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Plano de Metas para saúde pública sinaliza melhoras

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Se depender apenas do Plano de Metas do município para os próximos anos que, em resumo, se trata de uma declaração de intenções de realizações da atual administração, o atendimento público da saúde na cidade e, particularmente em São Mateus, vai melhorar mesmo com poucas ou quase nada em termos de novas unidades na imensidão do território, foi o que afirmou a supervisora da área técnica de Saúde de São Mateus, Márcia de Oliveira Novaes em conversa, no dia 22, com Lucy Mendonça da Gazeta.

O eixo básico do plano é o resgate e a valorização dos esforços do cumprimento da Lei 8080, ou seja, do Sistema Único de Saúde (SUS) e, para tanto, a intenção é aperfeiçoar o atendimento nas unidades que deverão agir então de forma integrada, não estanque nem compartimentada nem sobrepondo às mesmas tarefas e ações em equipamentos conjugados, como nos casos em que estão próximas uma AMA e uma UBS.

Márcia explica que a demanda na AMA é sempre maior em função do entendimento da população de que lá será atendida por um clínico e eventualmente medicada para aquela necessidade do dia, entretanto, grande parte do desconforto e dos eventuais mal estar ou doenças das pessoas seriam mais bem atendidas se fossem de forma programada, com interface e interação com outras áreas do atendimento, de forma contínua, preventiva e mais ampla que o atendimento mais emergencial da AMA. É basicamente essa intenção. A retomada da valorização do atendimento multidisciplinar.

O fato é que em muitos casos a interação da assistência social, do convívio social, de eventuais terapêuticas alternativas, de aconselhamento psicológico juntas dá resposta às doenças ou minimamente enfrentam e ajudam a lidar com a doença de forma mais apropriada e com melhores resultados.

 UBS Laranjeiras será a primeira a ter mudanças

Segundo a supervisora, na região, a UBS Laranjeiras será a primeira entre as unidades a alterar seu funcionamento e as alterações serão custeadas com recursos da própria prefeitura. Ali acontecerão remanejamentos com adoção de salas multiuso, composição de equipes multidisciplinar e novos modos de trabalho, preferencialmente com a mesma equipe que lá funciona e eventual chegada de outros profissionais. Unidades no Jardim Limoeiro, Jardim Palanque, Parque das Flores, esta última, para a qual, vai depender de desdobramentos na questão fundiária que está sendo tratada na Secretaria da Habitação e, finalmente, no Jardim Valquíria, passarão por transformações. Se não nas estruturas dos prédios, nos procedimentos e na ampliação dos serviços e atendimentos, garante a supervisora.

Os valores que essas mudanças envolverão já estão previstas nos orçamentos. Em alguns casos, de ampliações pontuais e a adoção de nova modalidade de relação entre as organizações sociais gestoras de alguns serviços e unidades serão objetos de concorrências e licitações.

Haverá mudança também na relação com as organizações sociais aponta o plano de metas. O atual sistema baseado em contratos de gestão e convênios serão todos transformados em contrato de gestão o que, a depender do resultado da concorrência, poderá mudar os parceiros da prefeitura no atendimento público à saúde.

Mantendo o destaque para o a integralidade do atendimento, o certo é que haverá ampliação do número de trabalhadores no setor; seja diretamente ou via organização social. Esse esforço estará voltado para essa multidisciplinidade e a adoção de atendimentos paralelos e alternativos nas unidades.

Parte dessas ações de apoio ao bem estar do paciente ou da população e que envolvem desde acupuntura, recreação, ginásticas rítmicas, convivência social, palestras e outros fazem parte da proposta do atendimento integral e já não há mais dúvida de que elas funcionam e são uteis.

 Planos e são planos e contemplam melhorar o atendimento a demanda mental

Segundo a assessora técnica da Supervisão de Saúde, Vera Lúcia Mariano, também presente na entrevista, o Plano de Metas contempla a criação da Rede de Atendimento Psicossocial – RAPS para descentralizar e apoiar o funcionamento dos CAPS que atualmente recebe grande parte da demanda por atendimento em saúde mental. A ideia é a Rede promover o trabalho de mais longo prazo, preventivo e terapêutico diminuindo a procura pelo CAPS que atende, também, o usuário em situação de crise.

Também para esse segmento com demanda expressiva em São Mateus a abordagem será multidisciplinar, para além da abordagem psiquiátrica. Terapias alternativas, convivências, preparos familiar serão parte das ferramentas a serem utilizadas previstas no Plano de Metas.

