Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Archive for maio 2014

É hora de parar de dormir

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Uma dúvida cruel e aparentemente ainda sem uma resposta convincente vem crescendo nos corações e mentes. Quais as razões para os protestos, manifestações e greves que estamos vendo e tomando conhecimento nesses dias de maio que correm?

Partiremos do que pode ser entendido como premissas de que: para as greves trata-se de um braço de ferro entre empregados e empregador, em geral por uma participação maior no excedente com uma remuneração mais gentil para a força de trabalho; melhores condições de trabalho e vida ou ainda greves com caráter político mais amplo e menos corporativo. Greves também se dão em categorias de servidores do Estado pelos mesmos motivos.

A dúvida é: são, sempre, justos os motivos ou tudo faz parte de outros objetivos e interesses. O de influir em resultados eleitorais, por exemplo, no modo até certo ponto mais mesquinho de ser ou para causas mais nobres e de interesses legítimos e amplos.

Quanto as manifestações e protestos generalistas com focos mais fluidos, menos objetivos e que em geral dão demonstrações explicitas de certos descontentamento são protestos e manifestações que tem como destinatário e adversário nas escaramuças os governos.

Não particularizemos aqui se federal, estadual ou municipal, apesar de ter uma ligeira compreensão de que protestos de desconfortos tenham o governo federal principalmente como destinatário. À ele são dirigidas as demandas e demonstrações de descontentamentos difusos. Protesta-se contra algo que não achamos correto; que poderia ser diferente ou ainda que poderia ser melhorado.

Então onde estão os problemas? Ou o governo não é aquilo do que dele se espera ou os manifestantes e a sociedade em geral estão com algum mal secular, de tal forma desconfortável que querem demonstrar isso apesar de supostamente não terem tanta razão para isso.

As respostas precisam estar em algum canto. Ou o governo não presta ou os queixosos são injustos. Parece não haver meio termo e terceira via de resposta ao questionamento.

Se o culpado é o governo havemos de lembrar que ele é fruto da escolha popular, infelizmente após campanhas nem tão transparentes e nem em condições justas de disputas entre os participantes. Aqui e ali, e de forma avassaladora, se pode sentir a presença da manipulação midiática e dos efeitos de mecanismos políticos e eleitorais nem sempre probos. Há que se entender que os que legislam tem mais facilidade e entusiasmo para legislar em causa própria, não em causa nossa.

É este governo e seus anteriores, pois não se chega a atual situação sem lembrar de onde, por onde e com quem viemos que é parcialmente responsável pelo atual estado de coisas; afinal de campanha e campanha não se vê outra coisa que não propostas de corrigir os erros, arrumar as coisas e continuar melhorando o que no entendimento deles não está funcionando. Então porque não está bom?

Uma possibilidade pode estar no fato de que independente de partido; se mais sujinho ou mais limpinho, se com cara de democrata ou autoritário, se com cacoetes de direita, centro e esquerda eles nunca saem do lugar comum em apresentar um cabedal de propostas frouxas, tênues, descompromissadas e, principalmente em setores que dizem vão melhorar, mas que pela sua natureza apresentam enformes dificuldades de aferição.

Nunca vimos e talvez nunca veremos um estadista propor e fazer passar, por exemplo redução de salários de todo e qualquer mandato em benefício à saúde. Nem veremos esse mesmo estadista, pois ele não existe, dizendo que acabará com a festa do financiamento da saúde privada com recursos públicos ou ainda que exigirá que pais e responsáveis das famílias que recebem o Bolsa Família também tenham que frequentar escolas ou outros espaços onde possam com certa regularidade aprenderem bons modos, educação, cidadania e noções de ética. Não, não veremos esse estadista. Veremos, sim é candidatos que às vésperas das eleições se dizem opção mais confiável e melhor que seus oponentes, mas que logo a seguir, entretanto estarão compondo governos com eles e se locupletando tanto quanto possível das benesses do Estado.

Feita a queixa aos políticos tão a moda, resta registrar neste parágrafo o que entretanto parece ser o mais importante, ou seja, a irresponsabilidade da sociedade de uma forma geral. O fato é que tirando uma minoria abnegada, ativista e lutadora resta uma massa uniforme de muita gente boa, honesta e uma outra de gente ruim, desonesta que continuam achando que podem continuar dormindo em berço enquanto o gigante acorda, dorme de novo, acorda irritado, queima uns ônibus, pois tá na moda, e volta a dormir embalado com novas _ velhas_ promessas de que governo a ou b vão fazer as coisas melhorar.

Já se foi esse tempo. É hora de abandonar o tchu, o tcha, o conforto ou desconforto de seus lares e conhecer, entender e tomar atitudes que possam corrigir o mal estar desse país. Foi e é assim em todos esses alguns outros países de gente cidadã onde se ainda não está bom, pelo menos não é um país tão de ponta como o nosso quando o assunto é lambança. (JMN)

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29 de maio de 2014 at 18:04

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Aliados da Dilma começam a abandonar o barco

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Ainda que a presidenta Dilma Roussef (PT) ainda possa contar com grande tempo de exposição no horário eleitoral ele tende a diminuir na medida em que antigos parceiros de governos abandonam o barco para formar fileiras na oposição ou em oposição própria para aumentar o cacife e o valor de suas legendas numa futura nova composição governamental.

Como tem sido denunciada sistematicamente em editoriais neste jornal, essa prática deletéria e nociva de fazer oposição tentando a sorte nas eleições, qualquer coisa de não mais que seis meses, virá apenas jogo de cena para logo depois estar disponível para compor o governo de forma chantagista do tipo “sem meu partido ou minha corrente, vai ficar difícil governar esse país”. Trata-se de um jogo onde os partidos com essa pratica a esmagadora maioria nunca perdem nada, nem perdendo nas eleições. Já para o povo é um teatrinho que custa caro.

Embora o seu partido faça parte da base aliada da Dilma, a senadora Ana Amélia (PP) do Rio Grande do Sul contou com a presença do tucano Aécio Neves no pré-lançamento de sua candidatura. Agora o bloco lá reúne PP, PSDB e Solidariedade (SDD) que estarão juntos na disputa local e na nacional. Para se ter ideia das consequências, o PP, que é um partido forte no RS, tinha pouco mais de um minuto de tempo na TV, com o acordo terá quase quatro minutos a mais.

Se for ter mais tempo, tira de alguém. Da Dilma, com certeza, mas não para ai. No Rio de Janeiro, em breve será lançado o “Movimento Aezão” com fatias generosas do PMDB e da base aliada própria do governo do Rio que aderiram à campanha de Aécio Neves à Presidência. Somem-se representantes do PP, do PSD que já havia anunciado que iriam apoiar a Dilma e do PPS que não esteve na base do atual governo e que já se dispôs a acompanhar Eduardo Campos do PSB, ou seja, outro naco de tempo perdido pela atual presidenta Dilma.

Com tantas defecções oportunistas, lembremo-nos, o Planalto já está com uma dor de cabeça que não cessa mesmo porque é também difícil de responder a esse movimento. Se cortar cargos que esses ocupam no governo corre-se o risco de ver a legenda toda do partido de quem se tira a boquinha se bandear para o campo adversário. Para evitar isso que é quase automático, não se tem muito que fazer e o governo têm que conviver com essas infecções por dentro de seu próprio corpo. Ou seja, não tem cura fácil pela frente.

