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Pedem mudanças, mas não dizem o que mudar

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Estamos quase às vésperas de um ‘já deu!’. Por quantas vezes acompanhei as campanhas eleitorais, principalmente as peças publicitárias levadas ao ar via televisão onde os candidatos, devidamente penteados e asseados, vão nos tentando explicar as razões do porque querem o nosso e o meu voto.

De dois em dois anos, e para a corrente, com eleições gerais, que vai fixar ou alojar novo presidente ou presidenta do Brasil eles se chegam; marotos, bem orientados, cheios de ginga e com o discurso mais recorrente que é preciso fazer mudanças. Essa palavra chave que nos convida a prestar atenção, por vezes nos coloca ansiosos ou receosos, uma vez que, quase sempre, partimos e concordamos com o ponto de que as coisas não estão boas e precisam mudar.

Para este ano a lógica se mantém. Vamos mudar tudo, para que tudo fique exatamente como está. De concreto mesmo nem Dilma, nem Aécio, nem Marina, a missionária guindada à condição de candidata, por conta de uma fatalidade que vitimou o então candidato Eduardo Campos, pelo PSB, jogam o jogo da mudança de verdade.

Se para os oposicionistas que agora são Marina e Aécio, entre os de maior visibilidade, medidas diferentes são necessárias para o próximo governo a ser eleito, fica no colo da Dilma fazer malabarismos para provar que o certo é haver uma continuidade com transformação, seja lá o que isso concretamente queira dizer.

Em programa de TV, Dilma teria dito que “O Brasil, blá, bla, blá não interrompeu o grande ciclo de mudanças que vinha fazendo desde o primeiro governo Lula”. Se não interrompeu, pela lógica, não mudou. Portanto, continuou. Onde fica então a proposta de mudança? Seria então, um novo ciclo de desenvolvimento, sendo que o Brasil, no contexto da economia mundial também sofre efeitos de uma crise que vem se instalando pelas bordas?

O Brasil, eventualmente, e em muitos aspectos, está melhor do que antes. Há que se reconhecer que parte dessas melhorias se revelou no período em que o PT assumiu o governo federal, mas não há, também, como não apontar que nem tudo é céu de brigadeiro e o déficit nas contas aponta para problemas muito sérios e concretos.

O que vai significar então essa proposta de mudança? E se precisa mudar, existe o reconhecimento de que alguma coisa está fora da ordem e errada na gestão desse último ciclo. E está errada para o atual governo federal, embora, justiça seja feita, o modelo deste é o mesmo em termos de situação, desculpas e propostas dos governos anteriores. Resumo: se precisa mudar, devo deduzir que é para melhor, então quais são os problemas e os erros? Essas respostas, de forma sincera e verdadeira, não serão divulgadas nas campanhas e se o forem serão sem ostentação.

Por outro lado, o até então candidato mais próximo de disputar com a Dilma, Aécio Neves (PSDB) continua criticando a gestão da Dilma, mas, curiosamente, não esculacha as escolhas petistas, principalmente na economia que vem desde o primeiro mandato de Lula no governo federal que, por sua vez, criticou, mas não esculachou e adotou praticamente o mesmo encaminhamento na economia do seu antecessor, o ex-presidente Ferando Henrique Cardoso.

Em resumo do que pode ser visto até agora, Aécio repete o chavão de que é preciso gastar menos com o governo e mais com as pessoas. Desde quando isso é uma mudança ou uma nova proposta? Acho que esse discurso vem desde o tempo em que os aparelhos de televisão eram bundudas, digamos assim.

Parece um sabonete inofensivo. Tem cheiro bom, mas não funciona. Uma mensagem muito fácil de ser divulgada, que não encontra objeções e de fácil entendimento. Diz, o candidato, que dá para melhorar os benefícios à população com a redução do custo da máquina federal, mas o que isso efetivamente muda? Perfumaria, mesmo porque não é para valer. No caso de Aécio ou Marina quantas acomodações em cargos e participação no governo serão necessárias? Que não se abuse da nossa suposta ingenuidade.

Além do que é necessário restabelecer a verdade dos fatos. O aumento nas despesas dos últimos anos está efetivamente ligado à área social, ou seja, nos gastos com as pessoas. Gastos com os programas universais de transferência de renda às famílias carentes, não incluindo aqui, a tão falada Bolsa Família, saltaram de 6,7% do Produto Interno Bruto, em 2002, para o equivalente a 9% do PIB em 2013. Já os tais gastos com o governo, como acusa o candidato Aécio Neves não tiveram acréscimos significativos. Só para fazer as contas, candidato, os encargos com o pessoal ativo e inativo, por exemplo, tiveram uma redução de 4,8% para 4,2% do PIB.

Portanto, caro Aécio, Marina e outros. Promessas de mudanças que não mudam; propostas de inverter a condução da política econômica para a mesma direção é o mesmo que andar atrás do rabo.

Em se tratando de propostas de mudança mesmo, elas poderão ou não ser encontradas no campo lá da ainda modesta, quase inexpressiva esquerda; algumas bastante respeitáveis que participam da disputa. (JMN)

Written by Página Leste

25 de agosto de 2014 às 18:35

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