Não tem nem 17, mas escreve como gente grande
Ávida por leitura e escritora de talento, adolescente pode escrever ensaio com enfoque inédito
Ainda não completou nem 17 anos, mora na periferia e escreve como gente grande. Começou lá pelos 10 com um conto à moda de Edgar Allan Poe, A Queda da Casa Usher, que na lavra da menina virou o conto O Mistério da Casa Wermon com, pelo menos, 12 laudas. As causas de tanta produtividade desde os dez anos de idade podem ser explicadas com uma passada de olhos na estante de sua casa onde mora com um pai jornalista que estudou sociologia e a mãe professora. São algumas centenas de livros, alguns amarelados com o tempo e outros que se espalharam pela cabeceira de sua cama e mesa de quarto onde livros diversos disputam espaço na bagunça adolescente.
Ávida leitora, Bruna Shinohara foi promovida na escola lá pela quinta série quando professores, coordenadores pedagógicos e diretoria solicitaram testes oficiais que a fizeram saltar um ano indo direto para a próxima série. Cursou simultaneamente o ensino médio em uma das escolas do SESI e um curso técnico no Senai, com o qual, confessa, travou pouca intimidade.
Saiu-se com méritos no Enem deste ano tendo pontuado fortemente, o que poderá lhe proporcionar alguma bolsa de estudos em alguma universidade particular no próximo ano. Vai ajudar. A família não tem recursos para patrociná-la em uma universidade, principalmente se for numa USP, uma eternidade de longe de sua residência.
O que vai cursar é apenas uma questão dela escolher qual área e faculdade porque, com 16 anos, ela ainda não tem toda a clareza do que pode, quer e tem habilidade para fazer. Conflitos de adolescente. Sem tempo para se preparar para a Fuvest porque freqüenta dois cursos que a fazem levantar às 5 horas da manhã e encerrar as 19, não estudou tudo que precisava, prestou o vestibular e não deu vexame.
Mas é na lavra literária, uma raridade entre os jovens que a menina se destaca. Grande parte de suas boas notas são obtidas quando as respostas às questões precisam ser dissertativas. Influenciada pelos livros e pelos pais progressistas, a menina tem um olhar e linguajar típico de sociólogo militante que já criou constrangimentos a professores com sua capacidade de inquietação e argumentação.
Como conseqüência desse tipo de influência e apenas seis anos depois de escrever um conto quilométrico, destacar-se em redações de todos os tipos, a menina vem finalizando o seu trabalho de conclusão do curso técnico em grupo com uma proposta sua aceita com entusiasmo pelo restante do grupo, pela banca examinadora e que, a depender do tempo disponível e do incentivo, deverá se transformar em um livro ensaio no próximo período. Criativa, Bruna propôs o que parece ser inédito: um enfoque acadêmico no papel desenvolvido pelo cartaz no aspecto ideológico e comercial em todo mundo.

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