Archive for fevereiro 2012
Descaso no Jd São Benedito
Se em todos os períodos de chuva intensa os moradores do Jardim São Benedito sofrem com as enchentes, atualmente não poderia ser diferente. Ruas inteiras debaixo de água e nem mesmo a instalação do piscinão próximo conseguiu minorar esse sofrimento, pelo contrário, em alguns aspectos, prejudicou ainda mais.
A Rua Ilha da Caviana tem sido a mais prejudicada com o esgoto vindo a tona por conta da passagem do córrego viver constantemente obstruído. A proposta de promover uma limpeza e desassoreamento do córrego, com uma retro–escavadeira, feita em outra ocasião, não foi levada a bom termo e os problemas continuam. Do ponto de vista do morador, apesar de entender a finalidade de um piscinão, a sua instalação tão próxima das ocupações só fez piora r a situação.
O Jardim São Benedito é uma comunidade regular onde moram em torno de 120 famílias. Por estar próxima de outras aglomerações que foram resultante de ocupações irregulares como as favelas do Caboré e do Jardim São João, tem sido tratada, segundo o entendimento de seus moradores, com certa negligência. Porque razão, ainda estão sofrendo tanto com as enchentes, se indagam.
Alex Oliveira é uma das lideranças do São Benedito e admitiu que a comunidade entende a utilidade dos piscinões, entretanto acham que a prefeitura poderia investir melhor em políticas habitacionais e na retira de barracos em ocupações de risco e irregulares naquela região, dando a eles uma moradia digna. Com isso poderiam alargar mais o rio ou córrego, tratá-lo e até fazer uma área de lazer que não existe na região. Na avaliação da liderança essa desatenção quando da ocupação fez chegar a isso.
Um dos pomos da discórdia entre o que o poder público fez e os moradores, segundo Alex, diz respeito a uma escadaria presente no piscinão que se encontra próximo a Avenida Ragueb Chohfi 4006, que segundo os moradores diminui o espaço no córrego assim armazenando menor quantidade de água e, portanto, fazendo transbordar o excedente de água mais rapidamente. Vão mais além e sugerem que, caso essa escadaria seja necessária e talvez o seja para manutenção, as pessoas propõem que uma fenda ao centro da escadaria dividindo-a em duas escadas transversais já faria aumentar o volume de água armazenada no córrego.
A ponte sem passagem Outra importante reclamação dos moradores diz respeito a ponte que dá acesso a outra comunidade logo a frente a partir da Avenida Ragueb Chohfi, 5860. Esta, por estar quase sempre entupida só consegue ter alguma vazão se houver pressão de água em forma de jato para desobstruir a passagem. Como isso raramente acontece resta à água que deveria passar por baixo da ponte passar por cima com seus resíduos para o desespero dos moradores que precisam atravessá-la para não ficarem ilhados, não só moradores do Jd São Benedito mas também Jd palanque, Cidade Tiradentes, Jd Marilu entre outros.
Essas águas que passam pelo lugar errado, por cima e não por baixo a ponte vem de outro piscinão mais distante que retém a água do Jardim Palanque e outros bairros da região da Cidade Tiradentes.
Perguntados que tipo de solução eficiente eles propõe, responderam: “Queremos a retirada dos antigos tubos e a construção de uma nova ponte mais larga e alta, mas tudo planejado pelos engenheiros em conjunto com os moradores do bairro”, finalizou.
Brasil grande precisa melhorar serviços públicos
Presidente do IPEA lança estudo que revela: economia pode ultrapassar França e Alemanha em breve — mas faltam políticas para assegurar vida digna para a maioria.
Durante exposição do estudo “A presença do Estado no Brasil, dia 10, na capital paulista, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Marcio Porchmann disse “O Estado brasileiro não tem um padrão de funcionamento, devemos dar destaque à sua insuficiência e, de certa maneira, à ineficiência de políticas públicas em determinados aspectos”. Ele não estava criticando a presença e a intervenção do Estado, mas indicando que o estudo sugere ações mais efetivas no combate a desigualdades e ao subdesenvolvimento que persiste no país, mesmo diante do avanço econômico.
Desde novembro do ano passado distintos institutos privados internacionais vêm divulgando estudos apontando que o Brasil já passou o Reino Unido como sexto maior Produto Interno Bruto (PIB) que é a soma das riquezas produzidas durante um ano por um determinado país. Claro que esse resultado contou com a ajuda da crise no país europeu.
Segundo projeções do Ipea até 2020 o Brasil deverá passar também a França, atualmente na quinta posição, e a Alemanha, atualmente na quarta.O mais impactante, entretanto, é que esse crescimento não significa que os problemas sociais brasileiros foram superados.
