Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Archive for outubro 2008

Mais maduro o eleitor escolhe entre as melhores ofertas

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Para além de entrar no mérito se foram eleitos os melhores prefeitos em cada cidade, principalmente nas capitais, o que se viu nas últimas eleições em primeiro e segundo turno é que o eleitor, de uma maneira geral, está mais maduro e definindo com objetividade o seu voto.
De fato, quase nada do que se fez em termos de campanha de rua com panfletagem e visibilidade em bandeiraços e outros expedientes similares demoveram os eleitores de suas intenções de votos. No caso de São Paulo o que se viu nas campanhas de TV que foi por onde os eleitores fizeram suas escolhas entre o primeiro e o segundo colocados foi um festival de ofertas.
Não houve um espaço para a cidadania como ação coletiva de baixo para cima e as campanhas passaram ao longe do cheiro das ruas. Todas as campanhas foram geradas e concebidas por marqueteiros, gente especializada em vender produtos, e, vender bem. A propaganda brasileira está entre as mais criativas.
Foi nesse cenário que o eleitor, sem querermos entrar no mérito disso, definiu o seu posicionamento e voto. Recebia diariamente promessas e mais promessas de realizações e, se um candidato oferecia o céu o outro oferecia o céu com anjinho dentro. Se uma campanha prometia cortar imposto era possível esperar que a outra além de cortar imposto talvez prometesse alguma devolução.
Isso foi a campanha em São Paulo. Sem espaço para discussão de conteúdos ideológicos. Tudo ficou resumido a escolher em quem prometesse dar mais. As campanhas foram montadas com esses objetivos e o eleitor entendeu o recado vendo que a disputa seria apenas essa e não teve dúvidas em fazer suas opções, enfim, entrou no clima de observar quem tinha melhores ofertas aliadas a capacidade de cumpri-las. Se a campanha desse ano resumiu-se a esse mercado a culpa é dos candidatos, suas direções ou falta de direções políticas e seus marqueteiros. O povo, sabiamente e mais maduro fez a sua escolha nesse cenário estreito. (JMN)
 
Publicado na Gazeta São Mateus, ed 278 – 2a quinzena de 2008

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30 de outubro de 2008 at 17:55

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Foi dada a partida para 2010

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Mal acabou a apuração do segundo turno de 2008 e já foi possível detectar que a grande mídia já deu partida a campanha presidencial de 2010 e, sem muitas firulas já mostrou quem é o seu candidato: o tucano José Serra, segundo a leitura dessa mídia o grande vencedor.

Os donos da mídia dominante apoiaram-se principalmente no resultado da capital paulista com a eleição de Gilberto Kassab, a rigor, o único grande trunfo da aliança PSDB_DEM. O fato é que totalizado os resultados a oposição saiu enfraquecida das eleições municipais. No segundo turno, com 30 cidades em disputa a base aliada (PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC, PTdoB, PSB, PDT, PCdoB, PMN e PAN) sai com 20 prefeitos entre as 26 capitais brasileiras ode a oposição se saiu com apenas meia dúzia.

Vale lembrar o que se passou em 2004, quatro anos atrás, quando Serra foi eleito com a mídia garantindo que por isso a oposição entrava forte na sucessão presidencial. Não foi bem assim, a indicação de Serra, em 2006, tropeçou com o surgimento de outro postulante tucano, o então governador Geraldo Alckmin que se impôs e, apesar de toda conjuntura na época com a divulgação intensa sobre o ‘mensalão’ desde 2005, Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu com mais de 60% dos votos tornando-se até agora o presidente da República mais bem avaliado desde que se começou a fazer pesquisas de opinião pública no país.

O fator Minas

A vontade da mídia não será o suficiente para colocar o governador Serra no patamar de preferência nacional até 2010. É público e notório a existência de outro tucano de bico blindado no páreo: o governador mineiro Aécio Neves, que trabalhou e muito para colocar na Prefeitura de Belo Horizonte um eu tutelado, Márcio Lacerda (PSB). Vai criar obstáculos a intenção paulista. Basta registrar que Aécio tem na ponta da língua um discurso muito bem calcado para disputar a indicação com Serra. “Chega de paulistas disputando a Presidência pelo PSDB; depois de Mário Covas (1989), Fernando Henrique (1994 e 1998), Serra (2002) e Alckmin (2006), é hora de mudar o disco”. “Essa vitória é a vitória de um projeto, mais que de um candidato. É um projeto de Minas”, insistia o governado mineiro ao comentar o segundo turno. “Essa não é apenas a vitória do governador e do novo prefeito (de Belo Horizonte). Sinaliza para algo novo no Brasil”. Dá para ter dúvidas sobre o que ele que dizer?

Fator surpresa

Uma outra coisa não que a mídia não registrou direito e não fez questão de divulgar é que com a economia crescendo e o presidente bem avaliado, os ocupantes das prefeituras tiveram um enorme trunfo nas disputas, pois usufruíram desse crescimento nacional. Nas capitais, dos 20 prefeitos que tentaram a reeleição, dezenove se elegeram e Kassab foi um deles.

