Archive for agosto 2012
Aceitamos críticas, não ofensas e xingamentos
Em abril /maio de 2012 a diretora do jornal Gazeta São Mateus teve o desprazer de receber uma cópia de um videozinho onde uma suposta liderança da região passava e muito dos limites da educação, do direito em determinada reclamação.
Para dar conta de responder publicamente expusemos em forma de opinião na edição342 do referido jornal.
Recentemente tive o desprazer de receber um videozinho feito por um cidadão morador das proximidades do Córrego Riacho dos Machados que, de forma acintosa e desrespeitosa, soltou uma série de impropérios de natureza pessoal a ponto de diante do descalabro e do exagero eu ter que apelar para a minha assessoria jurídica se devemos deixar para a Justiça se pronunciar sobre as eventuais ofensas.
Um dos principais questionamentos feito no vídeo dava conta de que eventualmente em reportagem recente, onde entrevistamos uma liderança da comunidade do Riacho dos Machados enfocando alguns, eu disse, alguns aspectos das prometidas obras prometidas em seu leito que ainda estão pendentes de serem feitas, faltaram outras abordagens. Vale já adiantar que isso é comum em qualquer reportagem. A edição decide por apenas alguns aspectos entre as questões.
O que exalou da matéria da Gazeta por ter dado vez, voz para uma liderança devidamente identificada não pretendia e nem conseguiria dar conta de todos os detalhes que envolvem a questão. Coube ao entrevistado falar o que ele assim o desejou na ocasião e não podemos nós ser responsabilizados por isso.
Como resultado o que se viu com a ira do produtor do vídeo foi o incômodo quanto ao fato de determinado trecho do córrego não ter sido objeto da reportagem nessa e eventualmente em outras ocasiões. Essa decisão, sobre o que quer enfocar cabe, exclusivamente, a redação do jornal e não seremos pautados por quem quer que seja, mesmo que se imagine falando grosso.
Ademais, o jornal com as limitações que tem e, vale lembrar que até a grande mídia, em um determinado ponto, também tem suas limitações, nunca pretendeu e nem nunca se declarou o grande big brother que pudesse ou quisesse acompanhar a tudo e a todos o tempo todo.
Se o queixoso mostrou-se inconformado com a nossa possível ausência na comunidade e no acompanhamento das possíveis problemáticas que esta enfrenta, ele teria que ter claro, e assim manda os bons modos, os limites e as formas de evidenciar as suas queixas e elas, seguramente, como mostra o vídeo passou e muito dos limites.
Nunca nos arvoramos e dissemos a quem quer que seja que cobríamos jornalisticamente todos os cantos, rincões e mocós de São Mateus. Sequer teríamos uma perna para isso. Também nunca nos arvoramos a dizer que todas as questões de natureza comunitária ou social seriam reportadas em nossas páginas. Sequer teríamos a segunda perna para isso.
Por outro lado, nesse difícil ofício de fazer um jornal, com essa abrangência modesta, sabemos, não chegaria a completar 18 anos de existência ininterrupta se fosse tocada com vagabundagem, ou por uma vagabunda conforme foi insinuado.
Existem outras insinuações graves que não vale a pena aborrecer os leitores com elas, porque delas poderá se ocupar o Judiciário, caso nossa assessoria jurídica resolva acioná-lo.
Vale mesmo é lembrar que no ofício da imprensa e, da regional, principalmente, são demais os perigos dessa vida. E entre eles, o principal é que repórter, os editores e o próprio veículo estão constantemente sujeitos as tentativas de manipulação por parte de suas fontes, dos entrevistados, dos não entrevistados, dos políticos e não políticos com seus interesses não confessados sejam eles legítimos ou não.
Não é a primeira vez e não será a última que pessoas com seus interesses – afinal, em geral, no mínimo moram nas áreas envolvidas se queixam de nós _e de todas as outras mídias, que não prestam atenção a eles e seus assuntos. Vale ressaltar que nem sempre é porque preferimos limão ao invés de laranja. É que às vezes não temos nem a primeira nem a segunda perna para saber, acompanhar e reportar tudo de todos.
