PT de São Mateus discute sucessão
Ainda sob a presidência de Genival Feliciano Coelho o encontro reuniu filiados, militantes e os candidatos a substituí-lo nas próximas eleições internas que ocorrem antes do final de 2007. O chefe de gabinete do deputado estadual Zico Prado, João Carlos era um dos candidatos, Valdo Lopes, Marinho e Hamilton Clemente também assessor dos deputados José Genoino, federal e Adriano Diogo eram os quatro pretendentes.
Seguida da apresentação dos candidatos e resumo de suas propostas foram abertas três séries de 5 perguntas seguidas de respostas e considerações finais.
Primeiro a falar, João Carlos que tem uma história de participação através das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica e assessor de imprensa sindical nos metalúrgicos do ABC tinha como proposta fortalecer os movimentos sociais e populares respeitando sua autonomia. Para tanto propõe que numa gestão democrática o partido localmente se aprofunde nas questões como o Estatuto da Criança e do Adolescente, por exemplo, e abrir o diálogo propositivo com os outros segmentos da sociedade, incluindo os empresários.
Dizendo que havia tomado a decisão em sair candidato diante do que considera um grande desejo de mudanças entre muitos filiados ao DZ de São Mateus, Hamilton Clemente lembrou que falta debate no diretório com relação a que tipo de oposição deva ser feito ao Kassab (DEM) e Serra (PSDB). Resgatou sua história no PC do B e do início de atuação na ocupação do Jardim da Conquista quando foi convidado a participar das fileiras do PT. Apoiado pelo grupo do vereador Chico Macena quer um mandato democrático com o diretório não aparelhado por determinados candidatos ou parlamentares.
Já Marinho lembrou das dificuldades da atual executiva e expôs um pouco de sua própria trajetória como migrante nordestino que virou metalúrgico no ABC. Em São Mateus atua no comércio como micro empresário e no Jardim Alto Alegre onde está desde 1978, como dirigente de uma entidade que lutou pela regularização do loteamento. No governo Marta foi assessor da infra-estrutura da subprefeitura de São Mateus. Em outra direção lembrou que o PT deve muito a São Mateus que ajudou a eleger de forma espetacular o presidente Lula. “Quero ser diferente quero exercer as resoluções do congresso e do estatuto. Se colocarmos na prática o que está escrito, o Brasil mudará”, considera. Reconhece que o desgaste das direções é uma coisa natural, portanto propõe a renovação se dizendo representante dos nanicos.
Último a se apresentar o atual secretário de formação política, Valdo Lopes também lembrou que foi coordenador na campanha eleitoral de Lula presidente na região e sobre suas lutas mais amplas, por exemplo, nas lutas da área da saúde e previdenciária.
Abertas as perguntas do primeiro bloco os filiados participaram querendo ouvir dos pretendentes respostas concretas e objetivas, o que nem sempre foi possível. As perguntas giraram em torno da desorganização das fichas de filiações; da falta de projeto de oposição com relação à subprefeitura de São Mateus; sobre como fazer com que os filiados, inclusive, os mais afastados tenham conhecimento das resoluções do Congresso do PT; como disputar a opinião da juventude com relação à perspectiva petista para a sociedade e como proceder para explicar a ocorrência dos fatos envolvendo membros da direção petista em 2005; além de quais propostas para trazer novos militantes a participar do DZ.
Para Valdo Lopes, primeiro a tentar responder o PT sempre teve com os movimentos sociais, principalmente na saúde. Com um funcionamento coletivo ficarão a disposição para os filiados. Lembrou que como secretário já tinha essa prática, mas era pouco procurado. Considera que a população está ao lado do PT e que é necessário fazer oposição ao PSDB. Disse ser necessário organizar o movimento estudantil e que não é possível o partido andar na região sem a participação dos filiados.
Marinho lembrou que a maioria entre os presentes era de representante de algum gabinete e que o partido está desorganizado. “Precisamos separar o joio do trigo”, comentou e disse ser necessário organizar os jovens, trazer os militantes que estão afastados e explicar o que ocorreu no Congresso do PT.
Para Hamilton Clemente a região de São Mateus é uma das que mais teve influência do PT nas organizações sociais e faz tempo. É a região melhor organizada em termos de reivindicações, considera. “Quando ficamos no governo a situação ficou mais favorável. O Jd. São Francisco com a instalação do CEU é um exemplo de atuação positiva, mas não teve continuidade”, lembrou. Em relação às fichas tem desorganização. Propõe manter o diretório aberto com uma política de finanças que permita manter uma funcionária para operar o dia-a-dia. Trazer cultura, filmes, debates para os jovens e esclarecer a questão do mensalão são outras iniciativas propostas.
