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Archive for janeiro 2009

Sem Hamas, sem paz

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Com o cessar fogo em Gaza, Obama propõe-se a costurar uma paz definitiva no Oriente Médio, que garanta a segurança de Israel e a criação de um Estado palestino livre e viável. Mas sem a participação do Hamas, que considera um movimento terrorista que se nega a reconhecer Israel. Razões pelo menos discutíveis.

Nas lutas pela formação do país, em 1947-1948, Israel não foi menos “terrorista” do que o Hamas. “Nem a moralidade judaica e nem sua tradição podem negar o uso do terror como meio de batalha”, diz um texto do movimento judaico Lehi, que, entre outras ações, assassinou o conde Folke Berrnadotte, mediador da ONU entre árabes e judeus, e Lord Moyne, embaixador especial inglês no Oriente Médio, e massacrou 120 habitantes (inclusive mulheres e crianças) da aldeia árabe de Der Yassin.

Por sua vez, outro grupo, o Irgun Zvai Leumi, foi responsável por 200 atentados contra árabes e ingleses, entre os quais o enforcamento de dois sargentos britânicos e a explosão do hotel Rei Davi, onde estava instalada a administração inglesa, matando 200 pessoas. É importante lembrar que seus membros Menachen Begin e Yiztwah Samir foram posteriormente primeiros-ministros de Israel. Criado o Estado israelense, esses movimentos SE integraram ao exército, abandonando suas ações violentas.

O Hamas também. Ao vencer as eleições de janeiro de 2006, suspendeu seus ataques e ofereceu a Israel uma trégua de 10 anos. “A resposta dos israelenses foi caçar membros do Hamas por terra, mar e céu” (Amnon Kapeliouk, analista de jornais israelenses). A seguir seu governo reteve as taxas às quais os palestinos tinham pleno direito. E os Estados Unidos e a Europa cortaram toda a ajuda econômica.

Assim se iniciou um processo pelo qual Israel, com a cumplicidade do Ocidente, pretendia derrotar o Hamas, levando o caos à Faixa de Gaza. Enquanto isso, aviões judaicos procediam “assassinatos seletivos” de supostos terroristas, matando também muitos civis que estavam por perto. E os árabes respondiam com lançamento de foguetes primitivos, de escasso poder.

A situação se agravou em 2007, quando o Hamas expulsou o Fatah e passou a dominar Gaza sozinho. Diante de um incidente provocado por um grupo sobre o qual o Hamas não tinha controle, aviões israelenses bombardearam pontes, agências do correio, a Universidade Islâmica e a principal usina hidrelétrica de Gaza, além de destruir 70% dos laranjais “por questões de segurança”. Pior do que isso: Israel fechou as fronteiras. Ninguém, nem nada mais, podia entrar ou sair; nem alimentos, nem gasolina, nem combustível, nem medicamentos ou equipamentos hospitalares, nem peças para reposição de qualquer tipo.

As consequências foram: falta de energia elétrica e água tratada, fechamento de indústrias, desemprego de 60 a 70%, inflação altíssima, assistência médica precária, falta de alimentos, fome. E 50% da população vivendo abaixo do nível de pobreza extrema, dependendo dos caminhões de abastecimento da ONU que, com muita freqüência, o exército judeu proibia de entrarem. Assim, a população árabe foi condenada a uma morte lenta, o que levou o cardeal Renato Martino, presidente da Comissão de Justiça e Paz do Vaticano, a acusar: “Cada vez mais, Gaza parece um grande campo de concentração”.

A destruição da vida social e econômica de toda uma cidade, da dignidade e da saúde de seus habitantes, particularmente as crianças vítimas da desnutrição, planejada e executada por Israel, é terrorismo de Estado, certamente muito mais grave do que os danos e sustos provocados pelos foguetes árabes sobre Sderot.

Em junho de 2008, as partes estabeleceram uma trégua. Segundo o próprio Centro de Informação de Terrorismo e Inteligência de Israel “o Hamas não participou de nenhum lançamento de foguetes e até evitou que outras organizações atacassem”. Respeitou o cessar-fogo.

