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Para entender a aliança DEM e PMDB em São Paulo

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Para fazer uma honesta análise política do que significa essa recém aliança DEM e PMDB em São Paulo temos que lembrar de alguns pressupostos fundamentais..

Desde a posse do presidente Lula para o segundo mandado, os governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) disputam a indicação do PSDB para disputar a sucessão presidencial em 2010. Cacifado por 40 milhões de votos, o ex-governador Geraldo Alckmin (SP) também está no jogo, em desvantagem, há que se reconhecer, por não estar ocupando nenhum cargo relevante. No campo governista sem nenhum candidato natural só Lula seria o nome mais forte para suceder a si próprio, entretanto, a atual legislação o impede de concorrer.

Até o estabelecimento da aliança entre o DEM e o PMSDB em São Paulo, em dificuldades, estava o governador José Serra para continuar atrás do seu objetivo de ser o presidente do Brasil. Há de se lembrar que Serra tem feito um governo inexpressivo em São Paulo. Na somatória de suas notícias na imprensa; muita notícia ruim e quase nada positiva.

Enquanto Serra patinava o rival Aécio Neves fazia charme ao PMDB: dava palpites na eleição municipal de São Paulo dando força a pretensão de Alckmin e costurava uma aliança ecumênica em Belo Horizonte que deverá unir todos os partidos com exceção do DEM e alguns nanicos de Minas Gerais. Charmoso, pois, além disso, tudo ainda namora a miss Brasil Natália Guimarães. Está no gosto popular.

Voltando a São Paulo, com Alckimin colocando-se na passarela com sua pré-candidatura a prefeito de São Paulo piorou a situação de Serra que sempre defendeu uma aliança para eleger Gilberto Kassab (DEM). Desafiador, o ex-governador Alckimin comentou que “nunca viu o primeiro colocado nas pesquisas”, que é o seu caso entre os adversários da eventual candidata Marta Suplicy pelo PT, “abrir mão para o terceiro colocado”, caso o Kassab. Como, entretanto, o mundo gira, Serra trabalhou em silêncio e quando todo mundo dava como certa a aliança entre o PT e o PMDB, eis que o ex-governador Orestes Quércia anuncia publicamente o seu apoio à reeleição de Kassab. De tabela falou que Serra é um bom nome à sucessão de Lula e para apaziguar os ânimos prometeu apoiar Alckmin para o governo do Estado em 2010, se ele abandonar a disputa a prefeitura, claro.

Gol de Serra, pois foi ele quem deu o aval à negociação do DEM com o Quércia e foi o próprio Serra que garantiu a vaga de senador para Orestes Quércia em 2010. Kassab faria à mesma negociação, mas não tinha cacife para tanto. Serra comandou a negociação dos espaços que serão reservados ao PMDB na administração do Estado e da capital, caso a chapa DEM-PMDB vença as eleições deste ano. A jogada de Serra, se aproximando do PMDB paulista, tem dois objetivos de seu interesse. Primeiro isolar Alckmin e Aécio que flertavam com o PMDB que também queriam minar o Serra e para Serra o mais importante: mostrar ao presidente Lula que o PT não está tão forte como se imagina para 2010.

Claro que não foi o PMDB todo que foi conquistado existe tantas as divisões nesse partido, mas a seção paulista, forte dentro do PMDB nacional, vai levar consigo outros estados e diretórios importantes. Serra reequilibrou o jogo, mas ainda não conseguiu algo que está fora do seu alcance: controlar a vontade de Alckimin. Toda a pressão agora será nessa direção: fazer com que Alckmin desista da disputa o que ele já registrou não o fará; mesmo porque segue bem nas pesquisas e hoje disputaria o segundo turno com Marta Suplicy, tudo que o Serra não quer.

Se Alckimin disputar a eleição e perder já era. Mas na hipótese de ele se tornar o prefeito de São Paulo sairia fortalecido e por tabela também o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Alckmin poderia pleitear tanto a disputa do governo de São Paulo quanto da presidência, caso Aécio queira ficar fora desta. Nesse caso, Serra teria de abrir a sua caixa de bondades aos inimigos íntimos ou ir para a disputa de uma reeleição em São Paulo dependendo do que Alckimin e Aécio resolverem.

Como se vê Alckmin se coloca como pedra no sapato de Serra e parece evidente que o cenário político caminha uma vez mais para um clima de acirramento. Da nossa parte ficamos atentos e voltaremos em breve para explicar o que é esse PMDB um partido profissional que sobrevive nas mais diversas circunstâncias. (JMN)

Written by Página Leste

25 de abril de 2008 às 17:33

Publicado em Notícias e política

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