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Reunião revela estado de calamidade, mas segurança não estava presente para escutar

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Marcada pela ausência dos representantes da Segurança, reunião do Conseg revela um quadro temerário em certas regiões de São Mateus

A última reunião do Conseg São Mateus no dia 15 de abri foi marcada pela ausência de representantes da Policia Militar e da Polícia Civil, nenhum comandante nem delegado titular do 49º Distrito Policial compareceram para ouvir as graves queixas, mas, também pela presença de mais de meia centena de munícipes que compareceram para fazer e apoiar diversas denúncias. Além do presidente do Conseg, José Moreira compôs a mesa o subprefeito de São Mateus, Fernando Melo e o Inspetor Osmar da Guarda Civil Metropolitana baseada em São Mateus que representava o inspetor geral que não pode comparecer em razão de outros compromissos.

Como de praxe após aberta a palavra uma representante do conselho de saúde do Jardim da Conquista III, retomou as mesmas denúncias que foram objeto de nossa edição anterior (372) a respeito a crescente insegurança nas proximidades e nas unidades de saúde públicas da região. Em sua fala destacou as unidades do Jardim da Conquista que foi palco recente de inúmeras ocorrências criminosas e até alguns confrontos com a Polícia Militar e onde tem sido difícil convencer qualquer médico ou profissional do mesmo porte a trabalhar nos locais. “Os médicos tem sido roubados, agredidos e vítimas de tentativas de sequestros. As agressões ocorrem quase todos os dias, a ponto de alguns desses profissionais se afastarem imediatamente”, diz.

A liderança explica que um abaixo assinado que estava sendo apresentado naquela ocasião, o que foi feito a seguir só não reuniu ainda um maior número por causa das intimações promovidas pelos próprios “manos”. A liderança tentou até estabelecer sem muito sucesso um diálogo com estes para tentar demonstrar que a ausência de médicos e o mau funcionamento dos postos de saúde e do AMA podem ser prejudiciais a eles próprios e suas respectivas famílias. Sem sucesso. “Não temos outra saída a não se chamar a polícia, entretanto, tem ocorrências como as da realização dos bailes funks, que sequer eles consideram emergência”.

A indignação da comunidade; das pessoas que residem, trabalham ou se ocupam na região é crescente, na mesma proporção do nível cada vez mais insano dos problemas.

Segundo relato dos presentes uma base comunitária que existia na entra do Carraozinho era o suficiente para inibir o crescimento desses problemas. Pedem de forma quase desesperada que na impossibilidade de se aumentar o efetivo ou a presença física da polícia pelo bairro que se reinstale uma base comunitária. “Estamos quase em pânico e nas unidades, por vezes, ainda temos que receber gente de outros bairros que procuram atendimento. Ou seja, aumentam a procura nos postos e também as ocorrências de violência”. Uma hora alguns tiros que andam acertando carros e paredes vão acertar alguém, mesmo porque já pode ser visto nas ‘quebradas’ do lugar gente do crime armada até com metralhadora.

A partir da mesa o inspetor da GCM considerou que o efetivo ainda pequeno tenta acompanhar as demandas crescentes. Eles próprios têm sido solicitados até a acompanhar pacientes com maiores dificuldades e temor em alguns agendamentos nas unidades. Reconhecem a situação e contribuem como podem.

A liderança retoma comentando que quando da construção do Ceu São Mateus havia um espaço destinado para uma base comunitária de segurança originalmente. Foi desocupado e posteriormente para acomodar a segurança própria do equipamento. A volta de uma base ali poderia contribuir para diminuir a ocorrência de crimes no local. “Temo muitas biqueiras no Jardim da Conquista e há muitas reclamações com assaltos e violências contra trabalhadores. Mulheres são agredidas apenas para entregar bilhetes únicos que são usados no transporte. A missão do trabalho do Conselho Tutelar também agrava a situação. Existem muita droga e meninas adolescentes grávidas e até com filhas recém-nascidas no colo podem ser vistas convivendo com tudo isso”, completa.

Conseg reconhece a gravidade da situação

O presidente do Conseg exibe cartas e e-mails recebidos reclamando da falta de ronda escola, falta de policiamento. “Temos relatado essas reclamações e situações as instâncias superiores do Conseg, mas as respostas e as providências são raras”, diz. “Da nossa parte, também sofremos ameaças e temos nossas limitações no envolvimento com esses assuntos por conta dos riscos, mas, todos, compreendemos que precisamos mudar esse estado de coisas”, emenda.

Ausência das polícias na reunião é criticada

Pensei que chegaria a essa reunião aqui com essa comunidade, com os trabalhadores da saúde e da educação e que encontraria aqui com representantes da PM e da PC, mas, lamentável, nenhum deles aqui”, disse outra liderança que denuncia que não se trata apenas de falta de efetivo, mas da forma que ele esta distribuído pelas regiões da cidade. “Estou há quase 25 anos aqui e nunca vi uma situação tão grave e alarmante. Nunca havia visto alguém armado, agora no Jardim da Conquista vi um jovem andando com metralhadora a tiracolo”, se indigna. Desde a ocorrência dos confrontos recentes com a polícia militar não se vê mais polícia passando pelas ruas. “Os responsáveis pela Segurança, seus comandantes e o governo precisam conhecer a situação. De vez em quando a GCM, mas isso não basta”.

