Presidenciáveis se colocam como “pós Lula”
José Serra (PSDB) está apoiando a candidatura de um petista, Tião Viana (AC) à presidência do Senado e trabalha com afinco para convencer senadores peessedebistas e do DEM a abandonar a idéia de nomes alternativos, como o de Pedro Simon (PMDB_RS) lançado pelo ex-presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na disputa da Câmara dos Deputados, Serra também está fechado com a candidatura dos petistas, Michel Temer (PMDB-SP). O governador de São Paulo ainda saiu nas fotos ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vários momentos e já visitou o gabinete presidencial algumas vezes. Fechou ainda, um negócio de bilhões com o presidente – a venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil e, por fim participou de entrevista coletiva ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, onde fez elogios às medidas tomadas pelo atual governo para enfrentar a crise financeira mundial.
É de se perguntar para onde vai Serra? E a falta de respostas está deixando confusa a militância tucana. Não seria agora com a crise econômica o melhor momento para as ambições tucanas de voltar ao Planalto? Não seria a hora de bater no presidente Lula? Seria jogo de cena, cálculo político visando obter recursos para as obras que vão alavancar a sua campanha, como um dos principais postulantes a suceder Lula? E, porque Lula daria o creme para o bolo do Serra? Os dois não são inocentes e se estão se entendendo dá para desconfiar que não é apenas um deles que está ganhando. O Serra recebe recursos com a venda da Nossa Caixa, mas o presidente, por sua vez ficou credor de diversas ações políticas de Serra, incluindo ai a eleição no Senado.
Mas voltando a vaca fria – por que Serra anda tão pouco oposicionista? A resposta pode residir na analise que os tucanos de alta plumagem fazem do comportamento da economia brasileira nos próximos dois anos. Um deles, o economista e ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Carlos Mendonça de Barros, garante que o Brasil vai crescer entre 2% e 2,5% no próximo ano. E mesmo sendo uma queda com relação a 2008, ele calcula que a crise vai bater mais nas classes médias e altas das regiões Sul e Sudeste. Desse jeito, segundo Mendonça de Barros, a crise ainda não vai abalar muito a popularidade de Lula, que só com muita pancada cai abaixo dos 50%. Nessa situação a popularidade de Lula vai diminuir entre os mais ricos e a classe média, público que já seria majoritariamente eleitor dos tucanos ou dos oposicionistas de Lula. O resultado eleitoral, então que é que interessa ao Serra seria pífio.
Ora, com o raciocínio de Mendonça de Barros, compartilhado com muitos tucanos e democratas, já dá para começar a entender a estratégia do governador, um dos políticos que mais ambiciona chegar à presidência. Não vai dar para bater de frente com Lula, então, aproximar-se dele, faz parte da tática que inclusive já foi adotada antes pelo governador de Minas, Aécio Neves. O governado mineiro é o que mais assombra Serra na sua caminhada rumo ao Planalto. Ligeiro, Aécio foi até capaz de promover a união, ainda que informalmente, entre o PT e o PSDB, por conta da inusitada aliança na eleição municipal de Belo Horizonte. Serra, por sua vez, só agora adotou a postura de ser o “pós Lula” e não mais o “anti Lula” como forma de melhorar suas condições na disputa de 2010. Não critica o governo, fala bem do presidente e chega até a propor medidas rigorosamente iguais às tomadas por Lula, como foi no caso da ajuda de R$ 4 bilhões às montadoras: Lula deu quatro, Serra copiou e mandou mais quatro.
Claro que todo esse comportamento é provisório e atende as necessidades atuais. Se a crise piorar e colocar o Brasil de pernas para o ar, atingindo a popularidade de Lula, Serra vai mudar o discurso e se colocar entre os primeiros a apontar os “erros e incompetências do governo federal”, cuja atuação até agora é bom que se registre, ele mesmo, o governador, aprova.
Tudo parece indicar que os tucanos concordam mesmo com Mendonça de Barros, que Lula chegará ainda forte em 2010, com um peso eleitoral significativo – isto se não for ele mesmo o candidato vai saber, nas crises, soluções criativas sempre aparecem. Se for como o economista está apontando, tanto Serra quanto o próprio Aécio farão campanha sem grandes críticas ao atual governo, ficando na mesma pegada vitoriosa das campanhas de 2006, onde ambos elegeram seus indicados com votações expressivas, na base de não criticar ninguém.Diante desse quadro, apenas o PSOL entre os mais expressivos e quem sabe até o DEM, caso tenha coragem de lançar candidatura própria terão discurso de oposição. Nem o PMDB, por maior que seja pode se arvorar em oposição. O roteiro dos candidatos apostando em se configurarem como “pós Lula” também agrada ao próprio Lula que quer passar para a história como conciliador. Resta saber se a crise vai deixar tudo como está. (JMN)
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