Pinga Fogo entrevista Alexandre Zakir; segurança foi o tema principal
O quarto encontro de lideranças com pré candidatos no Pinga Fogo da Gazeta teve como tema quase que exclusivo a questão da segurança pública muito a ver com o entrevistado, Alexandre Zakir que é delegado titular da polícia civil licenciado e âncora do programa Operação de Risco na televisão aberta. Também se afastou do programa por força da legislação eleitoral, uma vez que ele é candidato a deputado estadual pelo PPS tendo sua candidatura homologada em convenção. Atrás de um mandato vai atrás de outras missões se for eleito.
Respondendo a pergunta chave da diretora do jornal, Lucy Mendonça sobre as razões para as pessoas darem o voto a ele, respondeu que precisaria dizer mais sobre si mesmo.
Nascido em Bauru onde viveu, estudou e trabalhou até os 22 anos é filho de empresário e desde os 14 anos trabalhou nas lojas do pai de origem árabe aprendendo a dar valor ao esforço e ao trabalho. “Foi nesse contato diário com as pessoas que aprendi muito sobre o ser humano. O trabalho e esse contato é uma ótima escola”, considerou.
Veio para São Paulo onde trabalhou como advogado de olho em concursos para se tornar juiz quando foi convencido por colegas a prestar concurso para ser delegado o que conseguiu apesar de nunca cogitar esse oficio, confessou. Muito disso tem a ver com o histórico da mãe que foi uma militante da Ação Popular (AP) na época da ditadura e naquela conjuntura com um explicado distanciamento da instituição polícia. Mesmo assim passado o concurso resolveu trabalhar como delegado para entender como era aquilo.
Já nessa condição passou pelos distritos de Artur Alvim, A E Carvalho, na zona leste e Campo Limpo, outro extremo da cidade além da Delegacia de Homicídios. “Durante todo esse período aprofundei minha relação e entendimento com as periferias abandonadas, onde tentei interferir da melhor forma possível já com a compreensão de que o funcionamento das instituições no regime democrático ainda é a melhor maneira de se conviver em sociedade”. Comenta. Do ponto de vista da ação como policia acredita na capacidade de mudar vidas; sendo buscando fazer justiça para os vitimados com a punição dos criminosos no que diz respeito ao trabalho policial e até mesmo, reflete, na punição do infrator que pode, em alguns casos, ajudá-lo a se redimir e mudar o comportamento para melhor.
Foi quando exercia as tarefas de polícia que foi convidado por um superior a ser deslocado então para a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo para compor uma equipe multidisciplinar com a tarefa de investigar e desbaratar quadrilhas internas de roubos e desvios de medicamentos. Aberto a novos desafios aceitou e conseguiram resolver o problema.
Em linhas gerais esse histórico de vida e ações é parte das respostas sobre o porquê ele deveria ter votos. O que viria pela frente apenas corrobora a opinião dele próprio. Com boa formação e capacidade de comunicação foi convidado pela cúpula da polícia para ser o personagem condutor de um programa piloto da televisão que depois se consolidou. Foi tão bem na tarefa que foi convidado pela produção do programa a ser o ‘âncora’ permanente. Com respaldo da cúpula passou a trabalhar com muita competência no programa conforme atestavam os índices de audiência,.
Sobre as perguntas dos presentes respostas objetivas e sinceridade
Uma das lideranças presentes perguntou ao entrevistado o que ele achava da disposição feita pela segurança que prioriza a presença de policiais nas regiões de comércio e serviços em detrimento às ruas residenciais, paralelas ou transversais ao que Zakir aprofundou respondendo que o que não funciona é o atual modelo de segurança pública no Brasil que considera falido. Não dizia exatamente das instituições incluindo o Ministério Público, as defensorias, etc., mas o modelo que não atinge seus objetivos de evitar os crimes.
Disse, a exemplo de todos os outros que passaram pelo Pinga Fogo, que a questão da segurança é complexa, mas não se furtou a indicar que para ele os municípios, principalmente em cidades como São Paulo, teriam que se envolver com o assunto para além da operação delegada que hoje existe e funciona parcialmente. “É também uma questão de gestão de recursos físicos, de tecnologia e humanos”.
Nesse ponto já se expõe optando pela sinceridade não muito típica de candidatos. “Não vou mentir que mesmo como parlamentar não tenho como propor projeto de lei que vá interferir significativamente nessa situação, nem o sistema legislativo permite isso. Não haverá emenda parlamentar que dará jeito nisso. Uma terceira forma e é nessa que posso me comprometer é dar vez e voz, fazer ecoar na assembleia os problemas, as demandas e as sugestões da sociedade”.
