Comunidade se reúne para discutir segurança
Delegado Mestrinho e o deputado estadual Zico Prado
Diversas lideranças e ativistas de São Mateus reuniram-se no dia 17 de agosto na Paroquia São Mateus para discutir a questão da segurança. O encontro foi coordenado pelo padre Franco Torresi e contou com a presença do subprefeito de São Mateus Fernando de Melo, do vereador Paulo Fiorillo e o deputado estadual José Zico Prado, ambos do PT-SP, representantes das polícias civil e militar como o delegado seccional Antônio Mestre Junior, o capitão Tirson da 5ª Cia do 38o BPM/PM e da Guarda Civil Metropolitana.
Entre os presentes estavam, ainda, membros do conselho tutelar, professores, representantes dos comerciantes e membros do conselho de segurança, entre outros configurando um quadro representativo da região.
Em comum acordo com os presentes, o padre Franco Torresi estabeleceu os parâmetros gerais da pauta e essa tinha um caráter mais focado em encaminhar ações e soluções que pudessem contribuir localmente com a diminuição da violência. Entre esses parâmetros a compreensão de que a questão não diz respeito tão somente às polícias e sim de toda a sociedade. “Não queremos repetir aqui a choradeira em cima da polícia. Todos nós sabemos e conhecemos algumas ocorrências de crime e a polícia sabe ainda mais do que a gente. Eles têm informações, estatísticas, tudo. Chorar não muda a vida. Queremos olhar, viver a realidade e avaliar o que podemos fazer para superar um pouco da violência em nossa região. É trabalho de todos, educação, prevenção. De todos”, resumiu.
A proposta era enxergar as razões da violência e propor algumas ações e projetos de trabalho para superar a situação. Como dinâmica falariam o vereador, o representante da PM, a comunidade e o fechamento e síntese ficariam por conta do deputado e do delegado seccional.
Paulo Fiorillo elogiou o fato de o encontro juntar tanta gente representativa e capacitada. Em seguida reconheceu que o medo de sair de casa e circular por São Mateus tem crescido com exemplos como o que tomou conhecimento de roubos nas proximidades de uma escola no Parque das Flores. Ali, em um mesmo episódio, se roubaram dois carros. Lembrou-se dos efeitos da operação delegada que diminuiu algumas ocorrências, mas que não resolveu do jeito esperado. “Acho que deveríamos trabalhar em forma piloto com alguma coisa parecida com ‘tolerância zero’ e de forma mais abrangente”.
Registrou ainda o fato de que bairros e aglomerações surgem quase o tempo todo em São Mateus indagando-se junto com os presentes: como retomar a segurança e de que forma a polícia e os cidadão podemos retomar a segurança e tranquilidade? “Temos problemas graves com crianças e adolescentes, com falta de vagas em creches, nos abrigos etc. Como enfrentar”?
Como parte das possíveis respostas; novos problemas. Segundo o vereador existem graves problemas também na rede de proteção. Um deles é o CAPS que acolhe e quando tem adesão trata de pessoas com problemas de alcoolismo ou drogadição, mas que não tem pós-acolhida e tratamento alternativas que não os remetam de volta aos mesmos problemas.
Entre as sugestões sugeriu um eventual acordo com o comércio local para que possam, na medida do possível, gerar ocupação para essas pessoas. “É preciso abrir espaços de ressocialização. Outra fórmula a ser analisada é dar trabalho em eventuais obras que a própria prefeitura realiza”, indicou.
No mais reconheceu que estava colocando apenas pistas sem respostas definitivas, mas reconheceu que os problemas terão que ser resolvidos ou minorados somente com a participação de todos.
Para representante da PM a criança também deve ser foco
O comandante em exercício da 5ª Cia do 38o BPM/PM destacou que o Programa Educacional de Resistência às Drogas e às Violências (Proerd) é um excelente trabalho de prevenção realizado nas escolas e que atende, em média, 12 mil crianças semestralmente. “Mas, ainda é pouco e não conseguimos atender a todas as solicitações para desenvolver o programa”, esclarece. O fato é que o programa preventivo executado há anos pela corporação tem bons resultados. “Temos que pegar lá do começo. Instituir crime zero não é tarefa fácil, mas precisamos fazer isso à prevenção na escola. O resultado vai demorar, mas precisamos fazê-lo. Temos que começar lá trás, na infância”, concluiu.
Na outra face do envolvimento da Polícia Militar argumentou que ela tem que contar com a colaboração da sociedade em suas diversas formas de denúncia, principalmente. “Queremos que a comunidade do bem sempre utilize nossos canais de denúncia, porque é através deles, que conseguiremos agir apropriadamente em casos que não temos conhecimento em determinado momento”, explicou e detalhou as dificuldades que a PM, por estar fardada e facilmente identificada, tem para agir em determinadas ações. “Muitos meliantes, que a princípio não podemos saber quem são; ao avistarem a viatura se aproximando se desfazem de drogas, por exemplo, sem que tenhamos como ver, testemunhar e realizar os flagrantes”, explica.