Mas o governo de Tel Aviv não. O bloqueio, embora algumas vezes amenizado, continuou. E em novembro de 2008 o exército judeu matou seis palestinos sob acusações não comprovadas. Diante disso, o Hamas rejeitou o prolongamento da trégua. A resposta foi o massacre da indefesa população de Gaza.

Em todo esse episódio, quem foi mais violento contra civis? Quem foi o verdadeiro terrorista? Pelos critérios dos americanos e europeus, quem deveria ser excluído das negociações do futuro Estado palestino seria Israel, não o Hamas.

Na verdade o motivo do veto ao Hamas é muito diferente daquele que Washington e Tel Aviv alegam. Talvez com exceção do governo Rabin, a idéia dos dois Estados, com a Palestina ocupando as terras tomadas pelo exército israelense na guerra de 1967, nunca foi aceita por Israel.

Pelo contrário, seu objetivo real é aumentar o número de assentamentos na Cisjordânia, acentuando seu caráter judeu e de parte inalienável de Israel, deixando, no máximo, apenas uma parte do país aos palestinos, com autonomia limitada. Desde os primeiros anos de Israel, seus governos incentivaram de todos os modos a abertura de novos assentamentos na Cisjordânia.

Assim, por exemplo, em 16 de fevereiro de 2004, Ariel Sharon declarou que jamais devolveria aos árabes os principais assentamentos na Cisjordânia. Vale citar as declarações ao jornal Haaretz de Dov Weinglass, chefe dos negociadores do governo Sharon com o governo Bush, nessa ocasião. “Efetivamente, esse pacote que é chamado ‘Estado palestino’ foi removido de nossa agenda indefinidamente. Tudo isso com autoridade e permissão do presidente Bush”.

Mais recentemente, em 2007, na conferência internacional de Annapolis, apesar de o primeiro ministro Olmert ter se comprometido a impedir novos assentamentos e a remover muitos dos existentes, em 2008 houve um aumento de 60% no total deles. Nem um só foi evacuado.

Estes fatos demonstram claramente que o governo de Tel Aviv pretende manter fora de um eventual Estado palestino o máximo possível de territórios. Aliás, no ano passado, Ehud Olmert foi enfático: “Nós conservaremos os maiores blocos de assentamentos (na Cisjordânia) e manteremos Jerusalém unida”. Acrescentou ainda que os dois lados do rio Jordão continuariam território israelense.

Para garantir a ligação a Israel dos assentamentos mais afastados, já foram construídas estradas e 625 “check-points”, sob controle do exército israelense, dividindo um futuro ‘Estado palestino’ numa série de autênticos bantustões, cujos habitantes teriam de pedir permissão aos militares de Israel para viajar em seu próprio país.

Esse tipo de Estado não poderia ser “viável”, como quer o presidente Obama. E jamais seria aceito pelo Hamas. Que também exige a cessão de Jerusalém e a volta dos 700 mil árabes e seus descendentes expulsos de suas terras pelos judeus. Portanto, o Hamas não serve como parceiro de Israel nas negociações da “solução dos dois Estados”. Já o Fatah do moderado Abbas tem se mostrado cordato. Só que é o Hamas quem mais representa o povo palestino, especialmente depois do episódio de Gaza. Enquanto o Hamas defendia a população, Abbas inicialmente apontou-o como culpado pela guerra. Enquanto isso, na Cisjordânia, as forças da Autoridade Palestina reprimiram as passeatas de protesto contra o exército de ocupação judeu.

Buscando retomar prestígio, Abbas corrigiu seus erros, condenando Israel e propondo o julgamento de seus chefes militares por crimes de guerra. Com isso, se esboça uma nova aliança entre Hamas e Fatah. Inaceitável para Israel, como já declarou Tzipi Livni. Por razões óbvias.

Mas e o que fará Obama? Ele enviou ao Oriente um senador respeitado, George Mitchell. Mas se persistir em ignorar o Hamas estará dando força a quem não quer nenhuma solução aceitável para o problema. A Israel.

As coisas tendem a piorar com a provável eleição do ultradireitista Netanyahu, que nega expressamente aos palestinos o direito de autodeterminação em Gaza e na margem oeste.

Será uma boa oportunidade para Obama provar que seu empolgante discurso de posse não foi apenas “words, words, words”.