O que é importante é notarmos que até as três últimas eleições presidenciais o que se via era o PSDB perdendo aliados que se bandeavam para o adversário de então, o PT, que recebia adesões quase sempre de caráter fisiológico, mas que garantia mais tempo de TV e uma sensação de melhor governabilidade. Hoje a situação é exatamente o contrário até o apoio do PR à reeleição da Dilma não esta garantido.

Diante desse quadro sempre presente nas eleições; do toma lá, da cá, o povo vai se iludindo com propostas mirabolantes dos partidos coligados e candidatos, que depois de eleitos, botam no gelo tudo que prometiam lindamente na TV. É também por essas que a reforma política deixou de ser um desejo de luxo; agora se trata de uma imperiosa necessidade. (JMN)

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29 de maio de 2014 at 18:02

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Nenhum avanço em nova reunião do Conseg 49 DP

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Em nova reunião do Conselho de Segurança – Conseg do 49º DP, dia20/5, o Capitão Tirsso da 5ª Cia PM/SP fez um desabafo que mais parecia ser uma resposta ao descontentamento geral da comunidade presente a reunião anterior a essa e registrada pela reportagem. Procurou demonstrar que a Polícia Militar atua, mas não faz alarde e propaganda disso.

A mesa composta por José Ramirez, presidente do Conseg, pelo delegado titular do 49o DP, Luiz Carlos Uzelin, pelo Tenente Moisés, da 2ª Cia PM/SP, pelo Inspetor Figueiredo, da GCM e por José Carlos, representando o subprefeito de São Mateus que estava em outro compromisso abriu os trabalhos recolhendo algumas queixas que se repetiram, alguns encaminhamentos e, no restante do encontro, a fala do capitão.

 

  Aberta reunião a comunidade se manifesta

Antes da fala do capitão, representante dos trabalhadores da saúde pública respaldado com representantes das nove unidades básicas de saúde na região reiterou as queixas do encontro anterior sobre o que consideram um estado de grande insegurança, revelando que naquele mesmo dia haviam sido registradas saídas de profissionais das unidades em mudança para locais mais seguros. Segundo o interlocutor os problemas seguiam da mesma forma e com a mesma gravidade. “Vamos chegar a um ponto tão critico que daqui a pouco as comunidades não iram apenas reclamar da falta de médicos e sim de todos os outros profissionais que fazem um posto funcionar. Nessas condições poucos vão continuar trabalhando. E, sem funcionários não existirá a unidade básica”, finalizou.

Outros participantes relataram comportamentos negligentes de alguns policiais e de demora exagerada no atendimento de certas denúncias a ponto de inviabilizá-las. A insistente ocorrência de bailes funks aos finais de semanas também foi objeto de reclamações.

Ainda com a palavra entre os presentes houve reclamações quanto ao atendimento administrativo de demandas por iluminação, limpeza e manutenção de espaços públicos que antes permitiam até caminhadas e que hoje são locais com ocorrência de assaltos e ainda sobre o abandono das escolas públicas sem segurança aos finais de semana.

Em desabafo, Capitão Tirssocobra participação e responsabilidade da sociedade

O Capitão Tirsso, da 5ª Cia da PM/SP aproveitou o gancho com relação às seguidas queixas e informou que a 5ª companhia e a PM da região de uma forma geral vem tentando combater o abuso e as ocorrências de bailes funks em vias públicas há mais de anos e revela as dificuldades. “Na Rua Sonho por Sonho, por exemplo, coloco uma viatura as sextas, sábados e domingos ou em dias alternados antes mesmo do começo da aglomeração de pessoas, como forma de evitar que o baile se instale. Pois saibam vocês que as pessoas que queriam que o baile ocorresse ficam na rua de trás e de forma furtiva e a distância jogam pedras nas viaturas”.

Disse ainda que a PM faz um serviço de inteligência monitorando tanto quanto possível as redes sociais e é percebe-se que eles se articulam migrando de lugar conforme a polícia vai atuando. “São 15 bailes simultâneos aos finais de semana e nem sempre nos mesmos lugares”, que dá um indicador das dificuldades.

Mas não é só. O capitão tem razão quando chama vigorosamente às falas a falta de responsabilidade da própria comunidade na educação primária de filhos; crianças e jovens. Lembrou inclusive da fala recorrente do delegado seccional Dr. Antônio Mestre que em certa ocasião ouviu a queixa de um pai por ter sido incomodado pela polícia para que fosse a um determinado baile se responsabilizar pela filha de 13 anos. Algo tão absurdo e próximo disto, mas com outras palavras: “Estava assistindo jogo e a polícia foi me incomodar”. O capitão ainda ilustrou seus argumentos com a situação vivida na França nos anos 70 com o aumento da criminalidade. “Eles chegaram a triplicar a força policial, mas o crime não regrediu. Regrediu, apenas, quando outro ministro enfatizou a educação de pais e responsáveis para que assumissem corretamente seus papeis na educação de filhos”.

O capitão tem razão e este jornal já vem falando nisso há algum tempo. Sem envolvimento e comprometimento e até preparo das famílias focado nos pais ou responsáveis às medidas repressivas só não vão resolver. É inadmissível que pais continuem se omitindo de se educarem e de educarem seus filhos.

Após enfatizar a necessidade desse comprometimento _uma espécie de chamada às responsabilidades da própria sociedade que não pode continuar achando que é obrigação da segurança resolver tudo, falou do rigor com que dirige a sua companhia e o empenho entre os seus comandados. “Claro que tivemos e possamos ter policiais que não cumprem suas obrigações, até casos que nos mesmos afastamos maus policiais. Já afastei 20, entre os quais três que eram bandidos e que estão cumprindo penas, mas a maioria sabe de suas responsabilidades de policial, assumem e agem”. O capitão indicava que para, além disso, o envolvimento responsável das pessoas de bem é essencial no trabalho da segurança. “Continuem denunciando de forma responsável”. Poderia ter dito também não compactuem com pequenos, médios e grandes crimes que, em geral, todos temos conhecimentos.

Parecendo procurar dar uma resposta ao ocorrido no encontro anterior com a queixa dos presentes quanto à ausência das polícias, disse que não é político e não faz propagando do trabalho que faz ou que a sua companha faz. Revelou até que a construção de parte da sede, por exemplo, foi feita com a força d mão de obra dos policiais e que nenhum pedreiro externo, por exemplo, esteve envolvido. Disse ainda que até o conserto das viaturas são pagas com seu cheque em algumas ocasiões.

A reunião foi encaminhada ao seu final muito próxima de como começou. Sem respostas objetivas as suas demandas os profissionais da saúde foram embora, considerando que sequer foram ouvidos. Ou seja, a comunidade, sem resposta e encaminhamentos imediatos deixa transparecer que a questão da insegurança em São Mateus vai continuar na pauta do dia, o que, como lembrado, vai exigir o envolvimento responsável de todos.

