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Brasil descobre petróleo, mas não pode abandonar biocombustível

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Quem, que hoje tenha mais de 30 anos de idade jamais ouviu falar em algum momento que o “Brasil é o país do futuro”? Quase ninguém. Eu mesmo ouvi falar isso muito tempo atrás e como acompanho com enorme interesse a políticas, os rumos e o que fizeram vários gestores do Estado durante longo período, muitas vezes achei que a afirmação era uma espécie de remédio para os males que vivíamos. Ficava assim: sofríamos hoje, agüentávamos firme porque sabíamos: o Brasil era o país de futuro, mas que nunca chegava.
Pois bem, não é que de uns tempos para cá a depender, é claro, de quem governa ou desgoverna esse país pode ser que a frase tenha razão de ser. O Brasil não deixará de investir em biocombustíveis por causa da descoberta petrolífera na Bacia de Santos, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não tenho motivos para desconfiar da afirmação. Segundo entendi, o presidente acha que o biocombustível tem duas finalidades importantes: aumentar a importância do Brasil na matriz energética mundial e ajudar a combater a poluição do planeta e, segundo: oferecer a possibilidade de se usar menos petróleo, que como sabemos, é um dos causadores do aquecimento do planeta.
O Brasil pode ser o país do futuro já no presente se der essa contribuição e se manter também à mistura do etanol em 25% nos combustíveis; outra boa iniciativa. Até a Europa se curvou ao que dá certo e promete misturar em na sua gasolina que vem do petróleo; 20% de etanol até 2020. Poderiam até começar mais cedo, uma vez que, de novo, no país do futuro já começaremos a misturar 2% de biodiesel no óleo diesel e quanto antes pretendemos chegar em 10% por cento esta mistura.
 Se todo o mundo caminhasse na mesma direção, poderíamos diminuir a emissão de CO2 e também gerar outros tantos de milhares de empregos no Brasil, América Latina e África que são os locais onde ainda se tem grandes áreas para plantar, e ajudar a agricultura familiar. Naturalmente, devemos levar os riscos de tornar toda a área em grandes agronegócios e expulsar as pequenas propriedades rurais e descuidar da rotatividade de plantios para conservar as áreas produtivas. Risco eminente e possível, não observar esse risco e permitir que aconteça é pegar o país do futuro já e torna-lo o país do futuro já em sem futuro mesmo.
Para as autoridades, o planeta tem que caminhar para a mistura do biocombustível no petróleo para dar mais longevidade a esse combustível que tem data marcada para acabar. Enquanto a matriz do desenvolvimento econômico ficar na dependência do uso intenso de petróleo, serão poucas as possibilidades de reverter os efeitos do aquecimento global. Até quando às grandes potências vão arriscar a existência da vida em troca do lucro fácil. A natureza exige respeito e já vem cobrando sua fatura pelo uso impensado e inapropriado.
Se a situação é essa e não é possível de ser escamoteada, como ficará então a situação do Brasil com a recém condição de se tornar um dos maiores produtores de petróleo do mundo, mesmo que ele ainda não possa ser extraído para amanhã. A descoberta ainda vai ter que esperar pelo menos uns cinco anos, enquanto a Petrobras se prepara do ponto de vista tecnológico para chegar a esse petróleo que está á quase 7 mil metros de profundidade, dizem os especialistas.
Passada essa fase o petróleo poderá gerar parte da riqueza que o país precisa e o colocará na condição de exportador. Poderá inclusive, ser um dos principais exportadores e dar alguma ficha no comércio internacional desse valioso produto.
A partir de agora e principalmente quando estiver retirando o petróleo, o país do futuro já vai depender e muito de um governo audacioso, independente, não submisso aos interesses internacionais imediatos e fazer valer sua aposta na ampliação do uso de combustíveis alternativos não poluentes. Vai precisar de muito saco roxo, se me permitem, para sustentar essa que seria a posição correta e coerente com o discurso atual e as necessidades do planeta.
Mas o jogo está sendo jogado. O interesse dos EUA no petróleo dos outros para poupar o pouco que tem não tem limites. Basta lembrar que por conta de manter acesso ao petróleo em países aliados ou subjugados no Oriente Médio, o atual presidente não se furtou a se manter em guerra no Iraque com a desculpa que só queria restituir a democracia naquele país. Os falcões, como são chamados, os governos beligerantes americanos podem até alucinar e sonhar com o uso intenso do petróleo que achamos. E ai, só um governo independente pode fazer frente à sedução ou a truculência. JMN

Written by Página Leste

17 de novembro de 2007 às 13:16

Publicado em Notícias e política

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