Em 2010 não se tem nenhuma garantia que o ambiente propício vai se repetir. O cenário pode também ser bem diferente, a depender principalmente dos encaminhamentos para a crise que sopram dos Estados Unidos. Não que o tufão que vem vindo de lá possa derrubar por si só o Lula e o seu campo político, pelo menos até agora isso não tem ocorrido, mas é possível que chegue mais fortemente ao Brasil e para o mal ou para o bem, as opções econômicas que poderão ser adotadas internamente podem delimitar diferenças mais explícita com a oposição conservadora e neoliberal e com a própria ortodoxia ainda predominante em áreas do governo, como a equipe do Banco do Brasil. Na crise a eleição presidência tenderia a ser mais politizada com mais explicitação de opções.

Serra vai tentar se impor

Apesar dessas nuances que podem dificultar sua vida enquanto postulante a candidato a Presidência em 2010, Serra se fortaleceu com a vitória do Kassab sobre Marta Suplicy (PT), principalmente porque demonstra até onde ele pode ir quando atrás de seus objetivos. Em 2002, foi à vez de Roseana Sarney que se colocou como obstáculo e foi atropelada. Em 2008, agora, foi Alckmin o traído pelos serristas de seu próprio partido.

Serra se diz não arrogante, mas não pensa pequeno e opera: deu certo atropelando Alckmin e o governador de Minas Aécio Neves deve saber avaliar esse comportamento e deve estar tomando suas precauções e, talvez até tome a dianteira de forma mais agressiva uma vez que o governador mineiro é melhor de voto que o governado de São Paulo. A rigor, concorrendo a cargos executivos Serra ganhou apenas para prefeito em 2004 e para governador em 2006 e perdeu em três outras ocasiões, para prefeito (1988 e 1996) e presidente (2002). A mídia que já colocou Serra como o favorito está arriscando sobre um fato que ainda está longe de ser consumado. (JMN)
 
Publicado no jornal Primeiro Lance de 31/10/08 e Gazeta São Mateus, ed 278 2a quinzena de outubro/2008

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30 de outubro de 2008 at 17:53

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O risco de esquecer o holocausto em tempos de crise

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Para que não se perca na lembrança, o holocausto, cuja palavra de origem grega significa queimado e que desde o século XIX passou a designar grandes catástrofes e massacres tem como marca recente o extermínio de judeus e outros grupos indesejados pelo regime nazista de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Pois bem, não faz muito tempo, o Reino Unido suprimiu dos seus currículos escolares o assunto porque ofendia a população muçulmana, visto que, parte dela, afirma que ele nunca teria ocorrido. Medo? Política de boa vizinhança com o regime do Irã que, entre outros, vem sustentando que o holocausto não teria ocorrido? Quais outros países podem, também pelos mesmos motivos, tentar mandar para o limbo do esquecimento esse assunto?
Tinha razão o general Dwight D. Einsenhower quando, ao final da guerra. ordenou que fossem feitos filmes e fotos. Na ocasião ele previa: “Que se tenha o máximo de documentação – façam filmes – gravem testemunhos – porque há-de vir um dia em que  algum idiota se vai erguer e dizer que isto nunca aconteceu” Ao encontrar algumas centenas de vítimas dos campos de concentração, como vencedor da guerra, o general ordenou que fosse feito as fotos e filmes. Ao mesmo tempo os alemães da cidades vizinhas foram guiadas até os campos e até mesmo ajudaram a enterrar os mortos para comprovar o que hoje alguns tentam esquecer e outros negar.
E não se trata aqui de uma posição religiosa ou racial. De fato a  maior parte dos exterminados era judia, mas também havia militantes comunistas, homossexuais, ciganos, eslavos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros países do Leste Europeu, além de ativistas políticos,  Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos e sindicalistas, pacientes psiquiátricos e criminosos de delito comum.
Ocorre que fanatismos e xenofobias sempre prosperam quando em conjunturas de crises sócio-econômicas quando, com maior ou menor intensidade, surgem grupos organizados interessados na destruição da ordem ou desordem existente na perspectiva de substituí-la por outra. Quando de sua existência, o nazismo queria resolver os problemas sócio-econômicos da Alemanha de então, mas queriam também mudar o curso da história. Foi no centro desse pensamento que aflorou a teoria da conspiração judia. Mesmo em contradições flagrantes, eles entendiam a humanidade como uma guerra de raças em contraposição aos marxistas que alegavam que os problemas diziam respeito a luta de classes.
Para os nazistas, os judeus, ao ocuparem importantes funções dentro da economia, artes, meios de comunicação e literatura, atrapalhavam o seu objetivo de conquista de poder através do liberalismo e da democracia em alguns países e, em outros, sob a máscara do socialismo e do comunismo. Para o historiador Erich Goldhagen, do Russiam Research Center, da Universidade de Harvard, "esses apelos contraditórios serviriam para atrair as várias classes ao movimento nazista, mesmo não podendo resolver os antagonismos que as dividiam”. O problema da luta de classes, como corretamente lembrada pelos marxistas, era em parte resolvida pela imaginária ameaça judia. Em face do perigo judeu o trabalhador alemão resolveu suas diferenças com os inimigos de classe, chegando a um consenso que contemplava os interesses comunitários. Também a idéia da inferioridade judia, e conseqüentemente superioridade alemã, teve implicações pseudo-igualitárias que representaram outro fator para a coesão nacional.
Goldhagen destaca que desta maneira, o anti-semitismo serviu aos nazistas "não somente como uma bandeira de união em sua ascensão ao poder, mas exercendo funções essenciais ao regime". "Ao contrário dos comunistas, que se dirigiam apenas ao proletariado, Hitler apelava para toda sociedade alemã. Para os trabalhadores, os nazistas se apresentavam com a máscara socialista e se declaravam inimigos da ‘plutocracia capitalista’. Para os industriais, prometiam reprimir os poderosos sindicatos alemães e a esquerda. A classe média, mais duramente atingida pela crise econômica, era assediada com promessas de segurança econômica, proteção contra o avanço comunista e restauração do status perdido".
Na atualidade é prudente lembrar que deixando de lado a obsoleta tese da inferioridade judia e demais segmentos minoritários, a luta de classes, embora colocada em termos muito mais sofisticados ainda persiste e um aprofundamento da crise com o aumento da presença muçulmana que prega a inexistência do holocausto pode prosperar no caldo de cultura a idéia de que a luta de classes não existe e sim raças e religiões que estão acima das outras.
Publicado no Jornal Primeiro Lance edição de 31/10/08