Pelo contrário, cresce as perspectivas de participação na economia mundial, mas se mantém arredio a corrigir as distorções sociais. A caminho da quarta economia, o Brasil convive com situações de subdesenvolvimento com uma parcela ainda grande da população em situação de miséria. Se olharmos os dados do Censo 2010 do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), encontraremos 16,2 milhões de brasileiros ainda vivendo em famílias com renda mensal média menor de R$ 70,00 por pessoa.
Essa contradição não quer dizer que devemos desconsiderar a trajetória ascendente do Brasil dentro desse aspecto e onde o Estado, com certeza, continuará sendo muito importante não apenas no contexto internacional de uma economia global e de uma sociedade do conhecimento, bem como ao enfrentamento das mazelas que nos acompanha, indicava corretamente o raciocínio do presidente do Ipea.
Desigualdades regionais
Para Pochmann, já existem políticas voltadas a compensar desigualdades regionais, favorecendo áreas mais carentes ou desprovidas de recursos adequados e estas precisariam se mais e melhor aplicadas. Entretanto, existem outras políticas que apontam na direção contrária com os locais mais ricos recebendo mais verbas. “Não estou defendendo um Estado só para pobres. O que destaco é aquele padrão de Estado em que se oferece para determinadas regiões que são mais ricas, porque isso não pode ser universalizado e homogeneizado”, pontua o presidente do Ipea.
No sentido de enfrentar as desigualdades o destaque ficou para as políticas de assistência social, como a Bolsa Família. Do total do que se repassa ao programa, 51,1% vão para o Nordeste, mesmo com a população representando apenas 28% do total de habitantes do país.
Em contrapartida, o Sudeste, que tem 42,2% de todos os brasileiros, recebe 24,7% do orçamento anual do projeto.
É claro, aqui, uma política de compensação diante das desigualdades sociais.
Um mecanismo muito semelhante é encontrado nos benefícios previdenciários que ajuda a contribuir com a redução das desigualdades, mas não de maneira suficiente a substituir os investimentos necessários em áreas como saúde e educação nas áreas menos assistidas.
A educação por sua vez é onde as disparidades entre os estados da federação mais aparece. Segundo dados do estudo e do Censo 2010, o Distrito Federal, por exemplo, tem 68% dos jovens matriculados no ensino médio da rede pública. Um alto índice quando comparado com o mais baixo índice de matrículas que está em Rondônia, onde encontramos apenas 31,6% da população de 15 a 17 anos de idade freqüentando a escola durante todo o ano letivo. Não justifica essa situação, mas explica um pouco a qualificação dos professores também é distribuída de forma bastante desigual. Segundo Pochmann, enquanto no Norte do país apenas 51% dos professores de ensino fundamental tem formação superior, esse percentual sobre para 82% no Sul.
Na saúde, os resultados sinalizam uma distância representativa entre o número de médicos por habitantes nas diferentes regiões do Brasil. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste há 3,7 médicos por mil habitantes, na região Norte o número cai para 1,9 médico por mil habitantes.
A questão do financiamento
Feita as constatações fica a questão do financiamento dos programas sociais. Este depende da arrecadação tributária que é fortemente regressiva, isto é, incide mais sobre os mais pobres do que sobre os mais ricos.
Como sempre tem aquele que fala mal do programa Bolsa Família e nem sempre é pelo motivo certo: o de que as contrapartidas são poucas para quem recebe; vale lembrar que o que é proporcionado às camadas mais necessitadas da população é, em grande parte, financiado por elas mesmas, graças à regressividade tributária.
Para entender o raciocínio consideremos uma família de 4 pessoas com renda per capita de 1 salário mínimo. Praticamente toda a renda seria para compra de alimentos e gêneros de primeira necessidade. Dificilmente sobra.
Se, no entanto, uma família de 4 pessoas tivesse renda per capita de 5 SM, a possibilidade de poupança aumentaria, mesmo que grande parte ficasse nas despesas iguais a da família acima.
Agora se a renda fosse de 25 SM, a poupança seria ainda maior.Certo? Dos exemplos para a conclusão. Quanto mais alta a renda, maior o nível de poupança, mesmo que varie a qualidade dos produtos consumidos pelas diferentes classes. Entretanto, e aqui está o pulo do gato, a quantidade de alimentos assim como outros bens que uma pessoa pode consumir diariamente é limitada. Apesar da diferença de qualidade, a renda empregada no consumo é sempre limitada.
No Brasil o sistema tributário está baseado nos impostos indiretos que tem no consumo sua principal fonte de arrecadação. Em função disso, levando-se em consideração as diferenças de consumo em cada uma dessas famílias, são as mais pobres que acabam penalizadas. Os pobres que gastam até 95% no consumo são relativamente muito mais atingidos pela tributação do que as demais, de classe média e rica onde esses tributos recaem sobre algo entre 60% e 40% respectivamente da renda. Lembram-se da capacidade de poupança diferente entre estas famílias.
Mas, oras direis: também tem tributação sobre a poupança e eu responderei: eles são muito, mas muito mais brandos do que os sobre o consumo. (JMN)
