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Vereadora da zona leste quer fazer diferença na Câmara

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Eleita com mais de 30 mil votos, Juliana Cardoso (PT) assumiu uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo no início de 2009 e diz que as comunidades de São Mateus podem contar com o seu apoio e presença nas lutas e demandas legítimas. Destaca que priorizará a transformação do Morro do Cruzeiro em um parque municipal ambiental e contribuirá com as tentativas de regularização fundiária da Vila Bela.
Sua vida política começou ainda criança quando acompanhava reuniões e as andanças de pai e mãe que eram militantes dos movimentos de habitação e da saúde. Acompanhou também a construção do PT e conviveu com nomes importantes de petistas.
Seis anos atrás, no movimento estudantil, começou a militância individualmente quando sua mãe mudou-se. Foi na Escola Rubens Paiva onde travou seu primeiro desafio individual na luta para que a escola técnica em que estudava tivesse equipamentos compatíveis com os cursos profissionalizantes que pretendia ministrar. Segundo a vereadora, a Rubens Paiva foi primeira escola técnica de São Paulo, mas tinha uma precária infra-estrutura. Juliana tinha 17 anos na época. Nesse tempo já trabalhava regularmente e no tempo livre atuava junto aos movimentos sociais e na área de cultura.
Mais tarde com 19 anos foi porta bandeira de escola de samba e atuava nos movimentos sociais na área da cultura. Por essa razão também, foi convidada pelo deputado estadual Adriano Diogo para trabalhar com ele na secretaria do Verde e Meio Ambiente na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy. Adriano já era um velho conhecido dos pais. Juliana então trabalhou na coordenadoria de participação popular e educação ambiental, em contato direto com a população. Sempre auxiliando o deputado Adriano Diogo nas campanhas, a recíproca veio agora com o deputado se empenhando em sua eleição. Acompanhe os principais trechos da rápida entrevista que concedeu com exclusividade a Gazeta São Mateus. (JMN)
 
