Archive for abril 2008
Frente parlamentar discute prolongamento da Jacú Pêssego
Para dar explicações, estiveram presentes, além de alguns técnicos de órgãos dos governos estadual e municipal, o secretário adjunto da Secretaria Municipal de Infra-Estrutura e Obras da Prefeitura de São Paulo, Marcos Penido e Paulo Vieira de Souza, diretor de Engenharia da Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A. Penido fez uma exposição genérica sobre o significado da obra através de exposição audiovisual e o representante da Dersa detalhou o projeto e respondeu as perguntas dos presentes, principalmente no que diz respeito aos critérios de desapropriação de casas e estabelecimentos comerciais que serão afetadas pelo prolongamento da via.
Não sem antes lembrar que a operação Jacu Pêssego visa o desenvolvimento local, por isso estão previstas outras intervenções dos governos na região como, por exemplo, na área da educação, a exposição em audiovisual da Dersa deu uma idéia mais aproximada onde efetivamente está proposto desapropriações. A presença de lideranças locais que indagavam sobre locais específicos à medida que eles iam sendo apresentados no telão fez com que o representante da Dersa fosse incitado a dar detalhes que foram retomados logo depois no debate. Antes da exposição específica sobre o prolongamento da Jacú Pêssego um pequeno filme indicava a pretensão da Dersa em uma série de importantes intervenções na cidade de São Paulo; obras previstas para os próximos anos, a exemplo do próprio prolongamento da Jacú Pêssego que, apesar de já iniciada, deixa para a partir do próximo ano, segundo o seu cronograma, as ações mais impactantes, talvez pela necessidade de se aguardar os resultados eleitorais deste ano que decide quem dirigirá a cidade no próximo período.
Entre as exposições e debates, os vereadores presentes: Paulo Fiorilo que coordenou a mesa, Beto Custódio e Francisco Macena, todos do PT e Gilson Barreto (PSDB) teceram comentários e deixaram perguntas em aberto para as respostas dos representantes dos governos. Macena, por exemplo, questionou os valores de indenização para as famílias desapropriadas que ainda não estão totalmente definidos, no que foi apoiado por grande parte dos presentes; pessoas que moram ou tem atuação comunitária nos locais onde estão previstas desapropriações. O vereador Beto Custódio alertou para os riscos e os prejuízos ambientais do projeto, entre outras indagações.
Durante as respostas Paulo Vieira, da Dersa, que além de chamar para a empresa que representa a responsabilidade pelas negociações e eventuais indenizações, disse que os valores ainda estão em abertos, mas que a experiência com as desapropriações para a construção do rodoanel tem indicado que as famílias removidas têm ficado satisfeitas com as negociações. Quanto ao impacto ambiental foi mais incisivo, e para demonstrar os cuidados com esse aspecto da questão, deu como exemplo o compromisso de que para cada árvore removida seriam replantadas ou repostas no mínimo o dobro da quantidade. Falou também do Pólo Cultural e Ambiental que está proposto para a Vila Jacuí dando garantia da sua entrega.
Aberta a participação dos presentes; dúvidas quanto aos diferentes critérios para as indenizações foram mencionadas. A necessidade de manter canais abertos de negociação e acompanhamento das obras também foi sugerida por lideranças locais: Hamilton Clemente do Jardim da Conquista e Luiz Barbosa, ex-administrador regional da Penha. Para outras lideranças as dúvidas ainda sobre as desapropriações eram como seriam tratadas as áreas ocupadas por comércios. Segundo o representante da Dersa “da mesma forma que as residências e com valores iguais”, sentenciou.
A possibilidade de toda a obra parar por conta da eleição de novo prefeito ainda este ano foi lembrada por este repórter que indagou como ficaria o papel do Estado com a possibilidade de uma situação adversa. “Naturalmente a eleição de um prefeito é uma ação soberana e de fato só o prefeito legitimamente eleito é que define a continuidade ou não das obras”, registrou.
