Archive for agosto 2008
ELEIÇÕES 2008
Em São Paulo, quatro estão no páreo
Olhar para trás é uma boa maneira de entender os resultados das últimas pesquisas confiáveis sobre a eleição em São Paulo. Conhecendo o passado o presente fica mais fácil de entender e dá até para fazer algumas previsões com algum grau de segurança.
Recapitulando, desde a redemocratização tivemos cinco eleições na capital paulista. A primeira foi em 1985 onde foi eleito o conservador Jânio Quadros (PTB). Disputando com ele estavam Fernando Henrique Cardoso (PDMB) e Eduardo Suplicy (PT). Cardoso era a bola da vez e poderia ter sido o “anti-Jânio”, mas arrogante, até sentou-se na cadeira do prefeito antes da hora. Suplicy dividiu o campo da esquerda, mas não tinha muita saída porque o PT, um partido em formação na época não podia deixar de participar das eleições com um cabeça de chapa.
Em 1988, foi à vez de Maluf (PDS) disputar as eleições contra José Serra (PSDB), João Leiva (PMDB) e Luiz Erundina (PT). Maluf era na prática a continuidade de Jânio Quadros e os outros três disputavam a atenção dos setores progressistas. Na reta final Erundina firmou-se como o “anti-Maluf” vencendo as eleições.
Em 1992, quatro anos depois, o PT lançou então Eduardo Suplicy e lá veio o troco. Paulo Maluf (PDS) se firmou como o “anti-PT” numa disputa que ainda tinha Aloysio Nunes Ferreira (PMDB) e Fábio Feldman (PSDB) que ficaram fazendo sombra para os atores principais: Suplicy e Maluf que acabou ganhando a eleição.
Apenas em 1996, a coisa mudou e foi à primeira vez em que o eleito era o candidato que representava a situação. Bem nas pesquisas, Maluf elegeu o seu sucessor, então secretário de Finanças, Celso Pitta, pelo PPB, nova denominação para o antigo PDS. O eleitor não conseguiu escolher entre Luiza Erundina (PT), José Serra (PSDB) e Francisco Rossi (PDT) nenhum “anti-Maluf”. Até que foi para o segundo turno com a Erundina, mas a candidata não conseguiu trazer para o seu lado os tucanos e o seu eleitorado que já nesse período dava sinais de distância do campo progressista.
Mas foi apenas na eleição seguinte, em 2000, que se deu uma das eleições mais disputadas. O governo do prefeito Celso Pitta foi um desastre tamanho que forçou o seu padrinho, Maluf a disputar para tentar reverter à péssima imagem deixada pelo afilhado. Vale lembrar que durante a campanha de 1996, Maluf havia recomendado o voto em Pitta de uma maneira bem arrojada: "Vote no Pitta. Se ele não for um bom prefeito, nunca mais vote em mim", dizia Maluf. Independente do desempenho de Pitta, Maluf estava bem nas pesquisas. Batendo-se com ele estava Marta Suplicy (PT) que havia vindo de uma campanha bem sucedida ao governo do Estado perdendo para Mário Covas que também bateu o Maluf. Foi à vez do PSDB apostar suas fichas no então vice-governador Geraldo Alckmin. Romeu Tuma (PFL) e Luiza Erundina (PSB) correram por fora. Marta passou para o segundo turno e com o apoio do governador Covas, Marta acabou convencendo o pessoal do PSDB a votar nela que venceu a disputa como o clamor anti-malufista.
Fresquinha na memória do eleitor, a disputa de 2004 estiveram polarizadas entre a então prefeita Marta Suplicy (PT) e de José Serra, que vinha de uma recém derrota para Lula na eleição presidencial. Serra com a visibilidade da campanha presidencial jogou nos erros da adversária e ganhou a Prefeitura, deixando-a, em seguida, para disputar o governo do Estado sendo eleito.
De que vale tudo isso
A conclusão é que o eleitorado paulistano se divide em dois grupos bem diferentes: o que procura alternativas progressistas e o que está sempre ao lado do representante conservador. Claro que existem migrações pontuais de um para outro sempre que um dos pólos se destaca, principalmente quando não está claro a que setor representa cada candidato.
