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TV poderia insistir em campanhas por bons modos

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Recentemente escrevi aqui neste espaço sobre a falta de educação das pessoas e destacava que quanto mais carente o local, mais o problema saltava aos olhos. Fui cumprimentada pela coragem e pela assertiva na abordagem que lembrava que falta de modos perpassa as várias classes sociais, mas que tínhamos um olhar paternalista para quando essas coisas acontecem junto às classes mais desfavorecidas. Insistia, naquele texto, que não estava correto continuar a passar a mão na cabeça das pessoas perdoando toda e qualquer falta de modos.
O duro é ter que voltar ao assunto, que parece não vai ser resolvido tão já e, mais, parece que vai persistir. A falta de educação continua e insiste em agredir os sentidos de quem é obrigado a viver em sociedade com gente que não sabem faze-lo.
Desta vez não está somente nas classes populares e até é comum nos aspirantes à classe média ou classe alta. Apesar das posses e recursos que podem dispor seja lá por que métodos tenha sido ainda encontro péssimos exemplos por todo canto. Outro dia estava parada no trânsito em uma grande avenida e de dentro de um carro à minha frente; desses que não custam menos de R$ 45 mil, ou seja, não é para qualquer um, o motorista não teve a mínima cerimônia em juntar e amassar muito mal amassados vários panfletos que estavam; segundo o que deveria estar passando na cabeça dele: sujando o seu carro. Pois bem, o ‘Malamané’, que pensa ser malandro, mas é mané jogou tudo no chão. Como estava mal amassado, ao caírem, os panfletos se separaram espalhando “ofertas” por todo o chão.
Me contive. A vontade era dar uma longa e sonora buzinada para ver se o Malamané se tocava da sua ação completamente reprovável. Será que ele não sabe que papel é reciclável e que o papel é resultado de árvores tombadas? Conhecer o carro do ano ele conhecia, inclusive ele cuida bem porque não deixa sujeira dentro dele, mas os bons modos, isso ele não conhece.
Pois bem, comportamentos desse tipo repetem-se quase todos os dias e vêm de pessoas que à priori deveriam ter alguma formação. Mas embaixo, com quem tem pouca ou nenhuma informação o que encontramos então? Outros tantos exemplos de como não conviver em sociedade e aqui tão grave quanto os panfletos lançados fora do carro.
Dezenas de reportagens têm sido feitas pela Gazeta de São Mateus que envolviam a existência de lixos e entulhos jogados nos lugares mais inadequados. Na maioria das vezes, tenho de reconhecer, a prefeitura, através das subprefeituras têm, após a reclamação do munícipe ou da divulgação da reportagem providenciado a limpeza e a remoção do lixo ou do entulho para um local mais adequado.
O duro é constatar que em pouquíssimo tempo depois, muitas vezes, o local que foi limpo pela Prefeitura volta a ser ocupado por lixo doméstico ou entulho. Quem colocou lá, com certeza, não foi à prefeitura. Foram, de novo, os munícipes, na maioria das vezes, moradores do próprio local. Os locais escolhidos são, quase sempre, os mesmos: terrenos baldios, terrenos públicos, cabeceiras de rios, córregos, ao lado dos muros de equipamentos públicos e por ai vai.
Fica na compreensão das pessoas de que o lixo não estando na sua porta ou dentro do seu carro, no caso acima, tudo bem, pode ficar na frente da casa do outro ou nos espaços públicos que é de todo mundo, mas não é de ninguém. Gente que age assim é daquele tipo que acha que pode escutar suas músicas a qualquer horário, no volume que quiser porque está dentro da sua casa. O que ele não entende ou finge não entender é que a casa dele está dentro de uma rua que, por sua vez, está dentro de um bairro, que por sua vez, está dentro de uma cidade, que por sua vez, para encurtar o rosário está dentro do planeta que é de todos e que, sem regras respeitosas de convivência é o que vemos: ignorância e falta de modos por toda parte.
São aquelas mesmas pessoas, desde os pobres até os classe médias que dizem “a rua é pública” para justificar travessuras de crianças, adolescentes, jovens e até adultos em praça pública.
A minha opinião que já sei, é compartilhada por muita gente, mas muita gente mesmo, ainda é um pingo no oceano. Os córregos continuarão sendo os destinos de sacos inteiros de lixos domésticos que, se fossem reciclados, diminuiria sensivelmente os aterros nas grandes cidades. A prefeitura, quando está operante ou é lembrada pelos munícipes ou pelas reportagens vai limpar a avenida por onde passam os carros de luxo. Vai também recolher os restos dos córregos e bueiros. Vai também recolher as milhares de embalagens pet dos refrigerantes que insistem em aparecer boiando pelas ruas durante a enchente.
Mas ainda é pouco. Se não houver uma insistente e competente campanha, principalmente nos canais da televisão aberta, que são concessões do governo, para educar e educar e educar o povo a situação vai continuar a mesma.
Apesar da resistência dos grupos que controlam as comunicações, o governo tem que interferir nas programações criando e exigindo que a TV lembre os espectadores, muitas vezes ao dia, da necessidade de que todos tenham educação suficiente para ajudar a preservar o que é coletivo; produzir pouco lixo reciclá-lo e não jogar o que sobra em qualquer lugar.
 

Written by Página Leste

31 de janeiro de 2008 às 8:24

Publicado em Sem categoria

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