 

 

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29 de maio de 2014 at 18:01

Adriano Diogo participa de Pinga Fogo na Gazeta

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Diversas lideranças de São Mateus e região participaram da nova edição do Pinga Fogo na sede da Gazeta São Mateus, dia 23/05, com o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP) que tem longa e intensa presença na região. O encontro foi coordenado pela diretora do jornal, Lucy Mendonça. Acompanhe o resumo de gravações do encontro.

 

Respondendo a primeira pergunta chave feita pela diretora do jornal, Lucy Mendonça, do porque deveríamos dar a ele o voto, Adriano Diogo respondeu que só se deve votar naqueles em que se tiver confiança e certeza de comprometimento em resposta à primeira pergunta. “Acho que não se deve votar apenas no que se fala e se promete fazer, mas também pelo que a pessoa foi e é. Particularmente tenho dificuldade com relação a essa coisa de pedir voto. Entendo ainda que nem deveríamos pedir esse voto e sim ser lembrado; ter um reconhecimento automático”, explica e critica o fato inegável de que o voto se insere num processo de alto financiamento, de interesses escusos, de troca de favores desde os mais simples e particularizados até o de altas finanças e interesses empresarias nem sempre legítimos. “Vejo essa relação com a política de forma a ser afetiva e de sinceridade, mas de maneira plena, não no varejo. As pessoas podem votar ou casar pensando na prenda ou no dote que vai receber, mas isso não é garantia alguma que a relação vá dar certo, Pode ser um grande desastre”, raciocina.

Perguntado sobre uma questão emblemática para a região do ponto de vista ambiental que é a preservação do Morro do Cruzeiro, o segundo ponto mais alto da cidade, Adriano explicou que como deputado estadual e com as tarefas que desempenha na assembleia e no mandato tem pouco contato e interferência nas questões da prefeitura, mas que tem certo entusiasmo com o novo subprefeito Fábio Santos Silvaque assumiu na região. Já o conhecia e em conversas com o novo representante da prefeitura que o procurou para se inteirar melhor disse que vale a pena ele buscar as questões que estavam previstas na revisão do Plano Diretor Regional esboçado anos atrás.

Adriano destacou que três áreas de São Mateus; Vila Bela, Jardim das Flores, Parque Palanque e mais o Morro do Cruzeiro deveriam ser de sua máxima atenção e que especialmente para o morro deverá ter um olhar atento e criativo para manter e resgatar o local que tem como ser patrimônio importante para a cidade. “Mexer acertadamente com o Morro do Cruzeiro e das outras áreas vai contribuir muito com a elevação da autoestima dos moradores de São Mateus”, considerou o deputado que acha que São Mateus tem sido maltratado ao longo dos anos.

Voltando a se referir à ocupação Vila Bela, lembrou que o problema quase teve uma solução urbanística adequada ao final do governo da ex-prefeita Marta Suplicy. Na ocasião, lembrou, o suposto dono da área propunha entregar a terra a custo zero. “A Vila Bela precisa de ações aos moldes de porteira fechada, por completo, a exemplo do que foi o Jardim Conquista na ocasião”.

Arguido sobre a questão da violência, além das considerações gerais de amplo conhecimento como educação dentro de casa, espaços de socialização e educação, cultura, segurança preventiva e eficiência policial, Adriano levantou a importância do viés social da questão que envolve o uso e ocupação urbana, diferenças de renda e oportunidades, entre outros. Indicou que não existem saídas isoladas para a violência. “Acho também que os governos não deviam apenas administrar locais; a tarefa é, também, administrar as relações entre as pessoas”. Mais ainda, considera que a administração municipal, no caso, tem que cuidar das áreas centrais, notadamente nos casos de ociosidade de moradias onde existem mais de 50 mil apartamentos ociosos, mas, também, das periferias.

Com relação a essas questões também sente falta de criatividade e de um pouco de utopia nas demandas das populações onde existe uma grande energia dispersa e desperdiçada. “Sentimos falta de projetos e ideias arrojadas para além de se buscar apenas as questões do dia-a-dia. Temos que ter projetos para mobilizar e construir a cidadania”, raciocina. “Do jeito que as coisas estão às pessoas foram transformadas em simples eleitores. Três meses de calor máximo as vésperas da eleição e quatro anos de ar condicionado”, satiriza.

Com relação à representação parlamentar Adriano reconhece que a maior parte das pessoas não se sente representada, seja no congresso, na assembleia ou nas câmaras de vereadores. “Chega a ser caricata essa relação”. Mesmo assim, Adriano tem esperança que para São Mateus, retomar propostas da revisão do plano diretor anos atrás e ajudar a consolidação do plano diretor em curso possa melhorar a situação.

Muitas reservas com relação ao monotrilho

Por considerar que a atividade política infelizmente deixou de ser uma atividade criativa para ser uma coisa burocrática e repetitiva não se está enfrentando adequadamente a discussão do monotrilho, por exemplo, da forma como se deveria. Adriano diz que a proposta do transporte foi de um governo, mas que teve que ser enfrentada pelo seguinte, ainda do PSDB, que percebeu, então, o tamanho das dificuldades dessa tarefa. Adriano aposta que este ano se resolve apenas o trecho já consolidado que chega até o parque São Lucas, passando pela Vila Prudente. “O restante ainda é uma miragem, tal o grau de dificuldades de se resolver assuntos como desapropriação, por exemplo”. “Vale lembrar”, continuou “que o transporte leve tal como proposto não é exatamente o mais adequado para transporte de grandes quantidades de pessoas”.

Insinuou ainda que a extensão até a Cidade Tiradentes não estava prevista e, eventualmente, foi incluído em função das demandas históricas daquela comunidade por transportes mais eficientes. Adriano ainda acha que eles resolvem parcialmente o trecho consolidado, mas não terão coragem de colocar em funcionamento pleno por causa dos riscos dos problemas aparecerem ainda no período eleitoral. “Imagina se não funcionar direito? A operação do monotrilho é uma enorme vitrine no país inteiro, não querem correr o risco”. Tanto é assim, diz Adriano, que o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, em acordo com o governador preferiu rever completamente o projeto inicial, imagino pela precária confiança que tinham no que estava sendo proposto.

Buscar um mandato no Congresso Nacional

Indagado sobre suas prioridades caso seja eleito como deputado federal, Adriano lembrou inicialmente das enormes dificuldades das campanhas nos moldes que vinham ocorrendo, principalmente na questão do financiamento. “Devemos ter em mente que apenas 160 empresas conseguem decidir quem serão o presidente, os governadores e até os vereadores, Brasil afora. É muito poder, exatamente nas mãos de quem detém o capital”.

Adriano tem sérias críticas a essa relação promíscua que se estabelece entre o eleito e seus financiadores e pelo fato da relação de campanha também junto ao eleitor ser balizada pela questão das trocas que em geral envolvem pagamentos em espécie ou favores presentes e futuros. É nesse sentido que é um entusiasta do financiamento público de campanha que, se não resolve totalmente as desigualdades de recursos em campanhas, pelo menos as diminuem. Adriano ainda registrou que é contra a perpetuação de mandatos com parlamentares se reelegendo aos mesmos cargos por eleições seguidas.

