Usuários e trabalhadores da categoria protestam contra a situação de saúde
Na manhã do dia 04/05 lideranças dos trabalhadores, representantes de conselhos de saúde realizaram protesto em frente à UBS Jardim Laranjeiras, em São Mateus contra a precária situação das unidades
Sindicatos ligados a categoria de servidores municipais de saúde da cidade e do Estado de São Paulo, movimentos e pastorais sociais e ainda moradores promoveram no dia 04/05 um protesto contra as condições de trabalho e atendimento em frente à UBS do Jardim Laranjeiras no bairro de São Mateus. A iniciativa faz parte de um esforço desses setores em sensibilizar a sociedade e principalmente a prefeitura, governo do estado e os legislativos sobre a difícil situação em que se encontram para dar conta da política do sistema único de Saúde – SUS.
A vereadora Juliana Cardoso (PT/SP) compareceu e apoio o ato. Lá estiveram também assessores de parlamentares e pré-candidatos à Câmara Municipal de São Paulo.
Falando pelo Sindisaúde, uma médica identificada apenas como Dra. Vânia fez extenso relato sobre a situação em que se encontra a saúde pública indicando que “A consciência nos obriga a fazer algo para ter melhorias no setor. Temos um Produto Interno Bruto – PIB que está em 6ª melhor colocação no mundo, entretanto estamos muito mal de saúde. Estamos a nada, minguando e precisamos chamar a atenção das autoridades”. Com mais de 20 anos de serviço público, a médica denunciou parte das deficiências do sistema que vão desde a falta de material de consumo diário até a exploração do trabalhador e baixos salários. “Há muita coisa para ser corrigida e melhorada e não dá para ficar parado”, concluiu.
A exploração da mão de obra, de médicos, por exemplo, também foi lembrada por um orador. “Em função dos baixos salários, temos colegas médicos que são obrigados a fazer, dupla, tripla jornada para poder ganhar o suficiente e que justifique tanto esforço de estudo. Em função disso, com pouca gente atendendo a tanta procura a qualidade nem sempre é a melhor”.
Como grande arrecadador de impostos era esperado que a cidade de São Paulo pudesse reverter melhores serviços na área da saúde, entretanto, segundo os manifestantes não é isso o que ocorre. “Somos contra a terceirização da Saúde e precisamos além de correção salarial que o SUS seja implantado em sua totalidade”.
Durante o ato, outra dirigente sindical, a psicóloga Aracy conclamou os servidores da UBS a aderirem à manifestação, entretanto, o resultado não foi o esperado. Possível receio de represálias e um número elevado de usuários naquele momento dentro do posto. A dirigente não desanimou e reforçou os apelos para que as mobilizações na cidade continuem no sentido de pressionar o poder público para melhorar o sistema. Lembrou, ainda, de denunciar que as atuais administrações; da cidade pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) e do governo estadual, pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem se recusado a assumir convênios com o Ministério da Educação, por exemplo. ”Foi por conta dessa omissão que as anunciadas 142 novas creches na cidade de São Paulo é obra de ficção”, sentenciou.
Vereadora diz que SUS ainda é novo e precisa de apoio
Convidada a se manifestar a vereadora Juliana Cardoso (PT/SP) explicou que o orçamento da cidade de São Paulo está em R$ 38 bilhões e que destes 6 bilhões para a área da Saúde. “É uma arrecadação fantástica, portanto, a alegação de falta de recursos é falsa. O que falta é até fácil de ver: número insuficiente de médicos; falta de materiais básicos, como sabonetes nos lavabos dos consultórios para higiene e até mesmo aparelho de Raio-X”.
Os transtornos da unidade, a exemplo de outros na região não é novidade. Segundo a vereadora o conselho gestor da unidade, a comunidade organizada e as pastorais têm levado os problemas ao conhecimento da supervisão de Saúde e “em geral eles respondem que é falta de dinheiro. Como falta de dinheiro”, indaga-se . O problema dos agendamentos para um período distante muito distante também foi lembrado como problema. “A supervisão também alega que as pessoas deixam de comparecer. Pode até ser, mas às vezes tem outros motivos”. Concretamente as pessoas podem desistir, sarar, esquecer e até mesmo não ter condições de se locomover no dia marcado.
No fundo da questão mesmo, conforme a vereadora retratou, foram os percalços na implantação do SUS. Para tanto lembrou das administrações Maluf e Pitta e, posteriormente com Serra e Kassab que não se empenharam na implantação do programa. Nesse meio tempo, segundo ela, a ex-prefeita Luiza Erundina e Marta Suplicy tentaram retomar o programa que haviam sido interrompidos.
Conselheiro de saúde diz que governo municipal não quer reconhecer a constituição
Raimundo é um dos conselheiros municipais de saúde eleito em processo aberto, mas que até agora o conselho não foi reconhecido pelo Executivo. “Cumprimos toda a legislação. A constituição federal, outras leis e a essência do Sistema Único de Saúde – SUS é a participação popular e organizada através de conselhos eleitos. Mesmo assim, em São Paulo, temos essa dificuldade de não sermos reconhecidos, com o Executivo entrando com recursos e mais recursos contra”. O conselheiro disse que estão recorrendo ao Ministério Público para que a participação, definida em Lei, seja respeitada, mas considera que isso não se dará sem luta.
“Com maior controle social, os desmandos podem ser evitados. Não conseguimos ainda a indicação dos representantes da sociedade na Supervisão Técnica da região, conforme determina a lei. A Prefeitura sempre coloca obstáculos”. Sem essa participação, considera a liderança, é difícil ter uma informação clara e precisa sobre todos os problemas, sobre toda a demanda e os possíveis encaminhamentos que pudesse resolver parte dos problemas. Foi em função disso, da insatisfação dos usuários, trabalhadores das unidades e da própria saúde da política de saúde, que a comunidade e as organizações têm protestado.
O que se deseja são transparência e condições mínimas
Ficou claro durante o ato do dia 04 que: melhores salários, maior número de profissionais com equipe mínima de três clínicos gerais, três pediatras, três ginecologistas e dentistas, transparência e participação são o caminho para retomar o que a saúde poderia ter de melhor que é o sistema único de saúde – SUS para todos.
“O que se sabe é que uma das melhores propostas de atendimento a saúde pública feita no mundo, o SUS, ainda é vítima de problemas sérios, entre eles, o equívoco de fazer repasses a atendimentos não universais e renúncia na arrecadação de impostos com despesas médicas que, ao final, por não ser de graça sai do dinheiro dos impostos que todos pagam, mas que beneficiam setores empresariais”. Nota da redação


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