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Archive for outubro 2012

Lideranças destacam a situação e as perspectivas para São Mateus

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A Gazeta São Mateus, como parte das comemorações do 64º aniversário desse imponente bairro na zona leste da cidade de São Paulo, buscou ouvir de algumas lideranças de diversos segmentos que compõe a sociedade de São Mateus suas considerações sobre como estão as coisas e quais são as perspectivas para essa comunidade nos próximos anos.

Até o fechamento da edição, gentilmente responderam as perguntas o escritor Germano Gonçalves, morador no Parque São Rafael há 46 anos; Clóvis Luis Chaves, que como subprefeito de São Mateus atuou nos três distritos; Antonio Carlos de Souza, morador em São Mateus há 12 anos e mantenedor do Colégio São Matheus no distrito de São Mateus e Marcelo Dória, empresário na região de São Mateus desde 1997 que administra a rede de Lojas Depósito da Lingerie.  Acompanhe as perguntas e o resumo das respostas.

GSM- Gostaríamos de saber o seu nome, ocupação e há quanto tempo mora ou trabalha em São Mateus e em qual dos três distritos?

Germano Gonçalves – Sou Germano Gonçalves Arrudas, escritor independente com o pseudônimo O Urbanista Concreto e moro a 46 anos no bairro Parque São Rafael.

Clovis Luiz Chaves: Fui subprefeito de São Mateus trabalhando mais de 5 anos nos 3 distritos.

Antonio Carlos de Souza: Moro em São Mateus há 12 anos e sou mantenedor do Colégio São Matheus.

Marcelo Dória: Sou empresário na região desde 1997. Administro a rede de Lojas Depósito da Lingerie.

GSM- Durante esse tempo em que mora ou trabalha em São Mateus quais tem sido suas maiores alegrias e maiores decepções?

GC – Minhas alegrias vêm da cultura, quando me dediquei mais ao incentivo a leitura fui descobrindo talentos que fazem arte independente e muitas associações culturais pela região que desenvolve trabalhos sociais e culturais, onde pude participar contribuindo com meus conhecimentos literários. Minhas decepções são com o serviço público que poderia olhar mais para o lado social das comunidades, em um todo, saúde, educação, segurança, esporte e lazer. Fazer sua parte. Uma sugestão fazer convênios com a indústria e o comércio da região, para que cada um cuide de uma escola, de um centro cultural, uma creche etc.

CLC – As maiores alegrias foram às obras reclamadas e agora conquistadas. Exemplos: construção de casas ou apartamentos onde eram favelas; regularização de imóveis e loteamentos como o Jardim da Conquista e outros. Canalização de esgoto. Era apenas 12%  hoje são mais de 90% canalizados. Construção e reformas de escolas, creches, AMAS, CEOS. Asfalto e recapeamento de ruas e avenidas; reforma e iluminação de vários campos de várzea como o Primeiro de Maio, Urubuzão e tantos outros. Clubes Esportivos; reforma da Avenida Mateo Bei; canal anti-enchente da Avenida Aricanduva; Riacho dos Machados; reurbanização do Parque das Flores, Jardim São Francisco, Nova Vitória, Vitotoma, entre outras. Ter acabado com a feira do rolo que tanto envergonhava São Mateus e sua gente, graças à valorosa equipe de funcionários da Subprefeitura de São Mateus. Por quatro anos seguidos conquistamos o prêmio “Manequinho Lopes” destinado à sub que mais planta árvores e cuida do meio ambiente em toda a cidade de São Paulo.

Das decepções ficaram registradas algumas obras que gostaria de ter realizado, a regularização da Vila Bela, a conclusão do resto do Riacho dos Machados, a construção do Centro Olímpico, a construção do Centro do Comércio Popular, conclusão das obras do Expresso Tiradentes.

ACS – As maiores alegrias foi a participação nas entidades representativas da nossa comunidade: sociedade amigos do bairro; Lions; Clube Diretores Lojistas; Rotary. A decepção fica por conta das entidades acima citadas, hoje, sem a representação junto à comunidade.