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30 de outubro de 2008 at 17:51

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Campanha eleitoral é um festival de ofertas

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A campanha em segundo turno para a Prefeitura de São Paulo está chegando a um ponto que faz a cidadania se perguntar: são propostas de governo que estão nos sendo apresentadas ou novas formas de viver e se comportar sob a tutela absoluta do Estado?

A atual campanha, de ambos os candidatos, Marta e Kassab, com apenas diferença de intensidade não deixam espaço algum para o papel ativo da população ou da sociedade organizada. Tudo se dá, tudo se resolve com fórmulas prontas de cima para baixo, sem espaços de manobra e sem conflitos aparentes, eles não são permitidos tudo se resolve com a política certa.

As oferendas dos candidatos são tantas e tão abrangentes que vem colocando toda a sociedade de joelhos, de boca aberta e mãos elevadas para agarrar as migalhas prontas que os candidatos a gerentes da próxima administração dizem que vão dar. Onde está a cidadania nessa posição subalterna? Tem sido constrangedor a população e o eleitor ter que optar por quem dá mais.

A situação, tão exacerbada, está resvalando para o primeiro estágio da barbárie com a renúncia ao enfrentamento pela sociedade da complexidade que a democracia demanda na desejável gestão coletiva nos rumos da cidade.

Sintomas e amostras dos equívocos não faltam e podem ser percebidos em ambas as campanhas, basta anotar todas as promessas de providências que ele dizem que vão tomar. Em quase todas elas restará a sociedade receber, caso elas sejam implementadas que é outra discussão, os frutos sadios ou adoentados de políticas públicas concebidas em gabinetes e laboratórios sem o suor honesto das ruas.

Resultado de marketing onde um sabonete cheiroso é confrontado por outro que se diz mais perfumado. É nulo o papel da cidadania, nem o voto tem valor nisso. É um jogo de mercado onde se escolherá o mais atraente ou perfumado.

Para deixar claro a despolitização e a alienação da atual campanha, basta lembrar que o candidato Kassab, em campanha, está propondo cuidar das crianças desde a gestação. Segundo a proposta: do vente materno, já tutelado pelo prefeito, a criança irá para as creches, atuais centros de educação infantil e deles para a rede pública de ensino que até lá, provavelmente, será em período integral e depois para o CEU e sabe-se lá para onde depois.

A pergunta é qual o papel das famílias nisso tudo? Elas só vão precisar gerar novas crianças que o prefeito vai cuidar com formulas prontas e sem discussão e ingerência?

Somos nós que pagamos as contas com impostos e taxas e cabe ao governo servir a sociedade e não o contrário. Não cabe a gente deliberar sobre isso e outras providências que estão sendo prometidas?

