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“Quando a família assume, os problemas diminuem”, diz delegado seccional

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O delegado seccional Mestre Junior também recebeu a reportagem quando foi informado sobre a maior parte das reclamações feitas na reunião do Conseg e, da mesma forma que o comandante do 38º BPM/PM entende que a segurança é assunto de responsabilidade de todos. De pronto explicou que cabe a Polícia Civil as investigações e os cumprimentos de etapas de inquéritos e processos. Nem sempre tem sido fácil exercer mesmo esse papel. Até recentemente as delegacias não só investigavam como tinham que desempenhar papel de carceragem o que comprometia a realização de suas premissas constitucionais.

Mais recentemente também, e parece que vai mudar; as delegacias têm seus pátios tomados por centenas de veículos, frutos de apreensões por irregularidades diversas situação que gera outro tipo de trabalho estranho às funções de uma delegacia.

A Secretaria de Segurança depois de muitos anos com esse problema está iniciando um processo de licitação para contratar pátios e serviços de guinchos de terceiros que abrirão novos espaços nas delegacias. O certo é que as apreensões continuarão, mas não teremos a guarda desses veículos e outros sob nossa responsabilidade. Isso vai liberar mais recurso humano para as investigações”, explica. Ele raciocinava a partir da média de 750 apreensões e ocorrências mensais em toda sua seccional.

Diante da exposição feita pela reportagem o delegado seccional volta refletir e reafirmar uma série de situações que tem se repetido ao longo dos tempos mais recentes. Na raiz de muitos problemas está a questão cultural e educacional – não no sentido escolar exatamente, mas sim na frouxidão dos valores familiares e de bons modos que com o passar dos anos e dos novos costumes vem se deteriorando. “Continuo observando jovens ociosos meses e anos a fio, sem perspectivas, sem ocupação regular e decente, sem alternativas”. O ócio, a falta de valores, as carências locais e socioeconômicas e a falta de oportunidades são ingredientes importantes no atual estado de ânimo de muito adolescente e jovem infrator e criminoso.

Nessas condições e com esse caldo é que um fenômeno como o do funk ostentação prospera”. “Isso tem que ser analisado em profundidade. Agora estamos lutando contra uma suposta cultura que é a de rejeitar os valores da sociedade harmônica e justa. O moleque, hoje, quer ostentar o ouro, dinheiro e riqueza pouco importando se conseguidos de forma criminosa. Essa ostentação – que é ilusória, na maior parte das vezes é a que seduz novos jovens até crianças que acham ‘legal’ serem criminosos”, comenta.

Mestre Junior tem consciência que não se chegou a isso da noite para o dia e que além da própria família, a sociedade, os meios de comunicação e até governos perdulários tem responsabilidade. “Foram-se muitos anos sem que nada se fizesse para as comunidades mais pobres e mais carentes e a carência é o principal ingrediente dessa confusão. O que se ‘ensina’ indiretamente pela televisão, com novelas cujos valores quase estão totalmente invertidos também não ajuda. Junte isso à falta de política social, educação, ausência de perspectiva de uma vida melhor está pronto o quadro”.

Mestre segue falando da falta de respeito aos professores e os próprios pais. Insinua que em parte expressiva das vezes é o próprio desinteresse e negligência dos pais que é faz prosperar a evasão escolar, o ócio, a falta do que fazer e a chegada desses jovens às portas do crime acontecer. “Temos conhecimento de casos absurdos onde os pais reclamam e ficam incomodados porque foram chamados pela autoridade policial a ir busca seus filhos menores _e alguns bem menores em bailes funks, de noite, eventualmente bebendo, se drogando e se prostituindo”, exclama.

Esse quadro todo tem criado cada vez mais dificuldades de atuação, notadamente da polícia militar que o delegado destaca como uma corporação de verdadeiros abnegados e heróis. “Os valores estão tão distorcidos que vemos cada vez mais a PM ser hostilizada por desempenhar o seu papel. Entrou na moda essa outra ignorância sem tamanho. Alguns malandros e meliantes não gostam das ações policiais e saem às ruas para tocar fogo em ônibus que, ao final, prejudica as próprias pessoas das comunidades que precisam desse meio de transporte. É uma inversão grande de valores”.

Objetivamente o delegado lembra que um dos principais problemas também se dá na esfera jurídica, no que diz respeito à execução das penas. O fato é que no arcabouço jurídico existem muitas brechas. Some-se a isso certa mentalidade difusa que também cria dificuldades de que é para liberar cada vez mais. Lembra ainda que se isso não bastasse a região ainda faz divisa com cinco outros municípios e que as intervenções ou procedimentos policiais sejam da civil ou da militar estão sujeitos a essa organização territorial. “Para o meliante é diferente ele não vê fronteiras, nem tem uma burocracia a cumprir”, compara.

Apesar de tudo o delegado lembra a eficiência da segurança que opera em vários aspectos, mas principalmente na apreensão de veículos irregulares. Tem sido o caso de inúmeras apreensões de motos, uma vez que uma parte considerável de crimes, tanto de tráfico, quanto de roubos são feitas em movimento não estacionária, na maior parte das vezes com motocicletas.

Agregando valor ao comentário considera que apesar das evidentes dificuldades isso não é motivo para desistências nem para comemorações por parte da bandidagem. Apesar dela, por vezes parecer que está à frente ou ganhando a disputa com os órgãos da segurança, não existe nenhuma chance de saírem vitoriosos. Agora, com certeza, a colaboração da sociedade de bem, não apoiando, não tolerando e denunciando constantemente e imediatamente os malfeitos é fundamental para o sucesso nessa batalha.

Precisamos de uma ação continua de conscientização

Coerente com a afirmação de que a atual situação de segurança não se resolverá apenas com mais polícia na rua, o delegado seccional vem insistindo ao longo dos anos por um amplo processo de conscientização e educação pela base, de famílias envolvendo toda a sociedade organizada ou em processo de organização. “Sem educação e uma reformulação cultural e retomada de valores, o problema como um todo nunca será resolvido. Dentro desse processo se as famílias cuidarem adequadamente das crianças e adolescentes que ainda podem se salvar, restarão apenas os que não teriam eventualmente recuperação e que continuem interessados no crime. Em menor quantidade, desses a polícia e o sistema cuida”. Ensaia.

 

Written by Página Leste

28 de maio de 2014 às 12:42

Publicado em Sem categoria

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