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Campanha eleitoral é um festival de ofertas

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A campanha em segundo turno para a Prefeitura de São Paulo está chegando a um ponto que faz a cidadania se perguntar: são propostas de governo que estão nos sendo apresentadas ou novas formas de viver e se comportar sob a tutela absoluta do Estado?

A atual campanha, de ambos os candidatos, Marta e Kassab, com apenas diferença de intensidade não deixam espaço algum para o papel ativo da população ou da sociedade organizada. Tudo se dá, tudo se resolve com fórmulas prontas de cima para baixo, sem espaços de manobra e sem conflitos aparentes, eles não são permitidos tudo se resolve com a política certa.

As oferendas dos candidatos são tantas e tão abrangentes que vem colocando toda a sociedade de joelhos, de boca aberta e mãos elevadas para agarrar as migalhas prontas que os candidatos a gerentes da próxima administração dizem que vão dar. Onde está a cidadania nessa posição subalterna? Tem sido constrangedor a população e o eleitor ter que optar por quem dá mais.

A situação, tão exacerbada, está resvalando para o primeiro estágio da barbárie com a renúncia ao enfrentamento pela sociedade da complexidade que a democracia demanda na desejável gestão coletiva nos rumos da cidade.

Sintomas e amostras dos equívocos não faltam e podem ser percebidos em ambas as campanhas, basta anotar todas as promessas de providências que ele dizem que vão tomar. Em quase todas elas restará a sociedade receber, caso elas sejam implementadas que é outra discussão, os frutos sadios ou adoentados de políticas públicas concebidas em gabinetes e laboratórios sem o suor honesto das ruas.

Resultado de marketing onde um sabonete cheiroso é confrontado por outro que se diz mais perfumado. É nulo o papel da cidadania, nem o voto tem valor nisso. É um jogo de mercado onde se escolherá o mais atraente ou perfumado.

Para deixar claro a despolitização e a alienação da atual campanha, basta lembrar que o candidato Kassab, em campanha, está propondo cuidar das crianças desde a gestação. Segundo a proposta: do vente materno, já tutelado pelo prefeito, a criança irá para as creches, atuais centros de educação infantil e deles para a rede pública de ensino que até lá, provavelmente, será em período integral e depois para o CEU e sabe-se lá para onde depois.

A pergunta é qual o papel das famílias nisso tudo? Elas só vão precisar gerar novas crianças que o prefeito vai cuidar com formulas prontas e sem discussão e ingerência?

Somos nós que pagamos as contas com impostos e taxas e cabe ao governo servir a sociedade e não o contrário. Não cabe a gente deliberar sobre isso e outras providências que estão sendo prometidas?

J. de Mendonça Neto, jornalista e editor.

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 às 10:51

Publicado em Notícias e política

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