MD – Venho de uma família humilde e cheguei a São Mateus 15 anos atrás. Cheguei ainda adolescente e desde então acompanho o desenvolvimento da região. As muitas alegrias foram proporcionadas pelas amizades que fiz. As maiores decepções são com o descaso do poder público que acompanha a nossa região, “chega de político milionário e bairro miserável”.

GSM- Efetivamente qual o grau de dependência de serviços públicos que existem em sua comunidade, local de residência ou trabalho?

GC – Falando do meu local de residência, aqui só temos o que chamamos de cultura independente, e em um geral escassa. Gostaria de fazer do meu bairro um local conhecido pela leitura, mas para isso realmente dependemos dos serviços públicos. Investir no bairro, conhecimento os artistas que se preocupam como o bairro incentivando-os para o bem da cultura local. Outras áreas públicas também merecem atenção, conforme já mencionei.

CLC – A comunidade depende muito dos serviços públicos, escolas, creches, saúde, transporte, laser, cultura, esportes, quanto mais carente, maior é a dependência dos serviços públicos.

ACS – Pelo crescimento da nossa região a dependência fica por conta dos serviços públicos, tais como, saúde, educação, transporte.

MD- A região é carente de vários serviços públicos. Destaco a Saúde, pois as pessoas não podem ficar doentes após as 18 horas. Não tem médico. Falta de creches, a precariedade do transporte público, além de outras carências.

GSM- No seu entendimento quais são os serviços públicos mais eficientes oferecidos na região como um todo?

GC – Um dos serviços que eu acho que esta dando certo aqui na região é a AMA aqui do Jardim São Francisco. Por enquanto não tem que reclamar e fica a sugestão para ampliar e construir mais AMA’S. Os demais tipos: creche e postos de saúde estão precisando de melhorias. A segurança esta deixando a desejar. Precisamos de uma operação delegada aqui no bairro do Pq. São Rafael. A delegacia daqui, em vez de aumentar os serviços à população esta diminuindo e o atendimento é demorado, mas estamos de olho com o Conseg.

CLC – Água, esgoto, Escolas de Ensino Fundamental.

ACS – Faço uma referencia positiva com relação à segurança publica, em particular com relação a Operação Delegada.

MD – É importante destacar o trabalho dos funcionários públicos da região apesar da falta de investimentos em infraestrutura e condições de trabalho.

GSM- E quais são os serviços públicos mais deficitários e quais sugestões eventualmente o sr(a) daria para ajudar na solução desses problemas?

GC – Como já disse os postos de saúde e creches. Mais profissionais e atendentes. Existem vários estudantes na área que já poderiam estar estagiando em diversas funções. Na Educação, muitas escolas não têm professor de determinada matéria e existem estudantes de faculdade que já podem dar aulas em caráter emergencial. Veja só, na Faculdade aqui da região a Santa Izildinha tem alunos que já estão aptos para lecionar, mas o que impede é a influência e rotina dos funcionários no andamento dos serviços públicos.

CLC – Iluminação e transporte. Iluminação com a criação de equipe descentralizada com base na própria Subprefeitura. No Transporte a implantação rápida do Monotrilho vai facilitar o transporte e desafogar o transito.

ACS – Entendo que em vários locais da nossa região falta uma atenção maior ao saneamento, principalmente os córregos, os quais são esgotos sem tratamento.

MD – Prefiro falar de soluções, mais saúde – AMAS com médicos e funcionando 24hrs. Mais escolas técnicas com a sua grade curricular adequada as necessidades de mão de obra das empresas da região e a  construção de mais creches.

GSM- Determinado candidato a prefeito tem prometido que as escolhas dos subprefeitos na cidade serão feitas pelos moradores do distrito também por eleição em uma lista pré-definida anteriormente. O Sr (a) acha isso importante? Participaria dessa eleição em lista para subprefeito?