Parece que nesta eleição em disputa o campo progressista brindou Marta Suplicy como sua representante. No campo progressista têm outros como Ivan Valente e Soninha, mas que dificilmente vão decolar na atual conjuntura. Do outro lado estão: Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (DEM) e Paulo Maluf (PP) e muita gente acha que apenas os dois primeiros estão no páreo. O que a gente não descarta é que as rusgas e uma eventual disputa fratricida entre esses dois primeiros faça com que o eleitorado escolha Maluf para representá-los na disputa, muito provável, com Marta Suplicy pelo setor progressista. Esses eleitores estão atentos à campanha eleitoral e podem, diante da briga no ninho tucano-democratas, optar por Maluf no Palácio fazendo dele o “anti-Marta” da vez. (JMN)
Instituto sedia encontros e recebe empresários: Ronaldo Koloszuk e Zamberetti
Mais um encontro pluripartidário com candidato foi realizado na sede do Instituto Educar para a Paz em agosto. Desta vez foi Ronaldo Koloszuk (PPS), um jovem dirigente da Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo que foi incentivado a se candidatar pelo presidente da entidade Paulo Skaf, entre outros.
Basicamente diz que quer levar para a Câmara uma nova maneira de fazer política. “As famílias empreendedoras e de sucesso em várias partes do mundo faz certa retribuição à sociedade com um de seus membros entrando para a vida pública para trabalhar em prol da comunidade e não para benefício próprio e é isso que quero representar”, disse.
Seguindo roteiro definido para a “sabatina” Ronaldo também se posicionou de forma favorável na mudança para uma distribuição mais eqüitativa dos recursos pela cidade.
Vindo da iniciativa privada como empresário da indústria também se posicionou favorável à vigência de uma Lei de Incentivos Fiscais Seletivos para o desenvolvimento de todos as regiões e da zona Leste, conforme projeto do Executivo em tramitação pela Câmara Municipal.
Com relação ao Plano Diretor disse que concorda com que sejam respeitados os resultados das discussões dos PRE’s Planos Regionais Estratégicos que foram discutidos, mas quer ainda conhecer melhor o que está em jogo. Com relação a planos de longo prazo para a Saúde e Educação, lembrou que o empreendedor moderno já tem planejamentos de longo prazo e que a administração pública deveria agir da mesma forma.
Não tem uma posição definida a respeito da instalação dos conselhos de representantes, cujo projeto tramita na Câmara, mas que nunca é votado. Com relação às devolutivas semestrais para a comunidade foi mais longe e que se prontificaria a fazer de dois em dois meses. Efetivamente disse que pretende fazer um mandato com um conselho político ainda a ser constituído de onde saíram as grandes diretrizes para a sua atuação.
Lembrado que os interesses empresariais nem sempre são os mesmos dos setores da indústria, com os quais em geral concorda, respondeu que as questões polêmicas seriam decididas por esse eventual conselho político a ser formado. Resta saber qual a composição majoritária desse conselho. A depender disso o mandato pode estar próximo ou muito longe dos anseios explicitados pelo conjunto das entidades e pessoas do Grupo de Estudos Estratégicos Águia de Haia.
Zamberetti
No dia 20 de agosto foi à vez do empresário do ramo gráfico, Zamberetti, morador da Vila Carrão ser recebido pela secretaria do Grupo de Estudos Estratégicos Águia de Haia. Com 25 anos de atividades ininterruptas, Zamberetti diz querer entrar na Câmara para poder continuar ajudando comunidades carentes como tem sido o seu comportamento ao longo de sua vida de empresário.
Quer criar condições para que as crianças permaneçam mais tempo na escola: quer o aumento de vagas nas creches. Ampliação da malha metroviária; pelo aumento das moradias e por uma atuação mais agressiva de uma bancada da zona leste na Câmara.