Se sua presença tem importância em Brasília responde afirmativamente e tem razão. O que temos de despachantes de luxo e lobistas no congresso não se conta as dezenas. É muito mais. Adriano é daqueles que tem a política como prioridade e acha que pode dar boa contribuição em questões como direitos humanos, defesa de direitos, combate e denúncias de genocídios, violência arbitrária policial e cidadania. De fato, os que se batem por esses temas no congresso nacional ou são equivocados ou estão em minoria que precisa de reforço.

Perguntado sobre o que achava das movimentações por uma nova assembleia constituinte através da decisão via plebiscito, disse que apoia em função principalmente da necessidade de uma reforma política que de conta de resolver alguns vícios antigos, mas principalmente da influência do capital nas eleições. “Acho justo e necessário, tem que haver reforma política, sem isso teremos cada vez mais votos nulos e em branco e quando não se acredita nas instituições é o caos. Não dá para continuar também com 90% da representação política eleita baseada na capacidade de arrecadar dinheiro”. “Acho a ideia do plebiscito uma coisa boa que deve ser maturada e que, a meu ver, deveria ser capitaneada até pela presidenta Dilma”.

Mais reflexivo, mais prudente, mas ainda político

Com 65 anos de idade e alguns mandatos cumpridos, Adriano Diogo ainda entende que não existem saídas fora da política, entretanto ela tem que ser vista e praticada de forma séria e com dignidade. “Sou um parlamentar de esquerda com ligações com a igreja católica e com comunidades em toda São Paulo, principalmente Zona Leste e pelo interior do estado e quero continuar não tento vergonha nem envergonhando nenhum eleitor ou apoiador do meu mandato”.

Adriano ainda questionou a legitimidade e a eficiência das recorrentes alianças políticas extensas e amplas em buscas das supostas governabilidades. Entende que também essa prática precisa ser discutida e revista, principalmente em se tratando de partidos com enraizamento nas maiorias, nos trabalhadores e nas comunidades.

Ao final, Adriano voltou a lembrar das dificuldades de se eleger. Sem recursos abundantes de campanha à moda do que muitos concorrentes terão; seu passado, seu presente e sua postura terão que reunir muitos apoios militantes em busca de aproximadamente 150 mil votos. (JMN)

 

Written by Página Leste

29 de maio de 2014 at 17:59

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Keiko Ota encara Pinga Fogo em São Mateus

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Coordenada por Lucy Mendonça, diretora do jornal cerca de 20 pessoas participaram na primeira edição deste ano do Pinga Fogo com a deputada Keiko Ota. “A escolha da deputada como primeira participante se deu em função da pertinência do assunto Segurança em nossa região”, explicou. Acompanhe um resumo do encontro.

 

A deputada federal Keiko Ota (PSB-SP), membro da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e da Comissão de Direitos Humanos e Minorias no congresso nacional participou dia 09/05 do primeiro Pinga Fogo de 2014, na sede da Gazeta São Mateus. O encontre reúne lideranças locais para ouvir e promover uma espécie de sabatina com o candidato, haja vista que a deputada concorre à reeleição ainda este ano.

Além do chefe de gabinete Roberto Sekiya e dois assessores a deputada esteve acompanhada do marido, o vereador Masataka Ota (Pros-SP). O casal perdeu o filho Ives Ota para a violência, 16 anos atrás e, desde então, vem militando junto aos movimentos de justiça e paz no país todo. A entrada de Keiko Ota na vida publica como deputada buscava formas de ajudar as famílias vítimas de violência através do Congresso Nacional, o resultado dos esforços se por um lado deu vez e voz às vítimas, por outro tem registrado poucos avanços.

O assunto Segurança tornou o encontro mais emotivo do que racional e não teve como a reportagem acompanhar uma conversa organizada com perguntas e respostas e, embora o clima fosse de descontração não se pouparam ao debate respeitoso.

Em resumo a reportagem considera que: apesar de transparecer propostas bem intencionadas, principalmente porque a deputada e seu staff estão mobilizados a partir de uma inusitada e infeliz situação pessoal do casal, o foco de sua atuação, segundo parte dos presentes, não é o mais acertado.

Diversos pontos defendidos pela deputada como redução da idade penal; revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente; revisão do Código Penal com a adoção de leis mais duras para os crimes contra a vida teve criticas reservadas durante o encontro.

Houve quem chamasse a atenção para o fato de que o problema da violência não se resolve com a mudança do Código Penal, mais ainda; que o que precisa mudar é a Leis de Execução Penal – LEP que, muito resumidamente, trata de como, quando e por quanto tempo serão efetivamente cumpridas as penas. “Não é o Código Penal que precisa ser alterado e sim a Lei de Execuções Penais. Já existe no Código de 1940, previsão de cobertura para quase todos os crimes que são praticados”. Outros ainda consideraram que o mandato, mesmo com o foco definido na questão da Segurança, o faz de forma estreita focando muito no apenamento e com apenas uma ideia difusa de que é preciso cuidar da educação da criança, por exemplo, para evitar o futuro criminoso.

De posse do material de apresentação da deputada com a ênfase dada a esse aspecto do apenamento, ela respondeu a uma das perguntas considerando que “Precisamos de uma lei mais dura para o crime contra a vida que alcança algo próximo de 60 mil homicídios por ano, mas ao mesmo tempo operar na outra ponta que são cuidar e evitar que as crianças sofram violência que depois levam para a escola e ficam sem condições de assimilar o que se passa na escola e a mercê do crime organizado. Temos que mudar também o comportamento do indivíduo”, esclareceu. De pronto replicaram que a questão não seria apenas de aumento, mas sim de cumprimento total da pena.

Efetivamente a deputada também replicou expondo seu próprio caso onde os assassinos de seu filho foram sentenciados há 43 anos, mas que teriam que cumprir apenas um sexto em regime fechado. Criou-se certo consenso nessa questão, bem como em outra lembrança de que independente da idade do criminoso, este seja julgado pela gravidade do crime e não apenas por sua faixa etária. Isso, aliás, estava na essência da proposta no Senado Federal de autoria do senador Aloisio Nunes (PSDB-SP) que foi também foi rejeitada junto com propostas de rigor máximo e rigor mínimo no tratamento desse assunto, ou seja, voltou-se a estaca zero.

“’É preciso fazer cumprir o que já existe”, resume um dos presentes que não poupou críticas ao mandato por estar fazendo o comum e repetindo clichês lá em Brasília. “O foco principal deve ser a mudança e ou o cumprimento da Lei de Execuções Penais”. O mesmo interlocutor contestou também a proposta de aumentar a pena máxima de 30 para 50 anos de reclusão. “Ninguém ficará preso por tanto tempo”, indicou.

Houve extenso debate sobre essa possível perda de foco do mandato. A deputada e equipe reiteraram que tem conhecimento e que atuam tanto quanto possível nessa seara lembrando que as coisas em Brasília, seja no Congresso Nacional, sejam nas relações com o Ministério da Justiça são sempre desgastantes, demoradas e que sempre há a dependência de costurar apoios e alianças.

