Paginaleste's Blog

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Archive for janeiro 2008

2007: economia sustentou o governo Lula

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Olhando para a economia nacional, o ano de 2007 foi muito positivo para o Brasil. O resultado final do crescimento do PIB ainda não foi divulgado, mas as estimativas mais rigorosas já são de algo em torno de 5% em relação ao ano de 2006, podendo até ser maior. A taxa básica de juros (Selic) ainda é muito alta, entretanto, em termos reais é a menor dos últimos 30 anos e a mais baixa da história. Atingindo a menor taxa, desde que começou a ser medido pelo IBGE, o desemprego dever fechar na casa dos 7% da população economicamente ativa. O reflexo desta situação pôde ser visto nas vendas de Natal com o comércio varejista projetando um crescimento recorde de cerca de 10% em relação ao ano anterior. Conclusão: o melhor Natal dos últimos 10 anos.
É essa economia que sustenta a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também fechou o ano com aprovação recorde, em um patamar superior aos 60%, o mesmo capital político que conquistou durante a reeleição quando disputou com Geraldo Alckmin (PSDB).
Quando falamos em taxas, parece que estamos falando de fantasmas, além do que, o Brasil já cresceu bem mais em outras ocasiões sem que isto tivesse revertido em benefícios para a população mais pobre e carente. Essa é a diferença agora. Em números reais, o fato é que, desde a posse de Lula em 2003, 20 milhões de brasileiros migraram das classes D e E da população para a C. Continuam pobres, mas já não são miseráveis. O aumento de crédito tem deixado os brasileiros endividados, mas tem permitido aos mais pobres o acesso a bens de consumo que eles não teriam de outra forma. É um salto no nível de vida dessas pessoas. Segundo o comércio, nunca se vendeu tanto eletrodoméstico, computador e até mesmo automóvel no país como em 2007; movimento para cima que se deve em boa parte à política de estímulo ao crédito do governo federal.
Mesmo assim há dois tipos de crítica que se pode fazer à política econômica de Lula. Para os tucanos, o país está perdendo uma série de oportunidades porque poderia crescer muito mais se aplicasse à ferro e fogo o receituário neoliberal e a “boa gerência” que para os tucanos se traduz em mais privatizações, corte de gastos sociais, diminuição do tamanho do Estado e uma gerência mais rígida das contas públicas. O PSDB ainda sustenta que o governo vai bem, mas que não é por méritos próprios e sim porque a economia mundial vive um momento excepcional, um argumento duvidoso e estranho uma vez que o Brasil não se abalou com a crise que atingiu o capitalismo mundial em agosto, a partir das hipotecas de alto risco, as chamadas subprimes. Desta vez, diferente do que pregavam os tucanos, o Brasil não foi nem de perto afetado pelo mau humor dos mercados financeiros.
Na outra ponta, a crítica da esquerda radical ao governo federal parte do pressuposto diametralmente oposto ao dos tucanos e dos democratas do DEM. Para o pessoal do PSOL, PSTU e mesmo parcela do PT, o pecado de Lula é manter o modelo herdado de Fernando Henrique, o que é parcialmente uma verdade. O grande problema desta crítica é não apresentarem alternativas ao que vem sendo feito. Dívida externa e rompimento com o FMI já foram resolvidas pelo atual governo que já pagou o que devia ao Fundo e ao Clube de Paris rompendo, sem nenhum problema, os laços com o FMI. Além disso, é sabido que a dívida externa é quase toda ela da iniciativa privada e não mais do governo. Sobre a dívida interna, esta, sim, um grande problema não se ouve palavra dos críticos à esquerda.
Já na grande política nenhuma grande novidade, o governo ampliou sua base no Congresso formando uma maioria nem sempre estável, como ficou provado na única votação que de fato importava: a prorrogação da CPMF. É bem verdade que nem o governo se esforçou tanto, pois a perda do imposto do cheque deverá ser compensada com o aumento de impostos e cortes no Orçamento dos próximos anos. Aparentemente a aposta desse governo são os vários PACs, que significam obras a rodo, com foco na infra-estrutura que permita o crescimento econômico do país. Se o cenário internacional não mudar, nada indica que o presidente veja diminuída sua popularidade com alguma chance até de fazer o sucessor. Por enquanto, especialmente após o resultado do plebiscito venezuelano, a hipótese de um terceiro mandato, sempre negada pelos arautos do governo está descartada, mas poderá voltar à tona se nenhum nome do PT se firmar com condições de vencer em 2010. Fora isso, uma árdua caminhada rumo a uma candidatura parcialmente de consenso na base aliada.
No campo da oposição o destaque foi a firme atuação do DEM, que comandou o movimento contra a CPMF em meio aos vacilos do aliado PSDB. Ao lado do PSOL à esquerda, o DEM vai se firmando como partido de oposição apesar de já ter perdido vários parlamentares para a base aliada. O problema do DEM é a falta de uma liderança popular expressiva com viabilidade em uma eleição presidencial. O problema do PSOL, ainda em fase de crescimento é a demasiada dependência da liderança de Heloisa Helena, que tem se posicionado de forma bastante autoritária dentro do próprio partido. (JMN)