Cheio de intenções, mas se reconhece estreante e sem traquejo político-parlamentar. “Atendi as indicações de amigos e juntos chegamos à conclusão que ganhando para vereador vou poder desempenhar melhor o trabalho social que já faço”. Empresário bem estabelecido, disse que o seu nome não será envolvido em “maracutaias”. “As pessoas da minha família são as primeiras a cobrar de mim um comportamento honesto”
Com relação à distribuição por igual dos recursos é plenamente de acordo, como também pelo incentivo ao desenvolvimento regional sem, entretanto, dar claros sinais de como isso possa se dar. Também não soube responder o que pensa o candidato Kassab (DEM), partido pelo qual também está disputando a respeito do desenvolvimento.
Também se comprometeu com as devolutivas para a comunidade e a adoção dos conselhos de representantes nas subprefeituras que deveriam segundo ele serem compostas por camadas da sociedade local.
Quanto aos planos de mais longo prazo para as áreas da Saúde e Educação também é favorável, embora tenha registrado críticas as amarras do Orçamento que para ele aparentemente parece indicar que o eleito poderia tem uma margem maior de manobra. Em contra partida acha que a prestação de contas do Executivo e do Legislativo devam ser feitas com mais freqüência e transparência.
Na foto: Ronaldo com Geraldo Pereira do SESI AECarvalho; na outra foto Zamberetti é o camisa azul clara, antes assessores depois Damião (camisa vermelha) e Geraldo do SESI
Instituto sedia encontros e recebe Carlos Neder
Conforme encaminhamentos do Grupo de Estudos Avançados Águia de Haia que representa mais de uma centena de entidades, entre as quais o Educar para a Paz é uma das principais foi composto uma secretaria da qual a nossa entidade também participa cuja tarefa era conversar com alguns candidatos a vereador por São Paulo com alguma referência na região sobre importantes questões da zona Leste.
Desta feita foi à vez do candidato Carlos Neder (PT) que esteve presente a sede do Instituto na tarde do dia 16. Carlos Neder tem atuação de mais de 20 anos na zona leste, notadamente nos distritos da Penha, Itaquera, Ermelino Matarazzo tendo sido secretário da Saúde do governo Luiza Erundina. Antes fez parte ativa do movimento de saúde que conquistou diversas unidades na região e na criação do conselho de saúde. A propósito é de sua autoria a criação da maioria dos conselhos municipais cujo objetivo é a participação da sociedade na administração pública.
Seguindo roteiro definido para a “sabatina” Neder se posicionou favoravelmente na busca pela distribuição dos recursos que corrija as distorções que pode ser verificada nos índices oficiais da cidade.
Também é a favor da Lei de Incentivos Fiscais Seletivos para o desenvolvimento das regiões e da zona Leste, conforme projeto do Executivo em tramitação pela Câmara Municipal embora considere que qualquer projeto demanda desenvolvimento tecnológico. Nesse particular é autor de leis que buscam geração de trabalho e renda para as comunidades em forma de associações e cooperativas. É um entusiasta da instalação do Banco do Povo.
Com relação ao Plano Diretor é favorável que sejam respeitados os resultados das discussões dos PRE’s Planos Regionais Estratégicos que foram discutidos e que devem ainda ser objeto de debates com a sociedade organizada. Com relação a planos de longo prazo para a Saúde e Educação se diz favorável. Experiente, explicou a complexidade e as dificuldades no funcionamento na Câmara Municipal e que um vereador comprometido tem que ter relação estreita com as comunidades para tentar desenvolver a contento o seu trabalho.
É a favor da instalação dos conselhos de representantes, cujo projeto tramita na Câmara, mas que nunca é votado. Com relação às devolutivas semestrais para a comunidade disse que espera muito que isso de fato ocorra e que essa é uma prática recorrente no seu mandato.
Na fofo pequena: Gerry, Mendonça e Manuel do Educar para a Paz; ao centro de camisa clara Neder.
Na outra foto: Geraldo (SESI), Luciano (CEF); liderança do Conseg 64oDP; Gerry e Carlos Neder
Instituto sedia encontros com candidatos
Conforme encaminhamentos do Grupo de Estudos Avançados Águia de Haia que representa mais de uma centena de entidades, entre as quais o Educar para a Paz é uma das principais foi composto uma secretaria da qual a nossa entidade também participa cuja tarefa era conversar com alguns candidatos a vereador por São Paulo com alguma referência na região sobre importantes questões da zona Leste.