GSM – A que a senhora atribui a sua eleição numa conjuntura onde é cada vez mais rara a renovação dos eleitos e onde o custo para se eleger é quase sempre astronômico?
Juliana – A minha eleição é resultado principalmente do apoio do grupo que faço parte junto com o deputado estadual Adriano Diogo. Um grupo muito unido e com forte presença nos movimentos sociais e populares. Para ser a candidata passei por um processo interno de indicação disputando com outras três pessoas que abriram mão de suas indicações a meu favor. Além do que eu também já fazia muitos trabalhos nas bases e a minha forma de trabalhar deu a credibilidade. As pessoas acreditam na minha tentativa de inovar. Acho que o fato de ser jovem e sincera nos propósitos, as propostas o material de campanha e o trabalho insano de toda equipe fizeram essa campanha vencedora. Pessoalmente, mesmo com a minha candidatura sendo decidida apenas em abril de 2008 visitei mais de 1800 lugares, de casa em casa, de núcleo em núcleo e voltando mais de uma vez para reafirmar os apoios.
Quanto ao financiamento, o partido ajudou todos os candidatos com um determinado valor. O restante veio de contribuições de pessoas e algumas empresas, em sua maioria, os mesmos que apóiam as campanhas do deputado estadual Adriano Diogo. Posso garantir, entretanto, que os recursos foram de empresas e pessoas idôneas.
GSM – De onde veio a maioria dos seus votos?
Juliana – Vieram de São Mateus, do Sapopemba e de Itaquera, além de outras regiões em menor número.
GSM – Em função dessa forte ligação com o deputado Adriano Diogo e pelo fato dele já ter sido vereador pela cidade de São Paulo, a senhora pensa em recuperar algum projeto apresentado por ele anteriormente?
 Juliana – Com certeza e já falamos sobre isso. Vamos analisar juntos e devo retomar alguns que sejam bons para a cidade. Se precisar, vamos atualizá-los para reapresentar.
GSM – É notório que a Câmara funciona com muita dificuldade para a atuação do vereador. Existem vários casos de vereadores que nunca tiveram seus projetos apreciados em função de uma prática não tão recente de ter que sempre debater projetos enviados pelo Executivo. Como à senhora pretende atuar dentro dessa realidade? Enfim, para que a senhora quis ser vereadora?
Juliana: Principalmente para fiscalizar, que é o nosso papel principal. Além do que, hoje existe uma infinidade de projetos de leis na Câmara. Quero do meu mandato e foi a isso que nos propomos ter um diferencial que será o de manter um link permanente com a população. Pretendo de alguma forma, incluir as comunidades e a população no processo político e já estou fazendo isso desde já. Independente de ser vereadora, já tinha essa proposta e comportamento. Atuar junto, ir lado a lado, tanto quanto possível. Existem leis, existem possibilidades e as pessoas precisam saber delas. Pretendo contribuir também nessa direção.
GSM – Recentemente o DM do seu partido (PT) divulgou documento que queria ver aprovado, mas que está sendo discutido nos diretórios zonais onde analisa a recente eleição e, de novo, conclama a militância e os quadros parlamentares do partido a fazer oposição ao Kassab na cidade de São Paulo. Como à senhora se posicionará diante dessa proposta?
Juliana: Tenho certeza que não vou votar por interesses escusos e particulares e se conseguir fazer o link entre população e legislativo já vai ser uma grande coisa. Agora quanto ao prefeito Kassab, o meu critério principal será o de fazer oposição se ele fizer alguma coisa que está fora dos padrões dos compromissos assumidos por ele e das leis. Posso até apoiar se ele fizer em benefício da maioria da população. Entretanto, teremos que estudar cada caso e não é possível, fazer atualmente apenas oposição por oposição. Além do que somos uma bancada e teremos que discutir com outros colegas de partido esses posicionamentos. De imediato já posso dizer que farei oposição a ele por conta de algumas reintegrações de posse da forma como vem ocorrendo em alguns lugares da cidade.
GSM – Onde, por exemplo?
Juliana: No prédio Mercúrio, aqui no centro e no São Francisco em São Mateus onde estão tentando desalojar as pessoas com 1000, 2000 reais de ajuda financeira. Não existem políticas públicas para habitação. Completando a resposta a sua pergunta, sei que não vou mudar o mundo, mas o pouco que fizer de diferente já justifica.
GSM – Existem casos de vereadores que chegaram cheios de intenções e que se enquadraram com o tempo. O que a senhora acha?
Juliana – Acho que posso até apanhar muito pela forma como pretendo exercer o mandato. Vou sentar-me a mesa com a bancada, com adversários e com o executivo e colocar e defender tanto quanto possível nossas posições.
GSM – A senhora já pensa em algum projeto específico?
Juliana – Queria apresentar um projeto para transformar o Morro do Cruzeiro em São Mateus em um parque municipal, pensando na sua preservação. Também em São Mateus queria ajudar a resolver o problema e aliviar o sofrimento dos moradores da Vila Bela.
GSM – Desde a sua posse até agora (meados de janeiro/08) o mandato já voltou às bases?
Juliana – Nossa primeira grande demanda foi em São Mateus. Estamos tendo reuniões com os moradores do Limoeiro, onde as famílias receberam multas da prefeitura que variam de 2 a 18 mil reais por ausência de habite-se. Com coisa que apenas lá ocorrem esse tipo de, digamos “irregularidade”. O mais curioso é que após a multa, os moradores andaram recebendo uma carta de particulares oferecendo assessoria jurídica. Já estivemos lá tentando falar com o subprefeito, Clóvis Luis Chaves que se encontra em férias e estamos tratando com assessores. Existem casas lá que o valor da multa se equivale ao valor real da casa. Essa é a primeira grande demanda que estou pessoalmente e através da assessoria jurídica do gabinete acompanhando.
GSM – Com essa presença em São Mateus a senhora acha que os apoiadores do ex-vereador Paulo Fiorilo possam fazer convergir esse apoio ao seu mandato?
Juliana – Primeiro queria registrar que fiquei muito triste com a não eleição dele. O Paulo era um parlamentar atuante e correto. Gostava muito da sua atuação na questão da criança e do adolescente. Quanto à pergunta eu não sei responder.
GSM – Para finalizar o que São Mateus pode esperar do seu mandato?
Juliana – São Mateus como toda zona leste, principalmente na periferia tem muitas necessidades e vou me dispor a ajudar os movimentos e as pessoas para fazer o que está na lei. Ajudando, orientando mesmo que nas coisas simples. Meu mandato vai tentar sempre dar as respostas e encaminhamentos rápidos às questões coletivas e comunitárias.
São Mateus está dentro desse contexto, mas poderia destacar o projeto para o Morro do Cruzeiro, a Vila Bela, a intervenção da Jacu Pêssego, a finalização da canalização do córrego Riacho dos Machados e a situação do São Francisco que tem interferência do Rodoanel e da Jacu Pêssego como prioridades. Lá existe a situação idealizada com o cadastro de moradores feito pela prefeitura em 2004 e a realidade atual que já é diferente e será preciso pensar alternativas para a eventual remoção daquelas pessoas que lá residem. Uma das saídas, por exemplo, é, em alguns casos, a prefeitura liberar verbas para projetos de mutirões para as pessoas construírem adequadamente suas casas. Estamos acompanhando isso com muita atenção.
GSM – Serão essas ações que justificaram os seus mais de 30 mil votos?
Juliana – É isso também, ando muito na periferia e nunca encontramos parlamentares, com exceção do meu companheiro Adriano Diogo. Quero ser uma vereadora com presença nas ruas. Vereador do povo praticando uma política que ajude a emancipar. Esse será o meu diferencial. Na casa, além do plenário e as demais funções de vereadora, gostaria de atuar na comissão interna de criança e adolescente e saúde, mas isso será decidido depois pela bancada do PT.
 
Publicado na edição de janeiro/2008 da Gazeta São Mateus

Written by Página Leste

26 de janeiro de 2009 às 11:59

Publicado em Notícias e política

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