Written by Página Leste

31 de janeiro de 2008 at 8:27

Publicado em Notícias e política

São Paulo: uma cidade complexa, mas atraente

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Tudo em São Paulo, a cidade, é de arrepiar. Os números sempre impressionam somente em automóveis a frota ultrapassa 4 milhões mais meio milhão de motocicletas. Se saírem simultaneamente o engarrafamento será como uma cena de fim-de-mundo.
São também quase 11 milhões de habitantes; seres humanos respirando, produzindo lixo em quantidades astronômicas, consumindo. Alguns produzindo outros tantos parasitando. São crianças, jovens, adultos e muita gente na terceira idade. Uma das maiores metrópoles do planeta que apresenta desafios diários e constantes, notadamente desafios sociais e ambientais.
A contagem de moradores de rua feita com alguma regularidade já indicou acima de 10 mil moradores em situação de rua só no centro expandido da cidade. Desempregados também são muitos embora o índice de desemprego venha caindo paulatinamente no governo do presidente Lula como resultado da pujança econômica verificada no país.
A cidade de São Paulo já foi destino de muito brasileiros em todas as épocas. Para cá vieram e foram bem recebidos nortistas, nordestinos, sulistas. Gente do centro ou dos cantos do Brasil para cá se dirigiram em busca de oportunidades que a cidade desenvolvida economicamente oferecia. Foram diversas geração de trabalhadores que fizeram seus pés-de-meia e constituíram famílias inteiras nesta cidade. Para alguns em meados do século passado as coisas eram mais fáceis e, com vontade e determinação se conseguia alguma coisa. Para outros as épocas mais recentes é que foram melhores.
Do ponto de vista do desenvolvimento industrial é certo que foram nos anos 60 e 70 que o maior desenvolvimento se verificou, depois dessas décadas as principais oportunidades eram no setor terciário de comércio e serviços. Atualmente algumas regiões da cidade têm um perfil todo ajustado para serviços, tanto é assim que indústrias e mais indústrias saíram da cidade em busca de maiores benefícios e incentivos frutos da guerra fiscal que viveu períodos de grande intensidade até que fosse regulada parcialmente pelo governo.
Um fenômeno recente tem se verificado que é a saída de pessoas que moravam e trabalhavam na cidade para o interior do estado ou outras regiões do país e é bom que assim seja, pois se trata de um sinal que existe possibilidade e algum vigor econômico em outras regiões do país outro fenômeno recente.
Entretanto continua chegando gente e mais gente na cidade. Parte delas expulsa economicamente de regiões que em virtude de um desenvolvimento desigual aportam na cidade das oportunidades. Todos são bem recebidos e nenhuma restrição é feita, entretanto as oportunidades estão cada vez mais escassas e o destino de vários migrantes não são dos melhores.
É daí que vem a ocupação desordenada e depauperada do solo urbano. Crescem as favelas, ocupações irregulares e a formação de cortiços com famílias inteiras. Cresce também as ocupações irregulares em busca de trabalho e renda transformando o que poderia ser o oásis no deserto em caldeirão de problemas.
São muitos e intensos os problemas da cidade. Devastação vegetal, poluição de rios e córregos, violência, tráfico de drogas, ignorância, falta de educação. Trânsito caótico, consumo desenfreado e produção de lixo em quantidades astronômicas. Se São Paulo tem de tudo, mas não está ao alcance de todos, também tem problemas que afetam grandes contingentes da população diretamente e as outras indiretamente. Trânsito e enchentes, por exemplo, é possível que atinja a todos; uns mais gravemente e outros nem tanto, mas que é um problema da maioria isso é.
São 454 anos dos quais quase 60 de desenvolvimento acelerado e não planejado. De riquezas que fica nas mãos de poucos e de mazelas para a maioria. Isso é São Paulo e para quem é daqui nenhuma novidade. São Paulo, entretanto, tem uma aura, uma magia, um encontro da Avenida Ipiranga com a Avenida São João que só os poetas podem descrever com alguma beleza porque, a leitura economicista e sociológica da cidade apontam para uma coisa mais sombria. São esses os encantos da cidade: alguns a odeiam profundamente, outros a adoram, mas a maioria tolera, vive, se reproduz nessa grande cidade.