“Pessoalmente acho que tem espaço para fazer uma gestão melhor dos recursos, como melhorar a prevenção, mas para isso acho que não devemos nos apoiar apenas nos recursos humanos, mas melhorar a alocação de outros tantos recursos. A exemplo das administradoras de cartão de crédito que possuem software de perfil comportamental de seus clientes, um software com a mesma finalidade poderia ser usado para traçar perfis, por exemplo, a partir das placas de carros e saber quem e como são esses proprietários dos carros”. Mencionou também o uso mais racional e mais competente das muitas câmaras de observação que estão espalhadas por vários lugares.
Quanto à produtividade que pode melhorar, Alexandre lembrou que uma dupla de policiais brasileiros, principalmente do Estado de São Paulo consegue esclarecer em média um crime a cada 80 horas enquanto uma dupla de policiais norte americana esclarece um crime em 100 horas em média, portanto não estão tão defasado assim. Ou seja, de uma forma geral melhorar os serviços de inteligência.
Alexandre ainda ouviu considerações sobre a diferença de tratamento aos policiais civis quando comparado com os policiais militares em caso de atendimento médico e socorro aos policiais ao que respondeu não caber a ele a resposta a essa situação com a qual também não concorda.
Indagado sobre dobradinhas e apoios a nível federal, Alexandre diz contar com apoio explicito do deputado federal Roberto Freire uma das principais lideranças do PPS, seu partido, e de outras lideranças políticas em outros partidos. Citou o vereador Gilberto Nataline, vereador atualmente no PV e outros.
Sem medo de se expor
No contexto das perguntas o entrevistado disse que não tinha nada a temer, que não tinha nenhuma vidraça em sua vida como figura pública e disse que iria defender com coragem seus pontos de vista indicando que não adotará a prática muito comum entre os políticos de se furtar a opinar e se posicionar sobre questões polêmicas por conta de um suposto patrulhamento do politicamente correto. “Não tenho medo dos temas polêmicos. A partir do instante que tiver uma compreensão e entendimento sobre os assuntos não me furtarei em, se perguntado, colocar minha opinião perdendo ou não votos”, afirmou. “De tudo que estamos conversando aqui me disponho a sempre ser uma voz corajosa”, completou.
Delegado Cicone aponta o adensamento das periferias por conta de ocupações
O delegado Marco Antônio Cicone, presente ao encontro, perguntou ao pretendente ao voto sobre a sua opinião sobre essas movimentações recorrentes de ocupação das periferias para efeito de moradia que tem complicações na segurança. Alexandre voltou à ideia de que o município tem que discutir e participar da segurança pública. “Não basta apenas às pessoas serem colocadas ou usarem de facilidades para se instalarem e na maioria das vezes de forma bem desorganizada nas periferias. Colocados à margem dos serviços do Estado, estão a caminho da marginalidade aqueles que não têm estofos de caráter e preparo”, considera.
Quando isso acontece à sociedade e o próprio Estado cobra depois para que a polícia resolva, mas não teve prevenção e nem tem os instrumentos certos para essas ações que primeiro deveriam ser evitadas, considera. Mas, vai além, não deixando de tocar no delicado assunto de que essas ocupações ou invasões dos terrenos na maioria das vezes são usadas por oportunistas e com gente com um tanto de boa fé e outro tanto de más intenções entre eles os próprios necessitados. “O fato é que essas invasões que se viabilizam mesmo precariamente depois burlam as filas de espera dos interessados e necessitados das políticas habitacionais propostas pelo Estado em suas três esferas”. Alexandre não deixou de considerar que entre esses oportunistas, parte deles está comprometida com interesses partidários ou de mandatos. “É a indústria da invasão”, emendaram os presentes.
Alexandre ainda falou sobre a necessidade de uma política salarial para as polícias de forma mais adequada e republicana. É contra as bonificações e a busca de metas. “A meta das polícias devem ser prevenir e erradicar os crimes. Isso deve ser política de Estado e a remuneração também”, exemplifica. Destacou ainda que esse assunto está dentro de toda conjuntura de melhorar as instituições e o funcionamento do regime democrático.
Ao final e inquerido pelos presentes, resumidamente disse que seguirá sua consciência que será moldada também pelo que escuta das pessoas e das ruas para se comportar dentro da assembleia. Garantiu que entre as eventuais exigências da liderança do seu partido em questões no parlamento que forem contra seu entendimento e compreensão do que é mais certo, mais adequado ou de maior interesse da comunidade fechará com esta apesar do desgaste que poder advir desse posicionamento. Vai além, diz que se posicionar corretamente com consciência limpa, mesmo que às vezes contra as orientações superiores é também uma forma de se fortalecer e ser mais respeitado no exercício do seu mandato que, ao final, só pode ser conseguido com o voto do eleitor.
Sobre a unificação das policias ou mudança do nome da Polícia Militar apenas para Polícia não teve papas na língua indicado que isso é apenas perfumaria e que as medidas para melhorar a segurança dependem muitas outras coisas que envolvem educação básica, desenvolvimento, justiça social ou seja uma série de melhorias que extrapolam as responsabilidades apenas das polícias. (JMN)
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