Nessas novas modalidades de abordagem previstas o atendimento à saúde sai da responsabilidade única do médico e se pretende olhar para a pessoa para além de sua doença. As AMAS continuaram em suas praticas de atendimento, as unidades básicas também, entretanto, nestas últimas, se prevê o atendimento mais integral utilizando-se tanto quanto possível e cabível de todas as praticas alternativas, algumas já em curso em algumas unidades, mas usufruídas apenas pelos usuários interessados e mais próximos dessas respectivas unidades. O acesso a essas alternativas de convivências e práticas que ajudam a manter a saúde é aberto aos interessados, mas tem sido pouco acessado por causa de uma deficiência na divulgação, o que se pretende, também, corrigir.

Como a conversa eram com técnicos e dirigentes da saúde, siglas e propostas foram ouvidas pela reportagem. Entre elas, a criação ou melhora do que chamaram de Núcleo de Apoio à Saúde da Família – NASF com o objetivo de promover essa tal de saúde integral e ainda educar as pessoas a se cuidarem ou cuidarem de seus parentes próximos em situação de doença. Educação em saúde, atividades físicas, eventuais passeios, assistência farmacêutica para os pacientes que usam um número elevado de remédios diariamente serão ações indiretas que vão contribuir para a prevenção e as melhorias correlatas da saúde.

Pequenas equipes, mas com olhar ampliado

O certo é que nas unidades básicas de saúde o atendimento passará a ser de responsabilidade de pelo menos três áreas: o médico clínico, uma enfermeira e assistência social. Com isso já se poderá ter um olhar mais ampliado sobre o paciente e a situação que ele apresenta. Será a partir dessa impressão que os encaminhamentos serão adotados de forma ambulatorial e de indicação para as atividades e terapêuticas disponíveis e adequadas àquele caso.

Supervisão discute com funcionalismo e com os conselhos o novo rumo

As novidades previstas no Plano de Metas, entretanto, estão sendo muito discutidas e dialogadas com os envolvidos, exceto a população usuária. Segundo Márcia de Oliveira já foram realizados encontros com gestores e com os conselhos de saúde das unidades o novo direcionamento previsto, entre eles corrigir uma distorção que foi criada ao longo do tempo que implica em uma procura grande das AMAs por demandas que poderiam ser plenamente e melhor cuidadas nas unidades básicas de saúde. Essa inversão, revela a supervisora, fez com que aportes de recursos materiais e humanos fossem direcionados às AMAs em detrimento das UBS. Corrigir essa distorção está nos planos.

Mudança nas OS e convênios criam expectativas

A alusão ao chamamento público previsto para rearranjar a participação das Organizações Sociais na gestão dos equipamentos nas novas modalidades que estão previstas para ocorrer durante este ano e o ano seguinte, também tem gerado certa expectativa e apreensão entre os servidores atuais. Quem fica; quem sai; o que muda são perguntas ainda sem respostas apropriadas e difíceis de prever. Apesar do desejo da atual supervisão, e por extensão, eventualmente, até da própria prefeitura em manter os servidores que já conhecem e trabalham nas unidades, não existe nenhuma garantia prevista nos editais para as modalidades que serão licitadas. Se o setor de saúde pública tem suas necessidades, os que procuraram se adequar a elas, as organizações sociais, terão suas necessidades também e, entre elas, poderão estar mudanças ou corte de pessoal.

Entre outras iniciativas não reportadas Idosos e deficientes

Para um futuro mais elástico, tanto a assistente técnica quanto a supervisora apontaram para a criação ou adequação de quatro unidades básicas integrais que comportarão um centro de especialidades de reabilitação em nível quatro, como chamam, que poderá atender pessoas com deficiência intelectual, de audição, de visão e mesmo física.

Ainda, em 2016, o atendimento específico ao idoso através de unidades de referência em saúde do idoso, chamado URSI em terreno próximo a UBS Mateus I e ao CDC, localizado centralmente em São Mateus voltado a reabilitação e atenção básica ao segmento sempre crescente. A construção está prevista para 2015 e o funcionamento para iniciar em 2016.

Como se vê, o Plano de Metas propõe mudanças. Parte delas vai em direção ao resgate pleno do Sistema Único de Saúde e acertadamente lida com a demanda em saúde para além da clínica médica e medicalização. A questão está colocada. Planos existem, mas a prática ainda precisa ser adotada e experimentada. (JMN)

 

Written by Página Leste

25 de agosto de 2014 às 19:01

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