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Comunidades se encontram pelo direito à moradia

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Por conta das ameaças de remoção de moradias para as obras para a Copa de 2014 e criação dos parques lineares, moradores de diversas comunidades nas proximidades de onde está previsto a instalação do estádio do Corinthians se reuniram em setembro no pátio da Escola Estadual Milton Cruzeiro em Itaquera. A iniciativa partiu dos próprios moradores e dos movimentos Nossa Itaquera e Copa Prá Quem?Na ocasião, mais de 400 pessoas tiveram acesso a algumas informações que foram obtidas ou confirmadas junto aos poderes públicos a respeito das obras pretendidas, principalmente as que envolvem os preparativos para a abertura da Copa de 2014 e à criação do Parque Linear do Rio Verde e de seus possíveis impactos sobre a população, principalmente as que envolvem as remoções de moradias.

Diante do que se tomou conhecimento na abertura do encontro, as comunidades, divididas em grupos, ocuparam salas de aulas, debateram suas particularidades e responderam as duas questões propostas pela organização para fechar à plenária. O que queremos e o que faremos? Durante o processo cada comunidade escolhia e indicava também os seus representantes por locais para acompanhar os desdobramentos e a continuidade das reuniões e ações do movimento.

Durante o encontro que contou com a presença de representantes da Defensoria Pública que se comprometeram a encaminhar judicialmente os diversos pedidos de esclarecimentos sobre as obras, prazos e locais atingidos por modificações, a maioria entre os presentes sinalizaram disposição de luta cientes da necessidade de somar forças entre as comunidades para se posicionarem em melhores condições nas possíveis futuras negociações.

Conforme ficou claro em diversas intervenções nas reuniões preliminares e posteriormente na plenária, existe a desconfiança de que a falta de informações oficiais e a contra informação, além da desconfiança de que as informações veiculadas a contagotas pelos poderes públicos são propositais e servem para confundir, dificultar e desarticular a organização popular e assim enfraquecer a reação.

A VONTADE DAS COMUNIDADES

Durante a plenária de apresentação do que as comunidades decidiram houve consenso no sentido de que é preciso pressionar os poderes públicos para que, principalmente, as informações, sejam divulgadas com transparência e objetividade.

Obras e prazos também devem ser comunicados com antecedência e clareza. Diante do que vem pela frente, as comunidades também manifestaram a intenção de organizadamente resistir a despejos e remoções e sempre que possível permanecendo no local que deve ser legalizado e urbanizado.

No caso das remoções que forem inevitáveis, o desejo das comunidades é que ocorram negociações com o poder público para que novas construções sejam viabilizadas, preferencialmente nas proximidades dos locais onde já estão e onde mantém laços comunitários e de trabalho. Mais ainda; que os custos dessas novas moradias possam estar dentro das possibilidades de serem assumidos pelos moradores que se dispõem a pagar. Para estas comunidades, continuar a morar na região, considerando que alguns deles ali residem há diversas décadas, é manter seus laços comunitários, ter o acesso às escolas e serviços públicos já conhecidos e mesmo seus empregos e fontes de renda.

Também é desejo das comunidades que essas negociações sejam conjuntas e coletivas, além de pacíficas e organizadas. Rejeitam a remoção para albergues e ou a bolsa-aluguel em razão dessas iniciativas não resolverem a questão de onde moraram com dignidade. Além das reivindicações que tomaram forma no Encontro, as comunidades propuseram reunirem-se por comunidade, tomar decisões conjuntas e criar uma única agenda de ações; estabelecer canais de comunicação entre elas e os movimentos de luta por moradia; criar um blog e divulgar nos locais de moradia ameaçados os resultados das reuniões do movimento; manifestarem-se diante das subprefeituras de Itaquera e Penha e até mesmo resistir a despejos. (JMN e VAC)

Written by Página Leste

10 de março de 2012 às 19:47

Publicado em Sem categoria

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