Novos tempos para o Parque Zilda Arns?
Cerca de dois anos depois de sua inauguração com a presença do então governador de São Paulo, José Serra e do Prefeito da Cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, o Parque de Integração Zilda Arns, um investimento de R$ 22 milhões de uma parceria entra a Sabesp e a Prefeitura, foi objeto de reportagem da TV Globo que mostrou o abandono em que o complexo se encontrava.
Construído junto à tubulação da Sabesp, a intervenção para construção do parque foi em 7,5 quilômetros de extensão em uma área de 224 mil metros quadrados. Deveria oferecer esporte, lazer e cultura simultaneamente a proteção da adutora gerando maior conforto e segurança para as comunidades envolvidas da Vila Prudente, Sapopemba e São Mateus.
A previsão era de que mais de 300 mil pessoas fossem beneficiadas com pistas de caminhada, ciclovias, bicicletários, quadras poliesportivas, de bocha e malha, mesas de dama e xadrez, parquinhos, campos de futebol, pista para skate, postos para Polícia Militar, praças e espaço para eventos.
De antiga reivindicação da comunidade que, com a duplicação da adutora, pedia a urbanização da área; dois anos depois, pode a reportagem mostrar o descaso e abandono que o local se encontra. Se nos primeiros dias as coisas funcionaram conforme previsto nos planos, com o tempo e o descaso da Sabesp e colateralmente do poder público com a manutenção do espaço, a sua utilização foi sendo desvirtuada ou abandonada. Como exemplos a reportagem da TV pode flagrar: motociclistas usando as pistas de caminhada como forma de encurtar distâncias e guaritas e banheiros públicos abandonados e depredados.
Efetivamente, a reportagem da Gazeta São Mateus, há tempos, vem sentindo e constatando a sub e má utilização do espaço por conta e responsabilidade da própria comunidade que, para variar, não sabe dar valor aos equipamentos públicos. “Como não é meu, nem está no meu quintal é de ninguém e não tenho porque cuidar”, reproduzem criticamente essa mentalidade para a reportagem os moradores mais conscientes. “É isso que escutamos”.
É uma pena que essa demonstração de falta de cuidado com a coisa pública seja tão fácil de comprovar. Dois anos depois da inauguração o que a reportagem da TV não disse em todas as suas letras é sobre esse comportamento condenável e irresponsável da própria comunidade.
O que vem por ai
Durante a reportagem, no início deste ano, o supervisor de negócios de produção de água da Sabesp, Marco Antônio Lopes Barros disse que os problemas serão resolvidos. “Uma das primeiras ações que a Sabesp vai fazer de recuperação é a pista de skate. A gente se compromete a fazer o desentupimento dela e a recuperação de alguns buracos que tem na pista”.
O mais emblemático, entretanto, é a negociação que a Sabesp está empreendendo para passar a responsabilidade da manutenção do parque para a Secretaria do Verde que, a princípio, aceita essa transição após a Sabesp assumir seus compromissos com a manutenção e a execução das obras mais complexas a ser entregues para ficar próxima das condições em que o parque foi entregue na sua inauguração. Isso incluirá a reconstrução de banheiros e guaritas, por exemplo.
Em relação à falta de segurança, a Polícia Militar informou que não usa os quiosques do Parque Zilda Arns porque eles não atendem os requisitos técnicos para a instalação de postos policiais. A PM disse que há três postos policiais ao longo dos 7 km do parque e que existe uma base comunitária próxima à Avenida Arquiteto Vila Nova Artigas. Espera-se que esse contingente possa ter alguma atenção para com o que venha a ocorrer no parque.
É ver e acompanhar como será essa próxima fase desse importante equipamento. Tomara que a população convença-se da importância de fazer a sua parte na sua manutenção. É um equipamento público, usado por todos, mas principalmente por eles próprios. (JMN)
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