Futuro candidato do PT ao governo visita zona leste
Alexandre Padilha passa por diretório petista de São Mateus em dia de visita a Zona Leste
O pré-candidato a governador do Estado de São Paulo que aparece com 3% ou 4% de intenção de votos a depender do cenário em recente pesquisa do Datafolha passou um dia todo na zona leste da cidade de São Paulo e, ainda pela manhã, compareceu ao Diretório Zonal do Partido dos Trabalhadores de São Mateus onde foi recepcionado por filiados e simpatizantes. Teve ainda extensa agenda até finalizar em plenária nas Obras Sociais Dom Bosco, em Itaquera na noite da mesma sexta-feira, dia 06.
Deverá crescer nas pesquisas e a sua imagem pública de médico e homem moderado, como o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), também candidato, deverá deixar ambos, e as campanhas, em tons ligeiramente parecidos.
Antes de falar aos presentes que incluíam parlamentares como Adriano Diogo, deputado estadual e Juliana Cardoso e Paulo Fiorillo, vereadores petistas, além de pré-candidatos a Câmara como Andrés Sanches, tido e havido como bom puxador de votos para a legenda, Padilha ouviu diversas considerações sobre as necessidades da região, notadamente para suprir as carências da área da cultura.
Os militantes do partido ou da área cultural buscaram evidenciar essas carências desfilando reclamações e demonstrando o quanto essa área tem sido preterida através dos tempos. Coube a Claudete representando o presidente do DZ que não estava presente no inicio do encontro e ao vereador Fiorillo a abertura da reunião. Um dos primeiros a falar, o deputado estadual Adriano Diogo, satirizou o fato do acesso da caravana a São Mateus não poder ter sido feito pelo Monotrilho, do qual duvida sobre a sua implementação e extensão até a periferia.
Padilha pode ouvir dos presentes que nos três imensos distritos de São Mateus, mal funciona e existe casa de cultura. Apenas uma, até então instalada em uma casa que era de educação infantil. Existe a previsão de um novo espaço de mais de 1300 m2 no distrito São Rafael, mas que depende de iniciativas da Prefeitura lembrou um dos ativistas. Outros ainda lembraram que a periferia de São Mateus tem certa efervescência cultural com distintas produções que vão de música a teatro e que outro programa que poderia ser adotado pelo governo do Estado aos moldes do programa VAI de valorização das iniciativas culturais da Secretária Municipal da Cultura seria interessante. Outros lembraram ainda da importância de ampliação dos pontos de cultura, programa do Ministério da Cultura.
O completo abandono dos telecentros, espaços para iniciação digital e em informática foi registrado, bem como os espaços ociosos dos centros desportivos municipais, os CDMs, de responsabilidade da prefeitura. Não faltou também quem registrasse a insustentável situação da saúde pública e gratuita na região, assunto que tem sido exaustivamente tratado por este jornal.
Programas para jovens e prevenção contra os abusos de álcool e drogas
Lideranças presentes como Jerônimo, do Jardim São Francisco cobrou a necessidade de se criar áreas de lazer naquela localidade. Já Hamilton Clemente lembrou ao pré-candidato sobre a necessidade de se olhar mais atentamente para a questão do abuso de álcool e drogas e a necessidade de programas para as regiões periféricas. Clemente recomendou que os governos levassem em conta a contribuição que certas entidades podem dar. Para ele os governos deveriam estabelecer convênios com algumas destas para somar esforços nessa importante batalha.
Padilha convoca militância a ir aquecendo os motores
Ciente de que a legislação eleitoral restringe a mobilidade e a exposição dos pré-candidatos, o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha tem participado de caravanas pelo interior do estado e na capital sempre em locais fechados e dirigidas especialmente a filiados ao próprio partido e simpatizantes diversos. Demonstrou, também, estar bastante animado e feliz com as acolhidas, conforme resumiu ao final do dia, de novo, em Itaquera.
Enquanto em São Mateus, entretanto, registrou que esse momento é de ouvir, debater e eventualmente agregar proposições que possam compor seu plano de governo que deverá começar a ser definido após as convenções oficiais logo após a Copa do Mundo. A ideia dele é entre julho e agosto já correr trecho, nas ruas, condomínios, no comércio e nas comunidades debatendo e tentando melhorar as expectativas de voto. Não deixou de convocar a militância para essa árdua tarefa. Apesar de considerar que nunca estiveram tão boas as chances do PT vir a disputar o governo do Estado, alertou para as dificuldades e a necessidade do empenho de todos. “Vamos nos reunir e conversar. Estaremos preparados para essa campanha, mas com certeza ela será muito dura, em função da enorme preocupação de nossos adversários que temem tanto pela nossa chegada como pela reeleição da presidenta Dilma”.
“Teremos que ter capacidade para mostrar como de fato a vida mudou e esse debate terá que ser feito de modo especial com os mais jovens, alguns deles muito distante de todas as lutas e até mesmo da primeira eleição do PT ao governo federal. Devermos valorizar nossas conquistas e mantê-los temerosos sim da reeleição da Dilma, das boas condições de saúde do Lula e das nossas reais chances de governar o estado”.
Padilha fez também considerações gerais sobre a forma com que o atual governo atua no transporte coletivo, priorizando com melhores “produtos” as áreas centrais e mais ricas da cidade. Para tanto comparou a qualidade do metrô entre esse centro da cidade e as periferias.
Falou ainda do programa Mais Médico, ressalvando que a proposta não era uma solução definitiva e completa para a precariedade da saúde pública, mas, sim, uma iniciativa importante que já produz frutos reconhecidos pela população Brasil afora. “Essa é outra das diferenças. Conseguimos fazer em três anos o que eles não fizeram em 20”. Padilha voltou a se referir ao temor dos adversários de que essas proposições sejam implementadas no Estado de São Paulo.
Falou ainda sobre ações possíveis e tratamentos diferentes nas áreas da educação e cultura. ”O PT governa apoiado na força do povo. Damos apoio a quem faz e for criativo. Faremos questão de que essas coisas apareçam. Vamos apostar na força da cultura. Vamos valorizar os jovens e transformar a escola em espaço vivo de cultura, esporte e inclusão”. “A periferia de São Paulo vive um momento rico de cultura com saraus literários, músicas artesanato, teatro e etc. Vamos valorizar tudo isso. Eles (os adversários) temem tudo isso; nosso vigor. Vamos dar chances para os jovens irem para as universidades, cotas para negros, cotas para estudantes da escola pública, escolas técnicas”.
Não faltou ainda crítica ao governo do Estado com relação ao abastecimento de água na cidade. “Os técnicos vem nos últimos dez anos apontando a necessidade de obras para reduzir a dependência da capital do sistema Cantareira. Nada dessas recomendações saíram do papel por responsabilidade do governo. Agora estamos nessa situação”.
Padilha ainda seguiu para um almoço onde cada um pagou sua despesa
Saindo de São Mateus, Padilha partiu animado para o restante da agenda do dia que incluiu um almoço com correligionários, conversas no mesmo tom em outros bairros e no começo da noite com o mesmo tom nas Obras Sociais Dom Bosco, onde reuniu centenas de simpatizantes, parlamentares e lideranças locais. Saiu entusiasmado da maratona. (JMN)
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