2007: economia sustentou o governo Lula
Olhando para a economia nacional, o ano de 2007 foi muito positivo para o Brasil. O resultado final do crescimento do PIB ainda não foi divulgado, mas as estimativas mais rigorosas já são de algo em torno de 5% em relação ao ano de 2006, podendo até ser maior. A taxa básica de juros (Selic) ainda é muito alta, entretanto, em termos reais é a menor dos últimos 30 anos e a mais baixa da história. Atingindo a menor taxa, desde que começou a ser medido pelo IBGE, o desemprego dever fechar na casa dos 7% da população economicamente ativa. O reflexo desta situação pôde ser visto nas vendas de Natal com o comércio varejista projetando um crescimento recorde de cerca de 10% em relação ao ano anterior. Conclusão: o melhor Natal dos últimos 10 anos.
É essa economia que sustenta a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também fechou o ano com aprovação recorde, em um patamar superior aos 60%, o mesmo capital político que conquistou durante a reeleição quando disputou com Geraldo Alckmin (PSDB).
Quando falamos em taxas, parece que estamos falando de fantasmas, além do que, o Brasil já cresceu bem mais em outras ocasiões sem que isto tivesse revertido em benefícios para a população mais pobre e carente. Essa é a diferença agora. Em números reais, o fato é que, desde a posse de Lula em 2003, 20 milhões de brasileiros migraram das classes D e E da população para a C. Continuam pobres, mas já não são miseráveis. O aumento de crédito tem deixado os brasileiros endividados, mas tem permitido aos mais pobres o acesso a bens de consumo que eles não teriam de outra forma. É um salto no nível de vida dessas pessoas. Segundo o comércio, nunca se vendeu tanto eletrodoméstico, computador e até mesmo automóvel no país como em 2007; movimento para cima que se deve em boa parte à política de estímulo ao crédito do governo federal.
Mesmo assim há dois tipos de crítica que se pode fazer à política econômica de Lula. Para os tucanos, o país está perdendo uma série de oportunidades porque poderia crescer muito mais se aplicasse à ferro e fogo o receituário neoliberal e a “boa gerência” que para os tucanos se traduz em mais privatizações, corte de gastos sociais, diminuição do tamanho do Estado e uma gerência mais rígida das contas públicas. O PSDB ainda sustenta que o governo vai bem, mas que não é por méritos próprios e sim porque a economia mundial vive um momento excepcional, um argumento duvidoso e estranho uma vez que o Brasil não se abalou com a crise que atingiu o capitalismo mundial em agosto, a partir das hipotecas de alto risco, as chamadas subprimes. Desta vez, diferente do que pregavam os tucanos, o Brasil não foi nem de perto afetado pelo mau humor dos mercados financeiros.
Na outra ponta, a crítica da esquerda radical ao governo federal parte do pressuposto diametralmente oposto ao dos tucanos e dos democratas do DEM. Para o pessoal do PSOL, PSTU e mesmo parcela do PT, o pecado de Lula é manter o modelo herdado de Fernando Henrique, o que é parcialmente uma verdade. O grande problema desta crítica é não apresentarem alternativas ao que vem sendo feito. Dívida externa e rompimento com o FMI já foram resolvidas pelo atual governo que já pagou o que devia ao Fundo e ao Clube de Paris rompendo, sem nenhum problema, os laços com o FMI. Além disso, é sabido que a dívida externa é quase toda ela da iniciativa privada e não mais do governo. Sobre a dívida interna, esta, sim, um grande problema não se ouve palavra dos críticos à esquerda.
Já na grande política nenhuma grande novidade, o governo ampliou sua base no Congresso formando uma maioria nem sempre estável, como ficou provado na única votação que de fato importava: a prorrogação da CPMF. É bem verdade que nem o governo se esforçou tanto, pois a perda do imposto do cheque deverá ser compensada com o aumento de impostos e cortes no Orçamento dos próximos anos. Aparentemente a aposta desse governo são os vários PACs, que significam obras a rodo, com foco na infra-estrutura que permita o crescimento econômico do país. Se o cenário internacional não mudar, nada indica que o presidente veja diminuída sua popularidade com alguma chance até de fazer o sucessor. Por enquanto, especialmente após o resultado do plebiscito venezuelano, a hipótese de um terceiro mandato, sempre negada pelos arautos do governo está descartada, mas poderá voltar à tona se nenhum nome do PT se firmar com condições de vencer em 2010. Fora isso, uma árdua caminhada rumo a uma candidatura parcialmente de consenso na base aliada.
No campo da oposição o destaque foi a firme atuação do DEM, que comandou o movimento contra a CPMF em meio aos vacilos do aliado PSDB. Ao lado do PSOL à esquerda, o DEM vai se firmando como partido de oposição apesar de já ter perdido vários parlamentares para a base aliada. O problema do DEM é a falta de uma liderança popular expressiva com viabilidade em uma eleição presidencial. O problema do PSOL, ainda em fase de crescimento é a demasiada dependência da liderança de Heloisa Helena, que tem se posicionado de forma bastante autoritária dentro do próprio partido. (JMN)
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