Luiz Eça é jornalista. Correio Da Cidadania

Written by Página Leste

31 de janeiro de 2009 at 11:49

Publicado em Notícias e política

As razões do conflito no Oriente Médio

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 As respostas a uma agressão só podem ser três: revidar, quando as forças estão suficientes acumuladas para isso ou não reste alternativa, como um gato acuado na quina de uma parede onde a única saída é para cima do agressor; a fuga, quando o gato tem outras saídas diferentes da quina da parede ou dar a outra face e continuar apanhando, um caminho que pode implicar na eliminação física do gato.
Diante dessa premissas é legítimo os foguetes disparados pelo Hamás em Israel e a resposta de Israel com todo seu poderio militar. Simples assim? Antes fosse. É preciso contextualizar o que vem ocorrendo ou como o gato foi parar na quina da parede. Quais os motivos que levam israelenses e palestinenses às escaramuças.
Já em 1938, o historiador George Antonius, profundo conhecedor do nacionalismo árabe, previa conseqüências desastrosas com a criação de um Estado judeu na Palestina. Escrevendo o calor da revolta dos palestinos contra a imigração judaica e o domínio britânico já enfraquecido entre 1936 e 1939, o autor, de forma precisa, identifica a verdadeira origem do conflito entre árabe e palestinos. “O tratamento dado aos judeus da Alemanha e outros países europeus é uma vergonha para seus autores e para a civilização moderna; mas a posteridade não exonerará nenhum país que não consiga enfrentar sua parte dos sacrifícios necessários para aliviar o sofrimento e a angústia dos judeus. Impor a maior parte da carga à Palestina árabe é uma miserável forma de esquivar-se das responsabilidades que deveriam recair sobre todo o mundo civilizado. Também é moralmente vergonhoso. Nenhum código moral pode justificar a perseguição de um povo em uma tentativa de pôr fim à perseguição de outro. O remédio para a expulsão dos judeus da Alemanha não deve ser buscado na expulsão dos árabes de sua pátria; e também não se conseguirá o alívio da angústia dos judeus à custa da angústia de um povo inocente e pacífico”.
Como um profeta. Dez anos depois, em 1948, a Palestina era dividida em dois Estados – um árabe e outro judeu. A iniciativa, que ignorou a opinião dos próprios palestinos, deu início à primeira guerra entre os dois povos, ao longo da qual cerca de 750 mil árabes foram expulsos de suas casas. Era o início de uma tragédia que ainda está longe de terminar.
Também é bom registrar que o conflito israelo-palestino é parte de um contexto maior e remonta aos fins do século XIX quando se fixaram na região colonos judeus movidos pelo projeto do sionismo, cujo objetivo era fundar na Palestina um estado judeu, onde já existia uma população nativa.
É imperioso também saber que o começo do terrorismo neste conflito é obra de Israel com as bombas em cafés utilizadas pelos sionistas pela primeira vez na Palestina em 17/03/1937, em Jaffa. Depois em automóveis, utilizadas primeiro pelos sionistas em 20/08 e 26/09 de 1937. Primeiras bombas em supermercados em 06/07/1938, em Haifa. Bombas em hotéis em 22/07/1946, em Jerusalém. Bombas em embaixadas estrangeiras em 01/10/1946, em Roma (contra os britânicos). Minagem de bombas e cartas bombas em 21/10/1946, em Petah Tikvah e contra alvos britânicos no Reino Unido em junho de 1947 completam o quadro.
Com relação ao Hamas, que hoje vive às escaramuças com Israel é bom saber que ele só nasceu em 1987 quando a expulsão de árabes das suas casas e a destruição de aldeias já tinham sido iniciados há mais de 60 anos. Sabra e Shatila aconteceu em 1982: Entre 1,5 mil e 2,5 mil refugiados palestinos – além de alguns cidadãos libaneses – foram massacrados em 16, 17 e 18 de setembro de 1982 nos acampamentos, quando Israel entrou em Beirute, dois dias após o assassinato do presidente Bachir Gemayel. Em 19 de setembro de 1982, após três dias de total silêncio, os libaneses descobriram o massacre dos civis. Alguns podiam ser identificados, mas outros estavam inchados, apunhalados ou estripados.
É possível listar pelo mais de doze massacres de civis árabes (palestinos) antes da existência do Hamas. Sem falar do dia-dia de assassinatos indiscriminados, tortura, demolições de habitações e a humilhação diária com colonos fanáticos matando palestinos. Como o gato reagindo, logicamente o Hamas é cria dessa situação.
Dizendo o que não pode ser esquecido é importante conhecer o que pensava um proeminente judeu, o ex-primeiro ministro David Bem Gurion – um dos fundadores do Estado de Israel, em trecho do livro “The Jewish Paradoxo”(1), de Nathan Goldman, ex-presidente do World Jewish Congress(2). “… Porque haveriam os árabes de querer a paz? Se eu fosse um líder árabe nunca iria parlamentar com Israel. É óbvio: nós ocupamos a terra deles. É certo que Deus tinha-no-la prometido, mas que significa isso para eles?(…)Houve o anti-semitismo, os nazis, o Hitler, Auschwitz, mas que culpa tiveram eles? Os árabes apenas vêem uma coisa: que viemos para aqui, que roubamos as suas terras. Porque haveriam de aceitar tal coisa?…”
Por apenas essa amostra pontual de alguns acontecimentos é previsível que tenhamos que conviver com mentiras e simplismos como culpar o Hamás _ como se ele já não fosse culpado do próprios crimes, mas não o de ter rompido o cessar-fogo mais recente. Este foi rompido por Israel, primeiro dia 4/11; quando bombardeou e matou seis palestinenses em Gaza e, depois, outra vez, dia 17/11, quando outra vez bombardeou e matou mais quatro palestinenses.
É claro que os israelenses merecem também segurança com seus 20 mortos nos arredores de Gaza, mas 600 palestinos mortos em uma semana que somam-se aos milhares assassinados desde 1948 – quando a chacina de Deir Yassin ajudou a mandar para o espaço os habitantes autóctones dessa parte do mundo que viria a chamar-se Israel – é outro assunto e é outra escala.
Dessa vez entretanto, a guerra, antes do estabelecimento da trégua entre as partes nos últimos dias estava se configurando bastante grave e com a sua continuidade seria possível os árabes enlouquecerem de fúria e virmos crescer seu ódio incendiário, cego, contra o Ocidente. Hipocritamente sempre poderemos dizer que “não é conosco”. Sempre haverá quem pergunte “Por que nos odeiam tanto?” Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê. (JMN)
 (1) O Paradoxo Judeu. (2) Congresso Mundial Judeu.