J. de Mendonça Neto, jornalista e editor.

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28 de outubro de 2008 at 10:51

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São Mateus realiza audiência para usar créditos de carbono

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Para decidir de que forma poderão ser usados os cerca de R$ 13 milhões proveniente do leilão feito no São João, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente promoveu no dia 30/09 no Céu São Mateus uma audiência pública com participação da sociedade civil. Além do secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge estiveram presentes: Helena Magozo, do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Social (CADES); o subprefeito de São Mateus e parlamentares entre os mais de 300 participantes.
Antes do debate, de forma didática o engenheiro Deodoro Vaz, da SVMA, explicou o que significa créditos de carbono e da forma como ele é conseguido. Para tanto voltou no tempo para explicar toda a movimentação em defesa do meio ambiente desde a realização da ECO 92 no Rio de Janeiro seguido do Protocolo de Kioto e do Protocolo de Montreal. Segundo explicou, o aterro São João surgiu em 1992; a secretaria surgiu em 1993 e, desde 1995, já estudava formas de aproveitar a energia saída dos aterros. Disse ainda que apenas em 2005, o Protocolo de Kioto, começou a vingar vinculando o crédito de carbono, uma espécie de compensação feita pelos que mais poluem, chegando à situação atual.
Também de forma didática, Júlio Delbin, da Biogás Ambiental, explicou qual o procedimento para o aproveitamento do gás que se forma a partir da compactação do lixo que se transforma em energia ao mesmo tempo em que destrói grande parte do metano que também provoca o efeito estufa ao ser liberado na atmosfera. Essa exposição também foi reforçada pelo engenheiro químico Antonio Carlos que explicou detalhes. “Do aterro saem o chorume que é mais agressivo e que através de carretas é enviado a Sabesp para tratamento. Temos em operação atualmente 150 pontos de extração que são perfurações feita no lixo compactado que vão liberando o metano que vamos destruindo ao aproveitar o gás. Para cada tonelada de metano que impedimos chegar à atmosfera ganhamos crédito de carbono”, explicou, lembrando que o que antes esses aterros não geravam nenhum tipo de riqueza. Conforme o contrato a receita do biogás é dividida em partes iguais entre a empresa e a Prefeitura.
A terceira apresentação foi de Sueli Rodrigues, vice- presidente do Conselho de Meio Ambiente de São Mateus. Ela mostrou as propostas para a utilização da verba que virá a partir do ano que vem: Parque Linear Aricanduva – trecho da nascente até o piscinão Aricanduva 1; Parque Linear Mar Morto, Canal de Suez; Parque Municipal Jardim da Conquista; Parque Municipal Olímpico; Parque Municipal Nebulosas; Usina de Compostagem de Resíduos de Poda e Corte de Grama; Praça Forte do Leme; Praça Bartolomeu Antunes e Monitoramento Ambiental da bacia do Rio Caguaçu e Centro de Educação Ambiental e Posse Responsável de Animais Domésticos (CEAPRAD).
Comunidade participa dando sugestões e críticas
Ao final da primeira parte o secretário Eduardo Jorge negociou com os presentes como seriam as intervenções da platéia diante do grande número de inscritos.
Acompanhar a distribuição e a aplicação dos recursos exclusivamente para São Mateus esteve na fala de diversos representantes de comunidades e entidades. Outros já lembraram sobre a necessidade de se dar um voto de confiança ao conselho de meio ambiente regional eleito recentemente. “Temos que valorizar o trabalho responsável dos conselheiros que nós mesmos elegemos e participarmos também de forma responsável das reuniões”, registram.
Se Adriano Nogueira lembrou de regiões de São Mateus onde a falta de áreas verdes até provoca problemas respiratórios nas pessoas, outra participante, de nome Alexandra, lembrou da necessidade da educação ambiental, sugestão que esteve presente em diversas intervenções. Sugeriu ainda a criação de um serviço público gratuito de castração de animais domésticos. Uma professora destacou que escolas públicas estaduais locais foram eleitas por trabalhos de conscientização e sugeriu a criação de escola ambiental para conter a degradação do Morro do Cruzeiro.
Por uma associação de moradores, Jerônimo Barreiro da Silva falou do que considera abandono no Jardim Santo André e São Francisco e comentou que o valor creditado é pouco diante das necessidades locais.
O coordenador da Campanha Mais Vida Menos Lixo, José Vicente corrigiu informações feitas durante as exposições e comentou que provavelmente o licenciamento (em curso) do novo aterro São João não será obtido por que afronta leis de proteção ambiental no âmbito federal e o Plano Diretor da cidade de São Paulo. Citando artigos da lei, disse que a área onde se encontra o atual e o projeto do novo aterro é uma zona de preservação ambiental e que por conta disso só é permitido residências. Decidido sugeriu o cercamento da área determinada naquela zepam, praticamente do mesmo tamanho da área do Carmo, com a recuperação das áreas degradadas, o reflorestamento com espécies vegetais e o re-povoamento com animais naturais no que se tornaria um parque para futura visitação. Como praticamente descartou as obras sugeridas anteriormente lembrou que tanto a prefeitura quanto a Eco Urbis tem um passivo ambiental a ser acertado com a região. “O dinheiro dos parques lineares e as outras coisas poderiam vir desse passivo”, explicou.
Pelo Fórum de lideranças do São Francisco houve queixas quanto a Sabesp não tratar esgoto e a sugestão de que os benefícios deveriam ser usados nas áreas mais impactadas, além de campanhas e fiscalização. O Jardim da Conquista com sua carência de áreas verdes também foi lembrado por mais de um participante. Já o presidente do PT de São Mateus, José Marinho, insistiu na descentralização e na utilização exclusiva desses créditos em São Mateus. Pela Terceira Divisão os participantes endossaram a proposta de parque linear naquela comunidade com a lembrança de que essa sugestão já está inscrita no Plano Diretor Regional. Outros participantes chegaram a sugerir que as verbas fossem geridas pelo poder público e pelas entidades representativas locais. A canalização dos diversos córregos também estava entre as sugestões.
Ainda falaram Fátima Magalhães, presidente do Conseg São Rafael sobre as ações ambientais que são desenvolvidas e Delaine Romano do Grupo de Trabalho de Meio Ambiente do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste que já acompanha as questões de meio ambiente há quase duas décadas e que vem sugerindo pequenas centrais de triagem de material reciclado e ainda uma outra onde poderia haver formação de mão de obra para diversas atividades que podem fazer parte de aproveitamento de materiais.
Já Hamilton Clemente reforçou a necessidade de observar o que foi discutido no Plano Diretor Regional Estratégico e que não dava para ficar sonhando por conta de apenas 13 milhões de Reais. Contestou a informação corrente de que a Prefeitura não tem recursos para as diversas obras que a região necessita, bem como criticou o fato da prefeitura pagar para o município vizinho pelo armazenamento do lixo da cidade valores muito superiores aos créditos de carbono que a região vai receber.
Ainda foi mencionado o acidente no aterro São João durante o ano passado, logo esclarecido pelo representante do aterro São João.
Finalizando o subprefeito Clóvis Luis Chaves, defendeu o secretário Eduardo Jorge, acusado de pouco vir a região, lembrando que ele sempre esteve presente quando solicitado. “Pelo menos oito vezes durante a minha gestão”. Valorizou o empenho do conselho regional e o bom nível da audiência
Secretário finaliza audiência reconhecendo limitações nos valores
Eduardo Jorge disse que as diversas intervenções constariam nas atas que tem o acompanhamento do Ministério Público. Considerou importante a descentralização que a sua secretaria já adotou em trabalhos junto com as subprefeituras desde 2005. “Claro que é pouco dinheiro quando comparado às receitas da área da saúde, educação, etc.”, reconheceu. “Mas pode melhorar nos próximos anos”, completou. Para o secretário as reivindicações dos munícipes devem continuar a ser feitas nas várias frentes: habitação. Transporte, saúde, educação e outras. “Vocês têm que pressionar. Não será com esse crédito extra que se vão resolver outras pendências”, sugeriu.
Por fim indicou que os projetos têm que ser viáveis para poder utilizar as verbas e que eles não precisam se limitar aos valores desse primeiro crédito. “Os primeiros projetos aprovados serão implementados e não precisamos nos limitar. O mais importante é indicar como e onde utilizar. Não usaremos necessariamente uma ordem pré-definida”, explicou para concluir sobre a importância da participação que acabara de ocorrer e do fortalecimento dos conselhos onde as pessoas interessadas podem participar.
 
