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 “Comunidade precisa assumir responsabilidades”, dizem titulares da segurança na região

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Diante dos acontecimentos recentes que incluíram uma grande reunião no Conseg, tímidas manifestações de rua e, ainda antes, escaramuças entre a Polícia Militar com jovens e adolescentes e até adultos no Jardim da Conquista, a Gazeta São Mateus foi ouvir o Major Hideo, comandante do 38o BPM/PM e o delegado seccional Mestre Junior. A palavra de ambos é a de comprometimento com a segurança, mas com a cobrança de colaboração da comunidade de bem.

 “A responsabilidade pela segurança não é só das polícias”, diz comandante

Informado pela reportagem sobre a maior parte das reclamações feitas na reunião do Conseg (veja matéria nesta edição), o comandante do 38º BPM/PM, Major Hideo considera que a responsabilidade pela segurança é de todos, inclusive do subprefeito que esteve presente àquela reunião, ao inspetor da GCM e das lideranças e comunidade presente. Cada qual com as suas prerrogativas e possibilidades. Explica que a função constitucional da PM é o policiamento preventivo e ostensivo e que a participação da comunidade com denúncias é fundamental.

Para o comandante os problemas ainda são mais exacerbados em função de sua situação de extrema carência em algumas comunidades onde considera que são pouco disponíveis os equipamentos públicos de lazer, de educação e de saúde pública o que ocasiona uma condição ruim de vida. “O crime e os comportamentos criminosos que incomodam e agridem a sociedade é consequência disso também”, avalia.

Do ponto de vista operacional o comandante tem uma grande e extensa área de atuação e estão 24 horas por dias pelas ruas os quase 500 policias que dispõe. Considera esse contingente ainda insuficiente e entre os parâmetros para essa aferição usa o número expressivo de chamadas pelo telefone 190. ‘É preciso que seja entendida que, o número de chamadas, é muito superior a capacidade do nosso efetivo e em atendimento as viaturas ficam paradas e não em patrulhamento ostensivo. Com isso se dá a impressão falsa de que não tem polícia na rua. Não é “bem assim”’, explica. Parece indicar que a capacidade preventiva, por vezes, fica prejudicada. Mesmo assim, diz que os policiais sob seu comando estão o tempo todo em ação e é reduzido o quadro administrativo que fica atrás de mesas.

O comandante revela que existe teses de mestrados com embasamento científico e certeza técnica que indica que onde há presença do policial o crime é inibido. Cita como exemplo o que ocorreu na Avenida São Mateus onde havia muitas ocorrências que foram diminuindo com o início do funcionamento da ‘operação delegada’ que possibilitou ao policial fazer também atividades de fiscalização de comércio irregular, etc. “O meu problema é como fazer ações idênticas e em todos os tempos e em todos os locais críticos”, problematiza.

O comandante não se surpreende com as queixas que a reportagem havia exposto afirmando que os serviços de inteligência da PM e da Secretaria de Segurança sempre revela o que ele chama de trechos e espaços mais problemáticos (hotspots) e que tanto quanto possível e dependendo de sua disponibilidade de efetivo tem agido neste local.

O problema dos pancadões

Só para se ter uma ideia da extensão do problema na região, nas noites de sábado eu tenho de 10 a 20 bailes funks ocorrendo simultaneamente e apesar do apelo das comunidades incomodadas a minha capacidade de intervir ainda é restrita. Isso nào significa que desistiremos. Isso nunca”, explica. O receio dos possíveis tumultos que as operações in loco, durante a ocorrência do baile apresentam tem que ser levadas em conta. A presença de crianças, jovens e, por vezes, até famílias inteiras complicam as operações e sufocamento. “As correrias podem levar a lesões graves e até mortes de inocentes. Diante dessas possibilidades comparecemos para fazer o que for possível para cada situação que se apresentar”, indica. Para a reportagem ficou visível que essas operações ainda serão feitas, mas a proposta é evitar tanto quanto possível o conflito e buscar soluções diferentes.

A Polícia Militar está se empenhando; isso ficou claro, tanto quando a demanda é enorme e o fato de que a omissão das pessoas de bem, infelizmente, é um dos fatores que estimula o crescimento desses problemas. “Temos feito operações uma atrás da outra para produzir resultados, e estes estão aparecendo. Com certeza dependemos também dessa participação da sociedade com denúncias procedentes para que possamos atuar ainda mais”.

O comandante ainda lembrou da ocorrência no Jardim da Conquista que deu origem ao conflito com parte da população local. Na ocasião um adolescente roubou um veículo e foi acompanhado pela PM à distância que o viu estacionar e entrar em um estabelecimento. Abordado pelos policiais atirou em direção a estes que durante o revide alvejaram o adolescente que estava em flagrante delito. A reação posterior em forma de protesto por parte dos moradores não teria nenhuma razão de ser, mas é a resultante de uma relação quase promiscua que vai se criando entre moradores tolerando os ‘crimes’ de vizinhos e conhecidos; outro fator que evidencia a irresponsabilidade dessa parte da sociedade.

Apesar das dificuldades as ações serão cada vez maiores

É o que garante o comandante que assegura que é uma política de segurança definida em governo. O Major Hideo considera que apesar das dificuldades nenhum abatimento mais grave paira sobre a corporação e os policiais militares. Todos estão convictos de suas ações e do seu papel em defesa da sociedade, da ordem. Como o comando, todos tem clareza que a segurança demanda a participação ativa de outros tantos atores como a presença do Estado com serviços públicos, os meios de comunicação que deveriam assumir certos cuidados, mas, principalmente da educação de crianças e adolescentes, em casa, por parte das famílias. “A PM é incansável em sua missão constitucional. 24 horas por dia na rua, sempre tentando diminuir o crime. É assim que é e será”, finaliza o comandante.

 

Written by Página Leste

28 de maio de 2014 às 12:38

Publicado em Sem categoria

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