Médicos: já que vieram que façam o melhor
É o assunto do dia fervendo e cheio de prós e contras. O que tem de gente batendo palmas e de gente falando mal é um espanto. Em se tratando de um tema polêmico, pensar com calma, refletir, analisar é mais que esperto; é necessário. E com tantos pros e contras sobre a vinda de médicos do estrangeiro para trabalhar onde faltam médicos sugiro que vamos com calma.
Mas como essa é uma seção de opinião vou desviar da casca de banana no caminho que é me posicionar se estão certos ou errados a vinda de médicos do estrangeiro e colocar algumas questões que também são importantes nessa proposta de dar atendimento médico onde não se tem.
É a velha questão de que saúde é uma bacia onde muitas coisas têm que estar presentes tais como educação, medidas preventivas, meio ambiente saudável, ocupação sem insalubridades, bem estar psíquico e mental, vigilância sanitária atuante, controle epidemiológico eficiente, meio ambiente social saudável, segurança e recursos outros além do próprio médico.
Se alguém duvida disso a discussão aqui pode continuar, mas o fato mesmo é que experiências de como essas coisas correlacionadas com a saúde é importante temos aos montes por aqui mesmo em São Mateus. Um deles, conforme mencionei acima é a falta de segurança em que trabalham diversos profissionais do serviço público de saúde além do médico. Não é um ou dois casos, são várias as ocorrências de servidores públicos da área, principalmente nas unidades básicas de saúde que sofrem constrangimentos, xingamentos quando não são agredidos por pessoas que procuram as unidades e se frustram com a qualidade ou a completa ausência de atendimento.
Nessas condições e reparem que estamos falando apenas da segurança mínima que um trabalhador precisa para desenvolver bem o seu trabalho o serviço final não sai mesmo. Some-se a isso a frustração do próprio servidor que tem consciência de que sem outros apoios em material e recurso a coisa não anda.
Oras, se todas aquelas condições que citei não estão presentes, não será apenas o médico que dará resultado.
Temos mais coisas por ai. Vamos raciocinar então de como está amparada a medicina hoje. Em grande parte muitos do ensino da medicina atual está focada mais no amparo de exames e recursos em tecnologia do que na experiência e conhecimento do assunto do médico em si, como ser humano e profissional ali na hora do atendimento. Muitos médicos, na verdade, e somos testemunhas disso, só conseguem definir um diagnóstico simples se amparados por exames laboratoriais, de imagem e outros recursos que em tese deveriam mesmo para resolver dúvidas mais complexas.
E ai, vamos ao outro lado da questão. Muitos dos médicos, estrangeiros ou não, que forem trabalhar em locais com ausência também desses recursos tecnológicos vão ter dificuldades. Vão ter mais ainda quando, mesmo diante de sua competência e acerto de diagnóstico terão de fazer encaminhamentos de pacientes. Para onde? Se nesses casos estarão em regiões com poucos recursos e sem acesso a acompanhamentos médicos mais elaborados.
Essa, a propósito foi uma das reclamações pertinentes do Conselho Federal de Medicina, quando da campanha do governo brasileiro para que os médicos se ‘interiorizassem’, ou seja, fossem para os locais onde a população está em completo desamparo.
Como se vê, precisamos de muita reflexão e dar tempo ao tempo para ver e depois julgar se a entrada de médicos estrangeiros, e que se deixe claro, após a recusa dos médicos brasileiros de irem para o interior foi uma medida acertada ou não.
Só registrando, por enquanto muita crítica e muitos aplausos
O leitor atento e diversificado está lendo e vendo de tudo. Setores batendo palmas e valorizando a chegada de médicos estrangeiros diante do que alegam ser um troco à arrogância de uma categoria que se formou nas grandes capitais e gente do outro lado criticando a possível falta de preparo e competência dos médicos estrangeiros. Para isso pediam uma espécie de exame. Acho que é legítimo.
Agora a grita geral diz respeito a vinda de médicos cubanos e a operação triangular na remuneração onde o pagamento dos profissionais passaram pelas mãos do governo cubano primeiro. Outra questão a ser vista com mais calma.
Agora para o povo desassistido, um forte argumento a favor da vinda deles sejam cubanos ou não é o fato de que é melhor na necessidade ter algum atendimento que atendimento algum. Acho que eles tem razão.
Publicado na Gazeta São Mateus, ed 359, segunda quinzena de agosto de 2013
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