Box:
Crédito de Carbono:
O comércio de emissões consiste em permitir que países comprem e vendam cotas de emissões de gás carbônico. Assim sendo, países que poluem muito podem comprar créditos não usados daqueles que não realizam grandes emissões.
Atividades que aumentam a capacidade de absorver carbono, envolvendo reflorestamentos (que geram biomassa e podem substituir combustíveis fósseis) assim como a geração de energia com a utilização de biogás, podem ser objeto de comercialização dos créditos de carbono.
O protocolo de Kyoto, visando alcançar reduções de emissão que sejam concretas, duradouras, mensuráveis e economicamente viáveis, introduziu três mecanismos, que são  os projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), Implementação Conjunta (IC) e o Comércio internacional de Emissões (CE).
O empreendimento da BIOGÁS Energia Ambiental S/A, onde além de evitar a queima do metano, que polui 21 vezes mais que o CO2, gera energia elétrica ambientalmente sustentável e atenua a necessidade de investimentos de outros tipos de geração de energia com impacto ambiental significativo. Isso deve resultar em 8 milhões de créditos de carbono (MDL), sendo 50% desses créditos pertencentes à Prefeitura de São Paulo.
O empreendimento da BIOGÁS Energia Ambiental S/A, caracterizado como um projeto MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo), encontra-se validado pela DNV (Det Norske Veritas).
 
