São Paulo: uma cidade complexa, mas atraente
Tudo em São Paulo, a cidade, é de arrepiar. Os números sempre impressionam somente em automóveis a frota ultrapassa 4 milhões mais meio milhão de motocicletas. Se saírem simultaneamente o engarrafamento será como uma cena de fim-de-mundo.
São também quase 11 milhões de habitantes; seres humanos respirando, produzindo lixo em quantidades astronômicas, consumindo. Alguns produzindo outros tantos parasitando. São crianças, jovens, adultos e muita gente na terceira idade. Uma das maiores metrópoles do planeta que apresenta desafios diários e constantes, notadamente desafios sociais e ambientais.
A contagem de moradores de rua feita com alguma regularidade já indicou acima de 10 mil moradores em situação de rua só no centro expandido da cidade. Desempregados também são muitos embora o índice de desemprego venha caindo paulatinamente no governo do presidente Lula como resultado da pujança econômica verificada no país.
A cidade de São Paulo já foi destino de muito brasileiros em todas as épocas. Para cá vieram e foram bem recebidos nortistas, nordestinos, sulistas. Gente do centro ou dos cantos do Brasil para cá se dirigiram em busca de oportunidades que a cidade desenvolvida economicamente oferecia. Foram diversas geração de trabalhadores que fizeram seus pés-de-meia e constituíram famílias inteiras nesta cidade. Para alguns em meados do século passado as coisas eram mais fáceis e, com vontade e determinação se conseguia alguma coisa. Para outros as épocas mais recentes é que foram melhores.
Do ponto de vista do desenvolvimento industrial é certo que foram nos anos 60 e 70 que o maior desenvolvimento se verificou, depois dessas décadas as principais oportunidades eram no setor terciário de comércio e serviços. Atualmente algumas regiões da cidade têm um perfil todo ajustado para serviços, tanto é assim que indústrias e mais indústrias saíram da cidade em busca de maiores benefícios e incentivos frutos da guerra fiscal que viveu períodos de grande intensidade até que fosse regulada parcialmente pelo governo.
Um fenômeno recente tem se verificado que é a saída de pessoas que moravam e trabalhavam na cidade para o interior do estado ou outras regiões do país e é bom que assim seja, pois se trata de um sinal que existe possibilidade e algum vigor econômico em outras regiões do país outro fenômeno recente.
Entretanto continua chegando gente e mais gente na cidade. Parte delas expulsa economicamente de regiões que em virtude de um desenvolvimento desigual aportam na cidade das oportunidades. Todos são bem recebidos e nenhuma restrição é feita, entretanto as oportunidades estão cada vez mais escassas e o destino de vários migrantes não são dos melhores.
É daí que vem a ocupação desordenada e depauperada do solo urbano. Crescem as favelas, ocupações irregulares e a formação de cortiços com famílias inteiras. Cresce também as ocupações irregulares em busca de trabalho e renda transformando o que poderia ser o oásis no deserto em caldeirão de problemas.
São muitos e intensos os problemas da cidade. Devastação vegetal, poluição de rios e córregos, violência, tráfico de drogas, ignorância, falta de educação. Trânsito caótico, consumo desenfreado e produção de lixo em quantidades astronômicas. Se São Paulo tem de tudo, mas não está ao alcance de todos, também tem problemas que afetam grandes contingentes da população diretamente e as outras indiretamente. Trânsito e enchentes, por exemplo, é possível que atinja a todos; uns mais gravemente e outros nem tanto, mas que é um problema da maioria isso é.
São 454 anos dos quais quase 60 de desenvolvimento acelerado e não planejado. De riquezas que fica nas mãos de poucos e de mazelas para a maioria. Isso é São Paulo e para quem é daqui nenhuma novidade. São Paulo, entretanto, tem uma aura, uma magia, um encontro da Avenida Ipiranga com a Avenida São João que só os poetas podem descrever com alguma beleza porque, a leitura economicista e sociológica da cidade apontam para uma coisa mais sombria. São esses os encantos da cidade: alguns a odeiam profundamente, outros a adoram, mas a maioria tolera, vive, se reproduz nessa grande cidade.
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