Entre o empresariado presente, Pedro Kaká diz que jornal é corajoso
Pedro Kaká está há 40 anos na região onde já atuou como advogado, atuando agora como administrador e administrador de supermercado. De família humilde ele sempre agradece seus pais terem optado pela região para um recomeço na cidade de São Paulo. Desde então tem acompanhado e contribuído de perto pelo desenvolvimento da zona leste e, notadamente, São Mateus, região que considera vocacionada para o desenvolvimento com uma população trabalhadora e ordeira.
Para Kaká a existência da Gazeta São Mateus é um exemplo de luta e vitória numa conjuntura e numa atividade difícil. “É grande a dificuldade, antes e hoje, para a existência de uma imprensa seja regional ou de bairro para conseguir equalizar seu funcionamento levando os ideais de liberdade de expressão e de fala junto com as dificuldades econômicas que a atividade enfrenta”, raciocina. Falar da GSM e de sua diretora, Lucy Mendonça é falar de uma vitoriosa, considera o empresário.
“Do ponto de vista da linha editorial, vejo a GSM como uma imprensa corajosa, pois adota e aborda temas difíceis e complicados sob todos os ângulos e, dessa forma, com personalidade se torna uma imprensa forte”, considera. Para ele, a exemplo de outros depoimentos, a Gazeta tem funcionado bem como um canal de escoamento das questões da sociedade de São Mateus, numa periferia cheia de problemas, onde nem sempre é fácil identificar responsabilidades. “O papel da Gazeta frente à comunidade e ao Estado é de facilitar e fazer a interlocução”, sentencia.
Se essa é uma função bem desempenhada, segundo a sua avaliação, o espaço próprio e mais opinativo do jornal em editorial e opinião da diretora tem tido sempre um abordagem e olhar crítico, reflexivo e leal diante dos assuntos. Essa condição, revelada pelo empresário, vai de encontro à decisão do jornal de tentar tratar em profundidade e com ética, distintos assuntos.
Para o jornal é um privilégio ser visto dessa forma por um cidadão que, desde muito tempo, exerce a sua cidadania na região.
Desde 1970, Pedro Kaká, tem atuação política e já foi candidato a vereador em 1988, por um imperativo de uma série de apoiadores que creditaram a ele uma representação fiel dos diversos anseios daquela sociedade, voltando a disputar uma cadeira na Câmara de São Paulo em 2012.
“Em nenhum momento representei os interesses apenas do empresariado; muito pelo contrário, o meu olhar e os meus anseios e desejos para a região é compartilhado por diversos segmentos, até mesmo de comunidades menos organizadas na região”, enfatiza.
Humanista por formação, Pedro Kaká cursou Administração na Fundação Getúlio Vargas, onde se iniciou no movimento estudantil durante o período da ditadura e em Direito em outra faculdade sendo bacharel nas duas áreas.
Kaká revela que tem uma visão histórica da sociedade brasileira e a sua atuação política, quando distante de candidaturas eleitorais próprias, foram e são realizadas com o entendimento mais amplo e generoso da sociedade, daí não querer e nem poder representar apenas o setor empresarial.
Se em 1988, teve uma expressiva votação quando disputou pelo Partido Liberal (PL), sendo o mais votado da região; em 2012 não foi muito diferente.
Disputado uma cadeira na Câmara dos Vereadores, desta vez pelo PSD, numa região onde o Partido dos Trabalhadores tem uma expressiva hegemonia e apoio, o fato dele ter ficado com menos de 1000 votos de diferença da vereadora Juliana Cardoso (PT) foi muito revelador. Teve mais apoio do que esperava, revelou.
Vale registrar que a vereadora Juliana Cardoso, também presente a festa da Gazeta, teve mais de 45 mil votos e foi a segunda melhor votada na legenda petista na cidade de São Paulo. Kaka ficou em segundo lugar na zona 357, onde ambos foram muito bem votados.
O afastamento dos holofotes e exposição ao escrutínio público como candidato por parte do Kaká não parece ter importância. “Faço e contribuo com a política a partir de anseios comuns com as pessoas. Não preciso ser candidato e nem faço questão disso”, afirma categoricamente. Para comprovar a afirmação, o empresário se afastou por um largo período das disputas eleitorais a partir de 1990 para melhor cuidar de seus negócios e família.
São Mateus é credor do poder público
“O Estado, nos diversos níveis nos deve muito”, afirma o empresário e explica: “Temos mais de 500 mil pessoas morando em São Mateus, onde somos em 240 mil eleitores. São números expressivos e com tanta gente, do ponto de vista de infraestrutura estatal de atendimento educacional, de saúde, de habitação, de segurança, para ficar apenas nesses casos, é bastante defasado e precário. Somos credores”, enfatiza.
Com esse entendimento da conjuntura e a comprovação de que Pedro Kaká é bom de palanque, poderia soar como natural, uma nova candidatura. Não as descarta, mas, insiste, que não é prioridade. “A política, a melhoria e o desenvolvimento de São Mateus, da cidade e até do país é prioridade pessoal mais importante do que ter um mandato no Legislativo. A contribuição que posso dar não depende apenas disso”, revela.
Posto nestes termos ele diz que não se incomodaria em apoiar outros eventuais candidatos, desde que estivessem afinados com interesses comuns e esses, segundo Pedro Kaká, são aqueles de gente de caráter, trabalhadora e que atenda a maioria das pessoas com justiça social, oportunidades e desenvolvimento local, entre outras necessidades.
No papel de cidadão ativo, qualquer movimentação sua mais expressiva, será por conta de uma manifestação coletiva. Como qualquer outro, Kaká também tem seus interesses, mas não entende que um mandato parlamentar seja o único caminho para isso. Adepto do trabalho, desde a mais tenra idade e de competência para os negócios, o empresário já provou que conhece.
Ao final da breve conversa, vale registrar que o empresário não guarda nenhuma frustração ou mágoas de campanha. Teve mais apoio do que imaginava o que lhe confortou e testemunhou em favor dos acertos de suas propostas. Foi mais longe, entendeu com tranquilidade os diversos apoiadores que teve em 1988, mas que não se repetiram em 2012, por conta de compromissos destes assumidos anteriormente. “Quase todos meus antigos apoiadores que não tiveram nessa campanha fizeram questão de me comunicar, explicar suas limitações e de me desejarem de forma sincera boa sorte”. “Só tenho a agradecer, fui mais bem recebido do que estava esperando e é hora de agradecer os votos recebidos”, finalizou.

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