Dando vez e voz os familiares das vítimas

Mas, se alguma coisa pode se destacar do mandato da deputada é o fato de ajudar a instituir a Frente Parlamentar em Favor das Vítimas de Violência e o fato desse mandato articular movimentos, idas à Brasília e dar maior visibilidade ao assunto. “Priorizamos mobilizar no Brasil todos os familiares das vítimas da violência cuja dor está presente e cujo clamor de justiça é justificável”. Fato. A situação é de tal forma contundente que nesse sentido, sim, presta um grande serviço à sociedade.

Após exposição de motivos e justificativas do mandato criou-se um consenso sobre a necessidade à deputada ser mais agressiva na defesa das poucas mudanças que são necessárias no Código Penal; na atenção e cobrança de cumprimento das penas previstas através da Lei de Execuções Penais. Foi convidada até a se comportar como uma ‘terrorista’ do lado do bem, como se expressaram alguns dos presentes, a fim de tentar sensibilizar os parlamentares e por consequência o governo sobre a gravidade da situação.

Durante a conversa o marido da deputada, o vereador Masataka Ota indignou-se com o fato de a OAB permitir que egressos do sistema prisional, beneficiado pelo cumprimento parcial de penas, possam se formar com advogados que irão futuramente, segundo o seu entendimento, defender criminosos. Uma impressão necessariamente ao arrepio dos direitos, uma vez que a partir do cumprimento da pena, se entende que a dívida desse egresso tenha sido quitada junto à sociedade. Enfim, um posicionamento, no mínimo discutível.

Vale ressaltar que o vereador é autor da Lei 15.960, sancionada pelo prefeito Fernando Haddad que determina a criação do Serviço de Assistência Psicológica ao Estudante e publicada em Diário Oficial no dia 09/01/14 com prazo de 90 dias para implantação nas escolas municipais de ensino fundamental.

Por fim a deputada ainda sugere que se tenha alguma forma de prestar auxílio financeiro às famílias vitimas da violência. “Estamos contribuindo em todos os debates, inclusive no de aumento de penas que passou pelas comissões e deverá ser apreciada em plenário. Uma das principais tarefas minhas é dar vez e voz a essas famílias”, finalizou. (JMN)

Written by Página Leste

28 de maio de 2014 at 12:51

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Mais uma caminhada pela paz

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Uma caminhada pela paz reuniu cerca de 400 pessoas na manhã do dia 12 de abril que fizeram um pequeno trajeto até o 49º Distrito Policial. Representante de escolas, alguns alunos, dos comerciantes, entidades diversas e do Conselho de Segurança gritavam palavras de ordem com o apoio de um caminhão de som.

Se fosse possível resumir numa frase; chega de violência foi a mais emblemática. As pessoas lembravam-se, durante o trajeto, a necessidade de se buscar medidas que tragam de volta um pouco de paz à região que, conforme exaustivamente noticiada nesta edição, está passando por momentos delicados.

As centenas de pessoas presentes também cantaram louvores animados com a presença de pastores de igrejas evangélicas e padres das igrejas católicas locais.

Acompanhe um pouco da cena em nossas fotos.

ImagemImagem

Written by Página Leste

28 de maio de 2014 at 12:48

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Segurança preocupa, mas não estaremos abandonados

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Poucas vezes vi São Mateus com seus distritos que conheço bem, onde moro e trabalho tão desconfortável. Na lida com o jornal Gazeta São Mateus acompanhei, estes dias, passeatas, reuniões, manifestações, conversa de canto em tom baixo e em tom alto sobre a situação alarmante a que estamos chegando por conta da insegurança.

Claro que sei que sempre dá para piorar. Ninguém em sã consciência gosta de ver as coisas degringolarem; aquelas coisas que nos incomodam. Exceção feita aos causadores dos problemas e é até fácil identificar o perfil destes lendo nossas reportagens, o restante da sociedade de bem ou chamada como tal, tem motivos de sobra para ficar apreensiva.

Os reclamos que pude presenciar e ouvir esses dias me causou até certo aperto no coração e uma pergunta muda para mim própria do tipo: Onde foi que erramos? Onde e quando as coisas começaram a ficar desse jeito? Desse jeito desconfortável, deprimente e perigoso.

Não há, nos dias que correm, qualquer garantia de que qualquer um de nós possa ser a próxima vítima. Sejam desde as indelicadezas, as grosserias, os xingamentos, os prejuízos, as ameaças até as ocorrências concretas como agressões, furtos, roubos, desafios, sem contar as más línguas, as injúrias, as conspirações. Para os crentes as orações podem ajudar e fazer sentido, mesmo assim muito cuidado, meu rapaz! Para os menos crentes cuidado redobrado, meu rapaz!

Os lamentos da população na última reunião do conselho de segurança, que a reportagem acompanhou todos elas muito corretas e justificáveis criou uma sensação de mal estar em todos os presentes. Uma pela gravidade das ocorrências, outra pela dificuldade de se enxergar uma luz ao final do túnel.

As conversas com os responsáveis pela segurança na região também não apresentaram e nem sacaram das cartolas fórmulas simples e rápidas para minorar a situação, mas ao mesmo tempo deu certo alento ao me convencer que a batalha ainda não está finda e que a polícia sempre estará presente cumprindo o seu papel que é a defesa da sociedade de bem.

Não deixa de ser um alívio um pouco dessa certeza, apesar de todas as críticas que essa mesma sociedade possa ter com relação à conduta destas polícias onde, por vezes, alguns de seus próprios membros cometem bobagens, desde as mais simples até às mais condenáveis. O que se percebe de uma olhada rigorosa é que as instituições, ou seja, as polícias serão preservadas, desempenham um importante e fundamental papel, apesar dos problemas delas próprias.

Uma no cravo e outra na ferradura. A situação é pra lá de grave, quase desesperadora, mas, por outro lado, se percebe que não haverá trégua no combate ao crime e as situações que o propiciam.

Ao final dessa minha descompromissada reflexão, acho que restou o maior desafio que a sociedade possa ver. Ela tem que assumir de forma incansável as suas responsabilidades, principalmente na educação das famílias. Não aquela da escola, mas naquela que faz nos diferenciar dos animais irracionais. (JMN/LM)

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28 de maio de 2014 at 12:45

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“Quando a família assume, os problemas diminuem”, diz delegado seccional

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O delegado seccional Mestre Junior também recebeu a reportagem quando foi informado sobre a maior parte das reclamações feitas na reunião do Conseg e, da mesma forma que o comandante do 38º BPM/PM entende que a segurança é assunto de responsabilidade de todos. De pronto explicou que cabe a Polícia Civil as investigações e os cumprimentos de etapas de inquéritos e processos. Nem sempre tem sido fácil exercer mesmo esse papel. Até recentemente as delegacias não só investigavam como tinham que desempenhar papel de carceragem o que comprometia a realização de suas premissas constitucionais.

Mais recentemente também, e parece que vai mudar; as delegacias têm seus pátios tomados por centenas de veículos, frutos de apreensões por irregularidades diversas situação que gera outro tipo de trabalho estranho às funções de uma delegacia.

