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Obra ficcional mergulha nos porões secretos do Judiciário

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Imagem da capa do livro

Decisão judicial se cumpre, não se discute. Fato. O que também não se discute _mas se deveria, seja por medo, seja por costume são as decisões e os caminhos, nem sempre probos que juízes têm licença para percorrer. Principalmente, se as questões em tela forem de natureza privada que, em princípio, enganosamente, se acredita dizer respeito apenas aos envolvidos.
É nessa esfera, pouco iluminada que eventuais juízes, inescrupulosos, dão de ombro à jurisprudência, a correção, a lisura e fazem suas mutretas para chegar a diversos caminhos: operar contra a justiça, promover favores e receber (in)justas prendas, normalmente pecuniárias pelo despacho final.
Acima do bem e do mal, o Judiciário reina absoluto, sempre refratário a questionamentos e vigilância da sociedade. Ungidos a deuses, posam de ofendidos quando qualquer forma de vigilância sobre o seu trabalho é colocado na pauta da sociedade.
É no sentido dessa revelação e denúncia que é muito bem vindo o livro Nas Sombras da Justiça, de Daniel Carajelescov, pela RG Editores que acabou de sair. Não tem como não ser leitura obrigatória para todos nós, simples mortais, que não temos pedigree suficiente para digerir as informações pelo lado de dentro, mas, preferencialmente, para os operadores de direito.
Com mestrado em Direito Penal, vinte e cinco anos de serviços prestados como Procurador no Estado de São Paulo, Carajelescov organiza testemunhalmente em sua obra ficcional um roteiro romanceado de como as coisas podem fugir do controle na esfera que deveria ser a tão nobre e desejável competência no Judiciário.
Carajelescov revela no livro um pouco dos desvios desse poder refratário ao controle social. Se não reproduz exatamente ocorrências que testemunhou ou tomou conhecimento ao longo de tantos anos de Procuradoria e outros tantos advogando, apenas o faz para evitar gasturas indesejáveis ao leitor. Ao contrário, entrega para o deleite e, principalmente à reflexão, o que podemos chamar de muitas observações ligeiramente ficcionadas, mas bastante pertinentes.
O livro indica claramente situações que exigem a necessidade de mudança, apesar da resistência que o corporativismo da categoria vai empreender. Que o façam! Entretanto, seria desejável que não o fizessem. Que a magistratura, durante o exercício de suas funções, busque, tanto quanto possível, ser fiel aos preceitos e a jurisprudência disponível e que juízes não abusem do tão recorrente argumento do “seu livre convencimento” para arrepiar o que diz a Lei.
Dessa maneira, o livro pode significar um libelo contra a falta de lisura, precisão, celeridade e síntese emanadas de muitas sentenças que, acreditem, estão sendo proferidas ainda agora. O que a sociedade exige e espera desse tão importante poder moderador é exatamente o seu contrário. Tem que estar a serviço da comunidade em suas várias vertentes e promover a garantia da justiça e da Lei.
Como resultante literária, o livro evidenciará durante o transcorrer de suas páginas a trama, os diversos papéis e indicações claras das eventuais margens de manobra ao arrepio da Lei. A sua leitura e principalmente ação a partir dele é desejável para que se desconstrua a sacralidade que envolve esse poder.
Que a leitura de Nas Sombras da Justiça sirva principalmente para que os operadores do direito façam uma reflexão e ações no sentido de reconduzir esse poder para onde a sociedade espera. São apenas 310 páginas de uma leitura agradável que ao final conduzirá o leitor a ver com outros olhos esse imponente e mais paroquiano entre os poderes. (JMN)
Serviço: O livro poderá ser adquirido na RG Editores, (11)3105-1743, e-mail: rgeditores@yahoo.com.br

Written by Página Leste

6 de agosto de 2012 às 16:16

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