Violência no Brasil cresce e se expande
Segundo o Mapa da Violência 2014, divulgado no começo do mês de julho, em 2012, último ano com informações consolidadas, 112.709 pessoas morreram situação de violência no país. Isso é o mesmo que 58,1 habitantes para cada grupo de 100 mil pessoas e é a maior da série histórica do estudo, divulgado de dois em dois anos.
Nessa conta foram 56.337 vítimas de homicídios, 46.051 de acidentes de transporte que incluem acidentes de trânsito urbano e rural além de mortes aéreas e marinhas. De suicídios 10.321. Números que podem parecer modestos quando comparados com o tamanho da população brasileira, mas que, de fato, são significativos.
Os jovens, em geral, os que arriscam mais ou tem a cabeça mais quente, na faixa entre 15 e 29 anos constituíram 53,4%. Também nessa faixa as taxas de homicídio passaram de 19,6 em 1980, para 57,6% em 2012, a cada 100 mil jovens.
Segundo os responsáveis pela análise dos dados, ainda não é possível saber se 2012 foi um surto ou se realmente estamos inaugurando um novo ciclo ou nova tendência: de mais violência. Entre as causas as greves de agentes das forças de segurança em alguns estados ou o ataque de grupos organizados podem estar entre as razões. Eu direi mais a frente que tem outras.
E não foi apenas no Sudeste que cresceu; as regiões Norte e Nordeste também explodiram em violência. Sul e Centro Oeste tiveram aumentos percentuais de 41,2% e 49,8% respectivamente. No Sudeste, a situação foi mais variada, com diminuição significativa em estados importantes, como o Rio de Janeiro e São Paulo. Já em Minas Gerais, os homicídios cresceram 52,3% entre 2002 e 2012. Vale registrar que Maceió, a mais violenta, passou dos 200 homicídios. No outro extremo, São Paulo, com a menor taxa entre as capitais, ainda assim registra o número de 28,7 jovens assassinados por 100 mil.
Bem deixando a interpretação dos números para os especialistas, quero considerar que a situação para além dos números, de casos que conhecemos e tomamos conhecimento, são de alarmar mesmo. Se políticas públicas, mesmo que raras em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro podem ter diminuído um pouco a ocorrência de homicídios acrescento que alguns membros da segurança dizem que esses números baixaram por interferência do próprio crime organizado que fez uma espécie e pacto com o seu time para não matar a esmo, pois atrapalham os negócios. Se assassinatos estão ou não sobre controle, as barbeiragens no trânsito cada vez mais intenso e caótico não. E juntando com as confusões e desentendimentos comuns dão sua contribuição para manter os números altos.
No trânsito, as principais vítimas são os motociclistas. Só para ilustrar, se em 1996 foram 1.421 óbitos, em 2012 foram 16.223. Cerca de 1.041% de crescimento. E isso é mais fácil da gente conferir. Quantas motocicletas com um condutor e, às vezes, com um ‘garupa’ você é capaz de ver por dia? Quantos desses são de adolescentes, quando não crianças que, com certeza, sequer habilitação tem?
Nas cenas de violências e de homicídios, quantas são que você e eu conhecemos que acontecem entre famílias desestruturadas? E nas confusões de ruas com adolescentes e jovens sem limites e de educação beirando a zero você tem conhecimento? E quantas dessas vítimas têm algum envolvimento no crime, sejam os mais suaves até os hediondos? Como parte das respostas a essas questões há uma certeza de que a situação caminha por um caminho de volta complicado. Existe muita aposta na impunidade, na malandragem, e nos recursos que a própria lei disponibiliza para safar os infratores.
Os números não mentem, mas não explicam. Você e eu podemos ter nossas opiniões a respeito, mas se tem uma coisa comum que todos podemos ver é que, a cada dia que passa, não conseguimos perceber que as pessoas estão mais gentis, educadas e dispostas a perdoar. Menos dispostas ainda a fazer o bem ao seu semelhante. É um querendo engolir o outro, levar uma vantagem aqui, outra acolá. Preocupados tão somente consigo próprio e de tabela um pouco com seus parentes próximos.
A regra geral é se virar; se dar bem mesmo que para isso se cometa injustiças com o outro. Isso é tendência. Isso é o caminho que a sociedade, cada vez mais barbárica, mas pensando que está melhorando está trilhando.
Não sabemos ao certo como fazer para reverter esse quadro que se apresenta; cada vez mais feio e desagradável. Eu, da minha parte, vou me fiscalizando para tentar ser cada vez mais justa e boa e sei que é isso que tenho que fazer. É uma gota no oceano, mas com uma gota de cada um criaremos um mar cada vez mais calmo para nossa curta passagem por essa terra. Dá para você fazer a sua parte? (JMN)
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