A Secretaria de Segurança depois de muitos anos com esse problema está iniciando um processo de licitação para contratar pátios e serviços de guinchos de terceiros que abrirão novos espaços nas delegacias. O certo é que as apreensões continuarão, mas não teremos a guarda desses veículos e outros sob nossa responsabilidade. Isso vai liberar mais recurso humano para as investigações”, explica. Ele raciocinava a partir da média de 750 apreensões e ocorrências mensais em toda sua seccional.

Diante da exposição feita pela reportagem o delegado seccional volta refletir e reafirmar uma série de situações que tem se repetido ao longo dos tempos mais recentes. Na raiz de muitos problemas está a questão cultural e educacional – não no sentido escolar exatamente, mas sim na frouxidão dos valores familiares e de bons modos que com o passar dos anos e dos novos costumes vem se deteriorando. “Continuo observando jovens ociosos meses e anos a fio, sem perspectivas, sem ocupação regular e decente, sem alternativas”. O ócio, a falta de valores, as carências locais e socioeconômicas e a falta de oportunidades são ingredientes importantes no atual estado de ânimo de muito adolescente e jovem infrator e criminoso.

Nessas condições e com esse caldo é que um fenômeno como o do funk ostentação prospera”. “Isso tem que ser analisado em profundidade. Agora estamos lutando contra uma suposta cultura que é a de rejeitar os valores da sociedade harmônica e justa. O moleque, hoje, quer ostentar o ouro, dinheiro e riqueza pouco importando se conseguidos de forma criminosa. Essa ostentação – que é ilusória, na maior parte das vezes é a que seduz novos jovens até crianças que acham ‘legal’ serem criminosos”, comenta.

Mestre Junior tem consciência que não se chegou a isso da noite para o dia e que além da própria família, a sociedade, os meios de comunicação e até governos perdulários tem responsabilidade. “Foram-se muitos anos sem que nada se fizesse para as comunidades mais pobres e mais carentes e a carência é o principal ingrediente dessa confusão. O que se ‘ensina’ indiretamente pela televisão, com novelas cujos valores quase estão totalmente invertidos também não ajuda. Junte isso à falta de política social, educação, ausência de perspectiva de uma vida melhor está pronto o quadro”.

Mestre segue falando da falta de respeito aos professores e os próprios pais. Insinua que em parte expressiva das vezes é o próprio desinteresse e negligência dos pais que é faz prosperar a evasão escolar, o ócio, a falta do que fazer e a chegada desses jovens às portas do crime acontecer. “Temos conhecimento de casos absurdos onde os pais reclamam e ficam incomodados porque foram chamados pela autoridade policial a ir busca seus filhos menores _e alguns bem menores em bailes funks, de noite, eventualmente bebendo, se drogando e se prostituindo”, exclama.

Esse quadro todo tem criado cada vez mais dificuldades de atuação, notadamente da polícia militar que o delegado destaca como uma corporação de verdadeiros abnegados e heróis. “Os valores estão tão distorcidos que vemos cada vez mais a PM ser hostilizada por desempenhar o seu papel. Entrou na moda essa outra ignorância sem tamanho. Alguns malandros e meliantes não gostam das ações policiais e saem às ruas para tocar fogo em ônibus que, ao final, prejudica as próprias pessoas das comunidades que precisam desse meio de transporte. É uma inversão grande de valores”.

Objetivamente o delegado lembra que um dos principais problemas também se dá na esfera jurídica, no que diz respeito à execução das penas. O fato é que no arcabouço jurídico existem muitas brechas. Some-se a isso certa mentalidade difusa que também cria dificuldades de que é para liberar cada vez mais. Lembra ainda que se isso não bastasse a região ainda faz divisa com cinco outros municípios e que as intervenções ou procedimentos policiais sejam da civil ou da militar estão sujeitos a essa organização territorial. “Para o meliante é diferente ele não vê fronteiras, nem tem uma burocracia a cumprir”, compara.

Apesar de tudo o delegado lembra a eficiência da segurança que opera em vários aspectos, mas principalmente na apreensão de veículos irregulares. Tem sido o caso de inúmeras apreensões de motos, uma vez que uma parte considerável de crimes, tanto de tráfico, quanto de roubos são feitas em movimento não estacionária, na maior parte das vezes com motocicletas.

Agregando valor ao comentário considera que apesar das evidentes dificuldades isso não é motivo para desistências nem para comemorações por parte da bandidagem. Apesar dela, por vezes parecer que está à frente ou ganhando a disputa com os órgãos da segurança, não existe nenhuma chance de saírem vitoriosos. Agora, com certeza, a colaboração da sociedade de bem, não apoiando, não tolerando e denunciando constantemente e imediatamente os malfeitos é fundamental para o sucesso nessa batalha.

Precisamos de uma ação continua de conscientização

Coerente com a afirmação de que a atual situação de segurança não se resolverá apenas com mais polícia na rua, o delegado seccional vem insistindo ao longo dos anos por um amplo processo de conscientização e educação pela base, de famílias envolvendo toda a sociedade organizada ou em processo de organização. “Sem educação e uma reformulação cultural e retomada de valores, o problema como um todo nunca será resolvido. Dentro desse processo se as famílias cuidarem adequadamente das crianças e adolescentes que ainda podem se salvar, restarão apenas os que não teriam eventualmente recuperação e que continuem interessados no crime. Em menor quantidade, desses a polícia e o sistema cuida”. Ensaia.

 

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28 de maio de 2014 at 12:42

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 “Comunidade precisa assumir responsabilidades”, dizem titulares da segurança na região

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Diante dos acontecimentos recentes que incluíram uma grande reunião no Conseg, tímidas manifestações de rua e, ainda antes, escaramuças entre a Polícia Militar com jovens e adolescentes e até adultos no Jardim da Conquista, a Gazeta São Mateus foi ouvir o Major Hideo, comandante do 38o BPM/PM e o delegado seccional Mestre Junior. A palavra de ambos é a de comprometimento com a segurança, mas com a cobrança de colaboração da comunidade de bem.

 “A responsabilidade pela segurança não é só das polícias”, diz comandante

Informado pela reportagem sobre a maior parte das reclamações feitas na reunião do Conseg (veja matéria nesta edição), o comandante do 38º BPM/PM, Major Hideo considera que a responsabilidade pela segurança é de todos, inclusive do subprefeito que esteve presente àquela reunião, ao inspetor da GCM e das lideranças e comunidade presente. Cada qual com as suas prerrogativas e possibilidades. Explica que a função constitucional da PM é o policiamento preventivo e ostensivo e que a participação da comunidade com denúncias é fundamental.

Para o comandante os problemas ainda são mais exacerbados em função de sua situação de extrema carência em algumas comunidades onde considera que são pouco disponíveis os equipamentos públicos de lazer, de educação e de saúde pública o que ocasiona uma condição ruim de vida. “O crime e os comportamentos criminosos que incomodam e agridem a sociedade é consequência disso também”, avalia.

Do ponto de vista operacional o comandante tem uma grande e extensa área de atuação e estão 24 horas por dias pelas ruas os quase 500 policias que dispõe. Considera esse contingente ainda insuficiente e entre os parâmetros para essa aferição usa o número expressivo de chamadas pelo telefone 190. ‘É preciso que seja entendida que, o número de chamadas, é muito superior a capacidade do nosso efetivo e em atendimento as viaturas ficam paradas e não em patrulhamento ostensivo. Com isso se dá a impressão falsa de que não tem polícia na rua. Não é “bem assim”’, explica. Parece indicar que a capacidade preventiva, por vezes, fica prejudicada. Mesmo assim, diz que os policiais sob seu comando estão o tempo todo em ação e é reduzido o quadro administrativo que fica atrás de mesas.

