Pobre classe média explorada
A chamada nova classe média brasileira, segundo os parâmetros oficiais, mas muito discutíveis representa mais de 50% da população brasileira e esse crescimento de uns anos para cá se deve ao aumento de renda entre os mais pobres conferindo nesse segmento renda familiar mensal entre R$ 1 mil a R$ 4 mil. Chama-se ainda de classe D famílias que ganha entre R$ 768 e R$ 1.064. A classe E, composta pelos mais pobres auferem renda abaixo de R$ 768.
Destaco a chamada elite econômica, as classes A e B, com renda superior a R$ 4.591. Sério? Chamar de elite quem ganha quase R$ 5 mil, comparando-a com a elite mesmo é quase uma piada.
Mas o que importa mesmo é que para essa importante parcela da população brasileira, por onde principalmente move-se a economia, visto que os endinheirados pra valer mesmo poupam; essa tal classe média tá é sofrendo. É nesse segmento que as contas e impostos passam. Ficamos com o exemplo da cidade de São Paulo para representar as grandes aglomerações Brasil afora.
E dá-lhe IPTU, IPVA outros impostos e taxas. Alguma coisa contra os impostos? Não. Não contra a existência deles, mas o uso e a retribuição que se recebe com o pagamento deles. Cobra-se imposto territorial e urbano – IPTU, mas abandonam-se as praças e as áreas públicas. Cobram-se imposto sobre veículo automotor – IPVA, mas também pedágio em estradas que estão nas mãos de particulares com a responsabilidade de manutenção e conservação.
Pagamos impostos diretamente; aquele do consumo que atinge todos igualmente, mas com impactos diferentes que, a depender do rendimento, sacrifica ainda os mais pobres e também os outros como os citados sem que consigamos medir a sua eficiência e retorno. Melhor ainda o que nos aparece é a falta de resultado.
Cidade suja, muito por culpa dos próprios moradores e transeuntes; abordagens em semáforos; trânsito infernal que tende a piorar enquanto se mantém as políticas de incentivos para a aquisição, cada vez mais facilitada, de novos automóveis que inundam a cidade e a inviabilizam sem que nenhum ‘estadista’ ainda tenha se batido por uma legislação que obrigue e estimule a retira de veículos mais antigos.
Flanelinhas aos quilos que se apropriam de espaços públicos da cidade para escorchar os motoristas que tem como única condição de estacionar seu veículo pagando valores estratosféricos. Coitado daquele que tentando usar o seu direito e prerrogativa, não pague o estacionamento na rua para o ‘flanelinha’ que manda no pedaço. Se dos impostos IPTU e IPVA, também se disponibiliza uma parte conservação das vias públicas, porque mais taxas? Está difícil ser classe média, reclama a referida e com razão.
Como qualquer cidadão de juízo, a classe média tenta viver bem ou no mínimo de forma confortável. Esforça-se para que pessoalmente aconchegue sua família da melhor forma possível e até investe pesado nisso, mas quase sempre não tem a reciprocidade pública.
Entre tantas queixas e contratempos, lembremo-nos das inundações em período de chuvas que se compensa com a poluição durante as secas trazendo desconforto cada vez mais na vivência da cidade.
Como frequentar um restaurante, girando a economia, sem correr o risco de ser assaltado em um arrastão? Como conviver com o índice crescente da violência, apesar da alegação dos governos que ela está sobre controle e com a impunidade de criminosos especiais e de menores de idade? Como conviver com a roubalheira escancarada todos os dias, sem perdão, reveladas na imprensa e nos telejornais? Como ver o cumprimento das sentenças dos criminosos de colarinho brancos já sentenciados?
E se essa categoria, de quase 50% da população tivesse um dia à capacidade de se unir pelo bem comum e ocupar ruas e praças com suas exigências? Mudaria o mundo, não é verdade? Mas como a sociologia séria explica a tal classe média é uma categoria fluida e dispersa por si mesma. Nem precisa grande esforço para quem queira dela se aproveitar, como o fazem até hoje os políticos inescrupulosos. É da natureza de sua própria formação a dispersão. É uma categoria em transe que tira o pé da classe pobre e aspira subir ao topo da pirâmide e é essa perspectiva quase sempre presente na classe média que as faz fora do foco, como gosta a elite, aquela que de fato manda em tudo de forma direta ou indireta e sofisticada.
Num primeiro momento basta a consciência do quanto se paga ou quanto custa ser classe média nesse país. Da consciência para ao ajuntamento e organização como desejável seria um grande passo para dar vários bastas ao atual estado de coisas. Seria um basta à corrupção; aos desmandos dos governos e políticos; aos desmandos de empresas; aos desmandos da bandidagem e quiçá o restabelecimento da justiça com compensações sociais e a tão desejada vivência em uma sociedade harmoniosa. (JMN) – Publicado na Gazeta São Mateus, ed. 356 de Julho de 2013
Deixe um comentário