Houve quem se reconhece a beira de um ataque de nervos, tendo de conviver a contragosto com os ‘pancadões’ de rua que insistem em ser em volume ensurdecedor, fora de hora, com uso e abuso de bebidas, drogas e prostituição envolvendo desde crianças até famílias inteiras e onde o tráfico e os problemas correm soltos. “E não adianta chamar, mesmo que várias vezes ao dia, a polícia através do telefone 190″. Será uma gravação informando que aquilo não se trata de emergência. Que mais eles querem que aconteça? Que haja tiroteio, mortes e arrastões durante a festa? “Pois isso, às vezes, acontece”, dizem.

Outro morador, surpreendentemente jovem fez um organizado relato assumindo várias ligações, fotos e filmagens que fez de forma disfarçada para mostra o alto grau de perturbação que os ‘pancadões’ promovem. Fez mais; entregou fotos, filmagens a algumas estações de tevê que chegou a exibi-las e percorreu várias delegacias e companhias da PM, enfim onde alguém que pudesse ouvir e eventualmente tomar providências com relação às comprovadas denúncias. “Gostaria de ter a esperança que esse Conseg encaminha alguma coisa”, emendou mesmo lamentando a ausência dos representantes da segurança na reunião.

Entre as denúncias – o jovem revelou que em um dos locais de maior ocorrência dos ‘pancadões’ é, por ironia, um funcionário público _não disse onde ele estaria lotado, um dos promotores da zoeira. “Ele tem um bar no local e é ele que guarda e recolhe os equipamentos de som quando está chovendo ou quando encerra o tormento da vizinhança”.

Nesse instante houve quem se lembrou de comentar que o prefeito Fernando Haddad havia se pronunciado que reconhecia o funk como uma manifestação de cultura. “Já que ele acha isso, poderíamos pedir para que os pancadões fossem à frente da casa dele”, arrancando aplausos entusiasmados.

Escolas também sofrem com o abandona da segurança

Representantes das escolas locais e solidários as dificuldades do trabalhadores da saúde e da comunidade vitimada, também relataram parte de suas dificuldades e entre elas o enfrentamento quase que diário com crianças, jovens e adolescentes, às vezes alunos e às vezes, o que é mais grave, não estudantes com constrangimentos, ameaças, furtos, agressões e até roubos em plena luz do dia.

Em um dos casos relatados, uma professora que mesmo estando a pouco tempo da aposentadoria por tempo de serviço está afastada por problemas psicológicos oriundos de agressão. “Nossa colega está afastada há 120 dias e terá que repor parte desses dias às vésperas de se aposentar. Tudo isso por causa de agressões de bandidos locais”, expõe um dos educadores.

O educador reflete que vem crescendo certo clima de ignorância, beligerância, falta de gentilezas e disciplina nas escolas de uma forma geral. Se, antes os alunos guardavam certo respeito com os educadores, hoje os conflitos e confrontos são cada vez mais intensos e graves. Entre xingamentos e empurrões tem sido mais comum a presença da polícia requisitada para tentar atuar depois dos problemas acontecidos. “É preciso que o governo, as áreas de segurança, as famílias e as comunidades não comprometidas com o crime e as contravenções tomem posição e tentem mudar o quadro. A continuar dessa forma vai chegar o dia em que não haverá nem professores, nem escola e isso seria o fundo do poço”, comentam.

Encaminhamentos, nenhum; desejos, muitos

Ao final da reunião que ainda escutou o depoimento sobre até mesmo às dificuldades da imprensa televisiva de trabalhar o assunto localmente, tendo suas equipes sendo ameaçadas e uma delas até seu veículo de trabalho roubado, restou ao Conseg escrever mais uma ata e seguir o seu fluxo de informação.

Para a reportagem, entretanto, se fosse para resumir a ópera, diríamos que melhorar e intensificar a ronda escolar; aumentar o efetivo e a presença da polícia militar no trabalho preventivo; aumentar da produtividade da polícia investigativa para dar sequência às centenas de denúncias anônimas registradas, ou não, no sistema; fazer o conselho tutelar funcionar; ter a guarida das varas da infância; responsabilizar pais e responsáveis para que primeiro eduquem seus filhos e segundo respondam colateralmente pelos atos dos seus; instalar câmaras de segurança e seguranças públicas ou privadas nos equipamentos de saúde e escolas públicas poderia ajudar a minorar os problemas.

Vamos além. Vale educar os responsáveis; vale criticar e cobrar maior responsabilidade e contribuição educativa de televisões e dos programas de grande audiência; vale também melhorar as atuais leis recentemente aprovadas com respeito ao barulho dando poderes às polícias para atuar nos flagrantes sem necessidade de denunciantes.

Por fim uma dica gratuita desse jornalista. Pode se desenvolver um trabalho de infiltração e de inteligência. Colocando algum agente policial para que localize o endereço ou os carros com suas respectivas placas dos que fazem barulho, citando-os, por escrito, em outro dia em delegacia próxima para ser orientado ou autuado na forma da lei. Simples né? Não precisa se confrontar durante a bagunça, mas chamando às falas por intimação. Se gerar multas então, muita gente aprende. (JMN)

Written by Página Leste

28 de maio de 2014 às 12:28

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