O comandante revela que existe teses de mestrados com embasamento científico e certeza técnica que indica que onde há presença do policial o crime é inibido. Cita como exemplo o que ocorreu na Avenida São Mateus onde havia muitas ocorrências que foram diminuindo com o início do funcionamento da ‘operação delegada’ que possibilitou ao policial fazer também atividades de fiscalização de comércio irregular, etc. “O meu problema é como fazer ações idênticas e em todos os tempos e em todos os locais críticos”, problematiza.

O comandante não se surpreende com as queixas que a reportagem havia exposto afirmando que os serviços de inteligência da PM e da Secretaria de Segurança sempre revela o que ele chama de trechos e espaços mais problemáticos (hotspots) e que tanto quanto possível e dependendo de sua disponibilidade de efetivo tem agido neste local.

O problema dos pancadões

Só para se ter uma ideia da extensão do problema na região, nas noites de sábado eu tenho de 10 a 20 bailes funks ocorrendo simultaneamente e apesar do apelo das comunidades incomodadas a minha capacidade de intervir ainda é restrita. Isso nào significa que desistiremos. Isso nunca”, explica. O receio dos possíveis tumultos que as operações in loco, durante a ocorrência do baile apresentam tem que ser levadas em conta. A presença de crianças, jovens e, por vezes, até famílias inteiras complicam as operações e sufocamento. “As correrias podem levar a lesões graves e até mortes de inocentes. Diante dessas possibilidades comparecemos para fazer o que for possível para cada situação que se apresentar”, indica. Para a reportagem ficou visível que essas operações ainda serão feitas, mas a proposta é evitar tanto quanto possível o conflito e buscar soluções diferentes.

A Polícia Militar está se empenhando; isso ficou claro, tanto quando a demanda é enorme e o fato de que a omissão das pessoas de bem, infelizmente, é um dos fatores que estimula o crescimento desses problemas. “Temos feito operações uma atrás da outra para produzir resultados, e estes estão aparecendo. Com certeza dependemos também dessa participação da sociedade com denúncias procedentes para que possamos atuar ainda mais”.

O comandante ainda lembrou da ocorrência no Jardim da Conquista que deu origem ao conflito com parte da população local. Na ocasião um adolescente roubou um veículo e foi acompanhado pela PM à distância que o viu estacionar e entrar em um estabelecimento. Abordado pelos policiais atirou em direção a estes que durante o revide alvejaram o adolescente que estava em flagrante delito. A reação posterior em forma de protesto por parte dos moradores não teria nenhuma razão de ser, mas é a resultante de uma relação quase promiscua que vai se criando entre moradores tolerando os ‘crimes’ de vizinhos e conhecidos; outro fator que evidencia a irresponsabilidade dessa parte da sociedade.

Apesar das dificuldades as ações serão cada vez maiores

É o que garante o comandante que assegura que é uma política de segurança definida em governo. O Major Hideo considera que apesar das dificuldades nenhum abatimento mais grave paira sobre a corporação e os policiais militares. Todos estão convictos de suas ações e do seu papel em defesa da sociedade, da ordem. Como o comando, todos tem clareza que a segurança demanda a participação ativa de outros tantos atores como a presença do Estado com serviços públicos, os meios de comunicação que deveriam assumir certos cuidados, mas, principalmente da educação de crianças e adolescentes, em casa, por parte das famílias. “A PM é incansável em sua missão constitucional. 24 horas por dia na rua, sempre tentando diminuir o crime. É assim que é e será”, finaliza o comandante.

 

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28 de maio de 2014 at 12:38

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Reunião revela estado de calamidade, mas segurança não estava presente para escutar

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Marcada pela ausência dos representantes da Segurança, reunião do Conseg revela um quadro temerário em certas regiões de São Mateus

A última reunião do Conseg São Mateus no dia 15 de abri foi marcada pela ausência de representantes da Policia Militar e da Polícia Civil, nenhum comandante nem delegado titular do 49º Distrito Policial compareceram para ouvir as graves queixas, mas, também pela presença de mais de meia centena de munícipes que compareceram para fazer e apoiar diversas denúncias. Além do presidente do Conseg, José Moreira compôs a mesa o subprefeito de São Mateus, Fernando Melo e o Inspetor Osmar da Guarda Civil Metropolitana baseada em São Mateus que representava o inspetor geral que não pode comparecer em razão de outros compromissos.

Como de praxe após aberta a palavra uma representante do conselho de saúde do Jardim da Conquista III, retomou as mesmas denúncias que foram objeto de nossa edição anterior (372) a respeito a crescente insegurança nas proximidades e nas unidades de saúde públicas da região. Em sua fala destacou as unidades do Jardim da Conquista que foi palco recente de inúmeras ocorrências criminosas e até alguns confrontos com a Polícia Militar e onde tem sido difícil convencer qualquer médico ou profissional do mesmo porte a trabalhar nos locais. “Os médicos tem sido roubados, agredidos e vítimas de tentativas de sequestros. As agressões ocorrem quase todos os dias, a ponto de alguns desses profissionais se afastarem imediatamente”, diz.

A liderança explica que um abaixo assinado que estava sendo apresentado naquela ocasião, o que foi feito a seguir só não reuniu ainda um maior número por causa das intimações promovidas pelos próprios “manos”. A liderança tentou até estabelecer sem muito sucesso um diálogo com estes para tentar demonstrar que a ausência de médicos e o mau funcionamento dos postos de saúde e do AMA podem ser prejudiciais a eles próprios e suas respectivas famílias. Sem sucesso. “Não temos outra saída a não se chamar a polícia, entretanto, tem ocorrências como as da realização dos bailes funks, que sequer eles consideram emergência”.

A indignação da comunidade; das pessoas que residem, trabalham ou se ocupam na região é crescente, na mesma proporção do nível cada vez mais insano dos problemas.

Segundo relato dos presentes uma base comunitária que existia na entra do Carraozinho era o suficiente para inibir o crescimento desses problemas. Pedem de forma quase desesperada que na impossibilidade de se aumentar o efetivo ou a presença física da polícia pelo bairro que se reinstale uma base comunitária. “Estamos quase em pânico e nas unidades, por vezes, ainda temos que receber gente de outros bairros que procuram atendimento. Ou seja, aumentam a procura nos postos e também as ocorrências de violência”. Uma hora alguns tiros que andam acertando carros e paredes vão acertar alguém, mesmo porque já pode ser visto nas ‘quebradas’ do lugar gente do crime armada até com metralhadora.

A partir da mesa o inspetor da GCM considerou que o efetivo ainda pequeno tenta acompanhar as demandas crescentes. Eles próprios têm sido solicitados até a acompanhar pacientes com maiores dificuldades e temor em alguns agendamentos nas unidades. Reconhecem a situação e contribuem como podem.