Written by Página Leste

26 de janeiro de 2009 at 12:00

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Vereadora da zona leste quer fazer diferença na Câmara

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Eleita com mais de 30 mil votos, Juliana Cardoso (PT) assumiu uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo no início de 2009 e diz que as comunidades de São Mateus podem contar com o seu apoio e presença nas lutas e demandas legítimas. Destaca que priorizará a transformação do Morro do Cruzeiro em um parque municipal ambiental e contribuirá com as tentativas de regularização fundiária da Vila Bela.
Sua vida política começou ainda criança quando acompanhava reuniões e as andanças de pai e mãe que eram militantes dos movimentos de habitação e da saúde. Acompanhou também a construção do PT e conviveu com nomes importantes de petistas.
Seis anos atrás, no movimento estudantil, começou a militância individualmente quando sua mãe mudou-se. Foi na Escola Rubens Paiva onde travou seu primeiro desafio individual na luta para que a escola técnica em que estudava tivesse equipamentos compatíveis com os cursos profissionalizantes que pretendia ministrar. Segundo a vereadora, a Rubens Paiva foi primeira escola técnica de São Paulo, mas tinha uma precária infra-estrutura. Juliana tinha 17 anos na época. Nesse tempo já trabalhava regularmente e no tempo livre atuava junto aos movimentos sociais e na área de cultura.
Mais tarde com 19 anos foi porta bandeira de escola de samba e atuava nos movimentos sociais na área da cultura. Por essa razão também, foi convidada pelo deputado estadual Adriano Diogo para trabalhar com ele na secretaria do Verde e Meio Ambiente na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy. Adriano já era um velho conhecido dos pais. Juliana então trabalhou na coordenadoria de participação popular e educação ambiental, em contato direto com a população. Sempre auxiliando o deputado Adriano Diogo nas campanhas, a recíproca veio agora com o deputado se empenhando em sua eleição. Acompanhe os principais trechos da rápida entrevista que concedeu com exclusividade a Gazeta São Mateus. (JMN)
 