O Protocolo de Kyoto:
O protocolo de Kyoto é um acordo internacional que estabelece metas de redução de gases poluentes para os países industrializados. O protocolo foi finalizado em 1997, baseado nos princípios do Tratado da ONU sobre Mudanças Climáticas, de 1992 e foi assinado por 141 nações, embora somente 30 países industrializados estarão sujeitos ao cumprimento das metas.
O protocolo tem por meta o comprometimento desses países para que reduzam de 2008 até 2012 suas emissões de seis gases em no mínimo 5% sobre as emissões realizadas em 1990. Os seis gases que provocam o efeito estufa são: dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, hidrofluocarbono, perfluorocarbono e o hexafluorocarbono de enxofre.
As metas estabelecidas em Kyoto é um primeiro passo para se tratar o problema, embora sendo ainda superficial, considerando que é praticamente consenso entre a comunidade científica que estuda as questões do clima, de que seriam necessárias reduções muito mais significativas sobre as emissões atuais.
Se por um lado as metas fixadas pelo protocolo não resolve o problema, por outro, cria as linhas gerais necessárias para que a futuras negociações sejam mais abrangentes, tanto quanto a significância das metas, como a adesão de mais países.
Fonte: Biogás Ambiental.
 
Publicado Gazeta São Mateus – ed 277 setembro de 2008
 

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:49

Publicado em Meio Ambiente

A importância de seu voto

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Desta vez vou me ocupar neste espaço sobre um assunto que, embora já tenhamos tratado indiretamente, requer uma abordagem mais incisiva e direta. É sobre a importância do voto que, a cada dia que passa, fico mais convencida. Originária do Latim voluntas = vontade, o voto não tem preço, mas tem conseqüências.

O voto é a única forma legal de nos escolhermos quem vai nos representar politicamente e para exercer o direito de voto temos o alistamento eleitoral que torna o cidadão em eleitor. Obrigatório para quem tem mais de 18 anos e facultativo aos analfabetos e aos maiores de setenta anos também é facultativo aos maiores de dezesseis anos.

Daqui alguns dias vão ocorrer eleições em todas as cidades brasileiras que, portanto, elegerão prefeitos ao Executivo e vereadores para o Legislativo. Dessa forma acho que vale a pena dar algumas pinceladas gerais em quais as principais funções de cada um deles.

O vereador é um representante daqueles que o elegeram e tem a função de: legislar sobre assuntos de interesse local; suplementar a legislação federal e estadual; legislar sobre tributos municipais; apresentar projetos de leis, decretos legislativos, resoluções e emendas; formular requerimento, moções, indicações; emitir pareceres; participar de debates e votações; eleger a Mesa Diretora e das Comissões; conhecer o Regimento Interno da Câmara; comparecer às sessões e votar as proposições submetidas à deliberação da Câmara.

E, ao Executivo Municipal, como principal detentor do poder, o Prefeito, cabe: iniciar o processo legislativo na forma da lei; exercer a direção da Administração Municipal com as Secretarias Municipais e outros órgãos auxiliares; sancionar, promulgar e fazer publicar as leis; expedir decretos e regulamentos; vetar projetos de leis; nomear e exonerar Secretários; subscrever ou adquirir ações; encaminhar ao Tribunal de Contas, sua prestação de contas e apresentar relatório sobre o andamento das obras.

Entendido o básico do que são as responsabilidades de cada um deles é visível que na história recente tem vereador e prefeito fazendo o que não deve, mas não é nesse ponto que vou me ater, tire você mesmo às conclusões.

Gostaria mesmo é de convidar os nossos leitores a refletir sobre o fato de que quando votamos delegamos praticamente nossas funções para outras pessoas. Assim precisamos de alguém que julgamos nos represente muito bem na função e que defenda os nossos direitos.

Só que diante desse quadro não tão recente, onde prevalece a politicagem, não cabe a nós mudar e deixar de votar. Cabe a nos mudar os políticos e votar direito. De preferência votando em quem faz política em favor do povo, o que, afinal, são muito poucos.

Para mudar a nossa forma de votar e votar melhor é preciso observar, conhecer o passado do candidato e ver como ele se comporta diante das coisas e durante a campanha. Para determinar o candidato a ser votado precisamos avaliar seus planos e projetos para melhorias na região. Uma outra boa maneira é durante a campanha eleitoral assistir ao planejamento feito por cada candidato e ainda atentar para os debates feitos em emissoras de TV, pois tais debates revelam um pouco mais sobre cada candidato.

Para mudar para melhor ainda também devemos contribuir para a conscientização da população para o voto justo e incorruptível que é uma boa maneira de diminuir a quantidade de pessoas subornadas e compradas ilegalmente.

Para finalizar é bom ficar atento ao calendário eleitoral dos próximos dias. Após o dia 30 até 48 horas depois do encerramento da eleição, nenhum eleitor poderá ser preso ou detido, salvo em flagrante delito, ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto. O dia 2 é o último dia para a propaganda política e realização de debates; no dia 3, último dia de divulgação em jornais seguindo padrões da lei. No dia 5, temos um compromisso com as urnas e a nossa consciência e, em havendo segundo turno, começa tudo de novo no dia 7 de outubro.

Muito juízo e que seu voto contribua para a melhoria da maioria.