Presentes se manifestam sobre dificuldades
Um comerciante da Avenida Satélite aproveitou gancho do vereador sobre gerar empregos e se queixou. Primeiro dos impostos que paga, sugerindo que a renúncia da cobrança poderia ser um motivador para gerar empregos e, segundo, a falta de capacitação dos egressos naqueles casos citados. Teve apoio entre os presentes.
Entre os presentes uma mulher indicou a necessidade de uma sensibilização melhor para os atendentes nas delegacias não específicas para o atendimento de ocorrências que envolvam questão de gênero ou da mulher, desde as violências domésticas até os casos de estupro que ocorrem na região.
Deputado e seccional de São Mateus se colocam a disposição
O deputado estadual José Zico Prado (PT/SP) ressaltou o valor do encontro das lideranças com os representantes da segurança e o da prefeitura, na presença do subprefeito Fernando de Melo e concordou com a constatação dos presentes citando que em todos os cantos de São Mateus que passa a questão da segurança é o principal reclamo. “Muito promissor esse fórum que hoje discute segurança, porque essa é uma demanda que se encontra em todo canto e em todas as grandes cidades do Estado de São Paulo”. Zico ainda se mostrou esperançoso que para outras questões como saúde, educação, habitação e outras fossem tratadas também pela sociedade civil organizada.
“precisamos encontrar meios de sair dessa situação. Atualmente quase ninguém consegue dormir tranquilo enquanto seus filhos não chegam a casa. A situação é desgastante e temos que nos unir para buscar saídas pra isso”. Zico lembrou que a segurança no atual estado em que se encontra não é assunto que se resolva apenas com projetos de lei ou contatos com as autoridades, “Se assim fosse eu já teria feito”, enfatizou indicando que na condição de parlamentar estará sempre disposto a contribuir para mudar o atual estado de coisas.
Já o delegado seccional Antônio Mestre Junior iniciou agradecendo a oportunidade, mas indicando ter uma leitura um pouco diferente e mais otimista da situação em São Mateus, principalmente com relação à produtividade e os resultados apresentados pelas ações das polícias civil e militar e também da Guarda Civil Metropolitana.
Também destacou São Mateus como um bairro, na sua média, bastante provido de equipamentos públicos e recursos que foram conquistados nos últimos vinte anos. Destacou também e principalmente o alto grau de articulação e mobilização da sociedade civil organizada localmente que tem tradição de luta e pressão e que por conta dessa disposição tem conseguido uma boa interlocução com os poderes públicos, mas que ainda pode melhorar.
Mostrou aos presentes que crimes como homicídio, por exemplo, diminuíram na região, mas em contrapartida reconheceu que os graves problemas enfrentados são os altos números de furtos e roubos de veículos, o tráfico de drogas e o aumento da criminalidade na infância e adolescência. Deu tempo até de enquanto cidadão soltar farpas com relação à questão da maioridade penal.
Objetivamente, o delegado seccional revelou que os desmanches é um fator que alimenta os furtos e roubos, mas que além dos possíveis flagrantes e de resultados de investigações que são feitas nessas atividades a legislação atual não permite a segurança pública aprofundar as investigações dentro dos estabelecimentos dessas atividades.
Na visão do seccional, entretanto, isso seria passível de se resolver contando com a disposição de outros órgãos como a Prefeitura ou as áreas de impostos e negócios do Estado tivessem como promover fiscalizações mais severas. Nesse sentido, entende o delegado a polícia serviria como base de apoio as essas operações. Mestrinho comentou ainda que foi elaborado pelo comando da Secretaria de Segurança projeto de lei que deve tramitar na Assembleia Legislativa para dar conta de alterar parte da legislação provendo legalidade as operações policiais que poderiam ser intensificadas.
O delegado ainda explicou aos presentes parte do atual modus operandis dos ladrões de carros e dos receptadores que se sofisticam seguidamente para evitarem ser pegos pela polícia. A polícia, por sua vez, também refina e melhora suas ações aumentando a eficiência.
Mestrinho ainda considerou que grande parte dos problemas que levam a insegurança tem a ver com as formas com que as atuais famílias se comportam e se educam. “O que está visível e a desagregação cada vez maior do núcleo familiar”, refletiu. A reportagem presente no local deduz que ele queria mesmo era indicar que o baixo nível de educação, cultura, bons modos, unidos a eventuais dificuldades socioeconômicas tem gerado crianças, adolescentes e jovens cada vez mais problemáticos e sem nenhum respeito com a sociedade.
Por fim apoio a proposta de que se criem mecanismos de incentivar a empregabilidade de jovens e adultos pelos comércios desde que possam ser estimulados via renúncia fiscal ou outro mecanismo de incentivo. Também considera que o poder público poderia ser um empregador esporádico e ainda informou estarem comprometidos com a instalação de mais uma delegacia da mulher na Cidade Tiradentes e com todos os esforços que a sociedade vai fazer para melhorar a situação que os motivou a discussão do dia.
Franco Torresi fechou o encontro agendando novos encontros com os interessados em continuarem debatendo e tomando ou apoiando iniciativas já existentes na região para diminuir a sensação de insegurança.
Deixe um comentário