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Universidade é o principal pedido no encontro de parlamentares com ministro

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Deputados federais, estaduais, vereadores, o senador Eduardo Suplicy (PT) e o ministro da Educação, Fernando Haddad atenderam ao convite feito por comunidades organizadas e pelo Padre Ticão e compareceram em Ermelino Matarazzo na manhã do dia 27. A pauta seria mostrar aos parlamentares algumas reivindicações de políticas públicas do povo da zona leste de São Paulo para 2009/2010 e conhecer o que  os eleitos estariam fazendo nesse sentido.

O senador Suplicy, os deputados federais Devanir Ribeiro e Paulo Teixeira (PT) e William Woo (PSDB), os deputados estaduais Adriano Diogo, José Zico Prado e Simão Pedro (PT) e os vereadores Adolfo Quintas (PSDB), Jamil Mourad (PCdoB) e Juliana Cardoso e José Américo (PT) atenderam o convite e tentaram responder as questões para os mais de 500 participantes vindos de várias partes da Zona Leste.

Fatalmente, na presença do ministro, o pedido de uma universidade federal na zona leste tomou corpo e concentrou praticamente toda a atenção. Os oradores, mesmo considerando outros aspectos das políticas públicas, expuseram suas promessas e intenções em contribuir para a luta pela universidade, especialmente, os deputados federais que se comprometeram a pedir verbas para esse objetivo no orçamento federal.

Os deputados estaduais Adriano Diogo e Simão Pedro explicaram suas atuações pela Educação ao longo dos mandatos. A vereadora Juliana Cardoso pediu atenção ao ensino básico como imprescindível para que uma futura universidade federal, caso seja instalada, esteja acessível aos moradores da zona leste que freqüentam as escolas públicas.

Já o vereador José Américo, a exemplo dos outros, lembrou das demandas por escolas técnicas e criticou o veto do prefeito Kassab ao seu projeto de ocupação dos CEU´s para cursos técnicos noturnos. Ele explicou que Kassab chegou a defender essa proposta durante a campanha, mas vetou-a posteriormente. O vereador disse ainda que o movimento pela instalação de escolas técnicas defende a implantação de uma unidade por subprefeitura. Indagado a respeito das dificuldades para adotar uma proposta dessa natureza, refutou argumentando que se trata de pequenas unidades adequadas à realidade e as necessidades de mercado de cada uma dessas regiões.

Remando a favor da correnteza o senador Suplicy ganhou a platéia quando se ofereceu para ministrar aulas na futura universidade, demonstrando sua clara intenção de contribuir para o fortalecimento da reivindicação.

Não se falou em outra coisa

Diante das lideranças presentes e do restante da platéia totalmente embaladas para reivindicar do ministro à instalação de uma universidade federal na zona leste, ficou difícil qualquer questionamento ou discussão sobre sua prioridade.

Óbvio que não há como negar o benefício de uma universidade para os cerca de 4 milhões de moradores da região, entretanto, em termos de universidade federal, existem no Brasil diversas concentrações urbanas tão o mais necessitadas que a zona leste de São Paulo e onde uma universidade federal poderia promover a oportunidade de desenvolvimento local cujos benefícios poderiam ser usufruídos por conjuntos da população atualmente em mais desvantagem que as comunidades da cidade de São Paulo.

Claro que também havia entre os presentes os que questionavam a demanda estar centralizada em Ermelino Matarazzo, onde já existe uma unidade da Universidade de São Paulo que foi fruto de antigas lutas dos diversos movimentos. Sobre a USP, alguns parlamentares cobraram a ampliação do número de cursos atualmente oferecidos. Mesmo assim houve quem sem muita cerimônia defendesse a instalação de uma eventual universidade federal na mesma região.

Foi o caso do subprefeito de Ermelino Matarazzo, Eduardo Afonso Camargo, logo depois do deputado estadual Adriano Diogo ter mencionado que havia espaço para a universidade federal na região do Parque do Carmo. “Não precisaremos mexer com áreas protegidas, aqui em nossa região dispomos de enormes áreas para isso”, disse o subprefeito referindo-se a uma área em Ermelino Matarazzo.

Foi o padre Ticão, que de alguma forma, desconstruiu esse desejo do subprefeito sugerindo que a instalação da universidade federal pudesse ser descentralizada em pontos distintos da zona leste. Com isso, ganhou a simpatia de muitos dos presentes.

 Ministro coloca a demanda nos trilhos

Coube, entretanto, ao ministro Haddad, o último a falar durante o ato colocar a demanda no seu leito normal quando disse que está em processo a criação de um Plano Nacional de Educação para ser votado no Congresso Nacional em 2010. Trata-se de uma espécie de Plano Diretor da Educação com linhas gerais e validade para um longo período.

A construção desse plano, explicou, será resultado das conclusões de um diagnóstico nacional da situação da Educação nos seus diversos níveis e segmentos. Mais objetivo sugeriu que comissões compostas por parlamentares municipais, estaduais e federais, de São Paulo, bem como representantes do Ministério deveriam estar compondo grupos articulados entre si para enfrentar essa questão.

Pouca gente se deu conta, mas a fala do ministro foi um balde de água fria na reivindicação tal como ela vinha sendo colocada. Para ele, respondendo a reportagem, os parlamentares por São Paulo que estão de acordo com a reivindicação da universidade federal na Zona Leste deverão estar atentos e participantes em todo esse processo.

Ao final algumas lideranças, apesar de reconhecerem o sucesso do encontro como uma inequívoca demonstração de força e afinidades de propósitos, criticaram o ministro quando ele parece ter sugerido a criação das comissões apenas por parlamentares e membros da pasta nos três executivos: municipal, estadual e federal. Para estes trata-se de um processo que pode até ser legitimo, mas que cria dificuldades.  Se assim for, para a sociedade civil e movimentos pela Educação organizados, o caminho de se expressarem apenas através dos parlamentares é estreito e tortuoso. (JMN)

Written by Página Leste

27 de abril de 2009 às 11:00

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