior assembleia do país; de volta a zona leste e com gente como a gente por aqui. “A emoção é grande e minha cabeça chega a dar voltas, mas de felicidade”, comentou.

Estou deputada como uma missão, diz Leci

Entre uma explicação e outra Leci ouviu do ativista cultural do samba Tim Maia, de Ibson Pessoa e Luana Pessoa, gente ligada ao Berço do Samba de São Mateus, sendo que Ibson faz parte do Quinteto em Banco e Preto a respeito de algumas preocupações.

Tim Maia, concretamente, disse torcer para que Leci Brandão, enquanto deputada, some-se aos esforços do também deputado Adriano Diogo para ajudar a divulgar e consolidar a produção de cultura local.

Ibson queria saber da origem da sua militância e de quais esforços estariam sendo feitos para barrar essa perseguição difusa na sociedade em relação às religiões de matriz africana. Já Luana Pessoa promotora de diversas e distintas espécies de manifestações culturais na região registrou a carência de espaços e ausência de apoios à rica produção local.

“Tô deputada por conta de uma missão”, iniciou contando sua história. Disse que sua entrada no PCdoB tem certas peculariedades, uma vez que seria o mais natural ela estar no PT, tantas às vezes as quais ela emprestou sua fala, talento e competência para causas que em geral o PT de então estava envolvido. “Conheço e ajudei o PT e o Lula, desde quando ele tinha cabelos e barba escuros. Participei do MST, ajudei a eleger Erundina a Marta, participei das Diretas Já, tudo porque aquelas temáticas de cunho popular eram e são as minhas realidades”.

Com a carreira em dificuldades, fora das gravadoras por conta do boicote da indústria cultural, Leci, batizada na igreja católica tinha desde então sua relação e amparo espiritual em religiões de matriz africana disse. Falou sobre isso primeiro avisando que respeita todas as crenças e religiões. Nessa sua relação espiritual, disse que foi orientada por seu guia espiritual que sua vida estaria mudando e que em 1984 ela também sairia do país, o que lhe parecia bastante improvável à época. Resumindo a opera: ela se apresentou em Angola, na África e a sua volta ao Brasil ainda assinou contrato com uma grande gravadora podendo trabalhar inclusive parte do repertório que, digamos assim estava censurado.

Chegou também à assembleia legislativa como missão

De novo, Leci explicou que diante dos convites para ingressar na política partidária e até como candidata, a decisão teve a participação do seu guia espiritual. Repetindo a fala da entrevistada “É mais uma missão que o seu anjo da guarda está lhe dando, é mais um desafio. Aceite-o e cumpra-o”. Foi o que fez.

Uma vez na assembleia é esse perfil e atuação que qualquer interessado pode ver e conhecer. Abraça as boas causas; as causas da população mais sofrida; atua contra os preconceitos dos vários matizes _racial, homofobia; na luta pela defesa das mulheres, dos despossuídos.

Nessas tarefas e missões, uma vez que insiste em ‘estar e não ser deputada’, Leci participa de algumas comissões; entre elas a de Direitos Humanos presidida pelo Adriano Diogo, de que também ‘se diz fã’ e outras CPI. No dia a dia ainda é uma digna representante da voz e anseios do povo, com ênfase na área cultural onde ainda continua atuando.

Ver fotos em: https://drive.google.com/folderview?id=0B2bhCIh1J_OUa1Q0OV9HZ3pfMUE&usp=sharing

Written by Página Leste

2 de outubro de 2014 às 16:54

Publicado em Sem categoria

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