GC – Sim, acho importante, pois estamos em um país democrático que até agora a democracia só favorece o rico, seria uma maneira de a comunidade estar mais próxima dos acontecimentos do serviço público prestado e poder cobrar ao colocar uma pessoa da região, mesmo porque esta pessoa vive e convive com os problemas da comunidade. Eu participaria sim da lista, acho que demorou em se fazer algo neste sentido.

CLC – Acho que o subprefeito tem que ser de confiança do governante, gostar de trabalhar, atender pessoas, implantar as diretrizes da administração, saber que as eleições se acabam no dia da votação e que após esse dia todos devem ter um só partido “Partido de São Mateus”, a maneira da escolha do Sub não importa, importante é o desempenho no cargo.

ACS – Acho importante e necessário. O subprefeito tem que ser da região, para poder ter uma afinidade maior com a comunidade.

MD – Acredito que o governante deve estar próximo das necessidades da população, conhecer de perto o que o povo precisa. A função de subprefeito exige uma capacidade de interpretar as necessidades da sociedade e servir e atender as suas expectativas.

GSM – No seu entender o que um subprefeito deveria fazer para ouvir e melhor encaminhar as demandas dos três distritos?

GC – A primeira coisa é a agilidade em despachar documentos arquivados, entrar em acordo com o prefeito da cidade, governo estadual e até mesmo se possível federal, fazer alianças em prol da comunidade e fazer valer o seu cargo de subprefeito. Delegar visitas nos bairros dos distritos e aparecer mais para a comunidade, abrir sessões do tipo mostrar orçamento do distrito junto à população.

CLC – Muito simples, atender diretamente e indistintamente a comunidade, suas lideranças, vereadores, assessores, associações, preferencialmente agendadas com dia e horário para evitar espera demorada em anti-sala, respeito ao cidadão.

ACS – Em primeiro lugar criar um conselho administrativo com as lideranças de cada distrito, para saber das necessidades e relacionar as prioridades da região.

MD – As Subprefeituras foram grandes avanços, porém devemos otimizar os canais de comunicação entre a população e o poder público; temos que trabalhar por mais autonomia das Subprefeituras para atender de fato as necessidades da população. Exigir mais eficiência dos serviços públicos.

GSM- Do ponto de vista do desenvolvimento econômico, como o sr vê São Mateus? Algumas empresas estão indo embora, o que o sr  acha disso?

GC – Eu acho que a única razão que as empresas vão para outra localidade é a cobrança de impostos, portanto, deveria haver a redução nos tributos para quem dá emprego para a população. Incentivo fiscal para os produtos e valorização da empresa que está na região, bem como a produção para que o capital de giro circule na região, para que a mesma tenha uma economia de porte para manter aqui a indústria em evidencia.

CLC – A pujança de São Mateus é visível, a valorização de imóveis e aluguel nos últimos sete anos é enorme, comparáveis aos praticados em regiões nobres da cidade. Evidentemente, tem empresas que procuram regiões mais baratas para se instalarem, entretanto, inúmeras estão tentando vir para São Mateus.

ACS – São Mateus ainda possui áreas que podem atrair mais empresas com incentivos fiscais, e redução de impostos, tais como IPTU; ISS IPI, etc.

MD – Mais incentivos para as empresas se instalarem na periferia, tome-se como exemplo o caso do bairro do Palanque, onde empresas foram incentivadas a se instalarem na região e agora tem dificuldades de obter sua regularização junto ao poder público. A região precisa de representantes que façam mais do que nomes de ruas e praças, precisamos de vereadores preocupados em gerar mais empregos no bairro evitando que pessoas tenham que enfrentar três horas de condução para chegar ao seu local de trabalho.

GSM- E o comércio e a prestação de serviços?O sr. acha que essas atividades ainda podem crescer em São Mateus e gerar empregos para os moradores?