João Carlos lembrou que outras forças como a Democracia Socialista e Socialismo Solidário, entre outras estão apoiando-o nessa empreitada. Promete uma atuação conjunta e participativa. “Nas gestões anteriores já houve discussões aqui que emperraram por falta de quorum. Temos inscritos 3214 filiados, pode ter mais tem gente filiada que nem sabemos ao certo. Precisamos organizar isso”, comentou. A exemplo dele próprio, disse que os companheiros lotados em gabinetes podem ajudar com formas de fazer a informação circular. Sobre a oposição ao subprefeito diz que existem fatos, mas que não foram discutidos adequadamente pela Executiva. “Precisamos discutir as coisas e não dar soluções prontas”. Fazer eventos culturais, rever o discurso para atrair a juventude, ter atitudes propositivas e acesso as informações são outras propostas do candidato.
Segundo bloco de perguntas
O segundo bloco de perguntas, como habitualmente acontece em reuniões longas foram eivadas de considerações. Belarmino, por exemplo, lembrou que é necessário planejar ações que os unam e que as ações não estão isoladas. Lembrou do que considera retrocesso com a retirada pela atual administração do Orçamento Participativo e do Conselho de Representantes. Outra filiada, Claudete, considerou que não seria fácil apontar saídas para o DZ e que é necessário investir na formação de novos quadros. Já um dos diretores de entidade no Jardim da Conquista sugeriu iniciativas como bingo para arrecadar fundos para regularizar a situação do DZ e também criticou a organização em função da lista de filiados. Valdir queixou-se da falta de apoio mais significativo dos vários gabinetes petistas que tem algum vínculo com a região e queria saber a proposta para o trabalho com os movimentos. Raimundo lembrou que o PSDB está jogando duro contra o governo Lula, para não aprovar a CPMF.
Em resposta as considerações, Marinho quer colocar em prática o que está nos estatutos. Temos que ter prestação de contas e reforçou a crítica aos gabinetes que não ajudam os movimentos. Sobre o aterro em São Mateus não poupou críticas a eles próprios dizendo que chegamos tarde para interferir nesse assunto. Já Hamilton lembrou que a discussão ali deveria ser a questão local. Gostou da idéia de eventos para arrecadarem fundos e que a questão do aterro ou do lixo em São Paulo, tem que ser discutida com responsabilidade. Valdo voltou a defender a gestão de sua secretaria na gestão que esta quase no fim. “Havia reuniões regulares e até cursos de formação estavam sendo realizados; só não participou quem não tinha interesse”, emendou. Voltou a reafirmar a necessidade de estar inseridos no movimento estudantil. Último a responder esse bloco João reconhece as dificuldades, mas atentou para a necessidade da disciplina partidária que também é uma questão de unidade. “Se somos votos vencidos, temos que acompanhar a maioria”, sentenciou. Com relação aos movimentos lembrou que é preciso andar junto e não utiliza-los como correia de transmissão. Com relação aos eventos, vai além é acha que é preciso ações propositivas “porque o buraco é grande”.
Perguntas, respostas e considerações finais
Trazer os grandes debates nacionais para dentro do DZ e ter uma representação oficial, de preferência, pelo presidente nos debates e eventos da região, foi à indagação de um dos militantes. O atual presidente, Genival depois de lembrar que o sucesso ou o fracasso da atual gestão é resultado de uma ampla composição de forças “Tínhamos 15 forças na composição do diretório”, reforçou a necessidade de respeitar as hierarquias do partido. Raimundo e Lucimara tinham dúvidas como irão se desenvolver as relações com os movimentos sociais. Lucimara lembrou que uma medida da atual prefeitura deverá colocar um teto de apenas 29 termos de permissão de uso para camelôs. Os camelôs hoje em atividade são em 89. Como pode ficar isso, era a sua dúvida.
Durante as considerações finais os candidatos tentaram dar as respostas. Hamilton lembra que representar o PT na região já vem sendo feito. É a favor de trazer os debates nacionais; da mesma forma que reivindica uma marca própria do governo Lula na região. “A política do Lula está na região, mas acho que precisamos uma marca mais permanente, por exemplo, uma agência do INSS, na região que votou majoritariamente nesse governo”.
João disse que seria liberado do gabinete do Zico para trabalhar mais tempo e mais intensamente em São Mateus. Concordou com a cotização dos mandatos, mas lembrou que a contribuição é uma obrigação de todos. Reforçou a necessidade da disciplina partidária e da necessidade de ter propostas concretas para fazer oposição.
Valdo lembrou que sempre esteve na luta contra o lixão e Marinho que além de fazer finanças pedir o repasse das instâncias. Quanto aos camelôs apenas disse que no ano que vem vamos estar no governo de São Mateus. Dizendo-se orgulhoso do governo Lula, apóia a candidatura de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo e finalizou lembrando que o seu grupo é o espaço dos nanicos e convidou a diretora deste jornal, Luci Mendonça a divulgar as propostas. Foi o que acabamos de fazer de forma resumida.
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