Entidades discutem ensino superior, mas lembram do ensino de base
Criado em fevereiro deste ano, o Grupo de Estudos Águia de Haia que congrega centenas de entidades fez mais um encontro no curso Projeto Zona Leste Cidadã, dia 10/05 nas dependências da Fatec – Faculdades de Tecnologia, unidade A E Carvalho para discutir o tema educação superior. Cerca de 50 pessoas representantes de entidades e movimentos mais interessados no tema compareceram.
Os professores Rogério Monteiro (Fatec), Henrique Luiz Monteiro, diretor da Unesp de Bauru e José Renato do Curso de Gestões Públicas da USP Leste expuseram e debateram o assunto com a mediação do professor Valter de Almeida Costa do Grupo de Educação do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste.
Falando pela Fatec, o professor Rogério iniciou lembrando a importância da Logística, um dos cursos oferecidos pela unidade para o desejado desenvolvimento sustentado da zona Leste, objeto final de todos esses encontros. Destacou a presença nos cursos de 60% dos alunos moradores e residentes na ZL, com grande parte delas tendo cursado os ensino fundamental e médio nas escolas públicas da região. Durante o debate cobrou-se uma maior divulgação dos cursos em nível médio e superior disponíveis. O professor disse que fazia o que era possível, mas que atendendo a convite de algumas diretoras de escolas públicas poderia aperfeiçoar essa ação. Falou ainda dos planos de expansão com a possível construção de um prédio vertical dentro da unidade para conseguir atender em três períodos e ampliar o número de vagas tomando como critério a empregabilidade desde o ensino médio.
Pela USP, José Renato saudou a iniciativa de ampliar a oferta de unidades de ensino gratuito de terceiro grau na região toda e reconheceu que a USP, enquanto instituição, conhece pouco da zona leste onde agora tem uma unidade. Disse que existe um projeto dentro da USP para a criação de uma unidade de cursos sem departamento fixo, uma norma dentro da USP, para que se relacionem de forma multidisciplinar para oferecer cursos mais ajustados as demandas locais.
Lembrando que como norma a USP é proibida de reproduzir os mesmos cursos dentro da mesma cidade; o que impede que cursos tidos como tradicionais: medicina, engenharia, direito venha para a USP Leste, essa unidade se compensa apresentando outros cursos talvez não tão evidentes, mas de importância. Além do que já oferece, cursos de obstetrícia, têxtil e moda, Lazer e turismo e alguns outros serão ministrados na unidade Leste. “A USP Leste também vai preencher lacunas existentes com esses cursos. O de Gestão Pública é um exemplo”, sustentou, dizendo que existe uma leitura apurada das mutações no mercado de trabalho. Também registrou a pouca ocupação em termos de disponibilidade do espaço, o que acha vai ser intensificado com o passar dos anos e a ainda pouca compreensão por parte dos alunos das escolas públicas médias que a USP é pública e gratuita.
Ressaltou que o ensino, a pesquisa e a extensão que é o tripé de atividades de uma universidade e que: “A participação da USP Leste neste encontro dentro do Projeto Leste de Formação Cidadã é um exemplo da extensão”, disse, registrando que quer ver essas ações se multiplicar dentro da universidade que entende um projeto de longa maturação.
A exposição mais demorada ficou por conta do professor Henrique que apresentou em detalhes o projeto de instalação de uma unidade da Universidade Estadual de São Paulo em Itaquera, chegando a mostrar inclusive um projeto arquitetônico. Henrique faz parte do grupo que estuda essa instalação em moldes de parceria com a Prefeitura e o Governo do Estado. Resumindo: para a Unesp ficará a seleção de professores, a montagem e o oferecimento dos vários cursos; o espaço construído pela Prefeitura e o custeio das despesas seriam do governo do Estado.
Até os moldes da contratação dos profissionais serão diferenciados não se tornando eles necessariamente funcionários do Estado ou da Prefeitura e sim, da Unesp, em relações trabalhistas distintas da de um concurso público. Por parte da Prefeitura e do Estado os interesses se complementam. A Prefeitura também deverá utilizar o espaço; um grande complexo com a universidade, centro de convenções e áreas de artes e lazer. Segundo expôs o professor à área deverá ser um pólo de atração artística.
Henrique citou as restrições orçamentárias da Unesp quando comparadas a USP e ao Centro Paula Souza, todas do Estado e diante delas a comissão vem pensando a unidade com cursos regulares, inclusive um de ensino médio “reforçado”, como disse, e cursos modulares que podem chegar até a reciclagem de trabalhadores de certos setores econômicos. Naturalmente fez uma exposição detalhada, entretanto, ainda sem respostas definitivas. É todo um processo que está sendo estudado e que, de certa forma, vem sendo discutido com os interessados como o que estava ocorrendo naquele instante.
Vale registrar que o arco das possibilidades é tão variado que se prevêem até cursos de formação para professores e outros de extensão universitária para manter aberto o canal de interlocução com as comunidades sejam populares, empresariais ou de outro tipo. De fato, um arco enorme que vem sendo afunilado e amadurecido a cada dia, conforme registrou o representante da Unesp.
Nos debates melhorar as condições básicas
No debate a seguir quase que instantaneamente as intervenções chamaram a atenção para a precariedade dos ensinos público fundamental e médio que não prepara os jovens para usufruir e seguir os estudos de forma satisfatória nas várias possibilidades até então expostas. Essa quase que completa inversão da pauta não quis dizer, conforme foi registrado por mais de um dos membros da platéia, que o que será oferecido não seja desejável. É e muito, insistem. Entretanto, como a própria mesa de expositores não pode negar o problema da educação para ser resolvido de forma adequada tem que ser muito antes e muito mais embaixo. – J. de Mendonça Neto
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