Publicado Gazeta São Mateus, ed 276 09/2008

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:46

Publicado em Notícias e política

Crise: tentando entender a economia

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Tem sito noticiado com certa insistência a ocorrência de uma crise no sistema bancário dos Estados Unidos provocando quedas generalizadas nas bolsas de todo mundo e muitas dúvidas sobre a economia global. Fui a luta para tentar entender alguma coisa disso. Não que eu tenha economias suficientes para estar preocupada com a bolsa diretamente, mas é a primeira vez que ouço falar em quebra de grandes bancos americanos. Se é que entendi alguma coisa vou compartilhar com vocês.

Crédito menor: com essa crise há menos dinheiro no mercado e bancos de todo mundo ficam mais cautelosos diminuindo os empréstimos e cobrando cada vez mais caro por eles para correrem o risco de não receberem. Com isso falta crédito e é nessa área que se localiza o maior perigo para a economia brasileira a médio e longo prazo. As empresas podem tentar rolar as dívidas e pagar mais caro lá na frente por isso e, dessa forma, também não deverão buscar dinheiro novo que estará muito mais caro. Sem dinheiro, sem desenvolvimento.

Até mesmo empresas que planejavam investir no Brasil vão reduzir esses investimentos. O governo brasileiro já está atento e pode aumentar o crédito interno via o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e outros bancos públicos. Até ai entendi.

Com relação a queda nas bolsas; a brasileira comparada com as estrangeiras tem até poucas empresas: 397 contra 2.365 na Bolsa de Valores de Nova York, por exemplo. Ocorre que há uma grande concentração de ações em poucas grandes empresas como a Petrobras e a Vale. A depender do que essas grandes empresas definirem; se vai se encolher ou se vão continuar se ampliando reduzirá o ganho nas bolsas e o círculo vicioso se estabelecerá. Também entendi até ai.

Após estar em queda, o dólar, voltou a se valorizar a partir de agosto. Quais os impactos? Caso a alta continue ajuda os exportadores a se tornarem mais competitivos, o que é passível de comemoração. Por outro lado a alta atrapalha no combate a inflação. Cada variação de dez pontos percentuais no dólar tende a gerar um ponto percentual de elevação trimestral do índice de inflação IPCA, conforme li em minhas pesquisas. Conclusão: para combater o aumento da inflação que a maioria não quer, o Banco Central tende a subir os juros. Nessa parte entendi menos.

No comércio exterior, nos últimos anos, o Brasil tem tido exportações maiores que as importações, junto com o aumento dos valores vendidos ao exterior, mesmo que ainda distante do ideal, visto que os grandes responsáveis pela melhora nos valores eram as commodities agrícolas e minerais que agora estão com o preço em queda.

Com a crise, existe ainda a expectativa de que o crescimento mundial diminua, especialmente em 2009, o que deve significar menos comércio internacional e o risco de uma redução das exportações brasileiras. Para 2009 é que os economistas estão com dúvidas quanto as contas. Menos compras, menor renda. Entendo.

Mesmo assim a situação não é tão desconfortável. Se as exportações ou o valor das commodities caírem muito, as principais afetados serão as empresas exportadores e o impacto sobre o restante da economia é limitado pelo fato de o país ser relativamente fechado: o setor exportador responde por cerca de 14% do PIB. Além disso, o Brasil vende para muitos países diferentes e tem uma pauta diversificada, com produtos manufaturados representando mais de 50% das vendas.

Outra vantagem é que o mercado interno brasileiro está aquecido e tende a absorver pelo menos parte de uma eventual queda de produtos exportados.

Por outro lado alguns economistas já fazem avaliações pessimistas, apostando que o superávit brasileiro poderia cair abaixo dos US$ 5 bilhões no ano que vem. Isso tornaria a economia mais dependente de investimentos externos para fechar suas contas.

Já para o governo, a expectativa de que os investimentos estrangeiros serão mantidos e reservas internacionais de mais de US$ 200 bilhões garantem que o Brasil não sofra grandes riscos no médio prazo.

Só a certeza de um crescimento menor é um dos consensos entre os economistas e até mesmo eu que não sou do ramo: a economia brasileira, diante da crise, deve diminuir seu crescimento. O motivo da queda é que mesmo que o Brasil não seja muito atingido pela crise externa, as diferentes fontes de contaminação devem contribuir para derrubar a atividade econômica. Além disso, o próprio BC brasileiro está com uma política de aumentos de juros com o objetivo de reduzir o crescimento no ano que vem, como forma de controlar a inflação. Entendeu? Eu me esforcei para explicar.

Publicado na Gazeta São Mateus – ed 275 09/2008

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:44

Publicado em economia

Falhas nos conselhos tutelares pode diminuir com apoio e melhor formação

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Em dez anos de funcionamento, pouco ou quase nada tem se ouvido falar sobre a ação dos conselheiros tutelares no Brasil todo que sabidamente enfrentam enormes dificuldades para exercerem seus mandatos com pouca ou nenhuma estrutura de funcionamento; baixa compreensão até mesmo dos poderes públicos sobre o papel do conselho. Bastou um grave incidente que, após a recomendação de conselheiro para que duas crianças voltassem ao convívio dos pais que, posteriormente foram assassinados tendo como principais suspeitos o pai e madrasta para que se levantem discussões sobre a competência dos conselheiros.

