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Brasileiro gastam cinco vezes mais água que o indicado pela OMS

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No dia 22 de março comemora-se o Dia Internacional da Água, uma ótima oportunidade para mudarmos a forma de pensar a questão da água no Brasil. Pesquisas indicam que o brasileiro gasta, em média, cinco vezes mais água do que o ideal: 40 litros diários por pessoa. No Brasil são 200 litros dia/pessoa, em média.
“Infelizmente, o brasileiro acha que como temos bastante água no Brasil, não é preciso economizar. Pelo contrário, temos regiões em que se você dividir o volume de água pela população, podemos considerá-las como áreas de déficit hídrico, como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo”, explicou o chefe das assessorias da Agência Nacional de Águas (ANA), Antônio Félix Domingues.

Faltam políticas globais de incentivo ao uso racional da água e as iniciativas existentes estão sempre voltadas para o aumento da produção de água, e não para a diminuição do consumo. “Até quando vamos deixar as campanhas de uso racional da água nas mãos das concessionárias; isto é contraditório, porque o negócio delas é vender água, assim, quanto maior o consumo e, por decorrência, a venda de água, mais as concessionárias lucram”, destaca Paulo Costa, consultor e especialista em projetos de Uso Racional da Água.

Segundo o especialista “Programas racionalizadores do uso da água foram empregados com sucesso por cidades no exterior”. A Prefeitura de Nova York  implementou um programa de incentivo à substituição de equipamentos gastadores de água por outros, racionalizadores.  Com o programa os consumidores passaram a economizar até 35% na sua conta de água mensal. Além disso, constataram que conservar/economizar 100 milhões de litros de água, por exemplo, sai até um quarto do custo exigido para captar, tratar e distribuir igual volume de água, ou seja, é muito mais barato racionalizar do que aumentar a produção.

Diariamente nas capitais brasileiras o desperdício de água potável equivale a 2.500 piscinas olímpicas (em média 2,5 milhões de litros de água). E a culpa neste caso, não é apenas do consumidor. A perda de cerca de seis bilhões de litros – o suficiente para abastecer 38 milhões de pessoas – acontece entre a retirada dos mananciais e a chegada às torneiras.

Distribuição da água
É preciso lembrar também que, das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços não estão disponíveis para consumo humano. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível, mas mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país. Essa situação faz com que metrópoles dos estados do Sul/Sudeste e Nordeste brasileiros sejam obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente. Cada nova represa e reservatório de água provocam desmatamento  e, assim, contribui para diminuir o ciclo das chuvas e a quantidade de água doce disponível nessas regiões.


Written by Página Leste

22 de abril de 2008 às 10:46

Publicado em Meio Ambiente

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