Bolsa família vai para quem precisa
A pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) divulgada só agora e com pouca cobertura da grande imprensa trouxe informações que para mim, particularmente, me deixaram mais feliz e menos apreensiva.
A primeira delas é que os titulares do cartão Bolsa Família entre os que responderam a pesquisa, cerca de 95% não deixaram de fazer algum trabalho depois que passaram a receber a ajuda. A segunda é a revelação de que um em cada cinco atendidos pelo Bolsa Família passa fome, ou seja parcela significativa das famílias assistidas pelo programa Bolsa Família encontra-se ainda em situação de insegurança alimentar grave. Sendo clara: adultos ou crianças dessas famílias ainda passam fome. A terceira informação é a comprovação de que o programa chega às famílias mais pobres.
Sorte nossa a demonstração de que o programa está atendendo quem precisa atender. Seria mais um desaforo usarem os recursos provenientes do pagamento dos nossos impostos para bandalheiras.
O que a pesquisa aponta é que o programa está chegando às famílias que tradicionalmente estiveram à margem das políticas públicas. Melhor, assim. Se com a ajuda, mesmo que não seja muita coisa, que o Bolsa Família oferece às famílias carentes ainda existe muita situação difícil de sobrevivência, imagine sem essa ajuda então.
Em mais de uma oportunidade escutei as pessoas dizendo: “Agora que eles estão recebendo essa ajuda do governo não vão querer mais trabalhar”, ou então “O dinheiro que esse pessoal folgado está recebendo vem do nosso imposto” e outras frases até mais críticas e até preconceituosas. Confesso que sem as informações que agora a pesquisa disponibilizou, ficava difícil para qualquer um contra argumentar ou responder de maneira científica a opinião das pessoas.
Oras! se não havia provas, mesmo que a gente não gostasse até poderia, mesmo que remotamente, algumas dessas frases ser verdadeiras, felizmente não é bem assim. Pode até ter famílias de gente safada recebendo e até fazendo uso pouco exemplar da ajuda que o governo dá com nosso imposto, mas parece que na maioria esmagadora dos casos o auxílio está indo para quem precisa. E o que é ainda melhor; mesmo aqueles que precisam dessa ajudar não desistiram de sobreviver pelo seu próprio esforço. Nesse sentido era bom que houvesse emprego, trabalho ou renda para todo mundo teríamos menos assistência social.
Pena que não é assim e a pesquisa; de novo, esclarece. Menos da metade dos entrevistados (44%) tiveram trabalho remunerado no mês anterior à pesquisa e o grau de informalidade, de acordo com o Ibase, é alto. Apenas 16% têm carteira assinada. Dentre os que não trabalharam no mês anterior à pesquisa, 68% estão desempregados há mais de um ano e apenas 23% buscaram trabalho neste mesmo mês. As entrevistas foram realizadas em setembro e outubro de 2007.
Outro dado preocupante e que acaba mais uma vez justificando a existência dessa ajuda, mesmo que provisoriamente, é que, de acordo com a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), há fome entre adultos e crianças em 21% das famílias assistidas, o que representa cerca de 2,3 milhões de famílias (11,5 milhões de pessoas). Outros 34%, ou seja, 3,8 milhões de famílias (o que significa um total de 18,9 milhões de pessoas) estão em situação de insegurança alimentar moderada. Isso significa que sofrem restrição na quantidade de alimentos na família.
Depois desses dados temos que concordar com o diretor do Ibase e coordenador do trabalho Francisco Menezes que disse que a pesquisa mostra que o programa trouxe benefícios, mas precisa ser aperfeiçoado associando-o a outras políticas públicas capazes de atacar problemas como a falta de saneamento básico e de acesso ao mercado formal de trabalho, fatores que interferem na insegurança alimentar.
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