Claro que esse caso está na ponta do iceberg e que outras tantas falhas tem sido cometidas pelos conselhos, entre eles a omissão em alguns casos e a falta de agilidade nos atendimentos, mesmo assim em possíveis dez anos de acerto os erros, se assim podem ser considerados, não pode jogar fumaça aos olhos de quem quer entender a questão.

Uma das principais inovações da Lei 8.069/90 do ECA foi a previsão da criação dos conselhos tutelares. Pela lei eles são órgãos permanentes, autônomos, de caráter não jurisdicional, encarregados pela sociedade para o cumprimento dos direitos de crianças e dos adolescentes definidos na Lei, sem a necessidade de submeter os casos a Justiça da Infância e Juventude.

Dez anos da entrada em vigor do Estatuto e os conselhos tutelares ainda são quase ilustres desconhecidos por grande parte da população e pelos próprios governantes municipais que não têm o exato entendimento de sua finalidade, atribuições e poderes, enfim, sua natureza jurídica.

Diz o artigo 132 da Lei n o 8.069/90 que o Conselho Tutelar será composto de 05 (cinco) membros escolhidos pela população local em voto secreto, direto e facultativo aos eleitores do município. Mesmo que fosse uma outra fórmula é imprescindível que a população tome conhecimento e participe do processo de escolha, momento para a reflexão e a discussão das questões relativas à área da infância e juventude no município, a fim de que sejam escolhidas para a função pessoas realmente cônscias e comprometidas com o respeito à Lei, à Constituição à criança e ao adolescente.

Aqui surge um dos primeiros problemas relacionados à formação e composição do Conselho Tutelar, pois em certos municípios não se garante a mais ampla participação popular, seja através de restrições muitas vezes absurdas aos aspirantes ao cargo, seja através da falta de uma devida divulgação sobre o processo de escolha dos conselheiros tutelares.

Na contra partida das restrições outra anomalia tem sido verificada nas eleições recentes, notadamente na cidade de São Paulo. Não é de agora que muitos dos conselheiros eleitos só o são mais em função de sua ligação com partidos políticos do que pelo seu histórico no trato com a criança. A função de conselheiro tutelar é remunerada e objeto de desejo de diversas lideranças que já eram ou se transformam posteriormente em cabos eleitorais, sem sua maioria de vereadores já com mandatos.

Tudo bem que a função de conselheiro tutelar não é técnica, e embora sejam recomendáveis: o domínio do vernáculo, de conhecimentos teóricos mínimos acerca da Lei nº. 8.069/90, Constituição Federal e da legislação esparsa correlata à área infanto-juvenil, bem como alguma experiência no trato com crianças e adolescentes, exigências tais quais o diploma em curso de nível superior, vários anos na lida diária com crianças e adolescentes, porte de habilitação para conduzir veículo ou outras que estabeleçam restrições exageradas aos candidatos são totalmente inadequadas, pois apenas "elitizam" o Conselho e, segundo a prática tem demonstrado, pouco ou nenhum benefício acarretam ao funcionamento do órgão.

De qualquer forma o mais importante que mil pré-requisitos é a capacitação permanente do Conselho Tutelar, até mesmo para que os eleitos não tão habituados com o assunto possam se formar adequadamente. Para completar também deve ser promovida a articulação com os demais órgãos e autoridades existentes no município que prestam atendimento à criança e ao adolescente.

Tendo legitimidade do voto e preparo básico para lidar com as questões da criança e do adolescente diante das Leis, o Conselho Tutelar também deve ter em sua "retaguarda", uma equipe interprofissional, composta de psicólogos, pedagogos e assistentes sociais que lhe irá proporcionar o suporte técnico necessário, seja através do fornecimento de subsídios para que o órgão possa deliberar acerca da(s) medida(s) mais adequada(s) à criança, adolescente e/ou família atendida, seja para a própria execução e acompanhamento da(s) medida(s) aplicada(s), com avaliações periódicas acerca da necessidade de seu incremento, modificação ou extinção.

Por parte do governo é imprescindível que o município mantenha uma estrutura adequada para o conselheiro tutelar, normalmente mal acomodados em salas até então ociosas nas subprefeituras ou outros lugares e no plano das políticas públicas uma estrutura mínima de atendimento à criança, ao adolescente e a suas respectivas famílias, com a criação e manutenção de programas de atendimento tais quais os previstos nos arts. 90, 101 e 129 da Lei nº. 8.069/90, para onde poderá o Conselho Tutelar encaminhar os casos atendidos.

Publicado no Gazeta São Mateus de 275 setembro de 2008

 

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:42

Publicado em Notícias e política