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Nenhum avanço em nova reunião do Conseg 49 DP

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Em nova reunião do Conselho de Segurança – Conseg do 49º DP, dia20/5, o Capitão Tirsso da 5ª Cia PM/SP fez um desabafo que mais parecia ser uma resposta ao descontentamento geral da comunidade presente a reunião anterior a essa e registrada pela reportagem. Procurou demonstrar que a Polícia Militar atua, mas não faz alarde e propaganda disso.

A mesa composta por José Ramirez, presidente do Conseg, pelo delegado titular do 49o DP, Luiz Carlos Uzelin, pelo Tenente Moisés, da 2ª Cia PM/SP, pelo Inspetor Figueiredo, da GCM e por José Carlos, representando o subprefeito de São Mateus que estava em outro compromisso abriu os trabalhos recolhendo algumas queixas que se repetiram, alguns encaminhamentos e, no restante do encontro, a fala do capitão.

 

  Aberta reunião a comunidade se manifesta

Antes da fala do capitão, representante dos trabalhadores da saúde pública respaldado com representantes das nove unidades básicas de saúde na região reiterou as queixas do encontro anterior sobre o que consideram um estado de grande insegurança, revelando que naquele mesmo dia haviam sido registradas saídas de profissionais das unidades em mudança para locais mais seguros. Segundo o interlocutor os problemas seguiam da mesma forma e com a mesma gravidade. “Vamos chegar a um ponto tão critico que daqui a pouco as comunidades não iram apenas reclamar da falta de médicos e sim de todos os outros profissionais que fazem um posto funcionar. Nessas condições poucos vão continuar trabalhando. E, sem funcionários não existirá a unidade básica”, finalizou.

Outros participantes relataram comportamentos negligentes de alguns policiais e de demora exagerada no atendimento de certas denúncias a ponto de inviabilizá-las. A insistente ocorrência de bailes funks aos finais de semanas também foi objeto de reclamações.

Ainda com a palavra entre os presentes houve reclamações quanto ao atendimento administrativo de demandas por iluminação, limpeza e manutenção de espaços públicos que antes permitiam até caminhadas e que hoje são locais com ocorrência de assaltos e ainda sobre o abandono das escolas públicas sem segurança aos finais de semana.

Em desabafo, Capitão Tirssocobra participação e responsabilidade da sociedade

O Capitão Tirsso, da 5ª Cia da PM/SP aproveitou o gancho com relação às seguidas queixas e informou que a 5ª companhia e a PM da região de uma forma geral vem tentando combater o abuso e as ocorrências de bailes funks em vias públicas há mais de anos e revela as dificuldades. “Na Rua Sonho por Sonho, por exemplo, coloco uma viatura as sextas, sábados e domingos ou em dias alternados antes mesmo do começo da aglomeração de pessoas, como forma de evitar que o baile se instale. Pois saibam vocês que as pessoas que queriam que o baile ocorresse ficam na rua de trás e de forma furtiva e a distância jogam pedras nas viaturas”.

Disse ainda que a PM faz um serviço de inteligência monitorando tanto quanto possível as redes sociais e é percebe-se que eles se articulam migrando de lugar conforme a polícia vai atuando. “São 15 bailes simultâneos aos finais de semana e nem sempre nos mesmos lugares”, que dá um indicador das dificuldades.

Mas não é só. O capitão tem razão quando chama vigorosamente às falas a falta de responsabilidade da própria comunidade na educação primária de filhos; crianças e jovens. Lembrou inclusive da fala recorrente do delegado seccional Dr. Antônio Mestre que em certa ocasião ouviu a queixa de um pai por ter sido incomodado pela polícia para que fosse a um determinado baile se responsabilizar pela filha de 13 anos. Algo tão absurdo e próximo disto, mas com outras palavras: “Estava assistindo jogo e a polícia foi me incomodar”. O capitão ainda ilustrou seus argumentos com a situação vivida na França nos anos 70 com o aumento da criminalidade. “Eles chegaram a triplicar a força policial, mas o crime não regrediu. Regrediu, apenas, quando outro ministro enfatizou a educação de pais e responsáveis para que assumissem corretamente seus papeis na educação de filhos”.

O capitão tem razão e este jornal já vem falando nisso há algum tempo. Sem envolvimento e comprometimento e até preparo das famílias focado nos pais ou responsáveis às medidas repressivas só não vão resolver. É inadmissível que pais continuem se omitindo de se educarem e de educarem seus filhos.

Após enfatizar a necessidade desse comprometimento _uma espécie de chamada às responsabilidades da própria sociedade que não pode continuar achando que é obrigação da segurança resolver tudo, falou do rigor com que dirige a sua companhia e o empenho entre os seus comandados. “Claro que tivemos e possamos ter policiais que não cumprem suas obrigações, até casos que nos mesmos afastamos maus policiais. Já afastei 20, entre os quais três que eram bandidos e que estão cumprindo penas, mas a maioria sabe de suas responsabilidades de policial, assumem e agem”. O capitão indicava que para, além disso, o envolvimento responsável das pessoas de bem é essencial no trabalho da segurança. “Continuem denunciando de forma responsável”. Poderia ter dito também não compactuem com pequenos, médios e grandes crimes que, em geral, todos temos conhecimentos.

Parecendo procurar dar uma resposta ao ocorrido no encontro anterior com a queixa dos presentes quanto à ausência das polícias, disse que não é político e não faz propagando do trabalho que faz ou que a sua companha faz. Revelou até que a construção de parte da sede, por exemplo, foi feita com a força d mão de obra dos policiais e que nenhum pedreiro externo, por exemplo, esteve envolvido. Disse ainda que até o conserto das viaturas são pagas com seu cheque em algumas ocasiões.

A reunião foi encaminhada ao seu final muito próxima de como começou. Sem respostas objetivas as suas demandas os profissionais da saúde foram embora, considerando que sequer foram ouvidos. Ou seja, a comunidade, sem resposta e encaminhamentos imediatos deixa transparecer que a questão da insegurança em São Mateus vai continuar na pauta do dia, o que, como lembrado, vai exigir o envolvimento responsável de todos.

 

 

Written by Página Leste

29 de maio de 2014 às 18:01

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