Written by Página Leste

31 de janeiro de 2008 at 8:25

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TV poderia insistir em campanhas por bons modos

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Recentemente escrevi aqui neste espaço sobre a falta de educação das pessoas e destacava que quanto mais carente o local, mais o problema saltava aos olhos. Fui cumprimentada pela coragem e pela assertiva na abordagem que lembrava que falta de modos perpassa as várias classes sociais, mas que tínhamos um olhar paternalista para quando essas coisas acontecem junto às classes mais desfavorecidas. Insistia, naquele texto, que não estava correto continuar a passar a mão na cabeça das pessoas perdoando toda e qualquer falta de modos.
O duro é ter que voltar ao assunto, que parece não vai ser resolvido tão já e, mais, parece que vai persistir. A falta de educação continua e insiste em agredir os sentidos de quem é obrigado a viver em sociedade com gente que não sabem faze-lo.
Desta vez não está somente nas classes populares e até é comum nos aspirantes à classe média ou classe alta. Apesar das posses e recursos que podem dispor seja lá por que métodos tenha sido ainda encontro péssimos exemplos por todo canto. Outro dia estava parada no trânsito em uma grande avenida e de dentro de um carro à minha frente; desses que não custam menos de R$ 45 mil, ou seja, não é para qualquer um, o motorista não teve a mínima cerimônia em juntar e amassar muito mal amassados vários panfletos que estavam; segundo o que deveria estar passando na cabeça dele: sujando o seu carro. Pois bem, o ‘Malamané’, que pensa ser malandro, mas é mané jogou tudo no chão. Como estava mal amassado, ao caírem, os panfletos se separaram espalhando “ofertas” por todo o chão.
Me contive. A vontade era dar uma longa e sonora buzinada para ver se o Malamané se tocava da sua ação completamente reprovável. Será que ele não sabe que papel é reciclável e que o papel é resultado de árvores tombadas? Conhecer o carro do ano ele conhecia, inclusive ele cuida bem porque não deixa sujeira dentro dele, mas os bons modos, isso ele não conhece.
Pois bem, comportamentos desse tipo repetem-se quase todos os dias e vêm de pessoas que à priori deveriam ter alguma formação. Mas embaixo, com quem tem pouca ou nenhuma informação o que encontramos então? Outros tantos exemplos de como não conviver em sociedade e aqui tão grave quanto os panfletos lançados fora do carro.
Dezenas de reportagens têm sido feitas pela Gazeta de São Mateus que envolviam a existência de lixos e entulhos jogados nos lugares mais inadequados. Na maioria das vezes, tenho de reconhecer, a prefeitura, através das subprefeituras têm, após a reclamação do munícipe ou da divulgação da reportagem providenciado a limpeza e a remoção do lixo ou do entulho para um local mais adequado.
O duro é constatar que em pouquíssimo tempo depois, muitas vezes, o local que foi limpo pela Prefeitura volta a ser ocupado por lixo doméstico ou entulho. Quem colocou lá, com certeza, não foi à prefeitura. Foram, de novo, os munícipes, na maioria das vezes, moradores do próprio local. Os locais escolhidos são, quase sempre, os mesmos: terrenos baldios, terrenos públicos, cabeceiras de rios, córregos, ao lado dos muros de equipamentos públicos e por ai vai.
Fica na compreensão das pessoas de que o lixo não estando na sua porta ou dentro do seu carro, no caso acima, tudo bem, pode ficar na frente da casa do outro ou nos espaços públicos que é de todo mundo, mas não é de ninguém. Gente que age assim é daquele tipo que acha que pode escutar suas músicas a qualquer horário, no volume que quiser porque está dentro da sua casa. O que ele não entende ou finge não entender é que a casa dele está dentro de uma rua que, por sua vez, está dentro de um bairro, que por sua vez, está dentro de uma cidade, que por sua vez, para encurtar o rosário está dentro do planeta que é de todos e que, sem regras respeitosas de convivência é o que vemos: ignorância e falta de modos por toda parte.
São aquelas mesmas pessoas, desde os pobres até os classe médias que dizem “a rua é pública” para justificar travessuras de crianças, adolescentes, jovens e até adultos em praça pública.
A minha opinião que já sei, é compartilhada por muita gente, mas muita gente mesmo, ainda é um pingo no oceano. Os córregos continuarão sendo os destinos de sacos inteiros de lixos domésticos que, se fossem reciclados, diminuiria sensivelmente os aterros nas grandes cidades. A prefeitura, quando está operante ou é lembrada pelos munícipes ou pelas reportagens vai limpar a avenida por onde passam os carros de luxo. Vai também recolher os restos dos córregos e bueiros. Vai também recolher as milhares de embalagens pet dos refrigerantes que insistem em aparecer boiando pelas ruas durante a enchente.
Mas ainda é pouco. Se não houver uma insistente e competente campanha, principalmente nos canais da televisão aberta, que são concessões do governo, para educar e educar e educar o povo a situação vai continuar a mesma.
Apesar da resistência dos grupos que controlam as comunicações, o governo tem que interferir nas programações criando e exigindo que a TV lembre os espectadores, muitas vezes ao dia, da necessidade de que todos tenham educação suficiente para ajudar a preservar o que é coletivo; produzir pouco lixo reciclá-lo e não jogar o que sobra em qualquer lugar.
 

Written by Página Leste

31 de janeiro de 2008 at 8:24

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