Ao final o representante da Dersa colocou-se a disposição dos presentes para maiores esclarecimentos e outras oportunidades. A primeira já está agendada. Uma conversa com os membros da Comissão de Política Urbana. Metropolitana e Meio Ambiente, segundo informou o vereador Francisco Macena (PT), um deles. (JMN)
Sustentabilidade e negócios
Um dos maiores problemas da atualidade bateu recorde na cidade de São Paulo no dia 13/03. Trata-se do congestionamento nas ruas e avenidas da metrópole com incríveis 221 quilômetros de vias paradas, depois de uma semana infernal. Logo depois, naturalmente, as opiniões de especialistas propondo soluções começaram a aparecer nos meios de comunicação. Pedágios urbanos, melhoria da rede de transporte público e até mesmo a ampliação do rodízio foram algumas das idéias mais palatáveis.
Claro está que são soluções paliativas, apesar de necessárias em curto prazo, mas basta observar que onde as propostas acima foram adotadas, nas cidades européias, continuou o crescimento do número de carros em circulação apenas tornando mais lenta o engarrafamento tempos depois.
Uma análise realística de longo prazo mostra que o problema está basicamente no excesso de carros em circulação; somente na capital paulista, a cada dia são emplacados quase mil novos carros, não dá para disfarçar o aumento de carros em circulação é o problema apesar do que pode depreender da mais recente edição da revista Exame que se propunha a fazer uma “edição verde”. Prometendo ir ao cerne da questão as dez matérias da revista desvia do tema nevrálgico que é a questão ambiental.
Só para se ter uma idéia de como se desviou da questão uma das matérias priorizava a iniciativa governamental que estuda incentivar a população de baixa renda a descartar dez milhões de geladeiras antigas, comprando novas com subsídios governamentais. É isso mesmo! Dez milhões no lixo e dez milhões de novas geladeiras consumindo os recursos naturais que são precisos para fabricá-las. Naturalmente, essas novas geladeiras serão "mais eficientes energeticamente". Com isso reforça-se a tese de que podemos ajudar a resolver o problema ambiental consumindo "mais e melhor" e não reduzindo o consumo.
Voltemos ao engarrafamento do trânsito. Nesse quesito a conclusão da revista é que a culpa não é do crescimento nem das montadoras e sim uma amostra da ineficiência do país que não se preparou para o progresso.
“Vale lembrar que a tal da revista Exame é a que melhor representa no país o pensamento da turma dos suicidas inveterados, aqueles capaz de defender o atual sistema e ritmo de produção e consumos mesmo se estiverem naufragando num mar de saquinhos plásticos”, observa astutamente o jornalista especializado em meio ambiente Danilo Pretti Di Giorgi que investigou detalhadamente a edição a que nos referimos. Vão mais longe: todo o texto da matéria dedica-se a desconstruir com ferocidade qualquer possibilidade de raciocínio que, ainda que remotamente, considere a venda recorde de veículos na metrópole como uma das culpadas pelos problemas no trânsito.
Este tipo de preocupação em uma publicação como a Exame é na verdade um sinal de avanço na discussão ambiental, que vem ganhando espaço de forma crescente desde a segunda década do século passado e que tem multiplicado sua força nos primeiros anos deste milênio. Apesar do viés absolutamente equivocado da "edição verde", que traz como foco apenas as formas pelas quais as empresas podem obter maiores lucros com a "onda ambientalista", o fato é que a revista está se dedicando cada vez mais ao tema meio ambiente considera o jornalista.
Em condições normais de temperatura e pressão, os editores desta publicação não dariam a mínima bola para um tipo de raciocínio "tão retrógrado", com "ranço socialista", como a hipótese de que a produção e venda de carros podem ser as culpadas pelo caos do trânsito. A preocupação explícita e até mesmo desesperada – como se pode perceber em termos fortes como "abraçar o fracasso" – contra este tipo de pensamento pode mostrar que está crescendo entre as pessoas mais conscientes ambientalmente a percepção de que o nó está exatamente na produção e consumo sem limites e na perigosa idéia de crescimento econômico infinito. Tanto que, para quem aposta na continuidade do funcionamento da máquina da morte que se tornou o sistema no qual vivemos, essa consciência precisa ser atacada, uma vez que começaria a tomar forma e representar real perigo.
