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Por conta da Copa comunidades são ameaçadas de remoção e se articulam

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Cerca de 10 comunidades, entre favelas e ocupações irregulares na zona leste da cidade de São Paulo, poderão deixar de existir por conta das obras viárias que serão feitas como complementares a instalação do estádio do Corinthians. Para o futuro estádio de um dos times mais populares do Brasil está previsto a abertura da copa do mundo em 2014, caso, é claro, consigam entregar a arena pronta até o prazo definido pela FIFA.

Serão abertas e ampliadas vias de acesso até o local que junto com a instalação de parques lineares e outras benfeitorias fazem parte de um pacote incerto de ações que visam o desenvolvimento sustentado local. O comportamento do governo nos diferentes níveis tem sido de omissão e ausência de respostas definitivas aos questionamentos das comunidades e entidades organizadas que ao final apóiam o desenvolvimento local tal qual vem sendo divulgado de forma difusa. Apenas querem que esse desenvolvimento se estenda a sociedade como um todo e não apenas aos setores empreendedores e de capital.

Tão incertas são essas ações que, entidades representativas vem discutindo, se organizando e se fortalecendo para acompanhar e, tanto quanto possível, interferir e opinar nessas modificações que dizem respeito a todos. A única certeza é que, empreendimentos e interesses milionários já operam com estratégias e lobbies para garfar fatias dos recursos que serão alavancados em todo esse processo, notadamente, os recursos públicos carreados pelos governos federal, estadual e municipal.

Nesse sentido mais de 60 pessoas se reuniram em salão de igreja católica no centro de Itaquera, convocadas pelo Movimento Nossa Itaquera para articular os principais interessados que são os moradores das comunidades da Paz, da Cidade Líder, Francisco Munhoz, Três Cocos, Goiti, Pacarana/Zorrilho, Caitetu e Vila Progresso / Parada XV em ações que possam; primeiro resistir ou negociar em condições mais adequadas as remoções que já estão às vésperas de acontecer, como é o caso da vila Progresso e; segundo, para que as famílias a serem removidas tenham alternativas viáveis de mudança.

Antes, porém, as comunidades reiteraram que não estão contra os planos de desenvolvimento da região já reclamados há muito tempo, mas, sim, fazem questão de tentar assegurar que esse desenvolvimento seja democrático e alcance, com suas especificidades, principalmente, os setores mais carentes.

Como encaminhamento para parte das lideranças ficou agendadas tarefas que vão desde congregar o maior número de moradores em futuras e pontuais ações de massa, providenciar um levantamento em cada uma dessas comunidades de quanto e quem são essas pessoas e encontros periódicos.

 

Apoio aos casos mais urgentes

Reuniões preparatórias e ações específicas foram agendadas em cada uma dessas comunidades de acordo com a sua situação atual, ou seja, em atenção ao “quanto à batata ta assando” em cada caso.  Em situação crítica, por exemplo, estão cerca de 110 famílias na Vila Progresso que devem acionar ainda esta semana a Defensoria Pública para acompanhar o desenrolar da situação. De prontidão já estão lá alguns advogados dos movimentos de moradia de São Paulo.

 

Levantamento e divulgação de informações

Tirando as emergências e para as comunidades menos ameaçadas neste instante o trabalho será de conscientização dos moradores para que se mobilizem. Neste universo de ocupação de áreas públicas, principalmente na década de 70, encontram-se aproximadamente 1400 imóveis distribuídos em 5 unidades perfazendo algo em torno de 115Mil m2., ou seja, demandará alto grau de articulação e trabalho intenso.

 

Encontro das comunidades

Um encontro ampliado das comunidades que convivem com as ameaças de possíveis remoções deverá ser realizado na manhã do sábado de 17 de setembro em uma escola pública na Rua das Alamandas, 36, Cidade A E Carvalho. Na ocasião, pretendem os articuladores desse encontro, será a vez de se ouvir a voz dos moradores diretamente envolvidos. Na ocasião, pretendem que lá estejam para ouvir o Ministério Público, os parlamentares envolvidos, a Defensoria Pública e que sabe representantes diretos do executivo envolvido com a questão.

 

A Favela Francisco Munhoz Filho, situada na Avenida Doutor Francisco Munhoz Filho, Subprefeitura Itaquera na Regional Leste ocupa um terreno de propriedade pública com uma área total de 33.336,96 m². Estima-se que existam aproximadamente 440 imóveis nesta favela.

A Favela Favela da Paz, também conhecida como Favela Miguel Ignácio Curi II, situada na Rua Miguel Ignácio Curi, Subprefeitura Itaquera na Regional Leste ocupa um terreno de propriedade pública com uma área total de 12.583,66 m². Estima-se que existam aproximadamente 300 imóveis nesta favela.

A Favela Caititu, situada na Avenida Caititu / Rua Bacurau, Subprefeitura Itaquera na Regional Leste ocupa um terreno de propriedade pública com uma área total de 10.485,39 m² . Estima-se que existam aproximadamente 130 imóveis nesta favela.

A Favela Cidade a e Carvalho, situada na Rua Tucuxi / Rua Pacarana / Rua Zorrilho, Subprefeitura Itaquera na Regional Leste ocupa um terreno de propriedade pública com uma área total de 31.646,19 m² . Estima-se que existam aproximadamente 520 imóveis nesta favela.

A Favela Vila Progresso, também conhecida como Favela Viela Boa Vista, situada na Rua Cha dos Jesuitas, Subprefeitura São Miguel na Regional Leste ocupa um terreno de propriedade pública com uma área total de 26.384,53 m². Estima-se que existam aproximadamente 110 imóveis nesta favela.

 

Written by Página Leste

10 de março de 2012 às 19:35

Publicado em Sem categoria

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