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Fórum em Sapopemba pede subprefeitura própria

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Sapopemba é um dos bairros paulistanos mais adensados. Mora, trabalha, circula e se relacionam socialmente por lá tanta gente que diversas lideranças retomaram antiga luta que ficou parcialmente o ostracismo atrás de conseguir a instalação e funcionamento de uma subprefeitura própria desmembrada da atual que compartilha com a Vila Prudente.

Por conta dessa articulação os membros do Fórum Social de Desenvolvimento de Sapopemba, nome fantasia que agrega esses esforços fizeram reunião no dia 27 de fevereiro na Escola Mundo da Música, na Avenida Sapopemba, gentilmente cedida pelos seus proprietários também entusiastas da reivindicação.

Entre dezenas de lideranças também lá estiveram Paulo Monteiro, Professor Matias, Professor Lima, representantes do Rotary Sapopemba, o ex-prefeito de São Mateus, Clóvis Luis Chaves, Laura Kamikaki e Bete, respectivamente liderança e presidente do PSDB de Teotônio Vilela; Márcia Gusmão, liderança comunitária, Milton, presidente do PT Sapopemba, Pastos Nando, da Assembléia de Deus da Fazenda da Juta, professor Zacarias, lideranças religiosas e de pastorais do bairro, Cleide em nome dos servidores públicos aposentados que trabalharam na subprefeitura de Vila Prudente, lojistas, comerciantes e a vereadora Juliana Cardoso e o deputado estadual Zico Prado, ambos do PT. Via de regra, todos se posicionaram favoráveis a criação da subprefeitura de Sapopemba. A composição da mesa que coordenou a reunião foi feita a partir da seleção de algumas entre essas lideranças.

Primeiro a se manifestar após convite da coordenação o deputado Zico Prado elogiou a iniciativa da comunidade, não sem antes lembrar que mora em São Mateus, bairro próximo desde 1979 e reconhecer as dificuldades por que passam os moradores e as lideranças moradoras em bairros da periferia quando tem que se dirigir ou reivindicar junto ao poder público, mesmo que parcialmente descentralizado. O deputado lembrou que essas dificuldades não vêm de hoje. Para isso relatou as dificuldades e a demora para a realização do seu projeto que criava um cartório de registro civil próprio para a região. Não menos que oito anos.  O deputado entretanto alertou aos presentes para que entendam que não basta a chegada de prédio ou estrutura própria para o bairro. “Tem que ser com alguma autonomia, receita e algum poder de deliberação na região. Apenas um prédio bonito e pouco eficiência não deve interessar ao bairro”, indicou.

A vereadora Juliana Cardoso reafirmou a indicação anterior do deputado e lembrou antes da tradição de lutas populares na região leste de São Paulo, na qual Sapopemba está inserida. Para ela as dificuldades e as demandas populares mesmo que diferentes das de anos atrás ainda fazem sentido e são necessárias como exercício da cidadania. A reivindicação, então, de uma subprefeitura própria para descentralizar o atendimento do poder público faz sentido para criar condições para desenvolver a região. “O prefeito Kassab, já se manifestou não favorável a criação de novas subprefeituras, mas o período eleitoral que se aproxima é um bom momento para se pressionar contra isso”, sugere.

A coordenação da mesa aproveitou a deixa para lembrar que todos os vereadores e, principalmente, parlamentares com alguma proximidade com a região foram convidados a participar. Segundo este, dias antes da reunião em curso correu um boato de que alguns vereadores desautorizaram sequer a presença de seus assessores no evento.

Ainda no início do encontro, o ex-subprefeito de São Mateus, Clóvis Luis Chaves também endossou a reivindicação, desde que seja esta a vontade da comunidade e destacou o trabalho suprapartidário que pode estar em curso nesse esforço. Para ele, ligado ao PSDB, não há nenhuma dificuldade em trabalhar em conjunto com os petistas presentes. “É o que indica a relação correta e amistosa que tiver com a vereadora e o deputado aqui presente”, lembrou.