GC – O comércio local deve ser valorizado fazendo com que o consumidor consuma das lojas locais, não precisando se deslocar para outras localidades. Só assim o capital de giro vai circular na região. Para vender  e oferecer produtos de marca e baixos preços na região, tem que ter incentivo dos serviços públicos como melhor acessibilidade, logística para circularção de mercadorias, divulgação do comércio e uma associação dos lojistas atuante.

CLC – Está crescendo e vai crescer muito mais. Fora os incentivos dados as empresas que aqui se instalam, creio que o franco desenvolvimento ainda é maior atrativo para as empresas prestadoras de serviços ou outras.

ACS – Acredito que sim, principalmente no distrito do Iguatemi, entendo que isso vai acontecer naturalmente, principalmente com a chegada do monotrilho que vai até a cidade Tiradentes.

MD – Acredito que sim. A revitalização das avenidas comerciais da região, incentivos para a instalação de empresas de logística e relacionar a grade curricular das escolas técnicas da região com as necessidades de mão de obra das empresas.

GSM – Se coubesse ao Sr (a) uma recomendação para os moradores dos três distritos no sentido de melhorar as condições de vida e o dia-a-dia de São Mateus qual seria essa?

GC – A principal, no meu modo de ver é plantar árvores, cuidar do meio ambiente, conscientizar as pessoas de que o planeta precisa de ajuda. Outra questão é o lixo. Cobrar dos serviços públicos uma coleta seletiva nos distritos e a colaboração da população. O resto vai reivindicando e cobrando dos serviços públicos e fazendo é lógico a nossa parte.

CLC – Que continuassem acreditando que esta é uma região em franco desenvolvimento. Para tanto precisam continuar trabalhando honestamente, estudar, fazer cursos profissionalizantes ou outros, se especializarem em uma profissão, se prepararem pela educação, o solo é fértil, a região promissora, as oportunidades virão, depende de cada um fazer a sua parte

ACS – Convocar todas as lideranças dos três distritos no sentido de se unir e voltar a ter representação junto às autoridades em nossa região.

MD- Acreditar no potencial do bairro, São Mateus é vocacionado para o desenvolvimento, composto por pessoas trabalhadoras e honestas. Por mais que as pessoas estejam desacreditadas na classe política brasileira, avaliem o seu candidato(a); verifiquem se é ficha limpa, analisem seu comprometimento com o bairro, quais são os seus projetos e o seu passado. Exercite o seu direito de escolher o seu representante, pois, com certeza, a sua escolha terá impacto na vida da comunidade nos próximos quatro anos.

 

GSM – Alguma coisa a acrescentar?

GC – Duas coisas: a primeira quanto ao transporte público. O distrito do Parque São Rafael está escasso, só tem uma linha de ônibus para o terminal São Mateus, Metrô e centro da cidade.  A segunda é sobre as calçadas totalmente desiguais, esburacadas, cheia de matos e muitas não são cimentadas. Nas avenidas então até lixo se encontra. Minha sugestão é avisar aos moradores para cuidar da calçada; dar um prazo, caso não cuide a subprefeitura faz o serviço e depois manda a conta. Agradeço a Deus por morar aqui e pela oportunidade da entrevista.

CLC – Além das belezas naturais da região; rios, matas, o Morro do Cruzeiro, a topografia maravilhosa, São Mateus possui uma gente maravilhosa, hospitaleira composta das várias regiões da cidade de São Paulo, do Estado e de todo o Brasil. Aqui não existe forasteiro, são todos amigos.

ACS – Volto a frisar o subprefeito tem que ter a cara, respirar, conhecer e viver São Mateus. Se isto não acontecer vamos continuar a engolir forasteiros sem compromisso com o nosso pedaço de chão.

MD – No dia 7 de Outubro a responsabilidade estará em suas mãos, você poderá contribuir com o desenvolvimento da região. Boa escolha.