Não há outro caminho para a civilização a não ser uma drástica redução da produção e do consumo. Essa verdade pode ser verificada em um sem-número de problemas que enfrentamos nos dias de hoje: as milhões de toneladas de sacos plásticos emporcalhando os oceanos e matando animais aquáticos por sufocamento, a poluição do ar e dos rios, a falta de saída para o drama da superlotação dos aterros sanitários, a crise da água potável e o aumento da temperatura da Terra são apenas alguns exemplos. Para não falar do crescimento da devastação da Amazônia para atividades comerciais, nossa grande vergonha nacional. Todos estes problemas têm na sua raiz a impulsividade humana pela produção e pelo consumo ilimitado, o que vai contra a incontestável limitação de recursos naturais disponíveis no planeta Terra.
Brasileiro gastam cinco vezes mais água que o indicado pela OMS
“Infelizmente, o brasileiro acha que como temos bastante água no Brasil, não é preciso economizar. Pelo contrário, temos regiões em que se você dividir o volume de água pela população, podemos considerá-las como áreas de déficit hídrico, como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo”, explicou o chefe das assessorias da Agência Nacional de Águas (ANA), Antônio Félix Domingues.
Faltam políticas globais de incentivo ao uso racional da água e as iniciativas existentes estão sempre voltadas para o aumento da produção de água, e não para a diminuição do consumo. “Até quando vamos deixar as campanhas de uso racional da água nas mãos das concessionárias; isto é contraditório, porque o negócio delas é vender água, assim, quanto maior o consumo e, por decorrência, a venda de água, mais as concessionárias lucram”, destaca Paulo Costa, consultor e especialista em projetos de Uso Racional da Água.
Segundo o especialista “Programas racionalizadores do uso da água foram empregados com sucesso por cidades no exterior”. A Prefeitura de Nova York implementou um programa de incentivo à substituição de equipamentos gastadores de água por outros, racionalizadores. Com o programa os consumidores passaram a economizar até 35% na sua conta de água mensal. Além disso, constataram que conservar/economizar 100 milhões de litros de água, por exemplo, sai até um quarto do custo exigido para captar, tratar e distribuir igual volume de água, ou seja, é muito mais barato racionalizar do que aumentar a produção.
Diariamente nas capitais brasileiras o desperdício de água potável equivale a 2.500 piscinas olímpicas (em média 2,5 milhões de litros de água). E a culpa neste caso, não é apenas do consumidor. A perda de cerca de seis bilhões de litros – o suficiente para abastecer 38 milhões de pessoas – acontece entre a retirada dos mananciais e a chegada às torneiras.
Distribuição da água
É preciso lembrar também que, das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços não estão disponíveis para consumo humano. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível, mas mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país. Essa situação faz com que metrópoles dos estados do Sul/Sudeste e Nordeste brasileiros sejam obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente. Cada nova represa e reservatório de água provocam desmatamento e, assim, contribui para diminuir o ciclo das chuvas e a quantidade de água doce disponível nessas regiões.
Felicidade a qualquer custo pode ser uma das razões da violência
São muitos os casos envolvendo a violência contra crianças. O que será que está acontecendo com as famílias, tendo em vista que uma grande parte dessas agressões vem dos próprios pais ou parentes? É uma sociedade doente, com valores doentes, com a elevação em primeiro lugar de importância o ter, o possuir em contraposição ao ser, ao repartir.
A competição desenfreada da sociedade moderna, notadamente as que se encontra em países em processo de desenvolvimento, mas com valores culturais e históricos de valor, faz criar e crescer adultos impiedosos, gananciosos que raciocinam e operam sempre a partir de seus umbigos e interesses.