Lideranças destacam retomada da luta

O representante do Rotary na reunião lembrou das dificuldades em “implorar para a Vila Prudente” determinadas coisas necessárias a Sapopemba. “A nossa reivindicação é muito justa, porque necessária. O tamanho da nossa região e nossa representatividade já faz por merecer uma sub própria e faz tempo”, indicou. Na mesma direção falou o coordenador de Educação do NAE 8 que insistiu na necessidade de desecentralizar o poder da prefeitura para as regiões, com forma de contribuir com o desenvolvimento destas. “Será uma forma de viabilizar a discussão e a adoção de projetos inovadores e responsáveis para a nossa comunidade”.

A seguir falaram representante da imprensa local e de esportes em apoio. Um mestre da arte marcial identificado como Capoeira inaugurou uma série de depoimentos que lembrou aos presentes o quanto essa demanda é antiga. “A gente levantava essa reivindicação e por diversas vezes o assunto era abafado por algumas lideranças, mas principalmente pelos prefeitos de antes. Mesmo contando com o apoio do vereador petista João Antonio que apresentou um projeto de ampliação do número de subprefeituras para a cidade de São Paulo, que contemplaria Sapopemba, a coisa não prosperou na Câmara, fora às vezes em que foi vetado pelo executivo.

Entre os organizadores do encontro alguns estão com a incumbência de tentar resgatar, mesmo que parcialmente os termos do projeto do ex-vereador e atual deputado estadual. Certamente a executiva formal ou informal do Fórum deve apresentar algum resultado desse assunto.

Entre os presentes, um deles, exibindo conhecimento legal dos mecanismos de uma possível tramitação dessa demanda na Câmara Municipal, historiou em que condições se chegou ao atual número de subprefeituras e como os projetos tramitam para eventual aprovação na Câmara. Para tanto reivindicou a Lei Orgânica, em seu artigo 34, parágrafo II que indica que o assunto em pauta tem que ser votado e aprovado em duas etapas por pelo menos 2/3 dos vereadores. Na verdade fazia essa explanação para indicar que além da pressão popular junto à sociedade e desta junto a Câmara e ao Executivo será preciso cumprir aspectos legais.

“Sapopemba merece sua subprefeitura”, bradou uma das lideranças femininas presentes que a reportagem não conseguiu identificar, mas que testemunhou até uma conversa com o ex-prefeito Paulo Maluf que dá uma idéia aproximada de quantas décadas esse assunto é pauta entre as lideranças. “Sapopemba não pode continuar perdendo e isso vem ocorrendo por conta também da falta de uma subprefeitura própria” indicou a liderança sendo apoiada quase que por unanimidade.

O que se viu e escutou a seguir foi um desfile de depoimentos de lideranças comunitárias, religiosas, lideranças ligadas ao PSDB e ao PT reafirmando a disposição para continuar na luta pela conquista da subprefeitura. Antes, aliás, desde reunião anterior reportada em edição anterior de nosso jornal, as pessoas querem o comprometimento público dos eventuais candidatos nas próximas eleições; tanto aos candidatos à Câmara dos Vereadores, como dos candidatos a prefeito. “Eles terão que dizer de que lado estão e se comprometer” é a senha para participar ou não do movimento.

Fim do encontro indica que a luta ganha corpo

Ao final do encontro alguns comentários extras fecharam a conversa. A vereadora Juliana Cardoso, lembrou que a atual administração sequer usou todos os recursos já previstos no orçamento para a região o que é mais uma demonstração da fragilidade de um bairro tão expressivo não ter sua própria subprefeitura.

Já Clóvis Chaves remeteu-se a lembrança no início do encontro sobre a necessidade de a eventual subprefeitura de Sapopemba ser muito mais que prédio e alguns servidores. Será preciso autonomia, alguma verba, vontade política e prestigio. (JMN)

Written by Página Leste

1 de abril de 2012 às 18:29

Publicado em Sem categoria

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