GSM – A que a senhora atribui a sua eleição numa conjuntura onde é cada vez mais rara a renovação dos eleitos e onde o custo para se eleger é quase sempre astronômico?
Juliana – A minha eleição é resultado principalmente do apoio do grupo que faço parte junto com o deputado estadual Adriano Diogo. Um grupo muito unido e com forte presença nos movimentos sociais e populares. Para ser a candidata passei por um processo interno de indicação disputando com outras três pessoas que abriram mão de suas indicações a meu favor. Além do que eu também já fazia muitos trabalhos nas bases e a minha forma de trabalhar deu a credibilidade. As pessoas acreditam na minha tentativa de inovar. Acho que o fato de ser jovem e sincera nos propósitos, as propostas o material de campanha e o trabalho insano de toda equipe fizeram essa campanha vencedora. Pessoalmente, mesmo com a minha candidatura sendo decidida apenas em abril de 2008 visitei mais de 1800 lugares, de casa em casa, de núcleo em núcleo e voltando mais de uma vez para reafirmar os apoios.
Quanto ao financiamento, o partido ajudou todos os candidatos com um determinado valor. O restante veio de contribuições de pessoas e algumas empresas, em sua maioria, os mesmos que apóiam as campanhas do deputado estadual Adriano Diogo. Posso garantir, entretanto, que os recursos foram de empresas e pessoas idôneas.
GSM – De onde veio a maioria dos seus votos?
Juliana – Vieram de São Mateus, do Sapopemba e de Itaquera, além de outras regiões em menor número.
GSM – Em função dessa forte ligação com o deputado Adriano Diogo e pelo fato dele já ter sido vereador pela cidade de São Paulo, a senhora pensa em recuperar algum projeto apresentado por ele anteriormente?
 Juliana – Com certeza e já falamos sobre isso. Vamos analisar juntos e devo retomar alguns que sejam bons para a cidade. Se precisar, vamos atualizá-los para reapresentar.
GSM – É notório que a Câmara funciona com muita dificuldade para a atuação do vereador. Existem vários casos de vereadores que nunca tiveram seus projetos apreciados em função de uma prática não tão recente de ter que sempre debater projetos enviados pelo Executivo. Como à senhora pretende atuar dentro dessa realidade? Enfim, para que a senhora quis ser vereadora?
Juliana: Principalmente para fiscalizar, que é o nosso papel principal. Além do que, hoje existe uma infinidade de projetos de leis na Câmara. Quero do meu mandato e foi a isso que nos propomos ter um diferencial que será o de manter um link permanente com a população. Pretendo de alguma forma, incluir as comunidades e a população no processo político e já estou fazendo isso desde já. Independente de ser vereadora, já tinha essa proposta e comportamento. Atuar junto, ir lado a lado, tanto quanto possível. Existem leis, existem possibilidades e as pessoas precisam saber delas. Pretendo contribuir também nessa direção.
GSM – Recentemente o DM do seu partido (PT) divulgou documento que queria ver aprovado, mas que está sendo discutido nos diretórios zonais onde analisa a recente eleição e, de novo, conclama a militância e os quadros parlamentares do partido a fazer oposição ao Kassab na cidade de São Paulo. Como à senhora se posicionará diante dessa proposta?
Juliana: Tenho certeza que não vou votar por interesses escusos e particulares e se conseguir fazer o link entre população e legislativo já vai ser uma grande coisa. Agora quanto ao prefeito Kassab, o meu critério principal será o de fazer oposição se ele fizer alguma coisa que está fora dos padrões dos compromissos assumidos por ele e das leis. Posso até apoiar se ele fizer em benefício da maioria da população. Entretanto, teremos que estudar cada caso e não é possível, fazer atualmente apenas oposição por oposição. Além do que somos uma bancada e teremos que discutir com outros colegas de partido esses posicionamentos. De imediato já posso dizer que farei oposição a ele por conta de algumas reintegrações de posse da forma como vem ocorrendo em alguns lugares da cidade.