Alguns, quando não contemplados reclamam, outros passam dos limites. A estes últimos, bons modos, educação e respeito só podem fazer bem as partes.
Obra ficcional mergulha nos porões secretos do Judiciário
Decisão judicial se cumpre, não se discute. Fato. O que também não se discute _mas se deveria, seja por medo, seja por costume são as decisões e os caminhos, nem sempre probos que juízes têm licença para percorrer. Principalmente, se as questões em tela forem de natureza privada que, em princípio, enganosamente, se acredita dizer respeito apenas aos envolvidos.
É nessa esfera, pouco iluminada que eventuais juízes, inescrupulosos, dão de ombro à jurisprudência, a correção, a lisura e fazem suas mutretas para chegar a diversos caminhos: operar contra a justiça, promover favores e receber (in)justas prendas, normalmente pecuniárias pelo despacho final.
Acima do bem e do mal, o Judiciário reina absoluto, sempre refratário a questionamentos e vigilância da sociedade. Ungidos a deuses, posam de ofendidos quando qualquer forma de vigilância sobre o seu trabalho é colocado na pauta da sociedade.
É no sentido dessa revelação e denúncia que é muito bem vindo o livro Nas Sombras da Justiça, de Daniel Carajelescov, pela RG Editores que acabou de sair. Não tem como não ser leitura obrigatória para todos nós, simples mortais, que não temos pedigree suficiente para digerir as informações pelo lado de dentro, mas, preferencialmente, para os operadores de direito.
Com mestrado em Direito Penal, vinte e cinco anos de serviços prestados como Procurador no Estado de São Paulo, Carajelescov organiza testemunhalmente em sua obra ficcional um roteiro romanceado de como as coisas podem fugir do controle na esfera que deveria ser a tão nobre e desejável competência no Judiciário.
Carajelescov revela no livro um pouco dos desvios desse poder refratário ao controle social. Se não reproduz exatamente ocorrências que testemunhou ou tomou conhecimento ao longo de tantos anos de Procuradoria e outros tantos advogando, apenas o faz para evitar gasturas indesejáveis ao leitor. Ao contrário, entrega para o deleite e, principalmente à reflexão, o que podemos chamar de muitas observações ligeiramente ficcionadas, mas bastante pertinentes.
O livro indica claramente situações que exigem a necessidade de mudança, apesar da resistência que o corporativismo da categoria vai empreender. Que o façam! Entretanto, seria desejável que não o fizessem. Que a magistratura, durante o exercício de suas funções, busque, tanto quanto possível, ser fiel aos preceitos e a jurisprudência disponível e que juízes não abusem do tão recorrente argumento do “seu livre convencimento” para arrepiar o que diz a Lei.
Dessa maneira, o livro pode significar um libelo contra a falta de lisura, precisão, celeridade e síntese emanadas de muitas sentenças que, acreditem, estão sendo proferidas ainda agora. O que a sociedade exige e espera desse tão importante poder moderador é exatamente o seu contrário. Tem que estar a serviço da comunidade em suas várias vertentes e promover a garantia da justiça e da Lei.
Como resultante literária, o livro evidenciará durante o transcorrer de suas páginas a trama, os diversos papéis e indicações claras das eventuais margens de manobra ao arrepio da Lei. A sua leitura e principalmente ação a partir dele é desejável para que se desconstrua a sacralidade que envolve esse poder.
Que a leitura de Nas Sombras da Justiça sirva principalmente para que os operadores do direito façam uma reflexão e ações no sentido de reconduzir esse poder para onde a sociedade espera. São apenas 310 páginas de uma leitura agradável que ao final conduzirá o leitor a ver com outros olhos esse imponente e mais paroquiano entre os poderes. (JMN)
Serviço: O livro poderá ser adquirido na RG Editores, (11)3105-1743, e-mail: rgeditores@yahoo.com.br
