O fim do mundo no relatório americano
Partindo de onde partiu a gente é obrigado a prestar
atenção. Pois bem na metade da segunda quinzena de junho o mais significativo
sinal de que a posição dos Estados Unidos com relação aos problemas ambientais
em todo mundo partiu do governo. Um forte sinal de que de fato alguma mudança
está ocorrendo com a eleição de Barack Obama. Foi da Casa Branca que a
sociedade teve acesso a subsídios que revelam os indiscutíveis efeitos do
aquecimento global naquele país que, lembremos não era signatário do Protocolo
de Kioto.
O estudo, chamado “Os impactos da alteração global do
clima nos EUA” [Global Climate Change
Impacts inte the United States], que apresenta a gravidade da situação é de
responsabilidade da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (Noaa, na
sigla em inglês), do Laboratório Marinho e Biológico de Woods Hole em parceria
com 13 agências governamentais e departamentos de Estado. “Este relatório provê
informações científicas concretas que dizem, sem margem de erro, que as
mudanças climáticas estão acontecendo agora, nos nossos quintais, e afetam as
coisas com as quais as pessoas se preocupam em seu cotidiano”, teria dito a
representante da Casa Branca a imprensa internacional. “Gostaríamos de deixar claro
que as mudanças climáticas já estão em curso e afetam nossas vidas. Não se
trata de um fenômeno restrito às geleiras do Ártico”, disse Thomas Karl,
diretor do Centro de Informação Climática do Noaa.
Importa considerar se é o próprio governo do EUA que
está reconhecendo e dando crédito às conclusões do relatório é porque a
situação é, de fato, delicada. Além do aumento de temperatura e do nível dos
oceanos, tempestades mais freqüentes e alteração nos rios americanos são os
fatos; já estão acontecendo agora não é para amanhã e não é obra de ficção.
Com o que já vem ocorrendo, caso não aconteçam ações
imediatas o que poderá ocorrer vai surpreender até a imaginação de roteiristas
de filme-catástrofe. O relatório, baseando na atual situação estima que até o final
do século a temperatura média dos Estados Unidos estará 11oC mais alta. A costa
leste dos EUA sofrerá muito com a subida dos oceanos e deve faltar água no
sudeste do país tornando mais quente e seco afetando de forma grave o
ecossistema.
Por conta da elevação dos oceanos como resultado do
aumento da temperatura e do degelo Nova York e Los Angeles à Leste e à Oeste
dos EUA serão parcialmente submersas. Com as temperaturas altas a agricultura e
os pântanos da Flórida serão destruídos. Os Grandes Lagos ficarão mais vazios e
os vinhedos da Califórnia serão extintos.
Como se vê os tempos vindouros será bicudo e dá uma
visão do final do mundo. E mais é documento oficial, o primeiro do governo
Obama que dá enorme e preocupante peso aos problemas ambientais causado pelo
aquecimento. Apesar da visão tenebrosa, pelo menos é mais honesta,
diferentemente da administração anterior, de George W. Bush, que não só
conseguiu evitar que se estabelecessem limites para a emissão de gases de
efeito estufa, por isso negou-se a participar do Protocolo de Kioto, como,
muito pelo contrário estimulava política e financeiramente o entendimento na
opinião pública de que o problema climático não era de responsabilidade humana.
Já foi tarde.
Antes tarde do que nunca, tomara que o relatório da
Casa Branca seja mostra de uma provável mudança na direção dos Estados Unidos
para o meio ambiente o que, sem dúvida dá um pouco mais de esperança para a
humanidade considerando que com o seu poder tecnológico e militar e da sua
economia se os Estados Unidos não se preocupasse a questão climática ficaria
cada vez mais longe de uma solução.
Se, afinal o governo dos Estados Unidos reconhece e
nos coloca agora na expectativa de que as mudanças venham é mais do necessário
que a despeito de serem países em desenvolvimento Brasil,
Índia, China e Rússia também controle mais a emissão de gases de efeito estufa
na atmosfera abandonando o discurso que sustenta a desculpa para não fazer nada
ou pouco, a de que quem polui mais, os países desenvolvidos, que agora paguem à
fatura. Até pode estar correta a alegação, mas não é mais sustentável, esses
países também contribuem significativamente para a caminhada em direção ao
precipício.
Portanto, o nosso presidente Lula, por aqui já pode ir
dando sua contribuição vetando partes da Medida Provisória 458 que entrega
terras na Amazônia para quem desmatou e voltando a apoiar o desenvolvimento e
utilização do combustível de fontes renováveis mesmo com todo o petróleo que
dispõe.
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