GSM – Onde, por exemplo?
Juliana: No prédio Mercúrio, aqui no centro e no São Francisco em São Mateus onde estão tentando desalojar as pessoas com 1000, 2000 reais de ajuda financeira. Não existem políticas públicas para habitação. Completando a resposta a sua pergunta, sei que não vou mudar o mundo, mas o pouco que fizer de diferente já justifica.
GSM – Existem casos de vereadores que chegaram cheios de intenções e que se enquadraram com o tempo. O que a senhora acha?
Juliana – Acho que posso até apanhar muito pela forma como pretendo exercer o mandato. Vou sentar-me a mesa com a bancada, com adversários e com o executivo e colocar e defender tanto quanto possível nossas posições.
GSM – A senhora já pensa em algum projeto específico?
Juliana – Queria apresentar um projeto para transformar o Morro do Cruzeiro em São Mateus em um parque municipal, pensando na sua preservação. Também em São Mateus queria ajudar a resolver o problema e aliviar o sofrimento dos moradores da Vila Bela.
GSM – Desde a sua posse até agora (meados de janeiro/08) o mandato já voltou às bases?
Juliana – Nossa primeira grande demanda foi em São Mateus. Estamos tendo reuniões com os moradores do Limoeiro, onde as famílias receberam multas da prefeitura que variam de 2 a 18 mil reais por ausência de habite-se. Com coisa que apenas lá ocorrem esse tipo de, digamos “irregularidade”. O mais curioso é que após a multa, os moradores andaram recebendo uma carta de particulares oferecendo assessoria jurídica. Já estivemos lá tentando falar com o subprefeito, Clóvis Luis Chaves que se encontra em férias e estamos tratando com assessores. Existem casas lá que o valor da multa se equivale ao valor real da casa. Essa é a primeira grande demanda que estou pessoalmente e através da assessoria jurídica do gabinete acompanhando.
GSM – Com essa presença em São Mateus a senhora acha que os apoiadores do ex-vereador Paulo Fiorilo possam fazer convergir esse apoio ao seu mandato?
Juliana – Primeiro queria registrar que fiquei muito triste com a não eleição dele. O Paulo era um parlamentar atuante e correto. Gostava muito da sua atuação na questão da criança e do adolescente. Quanto à pergunta eu não sei responder.
GSM – Para finalizar o que São Mateus pode esperar do seu mandato?
Juliana – São Mateus como toda zona leste, principalmente na periferia tem muitas necessidades e vou me dispor a ajudar os movimentos e as pessoas para fazer o que está na lei. Ajudando, orientando mesmo que nas coisas simples. Meu mandato vai tentar sempre dar as respostas e encaminhamentos rápidos às questões coletivas e comunitárias.
São Mateus está dentro desse contexto, mas poderia destacar o projeto para o Morro do Cruzeiro, a Vila Bela, a intervenção da Jacu Pêssego, a finalização da canalização do córrego Riacho dos Machados e a situação do São Francisco que tem interferência do Rodoanel e da Jacu Pêssego como prioridades. Lá existe a situação idealizada com o cadastro de moradores feito pela prefeitura em 2004 e a realidade atual que já é diferente e será preciso pensar alternativas para a eventual remoção daquelas pessoas que lá residem. Uma das saídas, por exemplo, é, em alguns casos, a prefeitura liberar verbas para projetos de mutirões para as pessoas construírem adequadamente suas casas. Estamos acompanhando isso com muita atenção.
GSM – Serão essas ações que justificaram os seus mais de 30 mil votos?
Juliana – É isso também, ando muito na periferia e nunca encontramos parlamentares, com exceção do meu companheiro Adriano Diogo. Quero ser uma vereadora com presença nas ruas. Vereador do povo praticando uma política que ajude a emancipar. Esse será o meu diferencial. Na casa, além do plenário e as demais funções de vereadora, gostaria de atuar na comissão interna de criança e adolescente e saúde, mas isso será decidido depois pela bancada do PT.
 
Publicado na edição de janeiro/2008 da Gazeta São Mateus

Written by Página Leste

26 de janeiro de 2009 at 11:59

Publicado em Notícias e política