A liderança retoma comentando que quando da construção do Ceu São Mateus havia um espaço destinado para uma base comunitária de segurança originalmente. Foi desocupado e posteriormente para acomodar a segurança própria do equipamento. A volta de uma base ali poderia contribuir para diminuir a ocorrência de crimes no local. “Temo muitas biqueiras no Jardim da Conquista e há muitas reclamações com assaltos e violências contra trabalhadores. Mulheres são agredidas apenas para entregar bilhetes únicos que são usados no transporte. A missão do trabalho do Conselho Tutelar também agrava a situação. Existem muita droga e meninas adolescentes grávidas e até com filhas recém-nascidas no colo podem ser vistas convivendo com tudo isso”, completa.

Conseg reconhece a gravidade da situação

O presidente do Conseg exibe cartas e e-mails recebidos reclamando da falta de ronda escola, falta de policiamento. “Temos relatado essas reclamações e situações as instâncias superiores do Conseg, mas as respostas e as providências são raras”, diz. “Da nossa parte, também sofremos ameaças e temos nossas limitações no envolvimento com esses assuntos por conta dos riscos, mas, todos, compreendemos que precisamos mudar esse estado de coisas”, emenda.

Ausência das polícias na reunião é criticada

Pensei que chegaria a essa reunião aqui com essa comunidade, com os trabalhadores da saúde e da educação e que encontraria aqui com representantes da PM e da PC, mas, lamentável, nenhum deles aqui”, disse outra liderança que denuncia que não se trata apenas de falta de efetivo, mas da forma que ele esta distribuído pelas regiões da cidade. “Estou há quase 25 anos aqui e nunca vi uma situação tão grave e alarmante. Nunca havia visto alguém armado, agora no Jardim da Conquista vi um jovem andando com metralhadora a tiracolo”, se indigna. Desde a ocorrência dos confrontos recentes com a polícia militar não se vê mais polícia passando pelas ruas. “Os responsáveis pela Segurança, seus comandantes e o governo precisam conhecer a situação. De vez em quando a GCM, mas isso não basta”.

Houve quem se reconhece a beira de um ataque de nervos, tendo de conviver a contragosto com os ‘pancadões’ de rua que insistem em ser em volume ensurdecedor, fora de hora, com uso e abuso de bebidas, drogas e prostituição envolvendo desde crianças até famílias inteiras e onde o tráfico e os problemas correm soltos. “E não adianta chamar, mesmo que várias vezes ao dia, a polícia através do telefone 190″. Será uma gravação informando que aquilo não se trata de emergência. Que mais eles querem que aconteça? Que haja tiroteio, mortes e arrastões durante a festa? “Pois isso, às vezes, acontece”, dizem.

Outro morador, surpreendentemente jovem fez um organizado relato assumindo várias ligações, fotos e filmagens que fez de forma disfarçada para mostra o alto grau de perturbação que os ‘pancadões’ promovem. Fez mais; entregou fotos, filmagens a algumas estações de tevê que chegou a exibi-las e percorreu várias delegacias e companhias da PM, enfim onde alguém que pudesse ouvir e eventualmente tomar providências com relação às comprovadas denúncias. “Gostaria de ter a esperança que esse Conseg encaminha alguma coisa”, emendou mesmo lamentando a ausência dos representantes da segurança na reunião.

Entre as denúncias – o jovem revelou que em um dos locais de maior ocorrência dos ‘pancadões’ é, por ironia, um funcionário público _não disse onde ele estaria lotado, um dos promotores da zoeira. “Ele tem um bar no local e é ele que guarda e recolhe os equipamentos de som quando está chovendo ou quando encerra o tormento da vizinhança”.

Nesse instante houve quem se lembrou de comentar que o prefeito Fernando Haddad havia se pronunciado que reconhecia o funk como uma manifestação de cultura. “Já que ele acha isso, poderíamos pedir para que os pancadões fossem à frente da casa dele”, arrancando aplausos entusiasmados.

Escolas também sofrem com o abandona da segurança

Representantes das escolas locais e solidários as dificuldades do trabalhadores da saúde e da comunidade vitimada, também relataram parte de suas dificuldades e entre elas o enfrentamento quase que diário com crianças, jovens e adolescentes, às vezes alunos e às vezes, o que é mais grave, não estudantes com constrangimentos, ameaças, furtos, agressões e até roubos em plena luz do dia.

Em um dos casos relatados, uma professora que mesmo estando a pouco tempo da aposentadoria por tempo de serviço está afastada por problemas psicológicos oriundos de agressão. “Nossa colega está afastada há 120 dias e terá que repor parte desses dias às vésperas de se aposentar. Tudo isso por causa de agressões de bandidos locais”, expõe um dos educadores.

O educador reflete que vem crescendo certo clima de ignorância, beligerância, falta de gentilezas e disciplina nas escolas de uma forma geral. Se, antes os alunos guardavam certo respeito com os educadores, hoje os conflitos e confrontos são cada vez mais intensos e graves. Entre xingamentos e empurrões tem sido mais comum a presença da polícia requisitada para tentar atuar depois dos problemas acontecidos. “É preciso que o governo, as áreas de segurança, as famílias e as comunidades não comprometidas com o crime e as contravenções tomem posição e tentem mudar o quadro. A continuar dessa forma vai chegar o dia em que não haverá nem professores, nem escola e isso seria o fundo do poço”, comentam.

Encaminhamentos, nenhum; desejos, muitos

Ao final da reunião que ainda escutou o depoimento sobre até mesmo às dificuldades da imprensa televisiva de trabalhar o assunto localmente, tendo suas equipes sendo ameaçadas e uma delas até seu veículo de trabalho roubado, restou ao Conseg escrever mais uma ata e seguir o seu fluxo de informação.

Para a reportagem, entretanto, se fosse para resumir a ópera, diríamos que melhorar e intensificar a ronda escolar; aumentar o efetivo e a presença da polícia militar no trabalho preventivo; aumentar da produtividade da polícia investigativa para dar sequência às centenas de denúncias anônimas registradas, ou não, no sistema; fazer o conselho tutelar funcionar; ter a guarida das varas da infância; responsabilizar pais e responsáveis para que primeiro eduquem seus filhos e segundo respondam colateralmente pelos atos dos seus; instalar câmaras de segurança e seguranças públicas ou privadas nos equipamentos de saúde e escolas públicas poderia ajudar a minorar os problemas.

Vamos além. Vale educar os responsáveis; vale criticar e cobrar maior responsabilidade e contribuição educativa de televisões e dos programas de grande audiência; vale também melhorar as atuais leis recentemente aprovadas com respeito ao barulho dando poderes às polícias para atuar nos flagrantes sem necessidade de denunciantes.

Por fim uma dica gratuita desse jornalista. Pode se desenvolver um trabalho de infiltração e de inteligência. Colocando algum agente policial para que localize o endereço ou os carros com suas respectivas placas dos que fazem barulho, citando-os, por escrito, em outro dia em delegacia próxima para ser orientado ou autuado na forma da lei. Simples né? Não precisa se confrontar durante a bagunça, mas chamando às falas por intimação. Se gerar multas então, muita gente aprende. (JMN)

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28 de maio de 2014 at 12:28