Outro dia conversando com um rapaz que passou mais de seis anos nos Estados Unidos onde entregava pizzas me fez refletir sobre uma informação que talvez seja procedente e ajude a explicar essa índole nacional. Ele me dizia filosoficamente “No Brasil somos empurrados a achar que devemos ser felizes o tempo todo: futebol, praia, piadas, etc. Nos Estados Unidos não se tem essa mentalidade. Lá ninguém acha que está fora do mundo porque é sério, preocupado e até deprimido”, dizia ele. E não é que parece fazer muito sentido.
A exigência de que sejamos felizes e que aproveitemos o que tem de bom o tempo todo nos faz perder a noção de determinados limites; e espancar os filhos é um deles. Se é possível numa sociedade como a nossa que espanquemos nossos filhos e em alguns casos algumas pessoas vão tão longe que até os matam, o que esperar de outras pessoas desta mesma sociedade sem grau de parentesco com as vítimas inocentes? Lembremos de diversos casos que não conseguimos esquecer: do menino preso ao carro arrastado pelas ruas do Rio de Janeiro por bandidos em fuga. Dos casos onde pessoas próximas seqüestram e matam crianças indefesas em troca de bens materiais e dos casos absurdos em que a própria existência da criança atrapalha a vida dos adultos.
Voltando ao desatino que é buscar a felicidade e o aproveitamento a qualquer custo da para perceber que nessa situação está uma das raízes do desamor e do desrespeito com o próximo e, às vezes, próximos demais: filhos, por exemplo. Esse estar sempre aproveitando é que nos faz tolerar as pequenas e sutis violências do dia-a-dia, diferente daquelas que consiste na agressão física propriamente dita, mas que é silenciosa, perpetrada às vezes a luz do dia, debaixo dos olhos da sociedade e das autoridades, portanto até mais difíceis de combater.
Uma das facetas dessa violência que se lança contra a infância e juventude brasileira são as despejadas diariamente pela mídia através das programações obscenas, impróprias, desqualificadas e infames que chegam a ofender os valores morais, espirituais, a pureza e a inocência que seria desejável num ser em desenvolvimento. Fico pasma com mães ou parentes de crianças novinhas que se deliciam às gargalhadas com a dança do “creu” e outras similares fazendo disso motivo de orgulho. Pobres crianças que pouco entendem o significado de certas coisas e tem a sua sexualidade estimulada cada vez mais precocemente. Quem começa não respeitando as etapas de crescimento do ser humano do qual deveria ser um dos responsáveis pode-se esperar muito mais, até mesmo o espancamento, assunto que iniciamos lá trás.
A própria internet que é um ótimo instrumento também tem sido utilizada para fomentar a globalização da violência infanto juvenil, quando promove o intercâmbio da hedionda exploração sexual de crianças e adolescentes entre os pedófilos.
Livrar nossas crianças e adolescentes dos diversos tipos de violência não é tarefa simples. Talvez comece pelo brasileiro entender que não precisa levar vantagem em tudo e nem ser feliz a qualquer custo e mudar seu comportamento. Pessoal especializado, vontade política dos governantes, dos deputados que, em tese fazem as leis e do judiciário que deveria fazê-las serem cumpridas se espera muito mais. Quem tem poder como os detentores da mídia, por exemplo, tem um papel de vital importância nisso tudo.
Semear bons costumes, respeito à vida humana e a promoção de valores humanitários no lugar de estimular a competição cega e sem ética, a visão de que é preciso estar feliz e realizado com muitos bens materiais o tempo todo já ajuda. Cada um de nós pode contribuir de algum modo orientando tanto quanto possível nossos filhos e netos com valores humanistas; cobrando sempre das autoridades providências nas várias frentes cultural e educativa principalmente e denunciando as agressões e os agressores quando for necessário; sejam eles programas de televisão nocivos ao crescimento das crianças mentalmente sadias ou aos pais, mães, madrastas e padastros ensandecidos que acham que podem decidir ao seu bel prazer sobre a vida humana em formação que eles deveriam ajudar a cuidar. (JMN)