Written by Página Leste

5 de outubro de 2012 at 15:41

Publicado em Sem categoria

O pecado não está no funk, mas nos abusos

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Importante reportagem feita por Moriti Neto e Vinicius Souza, com a colaboração de Gabriela Allegrini e Maria Eugênia Sá para um blog paulistano permitiu se observar a partir de outros olhos o fenômeno do funk e os bailes nas periferias de São Paulo que em geral são encerrados pela polícia. Não basta mais olhar apenas para o desconforto de quem não é adepto e apreciador do funk e seus derivados.

A reportagem deu conta de mostrar que em certos pontos da periferia da zona sul de São Paulo e outras periferias outro lance vem acontecendo. Nesses locais, em geral entre quinta e sábado reúnem-se, depois das 21 horas, dezenas de garotas entre 15 e 23 anos, um pouco mais, um pouco menos, devidamente preparadas e turbinadas para serem levadas em ônibus fretados para baladas funk na parte rica e mais central da cidade.

A entrada nessas casas é grátis. Só não inclui o consumo de bebidas e para que as preparadas não cheguem caretas ao espetáculo os organizadores se encarregam do aquecimento das moças dentro dos ônibus. Só ou em duplas os rapazes que promovem a excursão transitam pelos corredores dos ônibus alugados servindo vodka em copos plásticos. Não deixam os copos esvaziarem e a partida é sempre por volta da meia noite.

A reportagem vai explicando que animadas com os drinks, as meninas vão se entusiasmando dentro dos seus modelitos periguetes que atualmente predomina. Vestidos justos e curtos, sandálias de grandes saltos e fortes maquiagens.

Na chegada a uma determinada boate da Vila Olímpia, quase uma hora depois de saírem das periferias em ônibus, elas causam alvoroço no trânsito nas proximidades das casas noturnas onde a frequência é de um público mais maduro. Nem sempre percebem a finalidade dessa etapa: de ficarem expostas durante pelo menos mais de meia hora na rua aos olhares masculinos. Aos poucos são liberadas para os camarotes onde se encontram com outras meninas de outros pontos da cidade.

No dia da reportagem eram cerca de 80 as que entraram de graça para animar a área VIP. No ambiente pouco iluminado, com sofás e mesas de sinuca, a proporção é de três mulheres para cada homem. Eles pagam R$ 60 de entrada ou R$ 120 com consumação e mais a bebida das moças.

Noite adentro se ouve o funk fazendo rolar solta a sensualidade. Por volta das 2h da manhã, algumas meninas estão seminuas nos cantos mais escuros da área VIP, circulando entre cigarros de maconha e comprimidos de ecstasy que também chegam às mãos de quem assim o desejar. Só por volta das 5h30 da manhã, o público começa a dispersar.

É nessa hora que as meninas despertam para o toque de recolher. Pegam o ônibus de volta ao ponto de partida e depois, dependendo do caso, arrumam outra condução que as leve para os distantes bairros e comunidades onde moram, porque não foram lá que os ônibus foram buscá-las. Os agenciadores, na noite anterior, sempre marcam um lugar menos periférico.

Contraditoriamente as moças que voltam para os seus bairros, onde, antes, elas foram proibidas de dançar o funk por conta da repressão policial motivada pelo barulho que incomoda e a presença de drogas e álcool acessível para menores de idade além do saldo de violência que costumava ocorrer nessas festas.

O que a reportagem conseguiu evidenciar vai além da contradição de que abordaremos em seguida. A de que o funk é permitido em ambientes controlados no centro e proibido nos ambientes sem controle da periferia. Segundo o parecer de um advogado consultado, nessas circunstâncias alguns crimes são cometidos. “Além do óbvio, ou seja, oferecer bebidas alcoólicas para menores fazem promoção da prostituição, mesmo que sem a percepção das meninas. Também existe incitação ao crime, o incentivo à prática da própria prostituição. É dever do Estado assegurar que isso não ocorra”, esclarece.

 

Na periferia, funk e droga podem dar cadeia

Desde 2011, em função das insistentes queixas dos munícipes a Polícia Militar montou a Operação Pancadão, batizada em referência à batida do funk e acabou com a sequência de bailes que se pretendia fazer em Campo Limpo, Heliópolis, M´Boi Mirim, Jardim Ângela e em dezenas de outras regiões periféricas na zona leste e no ABC Paulista.

