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Corrupção nos partidos ainda é um mal sem cura

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O PMDB é a marca e padrão da política brasileira e ei-lo, agora, à frente das duas casas do congresso. No Senado com José Sarney e na Câmara dos Deputados com Michel Temer. Possui ainda uma bancada de 21 senadores, 93 deputados federais e comanda 1207 prefeituras, entre as quais cinco capitais. São sete governadores e sete ministros no governo Lula. Nele há a de tudo um pouco, desde alguns éticos até as inúmeras lideranças que vira e mexe são denunciadas por corrupção. É muito poder para um partido de profissionais, conforme insinuei mais de uma vez.

Na entrevista do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) que já foi prefeito, governador e agora senador a uma grande revista de circulação nacional ele disse que o PMDB “é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem norte. Uma confederação de líderes regionais, cada um com seus interesses, sendo que mais de 90% praticam o clientelismo de olho nos cargos”, embora verdade, não é novidade para quem presta atenção.

Dias depois, em entrevista coletiva, ele repetiu todas as acusações. "O PMDB quer cargos para fazer negócios. Alguns buscam o prestígio político, mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral", afirmou.

Hay gobierno, soy a favor’, costuma gritar a ala dos peemedebistas acostumada a mamar nas tetas da máquina pública em todo e qualquer governo.

O PMDB reagiu, disse que o senador estava apenas desabafando e ainda passou a bola para frente. Para o partido, o PSDB e o PT são tão corruptos quanto. Mas é interessante notar que ninguém fez nada, ninguém falou em CPI.

Seus atuais mandatários, aqueles que de alto coturno, estão no PMDB, uma cara de paisagem com relação às denúncias. Renan Calheiros disse que não leu, portanto, não comenta; Sarney disse que não “iria diminuir o debate” e Michel Temer que acumula a presidência da Câmara dos Deputados e do PMDB, não se sentiu obrigado a tomar qualquer providência, disse não estar disposto “a imprimir relevância ao que é destituído de especificidade”. Uma turma barra pesada que torcem para o esquecimento rápido do episódio, tendo, inclusive a esperança de contar com a acomodação do próprio denunciante.

Mas não foram só os membros do PMDB que se incomodaram com as denúncias do senador Jarbas Vasconcelos. Por outros motivos, a pequena bancada do PSOL enviou carta assinada pelos seus parlamentares ao peemedebista solicitando que ele torne públicos os nomes dos integrantes do PMDB que estariam envolvidos em ato de corrupção. Para a população a lista não seria pequena. Segundo a carta a divulgação dos nomes é uma “enorme contribuição à moralização da vida pública brasileira”. Com a vivência dos problemas que lhe aqueceram para dar a entrevista, com certeza, não faltará ao senador condições de monta-la. Se vai é outra questão.

Correndo por fora, mas na mesma direção o presidente em exercício do Conselho Federal da OAB, Vladimir Rossi Lourenço, cobrou do Ministério Público a apuração com urgência das denúncias feitas.

Jarbas Vasconcelos ao acusar o próprio partido de fisiológico recolocou em cena o debate sobre a corrupção contumaz que vira e mexe vem à público, mas que é sempre abafado. Certeiro, o senador também sabe que o que sustenta a prática do fisiologismo são sempre as chefias dos executivos. O senador que também responsabilizou o governo Lula, entretanto, podia ir mais longe na perspectiva dos três maiores orçamentos do Brasil que são: governo federal, governo paulista e prefeitura paulistana onde o peesedebista Serra faz dupla com o democrata Kassab em governos que estão repletos de gente do PMDB em suas bases de apoio com as práticas de sempre apontadas na entrevista do senador.

Quando os demais partidos, no caso o PSDB e o DEM, ou o próprio PT disputam o apoio desse partido profissional em geral desembocam em governos que não são vítimas, mas beneficiários e continuadores desse mesmo padrão detestável de política: o fisiologismo por toda parte.

Written by Página Leste

27 de abril de 2009 às 10:40

Publicado em Notícias e política

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