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Os números podem ser maiores

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Melhora o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual

Notícias recentes dão conta que em 10 anos triplicou o atendimento de crianças vítimas de abuso sexual em São Paulo. Para alguns de nós que tivemos educação dentro de casa, mesmo antes de irmos para as escolas, em igrejas para aqueles que professaram ou professam alguma religião e depois nas escolas regulares, abusar sexualmente de crianças está entre as maiores barbaridades que se pode cometer.

Quando li essas notícias tive duas reações. Uma triste de imaginar mais de mil crianças no ano de 2011 tendo sido vítima de perversão, porque para mim outro nome não tem. Fiquei imaginando o sofrimento, a humilhação e os traumas que serão carregadas pelas vítimas durante todo o restante de sua vida. A outra, feliz, de saber que essas vítimas ou suas famílias tiveram coragem de denunciar e de procurar ajuda que em São Paulo pode ser obtida, principalmente, passando pelas portas do Hospital Estadual Perola Byington.

Os dados da pesquisa mostra que só o número de atendimento a adolescentes entre 12 e 17 anos de idade houve um crescimento de 52%. Se em 2001, 352 crianças foram atendidas, em 2011 esse número já era 1088. Entre os adolescentes, foram 198 casos em 2001 e 759 em todo o ano de 2011.

Para o coordenador do Núcleo de Violência Sexual do Pérola Byington, o médico Jeferson Drezett a mudança cultural da sociedade passando a repudiar publicamente o abuso sexual começou a criar uma disposição maior de vigilância por parte de pais, professores e responsáveis. “Houve uma mudança cultural no país nos últimos dez anos em relação ao abuso sexual contra criança, que antes era encarado de forma velada e que passou a ser repudiado publicamente. Na mídia, era um tema pouco falado dez anos atrás e que hoje tem um apelo muito forte no noticiário”, diz Drezett.

O que não foi dito nas notícias e nem tinha muito porque mesmo, é que, além dessa vigilância da sociedade entre cuidadores de criança, como pais, professores, vizinhos, avós, vizinhos, avós o Serviço Único de Saúde – SUS tem um programa, o Sistema Nacional de Notificações – Sinam, que é obrigatório funcionar em todos os municípios com determinada quantidade de habitantes. Tanto é assim que além de São Paulo praticamente todos os municípios da Grande São Paulo o desenvolvem.

O Sinam é um sistema de notificações de várias espécies de agravos como dengue, leptospirose, acidentes de trabalho, tantos outros e, também, violência doméstica que inclui a sexual. É obrigatório fazer a notificação na porta do atendimento, ou seja, na unidade de saúde que foi procurada pela vítima. As informações servirão para alimentar uma estatística nacional, para gerar políticas públicas de prevenção e principalmente de provocar o acompanhamento e a investigação de cada caso grave.

Em geral o primeiro atendimento é feito a partir da observação do atendente da ocorrência, do médico, do psicólogo ou da assistência social. A partir da desconfiança de possível violência, uma série de encaminhamentos é possível, desde polícia, Instituto Médico Legal, hospitais como o Pérola Byington e conselho tutelar que deverá acompanhar todo o desenrolar o caso.

Como se vê mecanismos existe. Tratamentos e acompanhamento também são possíveis, entretanto, os números revelados podem ser apenas a ponta do iceberg. Deve haver muitas ocorrências não notificadas. Casos em que as crianças ou as famílias ainda escondem.

Fora isso a violência sexual contra criança e adolescente devem ser mantidas com crime hediondo e ser tratado com todo o rigor que a lei permitir. No mais, que todos protejamos as criançinhas.

Written by Página Leste

26 de março de 2012 às 13:35

Publicado em Sem categoria

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