Originalmente os bailes funks eram feitos em locais fechados, mas nunca apropriados o suficiente. Sem espaços foram para as ruas e diante da repressão passaram a ser realizados de surpresa e combinados de última hora sem local fixo, mesmo nos bairros onde a operação ainda não havia chegado. As informações sobre a mão pesada da ação policial que entrava em alguns locais jogando bombas de efeito moral, com tiros de borracha e spray de pimenta correram de boca em boca ou através das comunidades entre os jovens da periferia.

Em muitas dessas ocorrências se flagrou comerciantes das comunidades sendo autuados por venda de bebidas alcoólicas a menores. Nas batidas há casos de aparelhos de som dos carros sendo apreendidos. Tem faltado lugar para esse tipo específico de lazer, mas nem por isso a saída é perturbar o descanso alheio e essa é a encrenca a ser resolvida.

De uns bons tempos para cá sons de carros de alta potência transformaram carros em trios elétricos. Preparados para reproduzir música em volume ensurdecedor tornaram-se mesmo uma saída econômica para os jovens que gostam dos funks de rua. “A meninada se junta pra comprar um som de carro, pra ficar na comunidade e impressionar. Se tiram isso deles, vão pros bairros chiques, descobrem aquele mundo, se sentem o máximo. Têm história pra contar no dia seguinte. Quando a gente sente na pele a diferença de tratamento que a policia dá de um lado e de outro, quer ficar no bairro rico”, comenta na reportagem o promotor de eventos Luciano Roberto Pereira.

Enquanto isso e quando o funk é nos jardins

Tirando proveito da migração feminina construída artificialmente da periferia para os jardins, conforme explicado na primeira parte deste artigo, dezenas de casas promovem bailes para atrair jovens das comunidades. As meninas chegam aos locais em fretados e por causa da dificuldade de condução a partir de certas horas, as baladas começam às 23h para permitir que os mais esforçados cheguem de condução, mas a coisa toda mesmo acontece após as 2horas da manhã.

A reportagem quando visitou outras casas encontrou de tudo um pouco daquilo que é proibido na periferia, mas que no local parecia território liberado. Sem apreensão nem preocupações maiores os frequentadores consomem álcool, sentem cheiro ou usam de maconha a todo instante, comprimidos de ecstasy e frascos de lança-perfume rodam de mão em mão. Aqui a outra contradição: os mesmos jovens proibidos de dançar funk na periferia em bailes de rua com as autoridades qualificando com alguma razão como encontro com apologia ao uso de drogas podem usá-las livremente no bairro nobre.

Nas ruas do centro então, o funk chega, cresce, incomoda e ainda não é reprimido

Nem mesmo a já sabida estória de que os bailes de rua incomodam os vizinhos sensibiliza, por exemplo, alguns lugares no centro. Na Liberdade, por exemplo, nas proximidades de uma grande faculdade particular, acontecem bailes quase todos os dias com um público de classe média. Em geral estudantes da instituição. “Os carros param nos bares, abrem os porta-malas com volume alto e por lá bebidas, drogas e menores se confundem”, registra de forma anônima um dos seguranças da instituição.

Sem viaturas de polícia circulando com maior frequência, quando passam costumam recomendar baixar o volume, mas de novo é aumentado logo que a viatura desaparece. A situação nesta e em outras faculdades, na Barra Funda, na Mooca e na Consolação torna-se incontrolável às sextas-feiras.

Como os jovens das periferias, também buscam diversão. O sexo rola dentro de carros com vidros escuros, mas a caso de drogas consumidas nas ruas. Além de não sofrerem nenhuma sanção policial, as festas em algumas ocasiões, conta até com o apoio informal da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) que fecha os acessos dos carros às ruas para garantir a segurança. (JMN)

Written by Página Leste

3 de outubro de 2012 at 17:09