Nesse sentido, no início do mês de julho, a secretaria com mais de uma dezena de membros conversou com o candidato Paulo Frange (PTB) que resumidamente se comprometeu com a implantação da Lei de Incentivos Seletivos Especiais para desenvolver a região; estudar a possibilidade de re-abertura de algumas estações de trem (Alavim, Patriarca, etc.) e investigar a ocupação de terrenos lindeiros as estações de metro que estão sendo utilizados como estacionamento. Falou ainda sobre adensar ao longo das linhas de metrô e trem e melhorar o trânsito, etc.
Para o dia 16/08 às 13h30 em nossa sede está previsto uma conversa da secretaria com o candidato Carlos Neder (PT).
Eleita nova diretoria do FDZL
A nova diretoria do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste foi eleita em assembléia extraordinária em agosto com uma representatividade que vai da Mooca até a Cidade Tiradentes. O Instituto Educar para a Paz participa ativamente desta entidade “guarda-chuva”.
O Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste, entidade que completará em 2009, dez anos de atuação realizou assembléia geral extraordinária no dia 16, no Sesi CAT Mário Amato para alterações estatutárias e eleição do novo Conselho Deliberativo de onde foi indicado o Conselho Diretor para o próximo biênio.
A primeira providência foi um mandato extemporâneo de 30 meses para a próxima direção para evitar que as eleições internas coincidam com os períodos eleitorais como vem ocorrendo. A segunda medida proposta pela Associação Comercial da Mooca e aceita por todos foi à substituição de um dos setores que tinham representação dentro do Fórum.
O Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste, desde o seu início era composto pelo primeiro setor que compreendia os Executivos (federal, estadual e municipal) mais os Legislativos. Ainda o compõe: o segundo setor (indústria, comércio e serviços) e o terceiro setor com as entidades, organizações não-governamentais.
A mudança em questão foi à substituição do primeiro setor em função das dificuldades de participação por um setor composto de pessoas físicas com expressiva e reconhecida atual em prol da zona Leste. Praticamente um grupo de notáveis está sendo composto por lideranças religiosas como o Padre Tição; ex-parlamentares como o ex-deputado estadual Roberto Gouveia que criou o Pólo Industrial de Itaquera, professores de universidades públicas como José Renato, coordenador dos cursos de Política Públicas da USP Leste, outros deputados como Adriano Diogo e Simão Pedro; vereadores de diversos partidos, empreendedores e lideranças ligadas a entidades que estatutariamente não podem participar como Sebrae, Sesi, Senai, Sesc, Ciesp e Fiesp sempre na condição de pessoas físicas. O segmento que já conta com mais de uma dezena de pessoas, ainda está recebendo indicações de outros nomes para a sua composição sempre em aberto, a exemplo dos demais segmentos.
Da nova diretoria fazem parte os empresários Antonio Gomes como presidente; Cláudio Ginenberg, presidente do Conselho Deliberativo; Eduardo Pinheiro, reconhecido lutador pela ampliação da Radial Leste e o empresário e professor José Bortolloto até então o presidente do FDZL. Ainda pela Executiva, representantes de entidades diversas, além de diversos diretores de grupos de trabalhos, conforme organograma interno que aborda todas as áreas desde urbanismo até meio ambiente passando pelas áreas sociais, transporte, saúde, cultura, educação, etc.
Segundo os eleitos, um novo período se avizinha e a ampliação da participação de entidades dentro do Fórum é vista como sinal inequívoco do seu reconhecimento e de sua importância na articulação da busca por políticas públicas para o desenvolvimento local. Tanto é assim que os principais candidatos à cadeira de prefeito da cidade de São Paulo, na campanha de 2008, reconhecem algumas demandas da entidade, alguns até adotando-as como parte das metas com as quais estão se comprometendo. Em termos de representatividade os candidatos têm dado provas do potencial de interlocução do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste como um agrupamento suprapartidário. (JMN)